O essencial em 30 segundos
- >Menor desacompanhado de um ou ambos os responsáveis legais — no Brasil ou no exterior — quase sempre precisa de autorização de viagem com firma reconhecida.
- >O modelo oficial é o do CNJ: nome completo do menor, destino, datas de ida e volta, prazo de validade e assinatura dos responsáveis são campos obrigatórios.
- >A firma pode ser reconhecida em cartório físico ou pela plataforma e-notariado, ambas aceitas pela Polícia Federal na saída do país.
- >A validade da autorização deve estar expressa no documento e não pode ultrapassar os limites definidos pela Resolução do CNJ que rege a matéria.
- >Sem a autorização correta, a Polícia Federal impede o embarque do menor — a família perde a viagem mesmo com passagens já compradas e pagas.
01Quando a autorização de viagem de menor é obrigatória
A exigência tem base no artigo 83 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) e, para viagens internacionais, na Resolução do Conselho Nacional de Justiça que regulamenta o tema. Na prática, a regra vale para toda criança ou adolescente com menos de 18 anos que viaja sem a companhia de um ou de ambos os pais ou responsáveis legais — seja para outro estado do Brasil, seja para outro país.
- Menor viajando completamente sozinho (sem nenhum responsável, com ou sem acompanhante maior de idade indicado pelos pais)
- Menor viajando com apenas um dos pais, sem a presença do outro genitor
- Menor viajando com terceiros — avós, tios, padrinhos ou responsáveis de excursão — sem nenhum dos pais presentes
- Menor participando de viagem ou intercâmbio escolar organizado pela instituição de ensino
| Situação | Viagem nacional | Viagem internacional |
|---|---|---|
| Menor com os dois pais/responsáveis | Não precisa de autorização | Não precisa de autorização (basta identidade do menor e comprovação de filiação) |
| Menor com apenas um dos pais | Dispensada em comarcas contíguas/mesma região metropolitana; exigida nos demais casos | Autorização do outro genitor com firma reconhecida (ou documento de guarda unilateral/certidão de óbito) |
| Menor desacompanhado de ambos os pais | Autorização judicial ou particular com firma reconhecida, salvo exceções do art. 83 do ECA | Autorização modelo CNJ com firma reconhecida de ambos os pais, ou autorização judicial |
| Menor em grupo escolar/excursão | Autorização da família conforme regulamento do transportador | Autorização modelo CNJ assinada pelos pais, com dados do responsável pelo grupo |
Uma exceção comum gera confusão: viagens nacionais entre comarcas contíguas da mesma unidade federativa, ou dentro da mesma região metropolitana, dispensam autorização judicial, mesmo que o menor esteja desacompanhado dos pais. Fora dessa hipótese específica, o documento — judicial ou particular com firma reconhecida — é exigido.
02O modelo oficial do CNJ e como preenchê-lo corretamente
O formulário padronizado está disponível gratuitamente no site do Conselho Nacional de Justiça e também costuma ser fornecido por cartórios e companhias aéreas em suas centrais de atendimento a famílias. Usar o modelo oficial evita que o documento seja recusado por falta de informação obrigatória — o erro mais comum é deixar de especificar datas exatas ou o destino completo.
- Identifique o menor com nome completo, data de nascimento, filiação e número de documento (RG ou passaporte)
- Descreva o itinerário completo: cidade e país de destino, com data de ida e data de volta
- Informe quem acompanha o menor durante a viagem, com nome completo e documento
- Defina o prazo de validade da autorização, que deve cobrir integralmente o período da viagem
- Colha a assinatura de ambos os pais ou responsáveis legais (ou apenas de um, quando aplicável ao caso)
- Reconheça a firma das assinaturas em cartório ou pela plataforma e-notariado antes da viagem
Nenhuma criança poderá viajar para fora da comarca onde reside, desacompanhada dos pais ou responsável, sem expressa autorização judicial. — Art. 83, Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990)
Para viagens internacionais, vale usar exatamente o modelo divulgado pelo CNJ, pois é o formato reconhecido pela Polícia Federal nos postos de fronteira e aeroportos. Modelos genéricos encontrados na internet podem faltar campos exigidos e gerar questionamento no balcão de embarque.
03Reconhecimento de firma: cartório presencial ou e-notariado
A assinatura dos pais ou responsáveis na autorização de viagem só tem valor legal pleno quando a firma é reconhecida — ou seja, quando um tabelião confirma que a assinatura pertence de fato àquela pessoa. Existem hoje dois caminhos válidos e aceitos pela Polícia Federal.
- Cartório de notas presencial: reconhecimento por semelhança (comparando com assinatura já registrada) ou por autenticidade (o responsável assina na hora, diante do tabelião)
- e-notariado: plataforma nacional dos cartórios que permite reconhecer firma digitalmente, por videoconferência com um tabelião, com validade jurídica equivalente ao presencial
- O documento final deve trazer o selo ou código de autenticação do cartório, físico ou digital, para ser aceito no embarque
04Validade da autorização e diferenças entre viagem nacional e internacional
A autorização de viagem não é um documento de validade indefinida. Ela precisa declarar um período específico, que deve cobrir com folga a ida e a volta do menor — inclusive eventuais atrasos ou mudanças de itinerário dentro da mesma viagem.
- O prazo de validade não pode ultrapassar os limites definidos pela Resolução do CNJ que rege a matéria, e deve estar explícito no corpo do documento
- Para viagens nacionais, a exigência de autorização com firma reconhecida se aplica principalmente quando o menor viaja desacompanhado de ambos os pais fora das exceções de comarca contígua
- Para viagens internacionais, a autorização é exigida de forma mais rigorosa e verificada pela Polícia Federal na saída do país — não no retorno ao Brasil
- Se o menor mudar de itinerário durante a viagem (por exemplo, incluir um país não previsto originalmente), a autorização pode não cobrir o novo trecho
Recomenda-se emitir a autorização com folga de alguns dias antes e depois das datas previstas, e revisar o texto sempre que houver alteração de voos ou de roteiro, especialmente em viagens com múltiplos destinos.
05Excursões e viagens em grupo escolar
Viagens organizadas por escolas — intercâmbios, excursões de formatura, competições esportivas — não dispensam a autorização individual de cada aluno menor de idade. A responsabilidade da instituição de ensino ou do professor acompanhante não substitui a exigência legal dirigida aos pais.
- Cada aluno participante precisa de autorização assinada por ambos os pais ou responsáveis, com firma reconhecida, especialmente em viagens internacionais
- O documento deve identificar o responsável pelo grupo durante a viagem (professor, coordenador ou empresa de turismo educacional)
- A escola costuma centralizar a coleta das autorizações, mas a responsabilidade de providenciar o reconhecimento de firma continua sendo da família
- Viagens escolares internacionais devem seguir o mesmo modelo CNJ usado para qualquer menor desacompanhado dos pais
06O que acontece se faltar o documento na saída do Brasil
A consequência de embarcar sem a autorização correta — ou com um documento incompleto, vencido ou sem firma reconhecida — é imediata e raramente contornável no próprio aeroporto. A verificação é feita pela Polícia Federal no momento da saída do país, não pela companhia aérea.
- O menor tem o embarque impedido, mesmo que a passagem esteja paga e o check-in já tenha sido concluído
- Toda a família, ou o grupo que viaja com o menor, geralmente também não embarca, já que a viagem foi planejada em conjunto
- Não há, na prática, como emitir ou reconhecer firma de uma autorização dentro do aeroporto em cima do horário do voo
- Passagens e reservas já pagas não costumam ser reembolsadas automaticamente por esse motivo — o problema é tratado como responsabilidade da família, não da companhia
Por isso, a orientação prática é sempre conferir a autorização — validade, assinaturas, reconhecimento de firma e destino — dias antes da viagem, e não na véspera, quando qualquer correção se torna praticamente inviável.
07Erros comuns e dicas práticas para evitar problemas
- Usar um modelo de autorização baixado de um site não oficial, sem os campos exigidos pelo CNJ
- Esquecer de reconhecer firma, ou reconhecer apenas por semelhança quando o destino exige autenticidade
- Deixar a data de validade da autorização vencer antes da data real de volta ao Brasil
- Não levar via impressa quando o e-notariado exige consulta por QR code ou código de verificação, em locais com conexão instável
- Presumir que a autorização entregue à companhia aérea no check-in dispensa apresentação também à Polícia Federal
Guardar uma cópia digital do documento (foto ou PDF) além da via física, e chegar ao aeroporto com margem de tempo extra especificamente para essa verificação, evita a maior parte dos imprevistos relatados por famílias que já passaram pela situação.
Perguntas frequentes
Até que idade é necessária a autorização de viagem para menor de idade?+
Se eu e meu cônjuge viajarmos juntos com nosso filho, precisamos de autorização?+
É possível reconhecer firma sem ir a um cartório presencialmente?+
A autorização de viagem também é exigida para viagens dentro do Brasil?+
Com quanto tempo de antecedência devo providenciar a autorização?+
O que acontece se a família esquecer a autorização em casa no dia do voo?+
A autorização precisa ser traduzida para viagens internacionais?+
Avós podem viajar com um neto sem autorização dos pais?+
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