O passaporte brasileiro é um dos mais respeitados do mundo: mais de 90 destinos recebem você sem visto. Mas 2026 embaralhou as cartas — e muita lista que circula por aí ainda não percebeu. O México, destino favorito de quem sonhava com Cancún, passou a exigir visto eletrônico até de quem só faz conexão. A Europa começou a coletar biometria na chegada com o novo EES. O Reino Unido continua sem visto, mas agora cobra uma autorização eletrônica de £20. E o Japão mantém a isenção — só que com data marcada: 29/09/2026.
Este guia é a lista real, verificada em julho de 2026, país por país. Você vai ver onde entra só com o RG, onde precisa de passaporte com chip, quais autorizações eletrônicas são obrigatórias (e quanto custam em reais, na cotação aproximada), e — talvez o mais importante — quem saiu da lista e ainda aparece por aí como “sem visto”. Porque descobrir no balcão do check-in que a regra mudou é o tipo de perrengue que ninguém merece. A conta real é essa: dez minutos de leitura agora contra horas de consulado depois.
O essencial em 30 segundos
- >Só com o RG: Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia — documento em bom estado e, na prática, emitido há menos de 10 anos.
- >Europa Schengen: 90 dias sem visto; o EES coleta biometria na primeira entrada desde abril de 2026 e o ETIAS ainda não está em vigor.
- >Reino Unido segue sem visto, mas a ETA de £20 é obrigatória desde 08/04/2026 — inclusive em conexão. Irlanda: nada além do passaporte.
- >Japão dispensa visto até 29/09/2026, apenas para passaporte com chip; depois dessa data, confirme a regra vigente antes de comprar passagem.
- >México saiu da lista: e-Visa obrigatório desde 05/02/2026, até para conexão — só escapa quem tem visto válido dos EUA, Canadá, Reino Unido, Japão ou Schengen.
01América do Sul: onde o RG basta
Ninguém te conta isso na hora de planejar: para boa parte da América do Sul, você nem precisa de passaporte. O acordo do Mercosul e seus associados permite que brasileiros entrem com a carteira de identidade em Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia.
As condições que os agentes de imigração realmente olham:
- RG em bom estado — plastificação descascando, foto apagada ou documento quebrado são motivo clássico de barreira no embarque;
- Emitido há menos de 10 anos, na prática: se a foto é de criança ou adolescente, tire a segunda via antes de viajar;
- CNH não vale — carteira de motorista não é documento de viagem internacional, nem na versão digital;
- Menores de idade têm regras próprias de autorização quando não viajam com os dois pais — o detalhe que mais derruba família em aeroporto.
A conta real é essa: a segunda via do RG custa pouco e sai em dias; a passagem perdida no balcão porque o documento estava ilegível não volta.
A permanência padrão para turismo é de até 90 dias, prorrogáveis na maioria dos países. A Venezuela formalmente também integra o acordo, mas a situação operacional muda com frequência — para lá, leve passaporte e confirme a regra vigente antes de comprar.
Planejando os vizinhos? Veja o roteiro de Buenos Aires para brasileiros e as regras de autorização de viagem para menores.
02Europa Schengen: 90 dias, biometria na chegada
O espaço Schengen — 29 países, de Portugal à Finlândia — continua sem exigir visto de turista brasileiro: 90 dias a cada período de 180, contando todos os países do bloco somados. O que mudou em 2026 foi a chegada.
Desde abril de 2026 está em vigor o EES (Entry/Exit System, o sistema europeu de registro eletrônico de entradas e saídas): na primeira entrada, o agente coleta suas digitais e sua foto, e o carimbo no passaporte vai sendo substituído pelo registro digital. Na prática, a primeira passagem pela imigração ficou mais demorada — reserve folga se tiver conexão apertada dentro da Europa.
O que a imigração pode pedir (e pede, principalmente em Lisboa, Madri e Paris): passagem de volta, comprovante de hospedagem, meios financeiros e seguro viagem com cobertura mínima de €30.000 — este é obrigatório, não opcional. O passaporte precisa valer por pelo menos 3 meses além da data prevista de saída do espaço Schengen.
As regras completas, documento por documento, estão no guia Schengen para brasileiros e no comparativo de seguro viagem para a Europa.
03Reino Unido e Irlanda: sem visto, com asterisco
O Reino Unido nunca exigiu visto de turista brasileiro — e segue assim. O asterisco tem nome: ETA (Electronic Travel Authorisation, a autorização eletrônica de viagem britânica). Desde 08/04/2026 ela é obrigatória para brasileiros, custa £20 (algo entre R$ 140 e R$ 150, dependendo do câmbio) e se aplica inclusive a conexões em Londres.
Como funciona a ETA:
- Pedido pelo aplicativo oficial UK ETA ou pelo site do governo britânico — o preenchimento leva minutos e a resposta costuma sair em até 3 dias úteis;
- Vale por 2 anos (ou até o passaporte vencer), com entradas múltiplas;
- Cada visita pode durar até 6 meses;
- Não é visto: a decisão final continua sendo do agente de imigração.
A Irlanda é um caso à parte — e um dos trunfos menos comentados do passaporte brasileiro. Fora do Schengen e fora do sistema britânico de ETA, ela recebe brasileiros sem visto e sem autorização eletrônica nenhuma, com permanência de até 90 dias definida pelo agente na chegada. A imigração de Dublin costuma pedir comprovação de hospedagem, passagem de volta e recursos financeiros — leve tudo impresso ou no celular com bateria.
Atenção ao trajeto combinado: quem entra pela Irlanda e depois cruza para Belfast, na Irlanda do Norte, entra em território britânico — e a ETA passa a ser o requisito. A responsabilidade de tê-la em mãos é sua, mesmo sem controle físico na fronteira terrestre.
04Japão: isenção com data de validade
Desde 2023 o Japão dispensa visto de turista brasileiro, e a isenção vale — por enquanto — até 29/09/2026. São até 90 dias para turismo, visitas e negócios não remunerados, com uma exigência que muita gente descobre tarde demais: só vale para passaporte com chip (o modelo biométrico, emitido pela Polícia Federal desde 2011).
Se o seu passaporte é anterior a isso ou não tem o símbolo do chip na capa, há duas saídas: renovar o passaporte — o caminho mais rápido e mais útil, já que o documento novo serve para tudo — ou pedir o visto consular japonês. O passo a passo da renovação está no guia do passaporte brasileiro.
E depois de 29/09/2026? A renovação da isenção é possível e já aconteceu em ciclos anteriores, mas não está garantida. Em 29/05/2026 o Parlamento japonês aprovou a base legal do JESTA, futura autorização eletrônica prévia nos moldes da ETA britânica, com estreia prevista para 2028 (antecipada em relação ao plano inicial, que era 2030) — os detalhes operacionais ainda não foram publicados. O cenário seguro é este: viajando até setembro de 2026, passaporte com chip resolve; depois disso, confira a regra vigente antes de emitir a passagem.
Os detalhes completos estão no guia do visto do Japão para brasileiros — e, para o planejamento em si, no nosso roteiro de Tóquio em 10 dias.
05Turquia, Marrocos, Dubai e mais: a lista que continua aberta
Fora dos circuitos mais óbvios, o passaporte brasileiro abre portas em quatro continentes. Os destaques verificados para 2026:
| Destino | Sem visto por | O que apresentar | Observação |
|---|---|---|---|
| Turquia | 90 dias | Passaporte válido por 6 meses | Entrada direta, sem autorização prévia |
| Marrocos | 90 dias | Passaporte válido por 6 meses | Carimbo na chegada |
| África do Sul | 90 dias | Passaporte com 2 páginas em branco | Certificado de febre amarela exigido conforme a rota |
| Emirados Árabes (Dubai) | 90 dias | Passaporte válido por 6 meses | Isenção mútua Brasil–Emirados |
| Tailândia | 90 dias | Passaporte + comprovante de saída + TDAC (cartão de chegada digital) | Acordo bilateral Brasil–Tailândia; a regra geral caiu de 60 para 30 dias em maio de 2026, mas o prazo brasileiro é separado — confirme antes de emitir |
| Indonésia (Bali) | 30 dias | Registro eletrônico da isenção + SATUSEHAT | Isenção sem prorrogação; para ficar mais, e-VOA pago |
Dois cuidados que valem para toda a lista. Primeiro, o Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela: a África do Sul e vários outros destinos o exigem de quem chega do Brasil — e a vacina precisa ser tomada ao menos 10 dias antes do embarque. O tema completo está no guia de vacinas para viagem internacional.
Segundo, a diferença entre “sem visto” e “visto na chegada”: o Egito, por exemplo, aparece em muitas listas, mas o que existe lá é um visto pago no desembarque — não é isenção. Aqui, sem visto significa exatamente isso: nenhuma taxa de visto, nenhum formulário consular.
Para o Golfo, o roteiro de Dubai para brasileiros mostra como organizar desde uma escala longa até os 90 dias completos de isenção.
06Quem saiu da lista (e quem nunca esteve nela)
Aqui mora o maior risco de 2026: planejar com informação do ano passado.
Os que exigem visto e seguem exigindo:
- Estados Unidos — visto B1/B2 obrigatório, sem acesso ao ESTA, inclusive para conexão em solo americano. O processo, os prazos e a entrevista estão no guia do visto americano.
- Canadá — a eTA de CAD 7 (menos de R$ 30) só está disponível para quem tem visto americano válido ou teve visto canadense nos últimos 10 anos; todos os demais precisam do visto de visitante (TRV). Os detalhes estão no guia do visto canadense.
- Austrália, Índia e China — visto obrigatório (na Índia e na Austrália o pedido é eletrônico; na China, consular). Programas pontuais de isenção surgem e desaparecem — nunca compre passagem baseado em notícia antiga.
A regra prática: se a sua fonte é um texto de 2024 ou 2025, considere a informação vencida até prova em contrário — e confirme sempre no site oficial do consulado do destino.
07Sem visto não é entrada garantida: o checklist final
Isenção de visto dispensa o formulário consular — não a triagem. Em qualquer fronteira, o agente pode (e costuma) verificar:
- Validade do passaporte: a regra geral é 6 meses além da data de entrada — e ao menos 2 páginas em branco;
- Passagem de saída do país dentro do prazo permitido;
- Hospedagem e recursos: reservas confirmadas e um cartão internacional resolvem a conversa;
- Seguro viagem, obrigatório no Schengen e em outros destinos — a lista completa está em países onde o seguro é obrigatório;
- Certificado de febre amarela, conforme o destino e a rota da viagem.
E o passo zero de tudo: passaporte em dia. Se o seu vence nos próximos 9 meses ou ainda é do modelo sem chip, resolva antes de qualquer passagem — o processo está no guia de emissão e renovação do passaporte. Com o documento certo na mão, a lista deste artigo vira o que ela deveria ser: um mapa de possibilidades, não uma pista de obstáculos.
Perguntas frequentes
Preciso de visto para viajar à Europa em 2026?+
O México ainda dispensa visto de brasileiros?+
Para quais países posso viajar só com o RG?+
O que é a ETA do Reino Unido e quanto custa?+
Até quando o Japão dispensa visto de brasileiros?+
Viajar sem visto garante a entrada no país?+
O ETIAS já está sendo cobrado em 2026?+
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