A dúvida aparece em todo planejamento de Sudeste Asiático: brasileiro precisa de visto para a Tailândia? A resposta curta é não — e melhor do que você imagina. Enquanto a maioria das nacionalidades entra com isenção de 60 dias, o Brasil tem um acordo bilateral com a Tailândia que garante 90 dias sem visto, um privilégio compartilhado com apenas um punhado de países.
Só que "não precisa de visto" não significa "não precisa de nada". Desde 01/05/2025, todo estrangeiro deve preencher a TDAC (Thailand Digital Arrival Card, o cartão digital de chegada que substituiu o antigo formulário de papel TM6) antes de embarcar — de graça, on-line, na janela de 72 horas antes da chegada. A imigração também pode pedir passagem de saída do país e comprovação de fundos. E, para quem quer ficar meses trabalhando remoto de Chiang Mai ou Koh Lanta, existe a DTV, o visto de longa estadia com validade de 5 anos.
Este guia organiza as quatro peças — isenção de 90 dias, TDAC, exigências de entrada e DTV — com valores e prazos verificados em julho/2026. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser.
O essencial em 30 segundos
- >Brasileiros entram na Tailândia sem visto por até 90 dias, via acordo bilateral — mais que os 60 dias do regime geral de isenção aplicado à maioria das nacionalidades.
- >A TDAC (cartão digital de chegada) é obrigatória para todos, inclusive bebês, desde 01/05/2025: gratuita, preenchida on-line até 72 horas antes da chegada, com QR code apresentado na imigração.
- >A imigração pode exigir passagem de saída da Tailândia dentro do período autorizado e prova de fundos — referência de 20.000 THB por pessoa (estimativa, checagem aleatória).
- >Para longa estadia, a DTV (Destination Thailand Visa) vale 5 anos, permite 180 dias por entrada (prorrogáveis uma vez) e custa a partir de 10.000 THB, exigindo fundos de 500.000 THB.
- >O único site oficial da TDAC é tdac.immigration.go.th — qualquer página cobrando pelo preenchimento é golpe.
- >Regras migratórias tailandesas mudam com frequência: confira no site oficial da imigração ou da embaixada antes de viajar.
01Resposta direta: 90 dias sem visto para brasileiros
Brasileiro com passaporte comum não precisa de visto para turismo na Tailândia e pode permanecer até 90 dias por entrada. A base é um acordo bilateral de isenção entre Brasil e Tailândia — não o regime geral tailandês. A diferença importa:
| Regime | Quem usa | Permanência |
|---|---|---|
| Acordo bilateral | Brasil, Argentina, Chile, Peru, Coreia do Sul | Até 90 dias por entrada |
| Isenção geral (visa exemption) | Maioria das nacionalidades isentas (europeus, americanos…) | Até 60 dias, prorrogáveis +30 na imigração |
Na prática: você desembarca em Bangkok, Phuket ou Chiang Mai, passa pela imigração e recebe carimbo com 90 dias de permanência — sem formulário de visto, sem taxa consular. O benefício vale para turismo e visitas; trabalhar para empresa tailandesa, estudar ou fixar residência exige visto específico solicitado antes da viagem.
Dois cuidados de leitura do carimbo: a contagem começa no dia da chegada, e a data-limite anotada pelo oficial é a que vale — confira antes de sair do balcão. E o acordo é por entrada: sair para o Camboja ou Laos e voltar reinicia a contagem, mas entradas repetidas em sequência podem levantar suspeita de residência disfarçada (mais sobre isso na seção de erros). A Tailândia aparece com destaque na nossa lista de destinos sem visto para brasileiros justamente por esses 90 dias.
02TDAC: o cartão digital de chegada que substituiu o TM6
Desde 01/05/2025, o formulário de papel TM6 foi aposentado e substituído pela TDAC — Thailand Digital Arrival Card. Em julho/2026, funciona assim:
- Quem preenche: todos os estrangeiros, inclusive crianças e bebês, chegando por ar, terra ou mar. Passageiro em trânsito que não passa pela imigração está dispensado.
- Quando: a janela abre 72 horas (3 dias) antes da chegada. Preencher antes disso invalida o cartão; deixar para a última hora pode travar o embarque, já que companhias aéreas conferem.
- Quanto custa: nada. A TDAC é gratuita, no site oficial tdac.immigration.go.th. Leva cerca de 10 minutos.
- O que informar: dados do passaporte, voo, endereço da primeira hospedagem na Tailândia e informações básicas de saúde/viagem.
- O que você recebe: confirmação por e-mail com QR code, apresentado na imigração pelo celular ou impresso.
- Validade: uma TDAC por entrada — se você sair para o Vietnã e voltar, preenche outra.
Golpe comum: sites com aparência oficial cobram US$ 30–60 para "emitir" a TDAC. Não existe TDAC paga. O único endereço oficial é tdac.immigration.go.th, do departamento de imigração tailandês — qualquer cobrança é sinal de página falsa. O mesmo padrão de golpe existe para outros formulários de viagem, como mostramos em golpes contra turistas brasileiros no exterior.
03Passagem de saída e prova de fundos: o que a imigração pode pedir
A isenção de visto não é incondicional. No desembarque, o oficial pode exigir:
- Passaporte válido — recomendação prática de 6 meses de validade a partir da entrada;
- Passagem de saída da Tailândia dentro do período autorizado de permanência: voo, trem ou ônibus para outro país, com data marcada. Sem ela, a companhia aérea pode barrar o embarque no Brasil e a imigração pode exigir a compra de um bilhete na hora;
- Comprovação de fundos: referência de 20.000 THB por pessoa (algo como US$ 550–650, ou R$ 3.000–3.700, estimativa em valores de julho/2026). A checagem é aleatória — a maioria dos viajantes nunca é questionada, mas extrato bancário no celular ou cartão internacional com limite resolve;
- Endereço da primeira hospedagem, o mesmo declarado na TDAC.
Sobre a passagem de saída, uma nuance que gera dúvida: quem pretende decidir o rumo durante a viagem (seguir para o Vietnã? Bali?) pode comprar um trecho barato e flexível para país vizinho — passagens Bangkok–Kuala Lumpur ou Bangkok–Hanói de companhias low cost saem por US$ 40–90 (estimativa) e cumprem a exigência. Reserva "fake" ou print adulterado é risco desnecessário: se a fraude for percebida, a entrada pode ser negada.
Vale lembrar que seguro viagem não é obrigatório para entrar na Tailândia em julho/2026, mas uma internação em hospital privado de Bangkok custa caro — o cenário completo está em quanto custa uma emergência médica no exterior.
04DTV: o visto de 5 anos para longas estadias e nômades digitais
Para quem quer mais que os 90 dias — trabalhar remoto uma temporada, treinar muay thai, fazer curso de culinária —, a Tailândia criou em julho de 2024 a DTV (Destination Thailand Visa). Em julho/2026, as regras são:
- Validade: 5 anos, múltiplas entradas;
- Permanência: até 180 dias por entrada, prorrogáveis uma vez por mais 180 dias na imigração local (taxa de 1.900 THB), chegando a 360 dias sem sair do país;
- Custo: taxa oficial de 10.000 THB, mas o valor cobrado varia por embaixada — na prática, o equivalente a 10.000–14.000 THB (R$ 1.700–2.400, estimativa em valores de julho/2026);
- Fundos exigidos: pelo menos 500.000 THB (cerca de R$ 85.000–95.000, estimativa) em conta — e, desde maio de 2026, os extratos precisam demonstrar o saldo mantido por 3 meses, não apenas no dia do print;
- Quem se enquadra: trabalhadores remotos e freelancers com vínculo ou clientes fora da Tailândia (categoria workcation) e participantes de atividades culturais aprovadas — cursos de muay thai, culinária tailandesa, tratamentos médicos prolongados (categoria soft power);
- Onde pedir: on-line ou na embaixada/consulado tailandês competente, de fora da Tailândia.
A DTV não dá direito a emprego local nem conta como caminho direto para residência permanente — é um visto de estadia longa, não de imigração. Para comparar com as opções europeias de nômade digital (Portugal, Espanha, Itália), a régua de custo e renda está em melhores cidades para nômades digitais.
Conta rápida: se o plano é ficar até 90 dias, a isenção brasileira já cobre — a DTV só compensa a partir de estadias acima disso ou com retornos frequentes ao país. Detalhes de categoria e documentos mudam por embaixada: confira no site oficial antes de pagar a taxa.
05Quer ficar mais de 90 dias? As opções na prática
Cenários comuns e o caminho correto para cada um (valores estimados, julho/2026):
| Plano | Melhor opção | Custo estimado |
|---|---|---|
| Férias de até 3 meses | Isenção bilateral de 90 dias | R$ 0 (só a TDAC gratuita) |
| 3 a 6 meses, uma entrada | DTV (180 dias por entrada) | 10.000–14.000 THB |
| Até 1 ano no país | DTV + prorrogação de 180 dias | + 1.900 THB na imigração |
| Vários retornos ao longo de anos | DTV (válida 5 anos, múltiplas entradas) | taxa única |
| Estudo formal, trabalho local, aposentadoria | Vistos específicos (ED, Non-B, O-A…) | varia por categoria |
Uma prorrogação avulsa da permanência também pode ser solicitada nos escritórios de imigração locais mediante taxa de 1.900 THB — mas as condições para quem entrou pelo acordo bilateral de 90 dias variam conforme o escritório e a política vigente. Se o seu plano depende desses dias extras, confira no site oficial da imigração tailandesa antes de viajar.
Para o roteiro em si — quantos dias em Bangkok, quando ir às ilhas do golfo ou do mar de Andaman, como encaixar Chiang Mai —, o ponto de partida está em roteiro de 10 dias na Tailândia. E se a viagem combinar Tailândia com Indonésia, as regras de visto de Bali são outras: veja roteiro de Bali em 10 dias. Quem prefere receber tudo isso já montado, dia a dia e revisado por humanos, encontra no myroteiro um roteiro personalizado a partir das suas datas.
06Erros que custam caro na entrada (e como evitar)
Os tropeços mais frequentes de brasileiros na imigração tailandesa:
- Preencher a TDAC fora da janela. Antes das 72 horas, o cartão não vale; sem TDAC no check-in, a companhia pode negar embarque. Coloque um lembrete para 3 dias antes do voo.
- Pagar por TDAC em site falso. Só existe TDAC gratuita, no domínio oficial da imigração. Guarde o QR code no celular e uma cópia impressa.
- Embarcar sem passagem de saída. É a exigência mais fiscalizada — pela companhia aérea, antes mesmo da imigração. Um trecho low cost para país vizinho resolve por US$ 40–90 (estimativa).
- Confundir os 90 dias com "3 meses redondos". A conta é em dias corridos a partir da chegada. Ultrapassar o prazo gera multa de 500 THB por dia de overstay (estimativa, com teto), e casos longos podem levar a detenção e proibição de reentrada.
- Emendar entradas seguidas para "morar" de turista. Sair para o Camboja e voltar no dia seguinte funciona uma vez; repetido, vira padrão que o oficial pode interpretar como residência irregular — e a entrada pode ser negada. Para estadias longas, a DTV existe exatamente para isso.
- Esquecer que regra migratória muda rápido. A Tailândia ajustou suas regras várias vezes nos últimos anos (fim do TM6, criação da DTV, endurecimento de comprovação de fundos). Antes de comprar passagem, confira no site oficial da embaixada ou da imigração tailandesa.
Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de visto para a Tailândia?+
Quanto tempo brasileiro pode ficar na Tailândia sem visto?+
O que é a TDAC e ela é obrigatória?+
A Tailândia exige passagem de saída do país?+
Quanto dinheiro preciso comprovar para entrar na Tailândia?+
O que é a DTV, o visto de nômade digital da Tailândia?+
O que acontece se eu passar dos 90 dias na Tailândia?+
Precisa de vacina ou seguro viagem para entrar na Tailândia?+
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