Poucas notícias mexeram tanto com quem planeja conhecer os Estados Unidos quanto esta: em 04/07/2025, o governo americano sancionou uma lei que cria a Visa Integrity Fee, uma taxa adicional de US$ 250 sobre praticamente todos os vistos de não imigrante — incluindo o B1/B2 de turismo e negócios, o mais usado por brasileiros. Da noite para o dia, o custo projetado do visto mais do que dobrou, e muita família recalculou o orçamento da viagem para Orlando ou Nova York.
Só que entre a lei existir e a taxa ser cobrada no guichê há uma distância enorme — e é exatamente nesse intervalo que estamos. Até julho/2026, a taxa não está sendo cobrada: a implementação depende de regulamentação e de sistemas de pagamento que os órgãos americanos ainda não colocaram de pé. Quem tirou o visto no primeiro semestre de 2026 pagou os mesmos US$ 185 de sempre.
Este guia explica o que já é certo (o valor, quem paga, quando se paga), o que ainda está em aberto (a data de início, o reembolso) e o que fazer na prática se os EUA estão nos seus planos. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser.
O essencial em 30 segundos
- >A taxa de US$ 250 foi criada por lei em 04/07/2025, mas até julho/2026 ainda não está sendo cobrada de ninguém.
- >Não há data oficial de início: o horizonte mais citado é 01/10/2026, começo do ano fiscal americano — trate como previsão, não como certeza.
- >Quando entrar em vigor, a taxa será paga apenas se o visto for aprovado, na emissão — não no agendamento.
- >O custo total projetado do visto B1/B2 fica em torno de US$ 435 (US$ 185 atuais + US$ 250), cerca de R$ 2.300–2.500 (estimativa, câmbio de julho/2026).
- >Quem já tem visto válido não paga nada: a taxa vale para vistos novos emitidos após o início da cobrança.
- >O reembolso previsto na lei é teórico: não existe processo definido para pedi-lo — planeje o orçamento como se a taxa não voltasse.
01A taxa já está sendo cobrada? Não — este é o estado em julho/2026
Resposta direta: não. Até julho/2026, quem faz o processo do visto americano paga a taxa de solicitação de sempre, US$ 185 para o B1/B2. A Visa Integrity Fee existe no papel desde 04/07/2025, quando foi sancionada dentro de um grande pacote orçamentário, mas a cobrança nunca começou.
O motivo é operacional: a lei criou a taxa, mas deixou a implementação a cargo do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do Departamento de Estado, que precisam publicar regulamentação, coordenar sistemas de pagamento entre agências e atualizar os procedimentos de cada consulado no mundo. Um aviso oficial publicado ainda em julho/2025 já admitia que essa coordenação levaria tempo — e ela segue em andamento.
O horizonte mais citado por especialistas em imigração é o início do ano fiscal americano, em 01/10/2026. Mas é importante ser honesto: não existe data oficial confirmada. A cobrança pode começar nessa janela, escorregar de novo ou ser ajustada na regulamentação final.
Como acompanhar sem depender de boato: a fonte que vale é o site oficial do Departamento de Estado (travel.state.gov) e os canais da Embaixada e dos consulados dos EUA no Brasil. Se a taxa entrar em vigor, o valor aparecerá na página oficial de taxas de visto — antes de acreditar em print de rede social, confira lá.
02O que é a Visa Integrity Fee e quem terá que pagar
A Visa Integrity Fee é uma taxa federal de no mínimo US$ 250 que incidirá sobre a emissão de praticamente todos os vistos de não imigrante dos EUA. Isso inclui:
- B1/B2 — turismo e negócios, o visto da imensa maioria dos brasileiros;
- F e M — estudantes;
- J — intercâmbio (au pair, work and travel, pesquisadores);
- H, L, O — vistos de trabalho.
Dois detalhes da lei mudam bastante a conta:
1. Paga só quem tem o visto aprovado. Diferente da taxa de solicitação (que você paga ao agendar, aprovado ou não), a Visa Integrity Fee será cobrada na emissão do visto. Se o pedido for negado, essa taxa específica não é paga — o prejuízo fica limitado aos US$ 185 da solicitação, que continuam não reembolsáveis.
2. O valor é corrigido pela inflação. Os US$ 250 são o piso inicial: a lei prevê reajuste anual pelo índice de preços americano (CPI). Ou seja, quanto mais tarde a cobrança começar, maior tende a ser o valor de estreia.
Pelo texto da lei, não há isenção por idade: a taxa se aplica a cada visto emitido, inclusive de crianças. Para famílias, isso pesa — detalhamos a conta na próxima seção.
03Quanto o visto americano vai custar quando a taxa entrar em vigor
A conta projetada para o B1/B2, com valores de julho/2026 (estimativa — o câmbio varia):
| Cenário | Em dólar | Em reais (estimativa) |
|---|---|---|
| Hoje (sem a taxa) | US$ 185 | R$ 990–1.100 |
| Com a Visa Integrity Fee | ~US$ 435 | R$ 2.300–2.500 |
| Família de 4 pessoas, hoje | US$ 740 | R$ 3.900–4.400 |
| Família de 4 pessoas, com a taxa | ~US$ 1.740 | R$ 9.200–10.000 |
Você talvez encontre na imprensa o número US$ 459. Ele soma também a taxa do formulário I-94 (US$ 24) — que, na prática, não se aplica à maioria dos brasileiros: esse formulário é cobrado em travessias terrestres, e quem chega de avião tem o registro feito automaticamente, sem custo. Para quem embarca no Brasil, a referência realista é US$ 185 + US$ 250 ≈ US$ 435 por pessoa.
Dois lembretes de orçamento: se pagar taxas em cartão internacional, entra o IOF de 3,5% na conta; e para os dólares da viagem em si, vale comparar as opções em onde comprar dólar mais barato.
04A taxa é reembolsável? Em teoria, sim — na prática, não conte com isso
A lei traz uma cláusula curiosa: o DHS poderá reembolsar a taxa ao viajante que cumprir todas as condições do visto — sair dos EUA no prazo, não trabalhar sem autorização, não mudar de status irregularmente. A ideia declarada é funcionar como uma espécie de caução de bom comportamento.
O problema é o abismo entre a cláusula e a realidade:
- Não existe processo definido para pedir o reembolso — nenhum formulário, prazo ou canal foi criado;
- O reembolso não é automático: dependeria de solicitação ativa do viajante, possivelmente anos depois (no fim da validade do visto, que para o B1/B2 chega a 10 anos);
- O próprio órgão de contas do Congresso americano (CBO) projetou que pouquíssimos viajantes vão recuperar o valor.
Regra prática de orçamento: trate os US$ 250 como custo definitivo. Se um dia o reembolso virar realidade com processo claro, será uma boa surpresa — mas nenhum planejamento sério deve contar com ele.
Outro ponto que gera confusão: a taxa não tem relação com o ESTA, a autorização eletrônica usada por países do programa de isenção de visto. O Brasil não participa desse programa — brasileiro precisa de visto de qualquer forma, e é justamente sobre o visto que a nova taxa incide.
05Na prática: o que fazer se os EUA estão nos seus planos
A janela atual cria uma estratégia óbvia — e legítima:
1. Se você pretende tirar ou renovar o visto, faça isso antes da cobrança começar. O visto B1/B2 emitido hoje custa US$ 185 e costuma valer até 10 anos. Emitindo antes da entrada em vigor da taxa, você trava o custo antigo por uma década de viagens. O passo a passo completo do processo está em visto americano para brasileiros: guia do B1/B2.
2. Quem já tem visto válido não precisa fazer nada. A taxa incide sobre vistos novos, emitidos após o início da cobrança. Não há qualquer previsão de cobrança retroativa sobre vistos já colados no passaporte.
3. Considere os prazos reais. Entre criar a conta, preencher o formulário DS-160, pagar e conseguir datas de agendamento (CASV + entrevista), o processo pode levar de semanas a alguns meses, variando por cidade e época. Se a intenção é aproveitar a janela sem taxa, não deixe para a véspera do horizonte de 01/10/2026 — os agendamentos tendem a congestionar quando há corrida.
4. Lembre que escala nos EUA também exige visto. Mesmo uma conexão de 2 horas em Miami ou Atlanta passa por imigração — quem viaja para o Caribe ou Canadá via EUA entra na mesma regra. Os detalhes estão em conexão nos EUA: precisa de visto?.
Se a papelada do destino é o tipo de coisa que você prefere ver organizada num só lugar, o myroteiro monta roteiros personalizados revisados por humanos — com os alertas de documentação do seu destino incluídos no dossiê.
06Erros comuns e pegadinhas sobre a taxa de US$ 250
Acreditar que a taxa já vale. Circulam posts alarmistas desde 2025 dizendo que o visto "já custa mais de US$ 400". Falso até julho/2026 — a cobrança não começou. Na dúvida, o valor oficial vigente está sempre em travel.state.gov.
Pagar "taxa de integridade" em site intermediário. Nenhum site pode cobrar hoje uma taxa que o próprio governo americano ainda não cobra. Despachantes sérios existem, mas qualquer cobrança dessa taxa específica antes da regulamentação é sinal vermelho.
Confundir a taxa com o custo do agendamento. A ordem dos pagamentos não muda: US$ 185 na solicitação (perdidos se negar) e, no futuro, US$ 250 apenas na emissão do visto aprovado.
Adiar a viagem por causa da taxa. Para quem já tem visto válido, nada muda — nem agora, nem depois. E para quem ainda não tem, a janela atual é a mais barata: adiar é que pode sair caro.
Esquecer que o valor será corrigido. Os US$ 250 são o piso de estreia; com a correção anual pela inflação americana, o valor só tende a subir com o tempo.
Por fim, vale manter a perspectiva: mesmo com a taxa, o visto de 10 anos dilui o custo para algo em torno de US$ 43–45 por ano de validade. É um valor alto na largada, mas não deve ser o fator que define se a viagem acontece — o câmbio e a época da compra da passagem pesam muito mais no orçamento total, como mostramos em quando comprar passagem internacional.
Perguntas frequentes
A taxa de US$ 250 do visto americano já está sendo cobrada?+
Quando a taxa de integridade do visto americano começa a valer?+
Quem já tem visto americano válido vai pagar a taxa?+
Se o meu visto for negado, eu pago os US$ 250?+
Crianças também vão pagar a taxa de US$ 250?+
A taxa de US$ 250 vale para o ESTA?+
A Visa Integrity Fee é reembolsável?+
Quanto vai custar o visto americano no total com a nova taxa?+
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