Documentação e vistos

Visto americano em 2026: custo total real e prazo

A taxa do visto americano é só a primeira linha da conta. Entre a Visa Integrity Fee aprovada em 2025, a conversão para reais, o passaporte, a viagem até o CASV e o consulado e a fila por cidade, uma família de quatro pessoas pode gastar vários milhares de reais antes de comprar a passagem. A conta real, com fontes e datas.

12 min de leituraAtualizado em Por myroteiro
Neste artigo8 seções + perguntas frequentes

Leandro abriu a planilha da viagem a Orlando com a família e colocou «visto: US$ 185 por pessoa». Fechou a conta, achou razoável e seguiu para as passagens. Três semanas depois descobriu que o passaporte da filha mais nova tinha vencido, que o consulado mais perto com agenda razoável ficava em outro estado, e que uma segunda taxa de US$ 250, aprovada pelo Congresso americano em 2025, podia ou não aparecer na hora da emissão. A planilha estava errada por alguns milhares de reais.

Quase todo mundo entende errado o custo do visto americano porque olha para um único número: a taxa consular. Ela é obrigatória, é não reembolsável e é só o começo. Ninguém te conta que a conversão para reais é feita a uma taxa definida pela embaixada, que a dispensa de entrevista praticamente acabou em outubro de 2025, e que a fila para entrevista varia de menos de quinze dias a mais de dois meses dependendo da cidade onde você mora.

Este guia monta a conta total — taxa, Visa Integrity Fee, passaporte, deslocamento, fotos — e mostra o prazo real por consulado, com base nas tabelas do Departamento de Estado dos Estados Unidos, da Polícia Federal e do texto da lei americana. Onde um valor não pôde ser confirmado em fonte oficial em 01/11/2026, o texto diz isso em vez de inventar.

O essencial em 30 segundos

  • >A taxa consular (MRV) do visto de turismo e negócios B1/B2 segue em US$ 185 por pessoa em 2026, não reembolsável mesmo em caso de recusa — para uma família de 4, são US$ 740 antes de qualquer outro gasto.
  • >A Visa Integrity Fee de US$ 250 existe em lei desde 04/07/2025 (Public Law 119-21), mas, segundo verificação independente de 25/10/2026, ela ainda não aparecia na tabela oficial de taxas do Departamento de Estado: planeje com ela como reserva, não como certeza.
  • >Em reais, a taxa de US$ 185 ficou entre cerca de R$ 925 e R$ 1.000 por pessoa com o dólar de outubro de 2026 (faixa de R$ 5,00 a R$ 5,40) — o valor exato só aparece na hora do pagamento, pela cotação do dia.
  • >O passaporte brasileiro comum custa R$ 257,25 (GRU da Polícia Federal), e um pedido de reajuste da Polícia Federal esteve em análise no Ministério da Justiça desde 2024 — se alguém da família precisa renovar, esse valor entra na conta do visto.
  • >Desde 01/10/2025, a entrevista presencial voltou a ser a regra para quase todo mundo, inclusive crianças e idosos; a dispensa para renovação de B1/B2 só vale se o visto anterior venceu há menos de 12 meses, entre outras condições.

01O que diz a regra: a taxa MRV de US$ 185 e o que ela não cobre

O visto que o brasileiro usa para turismo, visita a parentes e negócios é o B1/B2. Ele é classificado pelo Departamento de Estado como «visto de não imigrante sem petição» — a categoria mais simples da tabela — e sua taxa de solicitação, chamada de MRV fee (Machine Readable Visa), é de US$ 185 por pessoa. A tabela oficial fica na seção «Fees for Visa Services» de travel.state.gov, e é lá que o valor deve ser conferido antes de pagar, porque a tabela muda sem aviso prévio ao viajante.

Em resumo, o que a tabela de taxas consulares do Departamento de Estado traz para esse visto: solicitação de visto de não imigrante sem petição, US$ 185, cobrada por solicitante e não reembolsável, seja o visto aprovado ou recusado.

Três consequências práticas dessa regra, que a planilha de quase todo mundo ignora:

  • Criança paga igual. Não há meia-taxa por idade. Uma família de quatro pessoas paga quatro vezes US$ 185.
  • Recusa não devolve nada. Se o oficial consular negar o visto na entrevista, os US$ 185 ficam com o governo americano. Uma segunda tentativa é uma nova taxa integral.
  • O recibo tem validade. A taxa paga precisa ser usada para agendar a entrevista dentro do prazo indicado no próprio recibo. Quem paga e deixa para depois corre o risco de pagar de novo.

E um lembrete que ainda derruba viajante no aeroporto: o brasileiro não tem acesso ao ESTA. O Brasil não faz parte do Visa Waiver Program, então a autorização eletrônica paga que o europeu ou o chileno preenche online não existe para o passaporte brasileiro. Para entrar nos Estados Unidos a turismo, é visto B1/B2, com entrevista, ou nada. Se alguém te vender um «ESTA para brasileiros», é golpe.

02A Visa Integrity Fee de US$ 250: aprovada, mas cobrada?

Em 04/07/2025, foi sancionada nos Estados Unidos a lei orçamentária conhecida como One Big Beautiful Bill Act (Public Law 119-21). A seção 100013 cria uma «Visa Integrity Fee» de no mínimo US$ 250, a ser cobrada de todo estrangeiro que receba um visto de não imigrante — inclusive o B1/B2 de turismo. O texto prevê que o valor seja reajustado pela inflação a cada ano fiscal e prevê a possibilidade de reembolso para quem cumprir as condições do visto. O mecanismo desse reembolso, porém, não foi regulamentado.

Aqui está o ponto que gera mais confusão, e é preciso ser direto: a lei existe, o valor existe, mas a última verificação independente da tabela oficial que conseguimos ler (25/10/2026) indicava que a cobrança ainda não estava em vigor. A data prevista para o início era 01/10/2025, começo do ano fiscal americano. Naquela verificação, a tabela oficial de taxas do Departamento de Estado continuava sem uma linha de «integrity fee», e o próprio Departamento de Segurança Interna (DHS) declarou em 2025 que a cobrança «exige coordenação entre agências antes da implementação». Sites comerciais de assessoria de visto afirmam coisas contraditórias — alguns dizem que a taxa está sendo cobrada «de forma escalonada», outros que ainda não começou. Nenhum deles é fonte oficial.

Como planejar com essa incerteza: coloque os US$ 250 por pessoa na planilha como reserva, não como custo certo. Se na data da sua entrevista a taxa ainda não estiver na tabela de travel.state.gov nem nas instruções do consulado, o dinheiro fica com você. Se estiver, você não foi pego de surpresa. O que não dá é fechar o orçamento da viagem com a conta otimista e descobrir a diferença na emissão.

Dois detalhes do texto da lei que importam para o brasileiro: a taxa seria cobrada na emissão do visto, não na solicitação — ou seja, quem for recusado não a pagaria; e ela não substitui a MRV fee de US$ 185. Somadas, as duas levariam o custo de solicitação do B1/B2 para US$ 435 por pessoa. Para uma família de quatro, a diferença entre o cenário «sem cobrança» e o cenário «com cobrança» é de US$ 1.000.

03O que entra na conta total — e o que ninguém soma

A conta real do visto americano tem seis linhas. A maioria das pessoas preenche só a primeira.

1. A taxa consular, convertida a uma taxa de câmbio que não é a sua

Os US$ 185 são pagos em reais, no Brasil, pelo sistema de agendamento oficial da embaixada. A conversão para reais é feita no dia do pagamento, pela cotação que o sistema de agendamento mostra na tela — não pelo dólar turismo do seu banco. Com o dólar comercial de outubro de 2026 oscilando numa faixa aproximada de R$ 5,00 a R$ 5,40, os US$ 185 ficam entre cerca de R$ 925 e R$ 1.000 por pessoa. Use essa faixa como referência de planejamento; o valor exato aparece na tela de pagamento. Confira na tela de pagamento o total final em reais, incluindo qualquer encargo da forma de pagamento escolhida.

2. O passaporte — se alguém da família precisa de um

O passaporte brasileiro comum custa R$ 257,25, pago por GRU gerada no site da Polícia Federal depois do formulário online. O valor está congelado desde 2015; o pedido de reajuste feito pela Polícia Federal em 2024 estava em análise no Ministério da Justiça na última notícia que conseguimos ler (março de 2025), sem valor novo — confira o valor atual no site da PF antes de pagar. Dois alertas: o visto é colado numa página do passaporte, então o documento precisa estar válido na data da entrevista; e um passaporte prestes a vencer força uma renovação logo depois — o visto continua valendo no passaporte antigo, que você passa a carregar junto com o novo. Para o passo a passo e os prazos da Polícia Federal, veja o guia sobre como tirar ou renovar o passaporte brasileiro.

3. O deslocamento até o CASV e até o consulado

O processo tem duas idas presenciais: uma ao CASV (Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto), onde são colhidas a foto e as digitais, e outra ao consulado, para a entrevista. As duas acontecem na mesma cidade consular — São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife ou Porto Alegre — e podem ser marcadas em dias diferentes. Quem mora em Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Manaus ou Goiânia precisa somar passagem, combustível ou hospedagem, às vezes duas vezes. Para uma família, essa linha pode custar mais do que a própria taxa.

4. Foto, cópias e documentos de apoio

A foto é tirada no CASV, mas o formulário DS-160 exige o envio de uma foto digital no padrão americano, e muita gente paga um estúdio para isso. Some também cópias de comprovantes de renda, extratos e documentos de vínculo (emprego, imóvel, matrícula escolar dos filhos) que o oficial pode pedir. São dezenas de reais, não milhares — mas entram.

5. O custo do tempo

Um dia de trabalho perdido para o CASV, outro para o consulado, mais os dias de viagem se a cidade consular for longe. Para quem é autônomo ou tem salário variável, isso é dinheiro de verdade.

6. O que não entra, e muita gente paga

O DS-160 é gratuito. O agendamento é gratuito. Não existe «taxa de urgência» oficial para o B1/B2 — o pedido de entrevista expedita é feito dentro do próprio sistema, sem custo, e só é aceito com justificativa documentada (tratamento médico, morte de familiar, viagem de negócios inadiável). Qualquer despachante que cobre para «acelerar» ou «garantir» o visto está vendendo algo que não controla. Preencher o formulário com uma assessoria é legítimo e pode valer a pena para quem tem receio de errar; só não confunda serviço de preenchimento com aprovação.

04Quanto custa de verdade: a conta de uma família de 4

Dois adultos e duas crianças, morando numa cidade sem consulado americano. A tabela abaixo separa o que é certo do que é condicional. Os valores em reais usam a faixa de dólar de outubro de 2026 (R$ 5,00 a R$ 5,40); o deslocamento é uma hipótese ilustrativa, para você substituir pela sua realidade.

Linha da contaCálculoEm reais (faixa)Certo ou condicional?
Taxa MRV (B1/B2)4 × US$ 185 = US$ 740R$ 3.700 a R$ 4.000Certo, não reembolsável
Visa Integrity Fee4 × US$ 250 = US$ 1.000R$ 5.000 a R$ 5.400Condicional — não constava na tabela em 25/10/2026
Passaportes4 × R$ 257,25R$ 1.029,00Só para quem precisa emitir ou renovar
Deslocamento + hospedagem (CASV e consulado)hipótese: R$ 1.500R$ 1.500 (ilustrativo)Depende da distância da cidade consular
Fotos e cópias—dezenas de reaisCerto, pequeno
Total — cenário mínimosó a taxa MRV, passaportes válidos, morando na cidade consularR$ 3.700 a R$ 4.000—
Total — cenário completo, sem Integrity Feetaxa + 4 passaportes + deslocamento ilustrativoR$ 6.200 a R$ 6.500—
Total — cenário completo, com Integrity Feetudo acima + US$ 1.000R$ 11.200 a R$ 11.900—

A leitura importante não é o número final — é a distância entre o cenário mínimo e o completo. Para a mesma família, o visto pode custar quatro mil reais ou quase doze mil, dependendo de três coisas que você deveria saber antes de comprar a passagem: se os passaportes estão válidos, onde fica o consulado em relação à sua casa, e se a Visa Integrity Fee entrou em vigor na data da sua entrevista.

O erro que mais custa: comprar a passagem aérea antes de ter o visto. A taxa de US$ 185 não é reembolsável, e a passagem promocional geralmente também não. O oficial consular não leva em conta que você já tem bilhete — a aprovação depende de vínculos com o Brasil, não de reservas. Quem compra antes está apostando dois valores não reembolsáveis na mesma entrevista. Se o calendário apertar, prefira uma tarifa com remarcação ou espere a aprovação.

05Prazo real: a fila para entrevista em cada consulado

O Departamento de Estado publica uma tabela global de tempo estimado de espera para a primeira entrevista disponível, por posto consular, na página «Global Visa Wait Times» de travel.state.gov. É a única fonte oficial para esse dado, ela é atualizada periodicamente e os números abaixo são os que constavam na atualização de 17/09/2026 — a última que conseguimos ler antes de fechar este guia. Antes de pagar a taxa, abra a tabela e confira o posto da sua cidade: a fila muda de mês para mês, e já esteve acima de 500 dias em São Paulo em 2023.

Consulado (posto)Espera estimada para entrevista B1/B2Referência
Rio de Janeiromenos de 15 dias17/09/2026
Recifemenos de 15 dias17/09/2026
São Paulocerca de 1 mês17/09/2026
Brasíliacerca de 1 mês17/09/2026
Porto Alegrecerca de 2,5 meses17/09/2026

Três observações que a tabela não traz:

  • Espera para entrevista não é prazo para receber o visto. Depois da entrevista aprovada, o passaporte vai para processamento e volta por correio ou retirada no CASV. Conte dias úteis adicionais — e mais tempo se o oficial abrir um «processamento administrativo», que não tem prazo definido.
  • Você pode escolher o posto. Nada obriga o morador de Porto Alegre a entrevistar em Porto Alegre. Se Rio ou Recife estão com agenda em quinze dias e o custo da viagem compensa, dá para agendar lá. Para uma família de quatro, porém, a passagem para outra cidade costuma anular a economia de tempo — faça a conta das duas opções.
  • A fila muda. Ela sobe e desce conforme a oferta de vagas, e já passou de 500 dias em São Paulo em 2023. Para uma viagem em 2027, confira a tabela cedo e agende com folga — antes de comprar qualquer passagem.

Para o processo completo do visto — documentos, DS-160, o que o oficial avalia na entrevista — leia o guia sobre o visto B1/B2 para brasileiros. Aprovação de visto é decisão soberana do oficial consular; nenhum guia, despachante ou plataforma pode garanti-la.

06Dispensa de entrevista: o que mudou em outubro de 2025

Até 2025, muita gente renovava o visto americano sem pisar no consulado: bastava ir ao CASV, entregar o passaporte e esperar. Esse atalho, o interview waiver («dispensa de entrevista»), também valia para crianças com menos de 14 anos e adultos com mais de 79, que nunca precisavam comparecer. Isso acabou.

Em 18/09/2025, o Departamento de Estado publicou a versão final de uma nova política, em vigor a partir de 01/10/2025, que restringe a dispensa a poucos casos. Na prática, para o B1/B2 de turismo:

  • Primeiro visto: entrevista obrigatória, em qualquer idade. A isenção automática para menores de 14 e maiores de 79 anos foi eliminada — uma criança de três anos comparece ao consulado com os pais.
  • Renovação: dispensa só se todas as condições abaixo forem atendidas ao mesmo tempo — o visto anterior era da mesma categoria (B1/B2) e venceu há menos de 12 meses (a janela anterior era de 48 meses); o solicitante tinha pelo menos 18 anos quando o visto anterior foi emitido; nunca teve visto americano recusado (salvo recusa posteriormente superada); e está solicitando no país da sua nacionalidade ou residência.
  • Mesmo cumprindo tudo, o oficial pode chamar para entrevista. A dispensa é uma faculdade do consulado, não um direito do solicitante.

O efeito sobre o custo é indireto, mas real: quem antes renovava à distância agora precisa somar a segunda ida presencial e, muitas vezes, a viagem até a cidade consular. E o efeito sobre o prazo é direto: cada dispensa que deixa de existir é uma vaga de entrevista a mais disputada. Se seu visto venceu há mais de um ano, trate o pedido como um primeiro visto — com entrevista, fila e documentação completa.

Em resumo, a política de 18/09/2025, em vigor desde 01/10/2025: os oficiais consulares, em regra, exigem a entrevista presencial de todos os solicitantes, inclusive menores de 14 e maiores de 79 anos. — Política de dispensa de entrevista do Departamento de Estado dos EUA (resumo).

07Na prática, passo a passo: do DS-160 ao passaporte de volta

A ordem abaixo é a que evita pagar duas vezes e a que faz a fila trabalhar a seu favor.

  1. Confira os passaportes da família antes de qualquer outra coisa. Vencido ou perto de vencer, emita ou renove primeiro (R$ 257,25 cada, pela GRU da Polícia Federal). O visto é colado no passaporte apresentado na entrevista.
  2. Preencha o DS-160 no site do Departamento de Estado (ceac.state.gov), um formulário por pessoa, inclusive crianças. É gratuito. Guarde o número de confirmação de cada um — ele será pedido em todas as etapas. Responda com os mesmos dados que constam nos documentos; divergência entre formulário e passaporte atrasa ou derruba o pedido.
  3. Crie o perfil no sistema oficial de agendamento da embaixada no Brasil e pague a taxa MRV (US$ 185, convertidos em reais no dia do pagamento) por pessoa. Famílias podem agrupar os solicitantes num único perfil e marcar as idas juntas.
  4. Confira a tabela de espera em travel.state.gov e escolha o posto. Se a cidade mais próxima está com fila longa e outra tem agenda curta, compare o custo da viagem com o ganho de tempo.
  5. Agende as duas etapas: CASV (foto e digitais) e entrevista no consulado. Para menores, verifique as regras do consulado sobre comparecimento — desde 01/10/2025, a presença é a regra.
  6. Monte a pasta de documentos de apoio: comprovantes de renda e de vínculo com o Brasil (emprego, imóvel, matrícula dos filhos), roteiro de viagem, reservas se já tiver. O oficial pode não pedir nada — mas quando pede, é na hora.
  7. Entrevista. Leve o passaporte, a confirmação do DS-160 e o comprovante de agendamento. A decisão costuma sair na própria conversa.
  8. Aguarde o passaporte voltar com o visto colado, por correio ou retirada no CASV, conforme a opção escolhida no agendamento. Só então compre a passagem não reembolsável.

Dica que vale dinheiro: pague a taxa só quando já tiver o DS-160 pronto e a data de viagem razoavelmente definida. O recibo da taxa tem prazo de validade impresso nele; quem paga «para garantir» e demora a agendar acaba pagando de novo. E preencha o DS-160 de todos da família de uma vez — as perguntas sobre endereço, viagens anteriores e empregador se repetem, e errar em um dos quatro formulários atrasa os quatro.

08Como se preparar — e o que guardar depois

O visto americano para turismo costuma ser emitido com validade longa e permite múltiplas entradas, o que dilui o custo ao longo de várias viagens — confira a validade exata na etiqueta colada no passaporte e na tabela de reciprocidade do Departamento de Estado. É por isso que faz sentido tratar o processo como um investimento de uma década, não como uma despesa da próxima viagem: vale fazer com calma, com os passaportes em dia e com a fila trabalhando a favor.

Três cuidados depois da aprovação:

  • Guarde o passaporte antigo quando renovar. O visto continua válido no passaporte vencido; você viaja com os dois. Quem joga fora o antigo precisa de um visto novo — e paga US$ 185 de novo.
  • Fotografe a página do visto e os documentos de todos da família, e mantenha a cópia acessível no celular. Perder o passaporte no exterior é um problema; perder sem ter uma cópia da página do visto é um problema muito maior. Quem organiza a viagem pelo myroteiro guarda a foto do passaporte e do visto no Cofre do próprio perfil, que abre sem internet depois de ter sido aberto uma vez com rede — útil no balcão de uma companhia aérea ou na imigração, quando o sinal falha. O myroteiro identifica e analisa; você reserva onde quiser, e a aprovação do visto é sempre do consulado.
  • Anote a data de vencimento do visto e dos passaportes num lugar que você vai olhar em 2030 ou 2035. A renovação com dispensa de entrevista só existe dentro dos 12 meses após o vencimento; depois disso, é fila completa outra vez.

Por fim, o visto é a porta — não a viagem. Com ele em mãos, os próximos custos invisíveis são o seguro viagem, que nos Estados Unidos precisa ser dimensionado para um sistema de saúde onde uma noite de hospital custa milhares de dólares (veja o guia sobre o que o seguro viagem para os EUA precisa cobrir), e a conversa com o oficial da imigração na chegada, que é uma segunda entrevista e tem suas próprias regras (o que dizer ao oficial da CBP). O visto permite pedir entrada; quem decide é o oficial no aeroporto.

Perguntas frequentes

Quanto custa o visto americano em reais em 2026, com tudo incluído?+
A taxa consular do B1/B2 é de US$ 185 por pessoa, o que ficou entre cerca de R$ 925 e R$ 1.000 com o dólar de outubro de 2026, convertido em reais no dia do pagamento. Esse é o único custo obrigatório. Some passaporte (R$ 257,25 por pessoa, se precisar), deslocamento até o CASV e o consulado, fotos e, como reserva, os US$ 250 da Visa Integrity Fee, caso ela passe a ser cobrada.
A Visa Integrity Fee de US$ 250 já está sendo cobrada do brasileiro?+
Segundo a última verificação independente que conseguimos ler (25/10/2026), não. A taxa foi criada pela Public Law 119-21, assinada em 04/07/2025, com previsão de início em 01/10/2025, mas a implementação depende de coordenação entre o Departamento de Estado e o DHS e ela ainda não constava na tabela oficial de taxas consulares naquela data. Como a situação pode mudar a qualquer momento, confira a tabela de travel.state.gov e as instruções do consulado na semana da sua entrevista, e mantenha o valor como reserva no orçamento.
Brasileiro pode usar o ESTA em vez do visto para ir aos Estados Unidos?+
Não. O ESTA é a autorização eletrônica do Visa Waiver Program, e o Brasil não faz parte desse programa. O passaporte brasileiro exige visto B1/B2, com pagamento da taxa consular e, na quase totalidade dos casos, entrevista presencial. Qualquer site que ofereça «ESTA para brasileiros» está vendendo algo que não existe. A única exceção é quem tem dupla cidadania de um país participante e viaja com aquele passaporte.
Qual consulado tem a menor fila para entrevista do visto americano no Brasil?+
Na atualização de 17/09/2026 da tabela oficial do Departamento de Estado, Rio de Janeiro e Recife tinham espera inferior a 15 dias, São Paulo e Brasília cerca de um mês, e Porto Alegre cerca de dois meses e meio. Esses números mudam a cada atualização e já estiveram acima de um ano em São Paulo em 2023. Você pode escolher qualquer posto do país, independentemente de onde mora — basta fazer a conta da viagem até lá.
Criança precisa ir à entrevista do visto americano?+
Desde 01/10/2025, sim, como regra. A política de dispensa de entrevista do Departamento de Estado eliminou a isenção automática para menores de 14 e maiores de 79 anos. Um primeiro visto, em qualquer idade, exige comparecimento ao CASV para foto e digitais e ao consulado para a entrevista, acompanhado dos pais ou responsáveis. A taxa de US$ 185 é cobrada integralmente para a criança, sem desconto por idade.
Posso renovar o visto americano sem entrevista em 2026?+
Só em uma janela estreita. A dispensa para renovação de B1/B2 exige que o visto anterior tenha vencido há menos de 12 meses, que você tivesse ao menos 18 anos quando ele foi emitido, que nunca tenha tido visto americano recusado e que esteja solicitando no Brasil. Mesmo cumprindo todas as condições, o consulado pode convocar para entrevista. Se o visto venceu há mais de um ano, o pedido segue o rito completo de um primeiro visto.
Se o visto for negado, a taxa de US$ 185 é devolvida?+
Não. A taxa MRV cobre o processamento do pedido, não o resultado, e o Departamento de Estado a define como não reembolsável e não transferível, independentemente da decisão. Uma nova solicitação exige novo pagamento integral e novo DS-160. Pela mesma razão, não compre passagem aérea não reembolsável antes de ter o visto no passaporte: você estaria apostando dois valores irrecuperáveis numa única entrevista cujo resultado depende exclusivamente do oficial consular.

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Ao montar seu roteiro, o myroteiro confere a validade do seu passaporte para as datas da viagem e lista as exigências de entrada de cada país do itinerário, sempre com a fonte oficial.

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