Documentação e vistos

Autorização de Viagem para Menor 2026

Tudo o que você precisa saber antes de levar seu filho ao exterior — ou mandar sozinho — sem ser barrado na imigração brasileira ou estrangeira por documento errado, desatualizado ou lavrado no cartório errado.

12 min de leituraAtualizado em 23 de junho de 2026Por MyRoteiro

Era uma sexta-feira de manhã no Aeroporto de Guarulhos. A família tinha voo às 10h para Orlando. A mãe, os dois filhos e a avó. O pai ficaria no Brasil trabalhando. Na fila da imigração, o agente pediu a autorização notarial do pai para as crianças saírem do país. O documento existia — só que estava lavrado num cartório de São Paulo, sem apostilamento, e a viagem passaria por Lisboa. Portugal não aceitou. Família rebocada de volta ao saguão. Voo perdido. Hotel de R$ 1.200 a noite. Reembolso: nenhum.

Esse tipo de situação acontece toda semana no Brasil. Não por má-fé, mas por desinformação. A legislação sobre autorização de viagem para menor mudou com o Estatuto da Criança e do Adolescente, foi ajustada pela Resolução CNJ nº 131/2011 e tem particularidades que variam conforme o destino, a custódia e quem vai acompanhando a criança.

Este guia resolve de uma vez: quem precisa de autorização, quem dispensa, qual cartório lavra, quanto custa, quando apostilar, e o que cada país exige além do que o Brasil manda. Ninguém te conta tudo isso junto — aqui está.

O essencial em 30 segundos

  • >Criança viajando com ambos os pais não precisa de autorização — mas pode ser pedida prova de parentesco (certidão de nascimento com tradução juramentada no exterior).
  • >Com apenas um dos pais, a autorização do outro é obrigatória desde 2000 e deve ser lavrada em cartório de notas, não em qualquer cartório de registro.
  • >Menor viajando sozinho ou com terceiros exige autorização de ambos os genitores, com firma reconhecida, e em muitos países o documento precisa de Apostila da Haia.
  • >O custo total — cartório + apostila + tradução juramentada — pode chegar a R$ 800–1.400 por documento, dependendo do estado e do destino.
  • >A autorização tem validade livre (você define), mas agentes de imigração desconfiam de documentos com mais de 2 anos; recomenda-se prazo máximo de 12 meses.

01Quando a autorização é obrigatória — e quando não é

A regra central está no artigo 84 do ECA (Lei 8.069/1990) e na regulamentação da Portaria Interministerial nº 2/2021, que consolidou os procedimentos. O critério é simples: quem acompanha a criança.

Situações que DISPENSAM autorização

  • Ambos os pais viajando juntos com a criança — mas leve a certidão de nascimento em caso de sobrenome diferente.
  • Criança com apenas um dos pais, quando o outro é falecido — presente a certidão de óbito.
  • Criança sob guarda unilateral documentada — com sentença judicial de guarda exclusiva que autorize viagens internacionais; isso deve estar explícito na decisão.
  • Criança emancipada — apresentar instrumento de emancipação.

Situações que EXIGEM autorização

  • Criança viajando com apenas um dos pais (o outro deve autorizar).
  • Criança viajando sozinha (ambos os pais autorizam).
  • Criança viajando com avós, tios, padrinhos ou qualquer terceiro (ambos os pais autorizam).
  • Criança com guarda compartilhada viajando com um dos genitores (o outro deve autorizar).
O Brasil considera menor qualquer pessoa com menos de 18 anos. Adolescente de 17 anos que parece adulto não escapa da regra — a imigração checa o passaporte.

Um detalhe que a maioria esquece: a imigração brasileira verifica na saída, mas o problema maior é a imigração do país de destino. Os EUA, por exemplo, podem questionar mesmo quando o Brasil libera. Por isso a autorização precisa ser robusta o suficiente para os dois lados.

02Como lavrar a autorização: cartório, modelo e o que não pode faltar

A autorização de viagem para menor é um ato notarial, lavrado exclusivamente em Cartório de Notas (Tabelionato de Notas). Não é Cartório de Registro Civil, não é Cartório de Protesto — é Notas.

Documentos que o autorizante precisa levar

  • RG ou CNH do genitor que autoriza (documento com foto).
  • Certidão de nascimento da criança (original ou cópia autenticada).
  • Passaporte da criança (número vai constar na autorização).
  • Endereço completo de hospedagem no destino (opcional mas recomendado para viagens aos EUA e Europa).

O que o documento deve conter — sem exceção

  1. Nome completo da criança, data de nascimento e número do passaporte.
  2. Nome completo do genitor autorizante e do acompanhante (se terceiro).
  3. Destino(s) — seja específico: "Portugal e Espanha" é melhor que "Europa".
  4. Período de vigência — data de início e data de fim.
  5. Finalidade da viagem (turismo, intercâmbio, tratamento médico).
  6. Assinatura com firma reconhecida por autenticidade (não por semelhança).
Autorização com firma reconhecida por semelhança é recusada em vários países europeus e pode gerar questionamento na imigração dos EUA. Sempre peça por autenticidade — o tabelião verifica a identidade pessoalmente.

Modelo que funciona (estrutura)

"Eu, [NOME DO GENITOR], brasileiro(a), portador(a) do RG nº [...] e CPF nº [...], residente em [...], na qualidade de [pai/mãe] do menor [NOME DA CRIANÇA], nascido(a) em [...], titular do Passaporte nº [...], AUTORIZO o(a) referido(a) menor a viajar ao exterior, com destino a [PAÍSES], acompanhado(a) de [NOME DO ACOMPANHANTE], no período de [DATA] a [DATA], para fins de [FINALIDADE]. Declaro estar ciente das condições da viagem e assumo total responsabilidade pela autorização ora concedida."

O modelo acima é uma referência — o tabelião vai adequar ao padrão do cartório e ao estado. Não existe um modelo único nacional, mas todos precisam dos elementos listados acima para ter validade.

03Apostila da Haia e tradução juramentada: quando são obrigatórias

Aqui está o ponto onde a maioria das famílias erra: a autorização lavrada no Brasil tem valor pleno em território nacional, mas para ser reconhecida no exterior precisa passar por um processo adicional.

O que é a Apostila da Haia

É um certificado emitido pela autoridade competente do país de origem (no Brasil, pelo Tribunal de Justiça do estado onde o cartório está registrado) que autentica a assinatura do tabelião. Regulamentada pela Convenção da Haia de 1961, da qual o Brasil é signatário desde 2016. Custo em 2026: R$ 120–250 dependendo do estado.

Quais países exigem apostila

País de destinoApostila necessária?Tradução juramentada?Obs.
Estados UnidosRecomendadaPara inglês se pedidaCBP pode exigir na fronteira
PortugalSim (Haia)Não (PT é o mesmo idioma)SEF verifica na chegada
FrançaSimSim (francês)DGPN exige tradução certificada
EspanhaSimSim (espanhol)Policia Nacional rigorosa
ItáliaSimSim (italiano)Polizia di Frontiera
ArgentinaNão (Mercosul)NãoAcordo bilateral dispensa
ChileNão (Mercosul)NãoIdem Argentina
JapãoSimSim (japonês)Exigência rigorosa
CanadáRecomendadaPara inglês ou francêsCBSA pode pedir
MéxicoNão usualmenteEspanhol simplesDepende do agente
Para países do Mercosul (Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia), o Brasil tem acordos que dispensam apostila e tradução — a autorização em português é aceita. Para todos os outros: apostile e traduza para evitar problemas.

Onde tirar a apostila no Brasil

Cada estado tem um ponto específico. Em São Paulo: TJSP, pelo portal e-apostila (tjsp.jus.br). No Rio: TJRJ. A maioria dos estados já tem sistema online com envio pelo correio. Prazo médio: 3–10 dias úteis. Custo médio em 2026: R$ 130 (SP), R$ 160 (RJ), R$ 180 (outros estados).

Tradução juramentada

Necessária quando o país exige o documento no idioma local. Só tradutores juramentados credenciados pela Junta Comercial do estado têm validade legal. Custo: R$ 300–600 por lauda, dependendo do idioma e da urgência. Japonês e árabe costumam ser mais caros.

04A conta real: quanto custa fazer tudo direito

Vamos colocar números concretos para você se planejar sem surpresa.

Se o pai e a mãe precisam assinar (viagem com terceiro), multiplique o custo do cartório por dois — são dois atos notariais separados. Alguns tabeliões fazem no mesmo instrumento com desconto; pergunte antes.

Custos adicionais que ninguém menciona

  • Reconhecimento de firma em cartório: R$ 15–40 por assinatura (já incluso na maioria dos atos notariais, mas confirme).
  • Autenticação de cópia da certidão de nascimento: R$ 10–20.
  • Certidão de óbito do outro genitor (quando aplicável): depende do estado civil — gratuita em muitos cartórios de registro.
  • Urgência no cartório: alguns cobram taxa extra de R$ 50–100 para lavrar no mesmo dia.
Serviços online que prometem "autorização de viagem digital" por R$ 29,90 não têm valor legal algum. Autorização de viagem para menor é ato exclusivo de tabelião de notas. Documentos assim são rejeitados imediatamente.

05Validade, prazo de antecedência e renovação

A lei não fixa prazo máximo de validade para a autorização — quem define é o genitor autorizante no momento da lavratura. Mas existe uma diferença importante entre o que é legalmente válido e o que a imigração aceita na prática.

Prazo de validade recomendado

  • Viagem única: emita com datas específicas de saída e retorno. Isso elimina qualquer dúvida sobre se o documento ainda é válido.
  • Viagens recorrentes (intercâmbio, criança que viaja frequentemente): autorização com vigência de até 12 meses é bem aceita. Acima disso, agentes de imigração ficam desconfiados — preferem pedir uma nova.
  • Autorização "por tempo indeterminado": tecnicamente permitida, mas Suíça, Alemanha e Reino Unido já recusaram documentos com essa cláusula. Evite.

Com quanto tempo de antecedência fazer

Considere o seguinte fluxo e os prazos em 2026:

  1. Lavratura no cartório: 1–3 dias úteis (pode ser no mesmo dia em urgência).
  2. Apostila da Haia: 3–10 dias úteis (SP tem feito em 3–5 dias pelo sistema online).
  3. Tradução juramentada: 3–7 dias úteis dependendo do idioma.
  4. Total mínimo recomendado: 15 dias antes da viagem.
  5. Margem segura: 30 dias antes.

Se você está planejando uma viagem para julho de 2026 e ainda não tem nada, o ideal é resolver em maio. Não deixe para a última semana.

E se o genitor estiver no exterior?

O genitor que precisa autorizar pode fazê-lo no Consulado Brasileiro do país onde está. O consulado tem função notarial e pode lavrar a autorização. O documento, quando emitido por consulado brasileiro, já tem validade internacional sem precisar de apostila adicional — ele é um documento consular com força equivalente. Custo: varia por consulado, em média USD 30–80.

06Casos especiais: pai ausente, genitor desconhecido, guarda judicial e adoção

Nem todo caso é pai e mãe casados, filhos biológicos, morando no mesmo país. A realidade das famílias brasileiras é mais complexa — e a burocracia precisa acompanhar.

Pai ou mãe desconhecido(a)

Se a certidão de nascimento tem apenas um genitor registrado (registro unilateral), apenas esse genitor precisa autorizar. A ausência do segundo nome na certidão é a própria prova — leve o documento original.

Genitor que se recusa a assinar

Situação dolorosa e frequente. A solução é judicial: o genitor que vai viajar pede ao juiz da Vara da Infância e Juventude a autorização judicial de viagem. Com a decisão judicial em mãos, o cartório ou a autoridade de imigração aceita como substituta da autorização notarial. Prazo: depende da comarca, mas juízes têm dado decisões em regime de urgência em 5–15 dias.

Guarda unilateral

Se você tem a guarda unilateral por sentença judicial, leve a sentença. Mas atenção: a sentença precisa conter expressamente a autorização para viagens internacionais. Se não constar, você ainda precisará da autorização do outro genitor ou de uma decisão complementar do juiz.

Adoção

Criança adotada segue as mesmas regras — os pais adotivos têm o mesmo status legal que biológicos. Mas leve a certidão de nascimento pós-adoção (não a original de antes do processo), que já constará os nomes dos adotantes.

Menor sob tutela

O tutor nomeado judicialmente pode autorizar a viagem, desde que o termo de tutela esteja vigente e não haja restrição judicial específica. Leve o termo de tutela original.

MyRoteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser. Para situações de guarda disputada ou tutela complexa, consulte um advogado de direito de família antes de tentar resolver só com cartório.

07Os 7 erros que reprovam na imigração — e como evitar cada um

Compilamos os casos mais frequentes reportados em grupos de viagem e fóruns de expatriados brasileiros. Esses são os erros reais, não os teóricos.

  1. Cartório errado: fazer a autorização em Cartório de Registro Civil em vez de Tabelionato de Notas. O documento é inválido — tem aparência oficial mas não tem valor. Sempre confira: "Tabelionato" ou "Notas" no nome.
  2. Firma por semelhança: o tabelião reconhece a assinatura comparando com uma ficha — não viu o genitor pessoalmente. Vários países europeus recusam. Exija "por autenticidade".
  3. Sem número do passaporte: a autorização que não especifica o passaporte da criança é tratada como genérica demais. Coloque o número — e se o passaporte for renovado antes da viagem, a autorização precisa ser refeita.
  4. Destino vago: "viagem internacional" ou "América do Norte" é insuficiente. Escreva os países específicos.
  5. Sem apostila para países fora do Mercosul: já explicamos acima. O erro mais caro porque o documento existe mas é inútil no destino.
  6. Autorização vencida na data de retorno: a criança entra no país com autorização válida, mas ela vence durante a viagem. Na saída, o país de destino pode questionar. Emita sempre com data além do retorno previsto — coloque 3–5 dias de margem.
  7. Documento em PDF impresso em casa: autorização original com assinatura e selo do tabelião. Cópia simples não tem valor. Leve o original e uma cópia autenticada como backup.

Perguntas frequentes

Criança com dupla cidadania brasileira e americana precisa de autorização para viajar?+
Sim, se for menor de 18 anos e viajar sem ambos os pais. A dupla cidadania não muda as regras do ECA. O que muda é o passaporte usado — se entrar nos EUA com o americano, a imigração americana pode não pedir, mas a saída pelo Brasil ainda exige o documento.
Minha filha tem 17 anos e vai em intercâmbio por 6 meses. A autorização cobre o período todo?+
Sim, desde que você especifique o período completo na lavratura. Coloque as datas exatas — por exemplo, 15/03/2026 a 15/09/2026. A escola de intercâmbio pode pedir uma cópia com apostila para o arquivo deles, então providencie pelo menos duas vias originais apostiladas.
Pai falecido: quais documentos levar além da certidão de óbito?+
A certidão de óbito original e a certidão de nascimento da criança (que constará o nome do pai). Alguns agentes de imigração pedem a certidão em tradução juramentada para países fora do bloco lusófono — apostile a certidão de óbito também se o destino for fora do Mercosul.
A autorização feita por WhatsApp ou e-mail tem valor?+
Nenhum. Autorização de viagem para menor é ato notarial, lavrado presencialmente em Tabelionato de Notas com assinatura e reconhecimento de firma. Documentos digitais, e-mails, declarações gravadas em vídeo ou assinadas digitalmente por plataformas comuns não substituem o ato notarial.
Quanto tempo leva para obter autorização judicial quando o pai se recusa a assinar?+
Depende da comarca e da urgência. Em São Paulo, comarcas grandes têm dado decisões liminares em 5–15 dias úteis quando há viagem marcada e documentada. Em cidades menores pode levar 30–60 dias. Contrate advogado de família e peça tutela de urgência com prova do bilhete aéreo.
Preciso de autorização se a criança vai de ônibus para o Uruguai ou Argentina?+
Sim. A modalidade de transporte não altera a exigência legal. A criança cruzando fronteira terrestre com apenas um genitor ou com terceiro precisa da autorização. A boa notícia é que para Mercosul não precisa de apostila nem tradução — a autorização em português com firma reconhecida basta.
A avó pode assinar a autorização como responsável?+
Não. A autorização precisa ser assinada pelos detentores do poder familiar — pai e/ou mãe. Se a guarda for da avó por decisão judicial (tutela), ela pode autorizar como tutora. Do contrário, os pais precisam assinar, mesmo que a criança more com a avó.
Passaporte da criança vence durante a viagem. Isso é problema?+
Sim, grave. A maioria dos países exige passaporte válido por pelo menos 6 meses além da data de saída do país. Verifique o vencimento antes de qualquer viagem. A autorização deve constar o número do passaporte vigente — passaporte renovado exige nova autorização com o novo número.

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