Sexta-feira, 11/09/2026. O noticiário fecha o dia com o dólar a R$ 5,09. Você abre o aplicativo do banco para comprar US$ 3.000 para as férias e o preço na tela é outro. Passa numa casa de câmbio no caminho de casa e o painel mostra um terceiro número. Mesma moeda, mesmo dia, três preços — e nenhum deles explica de onde veio a diferença.
Quase todo mundo atribui essa diferença ao «imposto». Está errado, e o erro custa caro. O IOF é fixo: 3,5% para todos os meios de pagamento, de acordo com o Decreto nº 12.499/2025. Ele é igual no banco mais barato e no mais caro. O que varia é o spread — a margem que cada instituição coloca sobre o câmbio comercial. E ele variou, em julho de 2026, de 0,3% a 14,7% entre as instituições que o Banco Central lista no ranking do VET. Para os mesmos US$ 3.000, isso separa uma conta de R$ 16.320 de uma de R$ 18.213.
Este guia usa só fontes oficiais: a Circular BCB nº 3.506 (que define a PTAX), a Lei nº 14.286/2021 (que diz quem fixa o câmbio turismo), o Decreto nº 12.499/2025 (IOF), a Resolução BCB nº 277/2022 (o que a instituição é obrigada a te informar) e o ranking do VET de julho de 2026, o mais recente publicado até 13/09/2026. Ao final, você sabe ler qualquer cotação em dez minutos e saber, em reais, quanto está pagando a mais — e para quem.
O essencial em 30 segundos
- >A PTAX de venda de 11/09/2026 fechou em R$ 5,0918: é a referência oficial do câmbio comercial, e ninguém compra dólar por esse preço — ele é o piso da conta, não o preço.
- >No ranking do VET de julho de 2026 (US$ 1.000 em espécie), os grandes bancos ficaram entre 2,8% e 4,2% acima da PTAX depois de descontado o IOF; a mediana das 50 instituições foi 3,6%, e os extremos foram 0,3% e 14,7%.
- >O IOF é 3,5% para espécie, cartão de crédito, débito, pré-pago e conta global (Decreto nº 12.499/2025, art. 15-B), cobrado assim desde 17/07/2025 — ele não muda de uma instituição para outra, o spread muda.
- >Em US$ 3.000 com as médias de julho de 2026, o IOF ficou entre R$ 552 e R$ 616 nas cinco instituições da tabela (do Bradesco ao Safra); o spread foi de R$ 427 no Bradesco a R$ 2.255 no Safra — R$ 1.892,70 de diferença pela mesma quantia de dólares.
- >A instituição é obrigada a informar o VET (custo total em reais por dólar) antes da operação (Resolução BCB nº 277/2022, art. 18), e o cartão de crédito converte pela taxa da data da compra (art. 54) — dois direitos que quase ninguém usa.
01Comercial, PTAX e turismo: três nomes para um só mercado
Não existem três dólares. Existe um mercado de câmbio e três formas de olhar para ele.
Câmbio comercial
É a taxa negociada entre bancos no mercado interbancário, com liquidação em dois dias úteis. É o número que o jornal publica e que o aplicativo de cotações mostra. Pessoa física não opera nesse mercado — ele serve a bancos, importadores, exportadores e fundos.
PTAX
É a fotografia oficial desse mercado, tirada pelo Banco Central. Não é uma cotação «do governo»: é uma média do que os bancos estavam negociando entre si. A metodologia está na Circular BCB nº 3.506, de 23/09/2010:
«Art. 2º As consultas aos dealers [...] serão realizadas [...] em todos os dias úteis, observadas as seguintes condições: I - realização de quatro consultas por dia, com duração de dois minutos cada; [...] Art. 3º A taxa de câmbio de compra e a taxa de câmbio de venda referentes a cada consulta corresponderão, respectivamente, às médias das cotações de compra e das cotações de venda efetivamente fornecidas pelos dealers, excluídas, em cada caso, as duas maiores e as duas menores. [...] Art. 4º As taxas PTAX de compra e de venda do dia corresponderão, respectivamente, às médias aritméticas das taxas de compra e das taxas de venda obtidas na forma do art. 3º.» — Circular BCB nº 3.506/2010
Na prática: quatro consultas entre 10h e 13h10, corte dos extremos, média. O boletim de fechamento sai logo depois da quarta consulta — e é esse o número que você deve anotar. Em 11/09/2026, a PTAX de fechamento foi R$ 5,0912 na compra e R$ 5,0918 na venda.
Um detalhe que o próprio Banco Central faz questão de registrar no Estudo Especial nº 42/2019: somente a cotação do real contra o dólar é calculada pelo BCB. As cotações de euro, libra e outras moedas nos boletins vêm de provedores de informação. Para o euro, portanto, a «PTAX» é uma referência de mercado publicada pelo BCB, não uma taxa apurada por ele.
Câmbio turismo
É o preço que a instituição cobra de você, pessoa física, por moeda em espécie ou carregamento de cartão pré-pago. E aqui está o ponto que ninguém te conta: não existe dólar turismo oficial. Nenhuma norma fixa esse valor. A lei diz o contrário:
«A taxa de câmbio é livremente pactuada entre as instituições autorizadas a operar no mercado de câmbio e entre as referidas instituições e seus clientes.» — Lei nº 14.286/2021, art. 2º, parágrafo único
Por isso, no mesmo dia, 50 instituições praticam 50 preços diferentes. O «dólar turismo hoje» que aparece em sites de cotação é uma média ou uma amostra — não é uma taxa que você possa exigir de alguém.
02O que entra no preço: spread, IOF e tarifa — e por que o VET é o único número que importa
Entre a PTAX e o que sai da sua conta há três camadas. Só uma delas varia de uma instituição para outra, e é exatamente a que a maioria das pessoas não olha.
O que não varia: o IOF
O IOF é um imposto brasileiro sobre operações do sistema financeiro brasileiro. Um cartão emitido por um banco de outro país não paga IOF nenhum — mas essa é a única exceção, e ela depende do país do emissor, não da moeda em que o cartão cobra.
O que varia: o spread
É a diferença entre o câmbio comercial e a taxa que a instituição te oferece, antes do imposto. É margem de lucro, custo de manter cédulas em estoque, risco de variação e o que mais a instituição quiser embutir. A lei permite que seja livremente pactuado — e a única defesa do cliente é comparar.
O que às vezes aparece: a tarifa
Algumas instituições cobram uma tarifa fixa por operação ou por entrega. Ela não aparece na «cotação» anunciada, e é por isso que comparar cotações é insuficiente.
O VET junta as três
A Resolução BCB nº 277/2022 obriga a instituição a te entregar um número que soma tudo:
«O Valor Efetivo Total (VET), expresso em reais por unidade de moeda estrangeira, é calculado considerando a taxa de câmbio, os tributos que incidem sobre a operação de câmbio e as tarifas eventualmente cobradas.» — Resolução BCB nº 277/2022, art. 18, que no parágrafo único, inciso I, obriga a instituição a «informar o VET a seu cliente ou usuário previamente à realização da operação de câmbio»
A conta, simplificada, é esta: VET ≈ PTAX × (1 + spread) × (1 + 3,5%) + tarifa. Como o IOF é igual para todo mundo, a comparação entre duas instituições se resume ao spread e à tarifa — ou seja, ao VET.
- Muda de uma instituição para outra: spread, tarifa, faixa de valor, forma de entrega.
- Não muda: o IOF de 3,5% e a PTAX do dia.
- Não existe: «dólar turismo oficial», «cartão sem IOF» emitido no Brasil, cotação abaixo da PTAX mais 3,5% que não esconda uma tarifa.
03Quanto cada instituição cobrou de verdade: o ranking do VET de julho de 2026
Desde maio de 2013 o Banco Central publica, mês a mês, o VET médio praticado por cada instituição autorizada, separado por moeda, finalidade, forma de entrega e faixa de valor. É a única fonte pública em que se vê o preço real, e não o anunciado. O próprio BC avisa:
«Os valores deste ranking referem-se a meses anteriores. As instituições não são obrigadas a praticar, no presente, os valores divulgados nesta página.» — Banco Central do Brasil, Ranking do VET
Ou seja: o ranking não te dá o preço de hoje. Ele te dá algo mais útil — a ordem de grandeza do que cada casa costuma cobrar, para você saber se a oferta na sua frente está na faixa normal ou fora dela.
Os números abaixo são do ranking de julho de 2026, o mês mais recente disponível em 13/09/2026, para compra de US$ 1.000 em espécie, finalidade viagem internacional. Para separar o spread do imposto, dividimos o VET por 1,035 (o IOF) e comparamos com a PTAX média de venda de julho, R$ 5,1139 (23 dias úteis). É uma aproximação — média do mês contra média do mês, com eventuais tarifas embutidas — mas é a melhor que existe com dados públicos.
| Instituição | VET médio (R$ por US$) | Operações no mês | Custo total sobre a PTAX | Spread aproximado (já sem o IOF) |
|---|---|---|---|---|
| BTG Pactual | 5,3103 | 5 | 3,8% | 0,3% |
| Bradesco | 5,4401 | 455 | 6,4% | 2,8% |
| Itaú Unibanco | 5,4569 | 1.683 | 6,7% | 3,1% |
| Banco do Brasil | 5,4663 | 1.519 | 6,9% | 3,3% |
| Santander | 5,5100 | 706 | 7,8% | 4,1% |
| Caixa Econômica Federal | 5,5171 | 126 | 7,9% | 4,2% |
| Mediana das 50 instituições | 5,4856 | 18.766 (total) | 7,3% | 3,6% |
| Confidence Câmbio | 5,6158 | 3.064 | 9,8% | 6,1% |
| Safra | 6,0710 | 894 | 18,7% | 14,7% |
Três leituras honestas dessa tabela:
- O BTG lidera com 5 operações no mês. Um VET médio calculado sobre cinco vendas não diz o que você vai encontrar no balcão. Use o número como curiosidade, não como referência.
- O brasileiro médio pagou mais que a mediana. Ponderando pelo número de operações, o VET médio de julho foi R$ 5,5317 — spread de cerca de 4,5%. As casas de maior volume (Daycoval, com 3.679 operações a R$ 5,5085, e Confidence, com 3.064 a R$ 5,6158) cobram mais que os grandes bancos, e é para elas que a maioria vai.
- A faixa dos grandes bancos é estreita: 2,8% a 4,2%. A diferença que dói não está entre Bradesco e Itaú. Está entre qualquer um deles e as duas últimas linhas.
E o euro?
Mesma lógica, mesma foto de julho de 2026, para € 1.000 em espécie, contra a PTAX média de venda do euro no mês, R$ 5,8421: Bradesco 6,2214 (spread aproximado de 2,9%), Itaú 6,2306 (3,0%), Banco do Brasil 6,2514 (3,4%), Confidence 6,3952 (5,8%) e Safra 6,7892 (12,3%). A mediana das 51 instituições foi 6,2888 — 4,0% sem o IOF. Os mesmos nomes, na mesma ordem, com margens ligeiramente maiores do que no dólar.
E o cartão pré-pago?
No ranking de pré-pago em dólar (13 instituições, 1.042 operações em julho de 2026), os spreads foram um pouco menores do que os da mesma casa em espécie: Banco do Brasil 5,4377 (2,7%, contra 3,3% em cédulas) e Confidence 5,4797 (3,5%, contra 6,1%). A mediana ficou em 5,4647 — 3,3%. Cédula física custa mais para a instituição, e ela repassa.
04A conta real em R$: US$ 3.000 para dez dias fora
Percentual não paga viagem. Vamos aos reais, com as mesmas médias de julho de 2026 e um cenário comum: US$ 3.000 em espécie para uma viagem de casal de dez dias.
Primeiro, o piso. Pela PTAX média de julho (R$ 5,1139), US$ 3.000 valem R$ 15.341,70. Ninguém vende por esse preço — é o custo do dinheiro no mercado interbancário, sem imposto e sem margem.
| Instituição (VET médio jul/2026) | Você paga | Acima da PTAX | Dos quais IOF (3,5%) | Dos quais spread |
|---|---|---|---|---|
| Bradesco (5,4401) | R$ 16.320,30 | R$ 978,60 | R$ 551,89 | R$ 426,71 |
| Banco do Brasil (5,4663) | R$ 16.398,90 | R$ 1.057,20 | R$ 554,55 | R$ 502,65 |
| Caixa Econômica Federal (5,5171) | R$ 16.551,30 | R$ 1.209,60 | R$ 559,71 | R$ 649,89 |
| Confidence Câmbio (5,6158) | R$ 16.847,40 | R$ 1.505,70 | R$ 569,72 | R$ 935,98 |
| Safra (6,0710) | R$ 18.213,00 | R$ 2.871,30 | R$ 615,90 | R$ 2.255,40 |
Olhe a quarta coluna. O IOF varia só de R$ 551,89 a R$ 615,90 — e varia porque é 3,5% de uma base um pouco maior nas casas mais caras, não porque a alíquota mude. Agora olhe a quinta: o spread vai de R$ 426,71 a R$ 2.255,40. Entre o Bradesco e a Confidence, a diferença é de R$ 527,10. Entre o Bradesco e o Safra, R$ 1.892,70 — pelos mesmos três mil dólares, no mesmo mês.
Esse é o ponto que separa quem entende câmbio de quem só reclama do imposto: o IOF é a parte da conta que você não controla. O spread é a parte que você escolhe — quando compara.
05Cartão de crédito, pré-pago e conta global: qual câmbio cada um usa
A tabela anterior é de moeda em espécie. Mas boa parte do gasto de viagem passa pelo cartão — e cada formato usa uma taxa diferente, com regras diferentes sobre o que a instituição precisa te mostrar.
Cartão de crédito emitido no Brasil
Desde 01/03/2020, por força da Circular BCB nº 3.918/2018, a conversão para reais usa a taxa da data da compra, não a do fechamento da fatura. A regra hoje está na Resolução BCB nº 277/2022, art. 54, § 2º: a taxa «deve referir-se à data do respectivo evento», e o emissor só pode usar a taxa do dia do pagamento se o cliente aceitar expressamente essa opção. O art. 52 obriga o demonstrativo a discriminar cada gasto, a moeda, o valor em moeda estrangeira, a taxa de conversão e o valor em reais.
O que ninguém te conta: a taxa de conversão do cartão não aparece no ranking do VET, porque o ranking cobre espécie e pré-pago. Você só descobre o spread do seu cartão comparando a taxa que a fatura mostra com a PTAX de venda daquele dia. Faça isso uma vez, num gasto qualquer, e você saberá o que o seu banco cobra — sem depender de propaganda. O IOF de 3,5% vem numa linha separada (incisos VIII e IX do Decreto nº 12.499/2025) e é igual em qualquer cartão brasileiro.
Cartão pré-pago
O carregamento é uma operação de câmbio comum: entra no ranking do VET (forma de entrega «cartão pré-pago») e paga 3,5% de IOF pelo inciso X. Em julho de 2026 os spreads de pré-pago foram menores do que os de espécie na mesma casa, como mostramos acima. A vantagem prática é travar a taxa no dia do carregamento — o que é bom se o dólar subir depois e ruim se cair.
Conta global (conta em moeda estrangeira em nome próprio)
Aqui a confusão é maior. Carregar uma conta global é, juridicamente, uma transferência para conta de mesma titularidade no exterior — inciso XXI do Decreto nº 12.499/2025: 3,5% de IOF, o mesmo do cartão e da cédula. A conversão é feita pela plataforma à taxa que ela «livremente pactua» com você, como diz a Lei nº 14.286. Muitas anunciam «câmbio comercial mais uma taxa de serviço»: essa taxa é o spread, com outro nome. Pode ser menor do que o dos bancos — frequentemente é — mas você só sabe comparando o custo total em reais por dólar, no dia, contra a PTAX.
06Na prática: como comparar em dez minutos, passo a passo
Você não precisa de planilha. Precisa de um número de referência e de uma pergunta que a lei te dá o direito de fazer.
- Anote a PTAX de venda do dia. No site do Banco Central, em «Cotações e boletins», pegue o boletim de fechamento (sai logo depois das 13h10). Se for de manhã, use o fechamento do dia anterior. Em 11/09/2026, por exemplo: R$ 5,0918.
- Peça o VET, não a cotação. Para cada instituição — banco, casa de câmbio, plataforma — pergunte: «qual é o VET para US$ X em espécie [ou pré-pago] hoje?». A Resolução BCB nº 277/2022, art. 18, obriga a resposta antes da operação. Quem responde só «a cotação é tanto» não respondeu.
- Divida o VET pela PTAX e subtraia 1. É o custo total, em percentual, acima do mercado interbancário. Se der 6,4%, você está pagando como no Bradesco de julho de 2026; se der 9,8%, como na Confidence; se der 18,7%, como no Safra.
- Subtraia 3,5 pontos. O que sobra é o spread mais eventuais tarifas. Se o resultado for menor do que zero, falta algo na conta — provavelmente uma tarifa que ficou de fora do número que te deram.
- Compare com o ranking do VET do mês anterior. No site do BC, escolha compra, finalidade viagens internacionais, a moeda, a forma de entrega e a faixa de valor. Se a oferta de hoje está muito acima do que a mesma casa praticou em média no mês passado, pergunte por quê — ou vá a outra.
- Confira a faixa de valor. O ranking separa faixas porque o spread costuma cair para quantias maiores. Peça o VET para a sua quantia exata, não para «mil dólares» genéricos.
- Guarde o comprovante com o VET. Ele prova a origem do dinheiro na alfândega, serve para qualquer reclamação e é o único documento que mostra o que você realmente pagou.
07O que dá errado: cinco erros que custam mais do que o IOF
Depois de olhar a conta de muita gente, os erros se repetem. Nenhum deles é sobre imposto.
- Comparar o «dólar turismo» de um site com a PTAX de outro dia. Em agosto de 2026 a PTAX oscilou cerca de 3% dentro do mês (de R$ 5,0723 a R$ 5,2236). Se a sua referência é de terça e a oferta é de sexta, a diferença que você está vendo pode ser do calendário, não da instituição. Compare sempre com a PTAX do mesmo dia.
- Achar que o imposto muda de um meio para outro. Não muda: 3,5% em espécie, cartão de crédito, débito, pré-pago e conta global. Quem escolhe o formato pensando em «pagar menos IOF» está otimizando uma variável que não existe — e deixando de olhar a que existe, o spread.
- Olhar a cotação e esquecer a tarifa. A cotação anunciada é uma peça de marketing. O VET é uma obrigação legal. Só o segundo inclui a tarifa que aparece no fim.
- Confundir compra e venda. Você paga a taxa de venda da instituição (ela está vendendo dólar para você). A PTAX também tem as duas pontas — em 11/09/2026, R$ 5,0912 na compra e R$ 5,0918 na venda. Use a de venda como referência.
- Fechar câmbio onde não há alternativa. Em aeroporto ou em cima da hora, você aceita o VET que aparece porque não tem com quem comparar. A defesa é simples: ter perguntado o VET a dois ou três lugares antes de viajar, com calma, e saber o que é «normal» para a sua quantia.
08Como se preparar: o que decidir antes e o que guardar
Câmbio não é uma decisão de véspera. É uma decisão de quatro a oito semanas antes, quando você ainda pode comparar sem pressa — e é exatamente esse o período em que a maioria das pessoas está escolhendo hotel e esquecendo o dinheiro.
Antes de viajar
- Decida o mix pela conveniência e pelo spread, nunca pelo IOF. Espécie para o que exige cédula (gorjetas, transporte local, lugares sem maquininha), cartão para o resto. O imposto é igual nos dois; o que muda é o custo de câmbio e a segurança.
- Descubra o spread do seu próprio cartão. Pegue uma compra internacional antiga na fatura, divida a taxa de conversão pela PTAX de venda daquele dia. Se o resultado te agradar, o cartão resolve boa parte da viagem. Se não, é hora de comparar um pré-pago ou uma conta global — pelo VET, no dia.
- Faça duas ou três consultas de VET para a quantia exata, com a PTAX do dia ao lado. Anote. Você terá a sua própria tabela, mais atual do que o ranking do BC.
- Compre em mais de um momento se a quantia for alta. Não como estratégia de «acertar o dólar» — ninguém acerta — mas para não concentrar toda a exposição em uma única cotação de um único dia.
O que guardar
- O comprovante de câmbio com o VET, de cada operação.
- Um registro da PTAX de venda do dia da compra (uma captura de tela do boletim do BC basta).
- As faturas de cartão com a taxa de conversão discriminada, como exige a Resolução BCB nº 277/2022, art. 52.
- Se levar acima do limite que exige declaração na alfândega, o comprovante de câmbio é também a prova de origem do dinheiro.
Vale aqui o mesmo princípio de todos os nossos guias: o myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser. Isso inclui onde comprar seus dólares. O que este guia te entrega não é uma recomendação de casa de câmbio, é o método para você mesmo ler qualquer cotação e saber, em reais, o que está pagando a mais e por quê.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre dólar comercial, PTAX e dólar turismo na prática?+
Onde consulto a PTAX do dia e qual das duas cotações devo usar como referência?+
O IOF é diferente para dinheiro em espécie, cartão de crédito e cartão pré-pago?+
Existe um dólar turismo oficial ou um teto para o spread das casas de câmbio?+
O que é o VET e por que ele é mais importante do que a cotação anunciada?+
Cartão de crédito internacional usa a cotação de qual dia para converter minhas compras?+
Conta global ou cartão pré-pago escapam do spread ou do IOF?+
A diferença entre câmbio turismo e comercial é a mesma para o euro?+
Pare de gastar horas pesquisando.
O myroteiro analisa seu cartão, calcula o orçamento real com IOF e monta seu dossiê em algumas horas, com revisão humana antes de enviar.
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