Destinos internacionais

Portugal ou Espanha: qual é mais barato para 2027?

A fama diz que Portugal é mais barato. Os números oficiais dizem «depende do que você vai fazer»: o hotel empata, o restaurante favorece Portugal, o supermercado e o metrô favorecem Madrid, e o imposto turístico catalão, que pesa em Barcelona, dobrou em 2026. A conta posto por posto para um casal brasileiro em dez dias, com fonte e data em cada número.

13 min de leituraAtualizado em Por myroteiro
Neste artigo8 seções + perguntas frequentes

Você abre duas abas: Lisboa e Madrid. Em uma, o hotel parece mais barato; na outra, o metrô custa menos e o museu principal é gratuito duas horas por dia. Fecha as abas sem resposta e ouve de um amigo que «Portugal é mais barato, todo mundo sabe». Só que esse amigo foi antes de 2024, quando a taxa turística de Lisboa era de 2 euros, a metade da atual, e a de Barcelona era bem menor do que a de hoje.

O que quase todo mundo entende errado é tratar os dois países como um bloco. Portugal e Espanha têm preços parecidos no que o turista mais gasta — a diária de hotel —, e preços bem diferentes no que vem depois: restaurante, taxa municipal, passe de transporte, ingresso. Em alguns itens, Portugal é claramente mais barato. Em outros, inclusive no supermercado, é a Espanha que vence. O resultado depende do seu estilo de viagem, não do país.

Este guia faz a conta posto por posto para um casal brasileiro em 10 dias, com os números que existem em fonte oficial em 01/11/2026: o índice de níveis de preço do Eurostat, as diárias médias publicadas pelos dois institutos de estatística, as taxas turísticas nos sites das prefeituras e da Generalitat, os passes nos sites dos operadores e os ingressos nos sites dos museus. Tudo convertido pela PTAX do Banco Central de 30/10/2026 (R$ 6,05 por euro). Onde não há fonte confiável, a frase vem sem número.

O essencial em 30 segundos

  • >No índice de preços do Eurostat (dados de 2024, UE = 100), Portugal está em 75,5 e a Espanha em 83,9 em restaurantes e hotéis — cerca de 11% a favor de Portugal; na cesta total a diferença cai para 4%.
  • >No supermercado a Espanha é mais barata: 95,2 contra 101,5 de Portugal no índice de alimentos do Eurostat. Quem aluga apartamento e cozinha perde parte da vantagem portuguesa.
  • >A diária média de hotel fica na mesma faixa: 140,8 euros em Portugal e 137,1 euros na Espanha em junho de 2026, segundo os dois INE (metodologias não idênticas) — menos de 3% de diferença.
  • >Taxa turística para um casal em 7 noites: zero em Madrid, 42 euros no Porto, 56 euros em Lisboa e de 98 a 168 euros em Barcelona, onde o imposto catalão dobrou em 01/04/2026 e soma um recargo municipal de 5 euros por pessoa e noite.
  • >Transporte: o bilhete de 10 viagens de Madrid custa 7,30 euros (0,73 por viagem) em 2026; em Barcelona a T-casual custa a partir de 13 euros e em Lisboa o bilhete de 24h custa 7,25 euros. O IOF é de 3,5% nos dois países, para todo meio de pagamento.

01O que dizem os números oficiais: o índice do Eurostat

A pergunta «qual é mais barato» tem uma resposta oficial, e ela vem de Bruxelas. Todo ano o Eurostat publica o índice de níveis de preço (PLI, de price level index): quanto custa a mesma cesta de bens e serviços em cada país, com a média da União Europeia fixada em 100. O dado mais recente cobre o ano de 2024 e foi publicado em 10/07/2025.

No índice de restaurantes e hotéis, Portugal fica em 75,5 e a Espanha em 83,9, com a média da UE em 100. Ou seja: a mesma refeição e a mesma diária custam, em média, cerca de 11% a mais na Espanha do que em Portugal — e os dois países estão bem abaixo da média europeia. (Eurostat, tabela prc_ppp_ind, dados de 2024.)

Esse é o número que sustenta a fama de Portugal. Mas o mesmo Eurostat mostra onde a fama não se aplica:

Categoria (UE = 100, dados de 2024)PortugalEspanhaQuem é mais barato
Restaurantes e hotéis75,583,9Portugal, por cerca de 11%
Alimentos e bebidas não alcoólicas (supermercado)101,595,2Espanha, por cerca de 6%
Serviços de transporte80,681,5Empate técnico
Recreação e cultura85,994,2Portugal, por cerca de 10%
Consumo das famílias (cesta total)87,090,9Portugal, por cerca de 4%

A leitura honesta: no conjunto, Portugal é um pouco mais barato — 4% na cesta total não é o abismo que a conversa de bar sugere. A diferença real está concentrada em comer fora e em lazer. Quem vai cozinhar num apartamento alugado perde a vantagem; quem vai almoçar e jantar fora todos os dias a sente no bolso. E vale um aviso: o índice é nacional. Lisboa, Porto, Madrid e Barcelona são mais caras do que a média dos seus países, e a distância entre uma capital e o interior pode ser maior do que a distância entre os dois países.

02Hospedagem: a diária média praticamente empata

A hospedagem é o maior item do orçamento, e é justamente onde os dois países mais se parecem. Os dois institutos nacionais de estatística publicam todo mês o rendimento médio por quarto ocupado (ADR, na sigla em inglês), isto é, quanto o hotel faturou por cada quarto vendido. Para junho de 2026, o mês mais recente com os dois lados publicados (atenção: o dado português cobre o setor de alojamento turístico em geral e o espanhol, a pesquisa hoteleira — as metodologias não são idênticas, então leia a comparação como ordem de grandeza):

  • Portugal: 140,8 euros por quarto ocupado, alta de 2,7% em um ano (INE, dados divulgados em 31/07/2026). Cerca de R$ 852 à PTAX de 30/10/2026.
  • Espanha: 137,1 euros por quarto ocupado, alta de 5,8% (INE, nota de 24/07/2026). Cerca de R$ 829. Por categoria: 110,9 euros nos três estrelas, 141,3 nos quatro estrelas e 317,9 nos cinco estrelas.

Diferença de menos de 3%, a favor da Espanha, não de Portugal. Em julho, alta temporada, a Espanha subiu para 156,9 euros (INE, 21/08/2026); Portugal fechou o segundo trimestre em 130,2 euros de média (INE, citado pelo Portal do Governo em 14/08/2026). São médias nacionais, que misturam Algarve com Trás-os-Montes e Marbella com Teruel; nas capitais, espere pagar acima delas. O que o dado prova é simples: escolher Portugal por causa do hotel é uma decisão que o número não sustenta.

Nos dois países, julho e agosto costumam ser o teto das diárias e o inverno (fora Natal e Carnaval) o piso. Na Espanha, o INE registrou um Índice de Preços Hoteleiros 5,9% acima de julho de 2025. Se a sua data é flexível, a época pesa mais do que o país — veja a melhor época para Portugal e a melhor época para viajar à Europa.

03Taxa turística: a conta que ninguém faz antes de reservar

Ninguém te conta isso na hora de reservar: em cima da diária existe uma taxa municipal por pessoa e por noite, paga no hotel ou no apartamento, quase sempre fora do preço anunciado. É aqui que os dois países se separam de verdade — e, dentro da Espanha, Madrid e Barcelona vivem em mundos diferentes.

Portugal: valor fixo, simples

  • Lisboa: 4 euros por noite e por hóspede a partir dos 13 anos, com teto de 7 noites por estadia. O valor dobrou de 2 para 4 euros em 01/09/2024 (Câmara Municipal de Lisboa; Assembleia Municipal, votação de 23/07/2024).
  • Porto: 3 euros por dormida, até um máximo de 7 noites seguidas; crianças e jovens até 12 anos não pagam. Em vigor desde 01/12/2024 (folheto oficial da Taxa Municipal Turística do Porto).

Espanha: depende da região — e Barcelona subiu em 2026

  • Madrid: nem a cidade nem a Comunidade de Madrid cobram taxa turística em 01/11/2026. A oposição propôs uma taxa em janeiro de 2026 e a prefeitura já disse que, por ora, não pretende cobrar. Confira antes de viajar, mas hoje a resposta é zero.
  • Barcelona: duas camadas. A Generalitat da Catalunha cobra o IEET (imposto sobre estadias em estabelecimentos turísticos), que dobrou em 01/04/2026 na maioria das categorias; a prefeitura soma um recargo municipal próprio. A tabela oficial vale de 01/04/2026 a 31/03/2027, por pessoa e por noite, isentos os menores de 17 anos, com teto de 7 noites no mesmo estabelecimento. Segundo a imprensa especializada, os valores são sem IVA.
Cidade e tipo de hospedagemPor pessoa e por noiteCasal, 7 noites (teto)Em reais (PTAX 30/10/2026)
Madrid, qualquer hotel00R$ 0
Porto, qualquer hotel ou alojamento local3,00 €42,00 €≈ R$ 254
Lisboa, qualquer hotel ou alojamento local4,00 €56,00 €≈ R$ 339
Barcelona, hotel de 3 estrelas ou menos (2,00 € IEET + 5,00 € recargo)7,00 €98,00 €≈ R$ 593
Barcelona, hotel 4 estrelas (3,40 € + 5,00 €)8,40 €117,60 €≈ R$ 711
Barcelona, apartamento de uso turístico (4,50 € + 5,00 €)9,50 €133,00 €≈ R$ 805
Barcelona, hotel 5 estrelas (7,00 € + 5,00 €)12,00 €168,00 €≈ R$ 1.017

A conta real: um casal que passa uma semana num quatro estrelas em Barcelona paga em taxa o dobro do que pagaria em Lisboa e quase o triplo do Porto — e nada em Madrid. Num cinco estrelas, a taxa de Barcelona sozinha vale mais do que uma diária inteira de hotel três estrelas na média espanhola. Isso não aparece no comparador de preços; aparece na conta do checkout ou no balcão.

Reservou Barcelona antes de 01/04/2026? A regra catalã diz que vale a tarifa em vigor no momento da reserva, desde que a estadia tenha sido paga nesse momento. Reserva feita com pagamento no hotel entra na tabela nova. Guarde o comprovante do pagamento antecipado para discutir no check-in, se for o caso.

04Comer fora: menú del día contra prato do dia

É o posto em que Portugal mais ganha — e o que mais depende de você. O índice do Eurostat de restaurantes e hotéis (75,5 contra 83,9) junta as duas coisas; como as diárias médias de junho de 2026 estão praticamente empatadas, a diferença de 11% do índice vem sobretudo do restaurante. Na prática, o almoço é onde a economia se faz nos dois países, por mecanismos parecidos:

  • Espanha, o menú del día: dois pratos, pão, bebida e sobremesa ou café, oferecido de segunda a sexta no almoço na maioria dos restaurantes de bairro. É a refeição completa mais barata que você vai fazer no país; o mesmo restaurante cobra bem mais à noite, à la carte.
  • Portugal, o prato do dia: um prato principal, muitas vezes com sopa e bebida, nas tascas e nos restaurantes de rua. Em geral sai mais barato que o menú espanhol, mas é menos completo — um prato, não dois. O couvert (pão, azeitonas, manteiga) que chega sem pedir é cobrado; recusar é normal e educado.

Não publicamos um preço médio de refeição porque não existe série oficial que o meça com rigor. O que o Eurostat dá é a ordem de grandeza: comer fora é mais barato em Portugal, por cerca de um décimo da conta.

A surpresa fica no supermercado. No índice de alimentos e bebidas não alcoólicas, Portugal (101,5) está acima da média europeia e a Espanha (95,2) abaixo. Quem aluga apartamento e faz café da manhã e alguns jantares em casa inverte parte da vantagem portuguesa. Para esse perfil, Madrid e Barcelona não são mais caras do que Lisboa e Porto na cesta do dia a dia.

Nos dois países, o restaurante perto do monumento cobra o menú turístico, não o menú del día. A regra que funciona em Lisboa, Porto, Madrid e Barcelona é a mesma: duas ruas para dentro, cardápio escrito à mão ou em lousa, gente da cidade sentada ao meio-dia. Os guias de Lisboa, Porto, Madrid e Barcelona trazem os bairros onde isso ainda acontece.

05Transporte urbano: os passes oficiais das quatro cidades

No transporte urbano o Eurostat marca empate (80,6 contra 81,5), mas o preço que você paga depende do passe que escolhe, e aqui cada cidade tem uma lógica. Os valores abaixo saem das tabelas oficiais dos operadores em 01/11/2026.

CidadeViagem avulsaPasse que compensa para turistaCusto por viagem no passeFonte e data
Lisboa (Metro + Carris)1,90 € (cartão navegante ocasional: + 0,50 € uma vez)Bilhete diário 24h: 7,25 € (≈ R$ 44); 10,35 € com as barcas para Cacilhas; 11,40 € com os trens da CP para Sintra e CascaisIlimitado em 24h; compensa a partir da 4.ª viagem no diaMetro de Lisboa, tabela em vigor desde 01/01/2026
Porto (Metro + STCP)1,40 € na zona Z2, valor mantido em 2026Andante 24 (24h na zona escolhida) e Andante Tour — valores de 2026 não publicados na fonte consultada—Área Metropolitana do Porto, via RTP (tarifário de 01/01/2026)
Madrid (Metro + EMT)Tabela oficial no site do Consórcio Regional (crtm.es)Bilhete de 10 viagens Metro/EMT/ML1: 7,30 € (≈ R$ 44), preço de 20260,73 € (≈ R$ 4,40)Time Out Madrid, 30/12/2025 (confirme no site do Consórcio Regional)
Barcelona (TMB)2,90 € (≈ R$ 17,50); aeroporto pela L9 Sud: 5,90 €T-casual, 10 viagens, 1 zona: a partir de 13,00 € (≈ R$ 79); Hola Barcelona ilimitado: a partir de 12,50 €; T-dia: a partir de 12,00 €1,30 € (≈ R$ 7,90) com a T-casualTMB, página de tarifas, consultada em 01/11/2026

Três coisas que a tabela ensina. Primeiro, Madrid é a cidade mais barata das quatro para se mover com o bilhete de 10 viagens a 0,73 € cada, preço de 2026; para 2027, confira a tabela do Consórcio Regional de Transportes antes de contar com o valor. Segundo, a T-casual de Barcelona é individual (uma pessoa, dez viagens) e não vale nas estações do aeroporto; o casal precisa de duas, ou de um bilhete de aeroporto à parte. Terceiro, em Lisboa o bilhete de 24h só compensa num dia de muito deslocamento; em dias de bairro, o zapping (crédito no cartão, 1,72 € por viagem de metrô) custa menos.

Entre cidades, a conta muda de escala: Lisboa–Porto é uma viagem de trem de poucas horas; Madrid–Barcelona também, pela alta velocidade, mas com uma oferta de operadores e de preços bem mais ampla. O guia de trens na Europa explica como comprar com antecedência nos dois países, onde a antecedência faz diferença de preço.

06Museus e atrações: ingressos nos sites oficiais

Recreação e cultura é a segunda categoria em que Portugal leva vantagem no Eurostat (85,9 contra 94,2). Mas o ingresso que você vai comprar é um preço concreto, e a diferença entre as duas atrações mais procuradas de cada país é maior do que o índice sugere. Preços oficiais em 01/11/2026, adulto sem desconto:

  • Museo del Prado, Madrid: 15 euros (≈ R$ 91), com tarifa reduzida para alguns grupos. Grátis de segunda a sábado das 18h às 20h e aos domingos e feriados das 17h às 19h (esMADRID, página atualizada em 27/05/2026).
  • Sagrada Família, Barcelona: 26 euros (≈ R$ 157) o ingresso básico, que inclui o aplicativo de audioguia da basílica; 36 euros com subida às torres (site oficial). Compre com antecedência, com hora marcada.
  • Castelo de São Jorge, Lisboa: 17 euros (≈ R$ 103); 14 euros para maiores de 65 e 8,50 para jovens de 13 a 25 anos (site oficial).
  • Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa: o claustro é pago e a igreja, segundo os guias, tem entrada livre. Os preços do claustro divergem entre as fontes que encontramos, então não publicamos um valor: consulte a bilheteira oficial dos Museus e Monumentos de Portugal.

A conta por casal: 30 euros no Prado, 52 na Sagrada Família (básico) e 34 no Castelo de São Jorge. A Espanha tem a atração mais cara do comparativo e também a gratuidade mais generosa: o casal que entra no Prado no horário gratuito não paga nada. Quem planeja com calma neutraliza a diferença; quem chega e compra na hora, paga.

07Voos, idioma, câmbio e IOF: o que é igual e o que não é

Voos

Não vamos escrever um preço de passagem: ele muda por rota, por data e por antecedência, e qualquer valor publicado aqui estaria errado na semana seguinte. O que é estável e útil: as duas capitais têm voos diretos a partir do Brasil, e por isso a passagem raramente decide a comparação. Entre as companhias que operam essas rotas estão a TAP e a LATAM (Lisboa) e a Iberia e a Air Europa (Madrid), mas as rotas variam por cidade de origem e temporada. Compare as duas no mesmo dia, nas mesmas datas, e trate a diferença como ela é: um item, não o veredito. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser. Vale lembrar que Lisboa é uma porta de entrada frequente para a Europa, com conexão para Madrid e Barcelona — o que permite um roteiro misto, Portugal e Espanha na mesma viagem, sem um segundo bilhete transatlântico.

Idioma

Custa zero e vale muito. Em Portugal, você negocia, pergunta e entende a conta na sua língua — com as diferenças de vocabulário que divertem mais do que atrapalham. Na Espanha, o brasileiro entende o espanhol razoavelmente bem lido e com dificuldade falado rápido; em Barcelona, placas e cardápios aparecem primeiro em catalão. Para quem viaja com pais mais velhos ou com crianças, ou para quem detesta depender de aplicativo de tradução, esse é um argumento real a favor de Portugal — e não aparece em nenhuma planilha.

Câmbio e IOF: iguais para os dois

Os dois países usam o euro, então o câmbio não diferencia um do outro. Ele diferencia, isso sim, como você paga. Desde o decreto de 2025, o IOF é de 3,5% sobre todos os gastos pessoais no exterior, qualquer que seja o meio: cartão de crédito, débito, conta global, cartão pré-pago ou compra de euro em espécie (Ministério da Fazenda, apresentação de maio de 2025). Não existe mais «cartão sem IOF» como regra geral; o que existe é a diferença entre o câmbio comercial (a PTAX, R$ 6,05 em 30/10/2026) e o câmbio que a sua instituição aplica. É nesse spread, e não no imposto, que mora a economia — o guia sobre câmbio turismo e comercial mostra como medir o seu na fatura. Uma exceção que vale saber: cartão emitido por banco estrangeiro não paga IOF, porque o imposto é brasileiro e incide sobre operações do sistema financeiro brasileiro — detalhe que importa para quem tem conta na Europa.

Para um casal, a chatice aparece no terceiro dia: ela pagou o hotel no cartão dela, ele pagou o jantar no dele, a taxa turística saiu em dinheiro, e cada cartão tem um câmbio diferente. Dez dias assim viram uma planilha que ninguém quer fazer na volta. Duas pessoas num fim de semana resolvem isso de cabeça; numa viagem de dez dias com dois cartões, a Caixinha do myroteiro registra cada gasto em euro, estima o valor em reais com IOF e spread segundo o meio de pagamento informado, e fecha o acerto por QR Pix de um para o outro — o dinheiro nunca passa pela plataforma, e a versão gratuita faz isso sem limite de gastos. É uma estimativa ao câmbio do dia, não o valor exato da fatura; para o fechamento final, a fatura manda.

08Veredito por perfil e passo a passo para a sua conta

Não há vencedor absoluto, e dizer o contrário seria enganar você. Há vencedor por perfil:

  • Casal que come fora todos os dias, hotel de 3 ou 4 estrelas: Portugal sai mais barato, pelo restaurante (cerca de 11% no índice do Eurostat) e pela taxa turística menor.
  • Casal que aluga apartamento, cozinha parte das refeições e anda muito de metrô: Madrid empata ou vence. Supermercado mais barato, transporte a 0,73 euro por viagem no bilhete de 10, zero de taxa turística e o Prado de graça no fim da tarde.
  • Barcelona em hotel de 4 ou 5 estrelas: é a combinação mais cara das quatro cidades, pelo somatório de IEET dobrado em 2026 mais recargo municipal — até 168 euros de taxa por casal numa semana. Vale pela cidade, não pelo preço.
  • Quem viaja com pais ou crianças e quer conforto de idioma: Portugal, sem conta a fazer.

Passo a passo para fechar a sua comparação, com as fontes que usamos aqui:

  1. Fixe as datas e compare os voos para Lisboa e Madrid no mesmo dia, nas mesmas datas. Anote a diferença; ela raramente decide, mas entra na conta.
  2. Escolha o tipo de hospedagem antes do país. Hotel ou apartamento muda o resto da conta: com apartamento, Portugal perde a vantagem do supermercado e Barcelona paga a taxa mais alta (9,50 euros por pessoa e noite).
  3. Some a taxa turística com a tabela acima: por pessoa, por noite, até 7 noites, lembrando as idades isentas (até 12 anos em Lisboa e no Porto, menores de 17 em Barcelona).
  4. Conte as viagens de transporte por dia e escolha o passe: 24h em Lisboa só com quatro ou mais deslocamentos; T-casual em Barcelona uma por pessoa; bilhete de 10 em Madrid.
  5. Liste os ingressos nos sites oficiais e marque os horários gratuitos; compre a Sagrada Família com hora marcada assim que fechar o voo.
  6. Converta tudo pela PTAX do dia (site do Banco Central) e some 3,5% de IOF mais o spread do seu cartão. Esse é o número que vai para o orçamento; o spread você mede na própria fatura, comparando o câmbio aplicado com a PTAX do dia.

Faça a conta com os preços de hoje e refaça 30 dias antes da viagem: a taxa de Barcelona tem nova tabela em 01/04/2027, os preços do transporte de Madrid e dos museus costumam ser revistos na virada do ano. Para o orçamento inteiro de cada destino, os guias quanto custa uma viagem a Portugal e quanto custa viajar para a Europa complementam esta comparação. E, nos dois países, a fronteira pode pedir comprovante de seguro viagem — o guia de cobertura mínima detalha.

Em resumo: Portugal é mais barato na mesa; a Espanha, no supermercado e no metrô de Madrid; o hotel empata; a taxa turística é o que mais separa as cidades. Escolha pelo que você vai fazer lá.

Perguntas frequentes

Portugal ou Espanha é mais barato para um casal brasileiro em 10 dias?+
Depende do estilo. Comendo fora todos os dias e em hotel de 3 ou 4 estrelas, Portugal sai mais barato: o índice de restaurantes e hotéis do Eurostat marca 75,5 para Portugal e 83,9 para a Espanha, e a taxa turística é menor. Em apartamento alugado, cozinhando parte das refeições e usando muito o metrô, Madrid empata ou vence, sem taxa turística e com supermercado mais barato. A diária média de hotel é praticamente a mesma nos dois países.
Quanto é a taxa turística em Lisboa, Porto, Madrid e Barcelona em 2026?+
Lisboa cobra 4 euros por pessoa e noite a partir dos 13 anos, até 7 noites. Porto cobra 3 euros por noite, até 7 noites, isentos até 12 anos. Madrid não cobra taxa turística em 01/11/2026. Barcelona soma o imposto catalão, que dobrou em 01/04/2026 (hoje de 2 a 7 euros conforme a categoria), a um recargo municipal de 5 euros, isentos os menores de 17 anos: um hotel 4 estrelas paga 8,40 euros por pessoa e noite, um 5 estrelas, 12 euros, sem IVA.
Hotel é mais barato em Portugal ou na Espanha?+
Na média nacional, empata. Em junho de 2026 o rendimento médio por quarto ocupado foi de 140,8 euros em Portugal e de 137,1 euros na Espanha, segundo os dois institutos de estatística — diferença inferior a 3%, ligeiramente a favor da Espanha. Nas capitais os preços ficam acima dessas médias, e a época do ano pesa mais do que o país: julho e agosto são o teto nos dois lados.
Comer fora é mais barato em Portugal ou na Espanha?+
Em Portugal, segundo o Eurostat: restaurantes e hotéis ficam cerca de 11% mais baratos do que na Espanha. Nos dois países o almoço é a refeição econômica — o menú del día espanhol, com dois pratos, pão e bebida, e o prato do dia português, um prato com sopa ou bebida. Não publicamos preço médio de refeição porque não existe fonte oficial que o meça; a ordem de grandeza do Eurostat é o dado confiável.
Vale mais a pena o passe de transporte em Lisboa, Madrid ou Barcelona?+
Madrid é a mais barata: o bilhete de 10 viagens Metro/EMT custa 7,30 euros em 2026, ou 0,73 por viagem. Em Barcelona a T-casual (10 viagens, 1 zona) parte de 13 euros, é individual e não vale nas estações do aeroporto. Em Lisboa o bilhete diário de 24h custa 7,25 euros e só compensa com quatro ou mais deslocamentos no dia; o zapping custa 1,72 euros por viagem de metrô.
Quanto custam os ingressos do Prado, da Sagrada Família e do Castelo de São Jorge?+
Em 01/11/2026, nos sites oficiais: Museo del Prado 15 euros, com entrada gratuita de segunda a sábado das 18h às 20h e domingos e feriados das 17h às 19h; Sagrada Família 26 euros o básico e 36 euros com as torres; Castelo de São Jorge 17 euros, 14 para maiores de 65 anos. O claustro do Mosteiro dos Jerónimos é pago e o preço varia entre as fontes: confira na bilheteira oficial.
O IOF é diferente para gastos em Portugal e na Espanha?+
Não. O IOF é um imposto brasileiro de 3,5% sobre todos os gastos pessoais no exterior, qualquer que seja o país e o meio de pagamento: crédito, débito, conta global, pré-pago ou compra de euro em espécie. A economia possível está no spread entre a PTAX do Banco Central e o câmbio que a sua instituição aplica. Só não paga IOF o cartão emitido por banco estrangeiro, porque o imposto incide sobre operações do sistema financeiro brasileiro.
Dá para visitar Portugal e Espanha na mesma viagem sem gastar muito mais?+
Sim, e é o roteiro mais comum entre brasileiros: entrar por Lisboa, que tem voos diretos do Brasil, e seguir de trem ou de avião para Madrid ou Barcelona, sem segundo bilhete transatlântico. Compare o voo de volta a partir das duas capitais, some a taxa turística de cada cidade pela tabela deste guia e escolha os passes por cidade. Os dois países usam o euro e o mesmo IOF de 3,5%, então o câmbio não muda a conta.

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