Cartões e seguros

Seguro viagem do cartão Itaú Black: o que cobre de fato

US$ 175.000 de despesas médicas, sim. Mas também 60 dias no máximo por viagem, franquia de US$ 100 por evento, nada dentro do Brasil e nenhuma cobertura odontológica separada. A tabela real, linha por linha.

9 min de leituraAtualizado em 06/09/2026Por myroteiro
Imagine uma dor de dente no quarto dia em Lisboa. Dentista de plantão, conta paga no balcão, e a certeza tranquila de que dá para pedir reembolso depois — afinal, dizem por aí que o cartão Black cobre odontologia. Não cobre: não existe garantia odontológica nesse contrato, e o único item dentário que existe nele cabe em cem dólares por dente. Quem embarca acreditando no contrário descobre isso no pior momento possível.

O seguro do Itaú Personnalité Black é o MasterAssist Black, o contrato único que a Mastercard mantém com a AIG Seguros Brasil para os cartões Black emitidos no país (Processo SUSEP 15414.900762/2015-16). Ele é generoso no que é grande e cheio de arestas no que é pequeno. Este guia percorre a tabela vigente — a do Guia de Benefícios Mastercard Black de setembro de 2025, válida para bilhetes emitidos a partir de 15/10/2025 — e diz onde conferir cada número no seu próprio bilhete.

O essencial em 30 segundos

  • >Despesas médicas e hospitalares no exterior: US$ 175.000 por viagem — um dos tetos mais altos entre cartões emitidos no Brasil.
  • >Duração máxima de 60 dias corridos por viagem. O número de viagens no ano é ilimitado, a duração de cada uma não.
  • >Só vale no exterior. Viagem dentro do Brasil fica de fora da cobertura.
  • >Franquia de US$ 100 por evento nas despesas médicas e odontológicas no exterior — os primeiros US$ 100 são sempre seus.
  • >Não existe cobertura odontológica separada: apenas lesão de dente sadio e natural, US$ 100 por dente, dentro da cobertura médica.
  • >O bilhete de seguro precisa ser emitido antes do embarque — é regra da SUSEP, não política do Itaú — e vale 12 meses, não uma viagem.

01A tabela de coberturas do MasterAssist Black

O seguro não é do Itaú: é da bandeira. Todos os cartões Mastercard Black emitidos no Brasil respondem ao mesmo contrato com a AIG Seguros Brasil, e é por isso que estes valores podem ser publicados — eles não variam de banco para banco. Os números abaixo são os do Guia de Benefícios de setembro de 2025, aplicáveis aos bilhetes emitidos a partir de 15/10/2025.

CoberturaLimiteCondição que muda tudo
Despesas médicas e hospitalaresUS$ 175.000Só no exterior. Franquia de US$ 100 por evento
Traslado médico (remoção)US$ 100.000Remoção em condição médica, acionada pela central
Traslado de corpo (repatriação funerária)US$ 100.000Retorno ao Brasil
Atraso de bagagemUS$ 600A partir de 4 horas de atraso na chegada
Perda ou extravio definitivo de bagagemUS$ 3.000Eletrônicos limitados a US$ 500 por item
Atraso de vooUS$ 200A partir de 4 horas consecutivas
Cancelamento de viagemUS$ 3.000Só antes do embarque e por causa listada em contrato
Tratamento dentárioUS$ 100 por denteDentro da cobertura médica. Só lesão de dente sadio

As causas de cancelamento são uma lista fechada, não um princípio geral: morte, acidente ou doença grave, convocação judicial, quarentena. Desistir da viagem, mudar de ideia ou perder o interesse não entram — e um cancelamento decidido depois do embarque não entra em hipótese nenhuma.

O documento que manda é o seu, não esteEsta tabela é o padrão da bandeira, publicado e datado. O que vale juridicamente é o bilhete de seguro emitido no seu nome. O próprio Guia Mastercard registra, na página 2, que a seleção de benefícios do cartão pode variar conforme o emissor. Use os números daqui para saber o que perguntar — e confirme cada um no seu bilhete antes de embarcar.

02Os três limites que decidem antes de qualquer valor

Antes de olhar para os US$ 175.000, olhe para estes três. São eles que fazem a cobertura existir ou não existir — e nenhum aparece na propaganda do cartão.

1. Sessenta dias corridos por viagem

A cobertura vale por até 60 dias consecutivos em cada viagem. O número de viagens no ano é ilimitado, a duração de cada uma não. Quem sai para um intercâmbio, uma temporada de trabalho remoto ou uma volta ao mundo de três meses está coberto na primeira metade e completamente descoberto na segunda — sem nenhum aviso no meio do caminho. Para viagens longas, este é o primeiro número a conferir, antes de todos os outros.

2. Só no exterior

A cobertura é internacional. Viagem dentro do Brasil não entra. Um voo de São Paulo para Manaus com seis horas de atraso, uma internação em Salvador, uma mala perdida em Recife: nada disso é atendido pelo seguro do cartão.

3. Franquia de US$ 100 por evento

Nas despesas médicas e odontológicas no exterior há uma franquia de US$ 100 por evento: os primeiros cem dólares de cada ocorrência saem do seu bolso, sempre. Numa internação de milhares de dólares isso é detalhe. Numa consulta de urgência de US$ 130, é quase tudo.

03Dentista: a cobertura que todo mundo acha que tem

Não existe garantia odontológica autônoma no MasterAssist Black. O único item dentário do contrato é o tratamento resultante de lesão em dentes sadios e naturais, e ele vem com três amarras somadas:

  • Teto de US$ 100 por dente.
  • O valor sai de dentro da cobertura médica, não de uma verba própria.
  • Incide a franquia de US$ 100 por evento — ou seja, uma franquia do tamanho exato do teto por dente.

A tradução prática é curta: dor de dente, cárie, canal, coroa quebrada por mastigação e restauração antiga que soltou não são cobertos. O que é coberto é o trauma — um tombo, uma bolada, um acidente que quebra um dente que estava saudável — e, ainda assim, por um valor que na maioria dos países não paga a consulta de emergência inteira.

O que fazer com issoSe você tem tratamento em curso, implante recente ou histórico de problema dentário, o cartão não é a rede de segurança. Um seguro avulso com garantia odontológica própria resolve por uma fração do custo de uma urgência no exterior — e é uma das poucas situações em que vale contratar mesmo tendo um Black no bolso.
Correção desta páginaAté 05/09/2026 este guia anunciava uma cobertura odontológica de US$ 1.000 para trauma agudo. Ela não existe no contrato. Corrigimos em 06/09/2026 e mantivemos o aviso à vista, porque quem leu a versão anterior pode ter embarcado contando com um dinheiro que não estava lá.

04O bilhete de seguro: por que ele precisa sair antes do embarque

Sem bilhete de seguro emitido antes do embarque, não há cobertura. Essa é a pegadinha que mais custa caro — e ela costuma ser explicada errado, como se fosse uma exigência do Itaú.

Não é. É regra regulatória: a Resolução CNSP nº 315, de 2016, obriga a emissão do bilhete individual para o seguro viagem embutido em cartão, e vale para todos os emissores brasileiros. Nenhum banco pode dispensá-la, e nenhuma central pode inventar uma cobertura retroativa depois do sinistro.

Dois detalhes que quase ninguém sabe:

  • O bilhete vale 12 meses, não uma viagem. Emitido uma vez, ele cobre as viagens do período — respeitado o limite de 60 dias corridos em cada uma. Não é preciso repetir o processo a cada embarque, mas é preciso conferir a validade antes de sair.
  • A passagem precisa ser paga com o cartão. Comprou com milhas? Basta que as taxas tenham sido pagas com ele. E desde 15/10/2025 o MasterAssist Black aceita milhas de programa de terceiro, na mesma condição: as taxas no cartão.

A emissão é gratuita e sai pelos canais do emissor — aplicativo do banco, na área de benefícios do cartão, ou pela central do telefone impresso no verso do cartão. Guarde o PDF no celular e mande uma cópia para o seu e-mail: em emergência, o número do bilhete é a primeira coisa que a assistência pede.

Não anote telefone de guia nenhumOs números de assistência 24h mudam de contrato para contrato e de ano para ano. Os que valem são os que estão no seu bilhete e o do verso do seu cartão. Salve esses dois no celular antes de embarcar, e não confie em número copiado de artigo — nem deste.

05O que fica de fora — e o que não fica, ao contrário do que se diz

Duas crenças muito difundidas sobre o seguro de cartão são falsas, e as duas empurram gente a contratar o que já tem ou a desistir do que tem direito.

Doença preexistente não é exclusão automática

As condições da AIG são explícitas: estão cobertos os episódios de crise ocasionados por doença preexistente ou crônica, quando gerarem quadro clínico de emergência ou urgência. Quem tem diabetes, hipertensão ou condição crônica está coberto na crise. O limite é outro, e é real: a cobertura vai até a estabilização do quadro — não paga a continuidade do tratamento, nem o acompanhamento que vem depois, nem medicação de uso contínuo.

Não existe corte de gravidez por semana

Não há, nas condições dessas apólices, nenhum número de semanas a partir do qual a gestante perca a cobertura. O critério é o mesmo dos demais casos: emergência ou urgência, atendida até a estabilização. Se a sua viagem cai no fim da gestação, o que decide não é uma tabela de semanas — é o que o seu bilhete diz sobre complicações obstétricas e parto. Leia essa linha antes de comprar a passagem.

O que fica de fora de verdade

  • Qualquer coisa dentro do Brasil.
  • Tudo depois do 60º dia corrido da mesma viagem.
  • Os primeiros US$ 100 de cada evento médico ou odontológico.
  • Tratamento dentário que não venha de trauma em dente sadio.
  • Cancelamento por motivo fora da lista contratual, ou decidido depois do embarque.
  • Atividades de risco — esportes de aventura, mergulho, moto, alta montanha costumam ter exclusão ou limite próprio. Esta é uma linha que varia de bilhete para bilhete: se a viagem tem alguma delas no programa, procure a lista de exclusões do seu documento e leia-a inteira antes de reservar a atividade.

06Europa: brasileiro não precisa de visto de turismo

Circula muito a ideia de que é preciso um comprovante de seguro de € 30.000 para entrar no espaço Schengen. Para o turista brasileiro, isso é falso.

Brasileiros são dispensados de visto para estadas curtas de turismo no espaço Schengen — o Regulamento (UE) 2018/1806 lista o Brasil no Anexo II, o dos países isentos, para permanências de até 90 dias dentro de qualquer período de 180 dias. O comprovante de seguro com cobertura mínima de € 30.000 é uma exigência do processo de solicitação de visto: ela recai sobre quem precisa pedir visto, e não sobre quem entra dispensado dele.

Isso não quer dizer que o documento seja inútil. A companhia aérea ou a fronteira podem pedir comprovantes de condições da viagem, e o bilhete de seguro é um deles. Leve o PDF — só não pague por um formulário especial que ninguém vai exigir de você.

O cruzamento que importa de verdadeA Europa deixa o brasileiro ficar até 90 dias. O seu cartão cobre 60. Numa temporada longa, a autorização de permanência e a cobertura do seguro terminam em datas diferentes — e é o seguro que acaba primeiro, exatamente quando você já está longe de casa há dois meses.

07Na hora do sinistro: a ordem certa das coisas

O erro que mais custa dinheiro não é escolher o hospital errado — é pagar antes de ligar. A assistência trabalha com rede credenciada e pagamento direto sempre que consegue; quando o cliente paga do próprio bolso primeiro, o caso vira reembolso, com análise, prazo e documentação a mais.

  1. Ligue antes de pagar. Use o número do bilhete ou o do verso do cartão, e tenha à mão o número do bilhete e o passaporte.
  2. Deixe a central indicar o prestador. É assim que o pagamento direto acontece. Em emergência real, atendimento primeiro — mas avise assim que possível.
  3. Guarde tudo em original. Relatório médico com diagnóstico, notas fiscais discriminadas, receitas. Documento sem diagnóstico é o motivo mais banal de recusa.
  4. Bagagem: peça o PIR no aeroporto, antes de sair da área de desembarque. Sem esse registro da companhia aérea, não há sinistro de bagagem a analisar.
  5. Conte com a franquia. Os US$ 100 por evento saem do seu bolso mesmo quando tudo dá certo.

Prazos de reembolso e documentos exigidos constam do seu bilhete, e variam. Confira essa parte antes de viajar, não depois do problema.

08Cartão ou seguro avulso: onde cada um ganha

O seguro do Black é um bom produto pelo preço que custa — zero a mais na anuidade. A questão nunca é qual é melhor no absoluto, e sim qual dos dois cobre a sua viagem.

PontoMasterAssist Black (cartão)Seguro avulso
Duração60 dias corridos por viagemVocê contrata o período exato
Onde valeSó no exteriorConforme o plano, pode incluir trecho nacional
Franquia médicaUS$ 100 por eventoEm geral sem franquia — confira no plano
OdontologiaUS$ 100 por dente, só traumaGarantia própria em boa parte dos planos
Doença preexistenteCrise de urgência, até estabilizarPlanos específicos vão além da estabilização
Como se ativaBilhete emitido antes de embarcar, passagem paga no cartãoContratação direta, sem vínculo com a compra da passagem
CustoJá incluso na anuidadePago à parte, por viagem

Conclusão prática: para uma viagem internacional curta, sem esporte de risco e sem histórico médico ou dentário, o Itaú Black costuma bastar com folga. Ele deixa de bastar em quatro situações bem definidas: viagem acima de 60 dias, trecho dentro do Brasil, tratamento odontológico previsível e condição crônica que exija mais do que estabilizar a crise.

09Como o myroteiro usa isso no seu dossiê

No formulário você informa qual cartão usou para comprar a passagem. Com bandeira, banco e categoria, o dossiê traz uma seção dedicada ao seu cartão na viagem, cruzada com as datas e os destinos que você acabou de preencher:

  • As coberturas que o seu cartão realmente ativa, e o que cada uma exige para valer
  • O passo a passo de emissão do bilhete antes do embarque — a pegadinha clássica
  • O confronto entre o limite do cartão e o custo médico do destino, quando ele for apertado
  • Os telefones de emergência a salvar antes de sair
  • As armadilhas que anulam a cobertura no seu caso concreto, incluindo a duração da viagem

Se a sua viagem passa dos 60 dias, ou se o destino sai caro demais para o teto do cartão, o dossiê diz isso com todas as letras e sugere contratar cobertura complementar para o período descoberto. Em algumas horas, direto no seu e-mail.

Perguntas frequentes

Preciso pagar alguma coisa para emitir o bilhete de seguro?+
Não. A emissão é gratuita e faz parte do benefício do cartão. A condição não é pagar: é ter comprado a passagem com o cartão Black (ou, em compra com milhas, ter pago as taxas com ele) e emitir o bilhete antes do embarque.
O seguro do Itaú Black cobre viagem dentro do Brasil?+
Não. A cobertura é internacional; viagens nacionais ficam de fora. Para um trecho dentro do Brasil é preciso contratar um seguro à parte, e vale conferir no plano se ele cobre território nacional.
Por quanto tempo o seguro cobre cada viagem?+
Até 60 dias corridos por viagem. O número de viagens no ano é ilimitado, mas a duração de cada uma não: a partir do 61º dia você está sem cobertura. Para intercâmbio, trabalho remoto ou temporada longa, contrate um seguro avulso para o período inteiro em vez de tentar emendar.
Comprei a passagem com milhas. Tenho cobertura?+
Sim, desde que as taxas de embarque tenham sido pagas com o cartão. Desde 15/10/2025 o MasterAssist Black aceita também milhas de programa de terceiro, na mesma condição: as taxas pagas no cartão.
O cartão cobre dentista no exterior?+
Praticamente não. Não existe garantia odontológica separada: só tratamento de lesão em dente sadio e natural, com teto de US$ 100 por dente, retirado de dentro da cobertura médica e sujeito à franquia de US$ 100 por evento. Dor de dente, cárie e canal não estão cobertos.
Tenho uma doença crônica. Estou excluído do seguro?+
Não. As condições cobrem os episódios de crise causados por doença preexistente ou crônica quando geram quadro de emergência ou urgência. O limite é o alcance: a cobertura vai até a estabilização do quadro, sem continuidade de tratamento nem acompanhamento posterior.
Preciso de comprovante de seguro de € 30.000 para entrar na Europa?+
Não como turista brasileiro. O Brasil está no Anexo II do Regulamento (UE) 2018/1806, a lista de países dispensados de visto para estadas de até 90 dias em cada 180. A exigência de cobertura mínima de € 30.000 recai sobre quem solicita visto. Leve o bilhete do seguro assim mesmo: companhia aérea e fronteira podem pedir comprovantes da viagem.
Se eu trocar por um Visa Infinite, a cobertura muda?+
Não dá para responder por tabela. A Mastercard publica um contrato único para os Black emitidos no Brasil, e é por isso que os valores deste guia podem ser citados. Do lado Visa não existe equivalente público comparável: o limite depende do que o banco emissor contratou. Antes de trocar de cartão contando com uma cobertura maior, peça o limite por escrito à central do emissor.
Os valores deste guia valem exatamente para o meu cartão?+
Eles são o padrão Mastercard Black de setembro/2025, para bilhetes emitidos a partir de 15/10/2025. O que vale juridicamente é o bilhete emitido no seu nome — o próprio Guia Mastercard ressalva que a seleção de benefícios pode variar conforme o emissor. Use esta página para saber o que procurar, e confirme no seu documento.

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