Segurança e saúde

Ficou Doente no Exterior? O Que Fazer Passo a Passo

Passar mal fora do Brasil assusta, mas existe um caminho claro a seguir. Este guia mostra, na ordem certa, como acionar o seguro viagem antes de pagar qualquer coisa, localizar a rede credenciada e o que fazer se você estiver sem cobertura nenhuma.

9 min de leituraAtualizado em 5 de julho de 2026Por myroteiro
Passar mal longe de casa é uma das situações que mais gera pânico em quem viaja — a língua é diferente, o sistema de saúde é desconhecido e a cabeça vai direto para o pior cenário. A boa notícia é que existe um procedimento claro a seguir, e seguir a ordem certa é o que faz a diferença entre um atendimento tranquilo (e coberto) e uma dor de cabeça financeira e burocrática somada ao problema de saúde. Este guia não fala de quanto custa um seguro viagem ou de qual apólice escolher — isso é assunto para outro artigo. Aqui o foco é o que fazer na hora, passo a passo: por que a primeira ligação deve ser sempre para a seguradora (e não para o hospital), como localizar um médico ou clínica da rede credenciada, o que levar guardado o tempo todo, o que fazer se a situação for grave demais para esperar, e o caminho alternativo para quem está viajando sem nenhuma cobertura contratada. A ideia é que, se você (ou alguém do seu grupo) precisar disso durante uma viagem, tenha um roteiro prático para seguir sem precisar pensar — porque na hora do aperto, pensar claro é exatamente o que fica mais difícil.

O essencial em 30 segundos

  • >A primeira ligação, sempre, é para a central de assistência do seguro viagem — antes de ir a qualquer hospital, salvo emergência grave.
  • >Na rede credenciada (referenciada), a seguradora paga direto ao prestador: você não desembolsa nada. Fora dela, você paga e pede reembolso depois.
  • >Em emergência real com risco de vida, vá direto ao hospital mais próximo — a regularização com a seguradora pode e deve ser feita depois.
  • >Guarde desde o início: cartão do seguro, número da apólice, telefone da central 24h, e depois todos os recibos, laudos e receitas do atendimento.
  • >Sem seguro contratado, a rede pública local e o consulado brasileiro são os dois recursos possíveis — nenhum dos dois paga a conta, mas ambos ajudam a navegar o sistema.

01Primeiro passo: acione o seguro antes de fazer qualquer coisa

O erro mais comum de quem passa mal no exterior é ir direto para o hospital ou clínica mais próxima, como faria no Brasil indo a um pronto-socorro particular. Fora do país, essa lógica muda: o seguro viagem tem uma central de assistência 24 horas justamente para orientar o caminho antes que você gaste um centavo.

  • Ligue para o número da central de assistência que está impresso no cartão do seguro (ou salvo no app/e-mail de confirmação da apólice) — não para o número geral da seguradora no Brasil.
  • Informe: número da apólice, localização atual (cidade/país), sintomas e se é uma urgência ou algo que pode esperar algumas horas.
  • Peça a indicação de um hospital, clínica ou médico da rede credenciada mais próximo da sua localização.
  • Anote o número de protocolo/autorização do atendimento — ele será pedido na recepção do local indicado.
💡 Salve o número da central de assistência do seguro em pelo menos dois lugares: no celular (contatos) e em papel na carteira/mochila. Se o celular ficar sem bateria ou sinal, alguém do seu grupo precisa conseguir fazer essa ligação por você.

02Como funciona a ligação para a central de assistência

A central de assistência normalmente atende em português (a maioria das seguradoras que vende para o mercado brasileiro mantém atendimento 24h em português, mesmo você estando em outro país) e segue um roteiro parecido em quase todos os casos.

  1. Identificação: nome completo do titular da apólice, número da apólice (está no e-mail de confirmação da compra ou no app da seguradora).
  2. Descrição da situação: o que está sentindo, há quanto tempo, se é febre, dor, acidente, mal-estar após alimento, etc.
  3. Localização exata: cidade, e se possível endereço ou ponto de referência de onde você está.
  4. Indicação: o atendente informa o hospital/clínica da rede mais próximo e explica se o atendimento será pago direto pela seguradora (rede credenciada) ou se você vai precisar pagar e depois pedir reembolso.
  5. Registro: anote o número de protocolo — ele conecta a ligação ao atendimento que você vai receber.

Se a ligação internacional tiver custo alto no seu plano de celular, procure Wi-Fi (hotel, café, aeroporto) e ligue por aplicativo de chamada com internet quando a seguradora oferecer esse canal — muitas já disponibilizam WhatsApp ou chat no app para esse primeiro contato.

03Como encontrar um médico ou hospital da rede credenciada

Rede credenciada (também chamada de rede referenciada) é o grupo de hospitais, clínicas e médicos que têm acordo direto com a seguradora. Atendimento nesses locais costuma significar que você não paga nada na hora — a seguradora acerta a conta diretamente com o prestador.

Onde buscarComo funcionaQuando usar
Central de assistência (telefone/WhatsApp)Atendente já sabe a rede na sua região e indica o local mais próximoSempre — é o caminho mais confiável e o mais rápido
App da seguradoraBusca por localização (GPS) mostra hospitais/clínicas credenciados no mapaQuando o sinal de telefone é ruim mas há internet
Site/área logada da seguradoraLista de prestadores por país e cidade, geralmente com filtro por especialidadePara planejar com antecedência, antes de sintomas aparecerem
Consulado/embaixada do BrasilNão indica rede do seu seguro, mas mantém lista de hospitais que atendem estrangeirosQuando não há suporte da seguradora disponível no momento

Evite decidir com base apenas em uma placa ou anúncio de "aceita seguro internacional" na porta do estabelecimento — nem sempre significa que há acordo com a sua seguradora específica. Confirmar por telefone antes de se deslocar evita surpresa na hora de fechar a conta.

04Emergência grave: quando ir direto ao hospital sem esperar a ligação

Existe uma exceção clara à regra de "ligar antes de qualquer coisa": risco de vida. Em caso de acidente grave, perda de consciência, dificuldade severa para respirar, sangramento intenso, sintomas de AVC ou infarto, o procedimento muda de ordem.

  • Chame o número de emergência local (equivalente ao 192/193 brasileiro) ou vá direto ao pronto-socorro mais próximo.
  • Não perca tempo tentando localizar rede credenciada nesse momento — a prioridade é o atendimento imediato.
  • Assim que possível, peça para alguém do seu grupo ligar para a central de assistência do seguro informando que já há um atendimento de emergência em curso, para regularizar a cobertura.
"Nenhuma seguradora séria vai negar cobertura porque você foi direto ao hospital em uma emergência real. A regularização depois é rotina — o que elas não cobrem bem é gasto desnecessário quando dava para ter ligado antes." — orientação padrão repassada por centrais de assistência de seguro viagem

05Documentação: o que guardar durante todo o processo

Seja atendimento na rede credenciada (sem pagamento) ou fora dela (com reembolso posterior), a documentação correta é o que garante que tudo seja resolvido sem dor de cabeça depois.

  • Número de protocolo de cada ligação feita para a central de assistência.
  • Nome completo e CRM/registro do médico que atendeu (ou equivalente local).
  • Laudo médico ou relatório de atendimento, com diagnóstico e procedimentos realizados.
  • Receitas médicas de qualquer remédio prescrito.
  • Notas fiscais/recibos detalhados de qualquer valor pago do próprio bolso (remédio, taxa, exame).
  • Comprovante de pagamento (cartão, print do app do banco) se algo foi pago diretamente.

Tire foto de cada documento assim que recebê-lo — papel se perde ou se molha durante a viagem, e uma cópia digital no celular ou em nuvem evita ter que correr atrás do hospital depois para reemitir algo.

06Não tem seguro viagem contratado? O que fazer nesse caso

Viajar sem seguro e passar mal no exterior é a pior combinação possível — mas ainda assim há um caminho a seguir, mesmo que mais lento e sem a rede de proteção financeira.

  1. Avalie a rede pública local: em muitos países (parte da Europa, por exemplo), o sistema público de saúde atende estrangeiros mediante pagamento — geralmente bem mais barato que a rede privada.
  2. Contate o consulado ou embaixada do Brasil no país. Eles não pagam a conta, mas ajudam a localizar hospitais, superar barreira de idioma e, em casos extremos, entrar em contato com familiares para envio de recursos.
  3. Pergunte diretamente ao hospital/clínica sobre opções de parcelamento ou pagamento facilitado para estrangeiros — em muitos lugares isso existe e não é oferecido a menos que se pergunte.
  4. Guarde todos os documentos e recibos do atendimento — mesmo sem seguro, isso pode ser necessário depois (declaração de imposto de renda, por exemplo, em alguns casos).
⚠️ Não é possível contratar um seguro viagem depois que o problema de saúde já começou — a cobertura de doenças preexistentes ao início da apólice é sempre excluída. Se possível, para o restante da viagem, pesquise se a seguradora aceita contratação a partir daquele momento para cobrir eventos futuros, mas o episódio atual não será reembolsado retroativamente.

07Depois do atendimento: solicitando reembolso, se você pagou algo

Se o atendimento não foi na rede credenciada, ou se você precisou pagar por remédio, taxa ou exame à parte, o próximo passo é o pedido de reembolso — normalmente feito pelo app ou site da seguradora, já de volta ao Brasil ou ainda durante a viagem.

  • Reúna todos os documentos listados na seção anterior antes de abrir o pedido — pedidos incompletos costumam ser devolvidos para complementação, o que atrasa o processo.
  • Preencha o formulário de reembolso da seguradora com a maior precisão possível: datas, valores, moeda local e o motivo do atendimento.
  • Converta os valores pela cotação da data do atendimento (a maioria das seguradoras informa qual taxa de câmbio usa — geralmente a do dia do pagamento, não a atual).
  • Acompanhe o prazo informado pela seguradora e guarde o número de protocolo do pedido de reembolso para consultas futuras.

Perguntas frequentes

Preciso pagar o hospital primeiro e depois pedir reembolso do seguro viagem?+
Depende do tipo de seguro. A maioria das seguradoras que vendem para o Brasil trabalha com rede referenciada (pagamento direto): você liga antes, a seguradora indica um hospital parceiro e paga diretamente, sem você desembolsar nada. Só existe reembolso quando não há prestador credenciado na região, quando é uma emergência que não deu tempo de ligar antes, ou quando a apólice é do tipo "reembolso" (mais comum em seguros comprados fora do Brasil). Ligue sempre primeiro para saber qual modelo vale para o seu caso.
E se eu estiver desacordado ou não conseguir ligar para a seguradora?+
Em emergência real (risco de vida, acidente grave, inconsciência), vá direto ao hospital mais próximo ou chame o número de emergência local — a ligação para a seguradora pode esperar. Quem acompanha você (familiar, amigo, hotel) deve ligar para a central assim que possível, informando que é uma emergência que já está em atendimento, para regularizar a cobertura retroativamente. Guarde o cartão do seguro na carteira ou no celular exatamente para isso: outra pessoa poder ligar por você.
Como sei se um hospital é "rede credenciada" da minha seguradora?+
A forma mais segura é sempre confirmar por telefone com a central de assistência antes de se dirigir ao local — peça para eles indicarem o hospital ou clínica mais próxima. A maioria das seguradoras também tem um app ou área logada no site com busca de rede por localização. Não confie apenas em uma placa "aceitamos convênio internacional" na porta do estabelecimento sem confirmar com a seguradora.
O seguro viagem cobre remédios comprados na farmácia?+
Normalmente sim, desde que prescritos por um médico durante o atendimento coberto pela apólice, mas em geral você paga na hora e depois solicita reembolso — farmácias raramente têm convênio direto com seguradoras. Guarde a nota fiscal detalhada (com nome do remédio) e a receita médica, e envie os dois junto com o pedido de reembolso.
Fiquei doente no exterior e não contratei seguro viagem. E agora?+
Primeiro, procure a rede pública de saúde do país (em muitos países da Europa, por exemplo, o pronto-socorro público atende estrangeiros mediante pagamento, geralmente mais barato que a rede privada). Depois, contate o consulado ou embaixada do Brasil no país — eles não pagam a conta, mas podem indicar hospitais, ajudar com idioma e, em casos extremos, contatar familiares para envio de dinheiro. Depois de resolvido o quadro agudo, considere um seguro viagem retroativo é impossível — mas para o restante da viagem, pesquise se dá para contratar cobertura a partir daquele momento.
Preciso avisar a seguradora mesmo em casos simples, como uma dor de garganta?+
Sim. Mesmo em casos leves, ligar antes evita que você pague do bolso e depois descubra que o reembolso não cobre 100% do valor, ou que o prestador escolhido não era credenciado. A ligação leva poucos minutos e garante que o atendimento seja registrado corretamente desde o início.
Quanto tempo demora para a seguradora liberar o atendimento na rede credenciada?+
Na maioria das centrais de assistência 24h, a autorização para rede referenciada costuma sair na mesma ligação ou em poucos minutos, especialmente em casos de urgência. Em situações mais burocráticas (exames de maior custo, internação) pode levar algumas horas — por isso vale sempre perguntar um prazo estimado e anotar o número do protocolo.
Posso ser atendido em um hospital que não é da rede credenciada?+
Pode, mas nesse caso normalmente você paga na hora e depois pede reembolso, sujeito às regras e ao teto de cobertura da sua apólice — o valor devolvido pode ser menor do que o gasto se o hospital cobrar acima da tabela de referência da seguradora. Sempre que possível, ligue antes e peça uma opção de rede credenciada na região.

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