Diferente do que acontece na Europa, os Estados Unidos não exigem legalmente um seguro viagem para conceder visto ou permitir a entrada de turistas. Isso leva muita gente a viajar sem proteção nenhuma — uma decisão arriscada, já que os EUA têm um dos sistemas de saúde mais caros do mundo. Uma simples ida ao pronto-socorro pode custar milhares de dólares, e uma internação com cirurgia facilmente ultrapassa a casa das dezenas de milhares.
Neste guia, você vai entender qual é a cobertura mínima recomendada para uma viagem tranquila aos Estados Unidos, por que o valor sugerido gira em torno de US$ 50.000 ou mais, e quais pontos exigem atenção redobrada antes de fechar a compra — cobertura para COVID-19, esportes radicais e repatriação médica são os que mais geram surpresa desagradável quando não checados com cuidado. A ideia aqui não é assustar, mas equipar você com informação prática para escolher um seguro que realmente cumpra seu papel se algo der errado — sem pagar por coberturas que não servem para o seu perfil de viagem, nem economizar exatamente onde não deveria.
O essencial em 30 segundos
- >Os EUA não exigem seguro viagem por lei, mas o custo médico local está entre os mais altos do mundo — viajar sem cobertura é um risco financeiro real, não só teórico.
- >A cobertura médica mínima recomendada é de US$ 50.000; para viagens longas, esportes de aventura ou viajantes acima de 60 anos, o ideal sobe para US$ 100.000 a US$ 150.000.
- >Cobertura para COVID-19 e outras doenças infecciosas não é padrão em todas as apólices — confirme explicitamente antes de comprar.
- >Esportes radicais (esqui, mergulho, trekking pesado) geralmente ficam de fora da cobertura básica e exigem um módulo adicional pago à parte.
- >Repatriação médica e funeral são cláusulas que parecem detalhe no contrato, mas custam dezenas de milhares de dólares sem seguro — verifique se o teto de cobertura é suficiente.
01Por que contratar seguro viagem mesmo sem exigência legal
A comparação com a Europa costuma sair torta, então vale acertá-la antes: para turismo no Espaço Schengen, o brasileiro é dispensado de visto — até 90 dias a cada 180, só com o passaporte comum — e o piso de € 30.000 de cobertura médica faz parte das regras de concessão de visto, ou seja, vale para quem solicita visto de estudo, trabalho ou estadia longa. Os Estados Unidos, por sua vez, não impõem exigência de seguro a quem entra com visto de turista. Vale lembrar que o Brasil não participa do programa de isenção de vistos americano (ESTA): para o passaporte brasileiro, o visto B1/B2 é obrigatório. Isso significa que, tecnicamente, é possível embarcar sem nenhuma proteção médica.
O problema é que a ausência de exigência legal não reduz o risco financeiro. O sistema de saúde americano funciona majoritariamente em modelo privado, com preços tabelados por hospital e sem controle público de custos como existe no SUS ou em sistemas europeus. Um atendimento simples de pronto-socorro, sem internação, já costuma custar entre US$ 1.000 e US$ 3.000. Uma fratura com cirurgia pode passar de US$ 20.000.
Para dimensionar a internação, o número mais sólido disponível é a diária média hospitalar americana: US$ 3.297 por dia em 2024, média nacional apurada a partir do levantamento anual dos hospitais dos EUA. É só o leito — cirurgia, exames, honorários e medicamentos entram à parte —, e o paciente estrangeiro sem seguro costuma ser cobrado pela tabela cheia, bem acima do custo. Em terapia intensiva, a conta é várias vezes maior. Vale desconfiar dos números redondos que circulam: "US$ 15.000 por dia" descreve UTI pesada, não uma internação comum.
Não é exagero dizer que, nos Estados Unidos, um problema de saúde não planejado pode custar mais do que a viagem inteira. O seguro não é sobre 'se algo vai acontecer' — é sobre não deixar que um imprevisto pequeno vire uma dívida grande.
Por isso, mesmo sendo opcional no papel, o seguro viagem para os EUA deve ser tratado como item obrigatório no planejamento — no mesmo nível de prioridade que passagem e hospedagem.
02Cobertura mínima recomendada: quanto contratar
Não existe um valor único correto para todo mundo — a cobertura ideal depende do perfil da viagem, da idade dos viajantes e do tipo de atividade planejada. Mas é possível estabelecer faixas práticas de referência para orientar a escolha.
| Cobertura médica (DMH) | Perfil de viagem | Nível de proteção |
|---|---|---|
| US$ 35.000 | Viagem curta (até 7 dias), sem atividades de risco | Básico — abaixo do ideal para os EUA |
| US$ 50.000 | Viagem de turismo padrão, sem esportes radicais | Mínimo recomendado |
| US$ 100.000 | Viagens longas, roteiros com carro alugado, família com crianças | Recomendado |
| US$ 150.000 ou mais | Viajantes acima de 60 anos, condição de saúde preexistente controlada, esportes de aventura | Ideal / mais seguro |
DMH significa Despesas Médicas e Hospitalares — é o núcleo da apólice e o número que mais importa. Vale reforçar: o preço do seguro sobe pouco entre a faixa de US$ 50.000 e US$ 100.000 (geralmente um adicional de 15% a 25%), então, na dúvida, vale a pena contratar a faixa mais alta que o orçamento permitir.
03O que verificar antes de comprar: COVID, esportes radicais e repatriação
O valor total de cobertura anunciado na página de venda nem sempre reflete o que está realmente protegido. Três pontos merecem checagem manual no contrato antes da compra, porque são justamente onde ficam as exclusões mais comuns.
- COVID-19 e doenças infecciosas: confirme se está incluída no DMH padrão ou se exige cobertura à parte — e qual o teto de reembolso nesse caso
- Esportes radicais: esqui, snowboard, mergulho, rafting e trekking pesado costumam estar excluídos da apólice básica e exigem módulo adicional
- Repatriação médica e funeral: verifique se o teto de cobertura é suficiente (idealmente sem limite, ou acima de US$ 50.000) — um translado médico de emergência custa entre US$ 50.000 e US$ 100.000
Se o destino inclui estações de esqui (Colorado, Utah) ou trilhas em parques nacionais com classificação de dificuldade alta, o módulo de esportes de aventura deixa de ser opcional na prática — sem ele, um resgate em montanha pode não ser reembolsado.
04Coberturas extras que fazem diferença na prática
Além do DMH, algumas coberturas secundárias raramente são usadas, mas quando são necessárias, evitam prejuízo real e dor de cabeça na viagem.
- Bagagem extraviada ou danificada — útil em conexões internacionais com trocas de companhia aérea
- Cancelamento ou interrupção de viagem — reembolsa custos não recuperáveis em caso de imprevisto antes ou durante a viagem
- Extravio de documentos — cobre despesas para emissão de segunda via de passaporte em consulado
- Assistência jurídica — apoio caso haja algum problema com autoridades locais ou aluguel de veículo
- Odontologia de urgência — cobre apenas dor aguda, não tratamentos eletivos
Nenhuma dessas coberturas substitui o DMH — elas são complementares. Priorize sempre o valor da cobertura médica principal antes de escolher uma apólice pelo número de 'itens inclusos' no anúncio.
05Erros comuns na hora de escolher o seguro
A maioria dos problemas com seguro viagem não aparece na hora da compra — aparece na hora do sinistro, quando o viajante descobre uma exclusão que não tinha lido.
- Comparar só o preço final, sem olhar o valor de DMH por trás dele
- Assumir que o seguro do cartão de crédito é suficiente sem checar o certificado de cobertura
- Não declarar condição de saúde preexistente controlada (isso pode anular a cobertura em caso de sinistro relacionado)
- Deixar para contratar em cima da hora, perdendo o prazo de carência de algumas coberturas (como cancelamento de viagem)
- Não guardar o número de emergência da seguradora impresso e salvo no celular
O erro mais caro de todos é comprar cobertura baixa (US$ 15.000 a US$ 30.000) só para 'ter algum seguro'. Nos EUA, esse valor se esgota rapidamente diante de qualquer internação — e o viajante acaba pagando a diferença do próprio bolso mesmo tendo contratado uma apólice.
06Como comparar e contratar o seguro certo
Na hora de comparar cotações, ignore o preço isolado e monte uma checklist com os pontos que realmente importam para uma viagem aos EUA.
- Valor de DMH (mínimo US$ 50.000, ideal US$ 100.000+)
- Cobertura para COVID-19 explícita e com valor definido
- Necessidade ou não de módulo de esportes de aventura para o seu roteiro
- Teto de repatriação médica e funeral
- Existência de rede de atendimento com pagamento direto nos EUA (evita adiantar valores)
- Atendimento de emergência 24h em português
Com essa checklist em mãos, compare pelo menos 2 a 3 cotações de seguradoras diferentes antes de decidir — o valor final costuma variar bem menos do que a qualidade real da cobertura entre uma opção e outra.
Perguntas frequentes
Seguro viagem para os EUA é obrigatório?+
Qual o valor mínimo de cobertura médica recomendado?+
O seguro viagem cobre COVID-19 e outras doenças infecciosas?+
Esportes radicais como esqui e mergulho são cobertos automaticamente?+
O que é a cobertura de repatriação e por que ela importa tanto nos EUA?+
Seguro de cartão de crédito internacional é suficiente para os EUA?+
Quanto custa em média um seguro viagem para os EUA com boa cobertura?+
O que fazer se precisar usar o seguro durante a viagem aos EUA?+
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