O ponto de partida muda todo o resto: o Ultravioleta é um Mastercard Black, não uma bandeira própria do Nubank. Isso significa que o seguro não foi escrito pelo Nubank. Ele vem do contrato único que a Mastercard mantém para todos os cartões Black emitidos no Brasil — mesmos valores, mesmas regras, mesma central de atendimento, seja o cartão do Nubank, do C6 ou de qualquer outro banco.
Este guia detalha os limites reais em dólar, o que está e o que não está coberto (com uma correção importante sobre doenças preexistentes), como ativar o benefício sem errar e quando ele não basta para o destino que você escolheu.
O essencial em 30 segundos
- >O Ultravioleta é um Mastercard Black: o seguro vem do contrato da bandeira e é idêntico ao de qualquer outro cartão Black no Brasil.
- >A cobertura de despesas médicas, hospitalares e odontológicas é de US$ 175.000 para bilhetes emitidos a partir de 15/10/2025 — várias páginas de banco ainda exibem o limite antigo, de US$ 150.000.
- >A passagem precisa ser paga integralmente com o cartão, e o bilhete de seguro precisa ser emitido antes do embarque.
- >Há franquia de US$ 100 por evento, o limite é de 60 dias por viagem, e a cobertura vale só no exterior: trecho dentro do Brasil não entra.
- >Doença preexistente não é uma exclusão em bloco: a crise aguda é atendida como emergência, até a estabilização. O que fica de fora é a continuidade do tratamento.
01Nubank Ultravioleta tem seguro viagem?
Sim. E vale começar pelo detalhe que organiza todo o resto: o Ultravioleta é um cartão Mastercard Black. Não existe um "seguro do Nubank" — existe o seguro que a Mastercard contrata para a categoria Black, e do qual você é beneficiário enquanto for portador.
A consequência prática é direta. Procurar as coberturas na página do banco leva a um resumo comercial; o documento que vale numa discussão de sinistro é o Guia de Benefícios Mastercard Black, com os valores, as exclusões, a franquia e os prazos. É ele que você deve baixar e guardar antes de viajar.
02O que o seguro cobre: os limites reais
Os valores abaixo são os do Guia de Benefícios Mastercard Black (edição de setembro de 2025), em dólares, para viagens internacionais:
| Cobertura | Limite | Observações |
|---|---|---|
| Despesas médicas, hospitalares e odontológicas (DMH) | US$ 175.000 | Bilhetes emitidos a partir de 15/10/2025. Franquia de US$ 100 por evento. |
| Traslado médico | US$ 100.000 | Transporte sanitário quando o quadro exige remoção com acompanhamento. |
| Traslado de corpo | US$ 100.000 | Repatriação em caso de óbito no exterior. |
| Atraso de bagagem | US$ 600 | A partir de 4 horas de atraso na entrega da mala despachada. |
| Perda de bagagem | US$ 3.000 | Extravio definitivo. Eletrônicos limitados a US$ 500 por item. |
| Atraso de voo | US$ 200 | A partir de 4 horas de atraso comprovado. Cobre gastos de espera. |
| Cancelamento de viagem | US$ 3.000 | Só pelos motivos previstos no Guia. Desistência não entra. |
| Central de assistência | — | Atendimento para orientar, credenciar hospital e abrir o sinistro. |
Dois limites gerais valem para tudo isso e raramente aparecem nos resumos: a cobertura é internacional (trecho dentro do Brasil não é coberto) e vale por até 60 dias por viagem.
Odontologia: não é uma cobertura à parte
O Guia não traz uma garantia odontológica separada. O que existe é o atendimento de urgência dentro da própria cobertura médica, com um limite específico de US$ 100 por dente em caso de trauma em dente hígido (sadio). Tratamento dentário de rotina, canal marcado, prótese: fora.
Bagagem: atraso e perda são duas coberturas diferentes
É a confusão mais comum. Atraso é a mala que chega depois de você (US$ 600, a partir de 4 horas) e serve para comprar o essencial enquanto ela não aparece. Perda é o extravio definitivo (US$ 3.000, com eletrônicos limitados a US$ 500 por item). Nos dois casos, o documento que abre o processo é o mesmo:
- Registre a ocorrência no balcão da companhia aérea, ainda no aeroporto (PIR — Property Irregularity Report). Sem ele, não há sinistro.
- Guarde os cartões de embarque, a etiqueta da bagagem e as notas das compras emergenciais.
- Acione a central de assistência com o número do PIR e siga o prazo de aviso indicado no Guia.
Se você também conta com proteção de veículo alugado, assistência jurídica ou sala VIP, confirme cada uma no Guia do seu cartão: são benefícios com regras próprias, que não fazem parte da tabela do seguro viagem.
03O que o seguro NÃO cobre (e o que ele cobre apesar da fama)
Antes da lista de exclusões, uma correção que vale dinheiro — e que circula errada em praticamente todo artigo sobre seguro de cartão:
A lista completa de exclusões está nas condições gerais. As que mais pegam viajante brasileiro são estas:
- Viagem dentro do Brasil: a cobertura é internacional. Um trecho nacional, mesmo comprado com o cartão, não gera direito.
- Viagem acima de 60 dias: passado esse prazo, a cobertura acaba no meio do caminho. Intercâmbio, temporada longa e volta ao mundo pedem apólice contratada.
- Passagem não paga integralmente com o cartão: pagamento dividido com outro meio ou bilhete emitido por milhas em geral não ativam o benefício. Quando o bilhete sai por milhas, é o pagamento das taxas com o cartão que costuma valer — confirme antes de contar com isso.
- Bilhete de seguro não emitido antes do embarque: a emissão prévia é condição, não formalidade.
- Continuidade de tratamento: o seguro estabiliza a emergência; ele não substitui o acompanhamento que você faria no Brasil.
- Esportes e atividades de risco: prática de esportes perigosos e competições costumam estar fora. Se o roteiro tem esqui, mergulho autônomo ou parapente, confira a lista no Guia antes de reservar o passeio.
- Sinistros sob efeito de álcool ou de outras substâncias: exclusão padrão quando o laudo aponta a influência.
- Regiões em conflito armado: destinos em guerra declarada ou com restrição oficial costumam sair da cobertura.
04Como acionar o seguro: passo a passo real
Aqui está o processo completo — antes, durante e depois da viagem. Pular uma etapa do começo é o que mais invalida cobertura.
Antes de embarcar (obrigatório)
- Pague a passagem integralmente com o Ultravioleta. É a compra que gera o direito. Pagamento misto ou emissão por milhas, em geral, não ativa o benefício.
- Emita o bilhete de seguro antes da viagem, pelo caminho indicado no app do Nubank, informando destino e datas. Baixe o PDF: é ele que mostra o valor da cobertura e a vigência.
- Guarde a comprovação de pagamento da passagem (print do app ou fatura). Em caso de sinistro, é o primeiro documento pedido.
- Anote o telefone da central de assistência que consta no bilhete e no Guia de Benefícios — inclusive o número para ligação a cobrar do exterior. Salve nos contatos e envie o bilhete para alguém no Brasil: numa emergência, você pode não conseguir acessar seus arquivos.
Durante a viagem — em caso de emergência
- Ligue para a central antes de assumir gastos médicos. Ela pode indicar hospital credenciado e acertar diretamente com ele, evitando que você desembolse e espere reembolso.
- Documente tudo: laudos, receitas, notas fiscais, boletins de ocorrência, fotos. Sem documentação, não há indenização.
- Para bagagem: registre o PIR no aeroporto imediatamente, antes de sair da área de desembarque.
- Para atraso ou cancelamento de voo: peça à companhia o comprovante com motivo e horário, e guarde os recibos de hospedagem e alimentação da espera.
Depois da viagem — reembolso
Se você pagou do próprio bolso, o pedido de reembolso é feito com o bilhete, os comprovantes e os laudos. Os prazos de aviso de sinistro e de envio de documentos estão no Guia de Benefícios e não são generosos: avise a central o quanto antes, ainda durante a viagem se possível, e só depois organize o envio.
05Ultravioleta, C6 Carbon, Itaú Black: dá para comparar?
A comparação que circula em fórum costuma ser uma tabela com um número por cartão. Ela engana por um motivo simples: nem toda bandeira funciona do mesmo jeito.
Entre dois Mastercard Black, o seguro é o mesmo documento
O Ultravioleta e o C6 Carbon são, os dois, Mastercard Black. O seguro é idêntico: mesmos US$ 175.000 de cobertura médica, mesma franquia de US$ 100, mesmos 60 dias por viagem. Comparar o seguro dos dois é comparar o mesmo contrato. O que muda entre eles é o resto do cartão — anuidade, cashback, salas VIP, atendimento —, não a apólice.
Com Visa, a pergunta é outra
A Visa escreve nas próprias condições, em letras maiúsculas, que os benefícios dependem do banco emissor e que o portador deve perguntar ao emissor se o seguro existe no seu cartão. Ou seja: uma linha do tipo "Visa Infinite = US$ X" é falsa por construção. Dois Visa Infinite de bancos diferentes podem ter coberturas diferentes — e um deles pode não ter seguro viagem nenhum.
| Ponto | Mastercard Black (Ultravioleta, C6 Carbon) | Visa Infinite (varia por banco) |
|---|---|---|
| Quem define as regras | Contrato único da bandeira, igual para todo Black | Cada banco emissor define o que oferece |
| Cobertura médica | US$ 175.000 (bilhetes a partir de 15/10/2025) | Pergunte ao emissor — pode inclusive não haver seguro |
| Duração máxima | 60 dias por viagem | Confirme no certificado do seu banco |
| Onde conferir | Guia de Benefícios Mastercard Black | App ou central do banco emissor |
Um dado útil para quem viaja muito tempo: o teto de dias por viagem muda bastante entre as categorias — 31 dias no Visa Platinum, 60 no Visa Infinite e no Mastercard Black, 90 no Elo Nanquim. Não existe um "padrão de 90 dias" do mercado, como às vezes se lê.
06Quando o seguro do cartão não basta
O benefício do Ultravioleta é sólido para a maior parte das viagens de turismo. Há cenários, porém, em que contar só com ele é assumir um risco desnecessário:
- Estados Unidos, Canadá ou Japão: nos EUA, a diária média de internação passou de US$ 3.000 em 2024 (média nacional, a partir do levantamento anual dos hospitais americanos), e um leito de terapia intensiva custa várias vezes isso. US$ 175.000 cobrem com folga a maioria das emergências, mas uma internação longa em UTI encosta no teto — nesses destinos, uma apólice complementar é uma decisão razoável.
- Viagem acima de 60 dias: o limite de dias é o mais subestimado de todos. Se a viagem passa de dois meses, a segunda metade fica descoberta.
- Esportes e aventura: esqui, mergulho autônomo, escalada, trilhas técnicas, esportes motorizados. Sem módulo específico — que o cartão não vende —, um resgate pode não ser reembolsado.
- Cruzeiros: atendimento a bordo e evacuação médica em alto-mar são caros e nem sempre entram no escopo do benefício do cartão. Para esse tipo de viagem, seguro específico é o caminho mais seguro.
- Cuba: além de o seguro ser exigido por lei na entrada, o sistema local cobra em moeda estrangeira e nem sempre aceita credenciamento de central estrangeira. Apólice contratada resolve melhor.
- Crianças pequenas e viajantes idosos: verifique no Guia se há condição especial por faixa etária antes de contar com a cobertura para todo o grupo.
07Vale a pena o Nubank Ultravioleta só pelo seguro?
Essa é a pergunta que mais aparece — e a resposta é: provavelmente não, se o único objetivo for o seguro. Mas o contexto importa.
O cálculo real
A anuidade do Ultravioleta muda com o tempo e pode ser reduzida ou isentada conforme o volume investido ou gasto no cartão — confira o valor vigente no app antes de fazer conta. Do outro lado, um seguro avulso de qualidade para dez dias na Europa costuma ficar na faixa de R$ 180 a R$ 350 por viagem; para os Estados Unidos, um pouco acima disso.
A conta, então, é simples de montar: multiplique o preço de um seguro avulso pelo número de viagens internacionais que você faz por ano e compare com a anuidade que o app mostra hoje. Quem viaja uma ou duas vezes por ano dificilmente justifica o cartão pelo seguro; a partir de três ou quatro viagens, somado aos outros benefícios, a conta muda.
E há um ponto que a conta não mostra: com US$ 175.000 de cobertura médica, o Ultravioleta atende bem a maioria dos destinos. O que costuma faltar não é valor — são os 60 dias, os esportes e a franquia. É por aí que se decide se falta seguro complementar, não pelo número da cobertura.
| Perfil de viajante | Recomendação |
|---|---|
| 1–2 viagens/ano para Europa ou América Latina | O seguro do cartão costuma bastar. O Ultravioleta não se paga só por ele. |
| 3+ viagens internacionais por ano | O cartão começa a fazer sentido — somado a cashback, câmbio e sala VIP. |
| Viagem acima de 60 dias (intercâmbio, temporada) | Apólice contratada, obrigatoriamente. A cobertura do cartão termina no meio. |
| Esportes de aventura no roteiro | Seguro com módulo específico, independentemente do cartão. |
O Ultravioleta é um bom cartão para viajante frequente — mas o seguro viagem é um benefício complementar, não o argumento principal de contratação.
Perguntas frequentes
É necessário pagar a passagem com o cartão para ter o seguro?+
Meu cartão mostra US$ 150.000 de cobertura. Qual valor vale?+
Tem franquia no seguro do Nubank Ultravioleta?+
Quem tem diabetes ou hipertensão fica sem cobertura?+
O seguro do Ultravioleta serve para viajar à Europa?+
O que fazer se o voo for cancelado — aciono o seguro ou a companhia aérea?+
Quanto tempo antes da viagem preciso emitir o bilhete de seguro?+
Cônjuge e filhos estão cobertos pelo seguro do Ultravioleta?+
Antes de viajar, deixa o myroteiro cuidar dos detalhes.
A gente analisa as coberturas do cartão que você declarou, calcula o IOF real e entrega o dossiê completo em algumas horas.
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