Dinheiro & Câmbio

Wise ou Nomad: taxas 2026 comparadas lado a lado

Você já sabe o que cada conta global faz. O que ninguém coloca na mesa é quanto cada operação custa, linha por linha: a taxa de câmbio, o IOF que ninguém escapa, o saque que mudou de regra em 2026 e as tarifas que só aparecem na fatura. Aqui está a planilha aberta.

9 min de leituraAtualizado em 23 de agosto de 2026Por myroteiro

Se você chegou até aqui, provavelmente já passou da fase do "qual conta global escolher" — para isso existe o nosso comparativo geral entre Wise, Nomad e Avenue. Este artigo é outra conversa: é a planilha aberta das taxas, atualizada para julho de 2026, com cada custo colocado lado a lado. Câmbio, saque, manutenção e IOF — os quatro pontos onde seu dinheiro realmente vaza.

E 2026 não foi um ano qualquer para essas taxas. A Wise mudou as regras de saque em maio, trocando o modelo de percentual por uma tarifa fixa que beneficia quem saca muito e pesa para quem saca pouco. O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras, o imposto federal que incide sobre câmbio) segue unificado em 3,5% para conversões em conta internacional desde meados de 2025 — e vale igual para as duas plataformas, o que muita propaganda prefere não destacar.

A conta real é essa: o que diferencia Wise e Nomad no bolso não é o imposto, é o que cada uma cobra por cima dele. Vamos aos números, com a ressalva honesta de sempre: taxas de plataforma mudam sem aviso, então confira o valor exato no app antes de confirmar qualquer conversão. Os valores abaixo refletem as tabelas públicas vigentes em julho de 2026.

O essencial em 30 segundos

  • >O IOF é idêntico nas duas: 3,5% em toda conversão de reais para a conta internacional — nenhuma plataforma escapa nem tem "desconto" no imposto.
  • >No câmbio, a Wise cobra uma taxa de serviço variável (a partir de cerca de 0,4%, exibida antes de confirmar) sobre o câmbio comercial; a Nomad cobra taxa de conversão de 2% no nível padrão, caindo até 1% no topo do programa Nomad Pass.
  • >Saque mudou em 2026: a Wise passou a dar 1 saque grátis por mês (sem limite de valor) e cobrar R$ 20 fixos a partir do segundo, desde 01/05/2026.
  • >A Nomad libera saques sem tarifa própria e sem limite na rede MoneyPass (EUA); fora dos EUA são 2 saques grátis por mês e US$ 5 por saque a partir do terceiro.
  • >Manutenção é R$ 0 nas duas — o custo está no uso: para conversões grandes feitas de uma vez, a Wise tende a sair mais barata; quem converte com frequência pela Nomad e sobe no Nomad Pass encosta na diferença.

01O que mudou nas taxas em 2026 (e por que este artigo existe)

Dois movimentos redesenharam a conta em 2026. O primeiro veio do governo, ainda em 2025: o Decreto 12.499/2025, restabelecido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em julho daquele ano, unificou o IOF de câmbio em 3,5% para a maioria das operações de pessoa física — compra com cartão internacional, compra de moeda em espécie e envio de reais para conta internacional de mesma titularidade. Antes, mandar dinheiro para a própria conta no exterior pagava 1,1%; hoje paga 3,5%, nas duas plataformas, sem exceção.

O segundo movimento veio da própria Wise, em 1º de maio de 2026: o fim do modelo de saque com percentual. Antes eram 2 saques grátis por mês até R$ 700, e depois tarifa de R$ 6,50 mais 1,75% sobre o excedente. Agora é 1 saque grátis por mês, sem limite de valor, e R$ 20 fixos por saque a partir do segundo.

A mudança da Wise tem dois ladosQuem saca valores altos de uma vez saiu ganhando: um saque único de R$ 2.000 que antes custava caro em percentual hoje sai grátis. Quem saca pouco e várias vezes saiu perdendo: o segundo saque do mês, mesmo de R$ 100, custa R$ 20 fixos — 20% do valor. Se seu estilo é sacar aos poucos, essa regra muda sua estratégia.

Resultado: comparativos escritos antes de maio de 2026 já mostram números de saque desatualizados para a Wise. Por isso esta tabela existe — e por isso ela tem data.

02A tabela completa: Wise x Nomad, taxa por taxa

Sem rodeios, linha por linha, com os valores vigentes em julho de 2026:

CustoWiseNomad
Manutenção mensalR$ 0R$ 0
Cartão físicoR$ 35 (tarifa única de emissão)Sem tarifa de emissão; o envio ao Brasil custa US$ 20, mas sai grátis a partir do nível 2 do Nomad Pass
Taxa da plataforma no câmbioTaxa de serviço variável, a partir de cerca de 0,4%, sobre o câmbio comercial (mid-market, a cotação "do Google") — o valor exato aparece antes de confirmarTaxa de conversão de 2% no nível padrão, caindo progressivamente até 1% no nível 5 do Nomad Pass
IOF na conversão (conta internacional)3,5%3,5%
IOF para conta investimentoNão se aplica (a Wise não tem conta de investimento no Brasil)1,1% no envio para a conta investimento (não vale para gastar na viagem)
Saque em ATM1 saque grátis/mês sem limite de valor; R$ 20 fixos por saque a partir do 2º (regra desde 01/05/2026)EUA: grátis e ilimitado na rede MoneyPass; fora dos EUA: 2 saques grátis/mês em caixas Visa, US$ 5 por saque a partir do 3º
Compra no cartão com saldo já convertidoSem custo adicionalSem custo adicional
IOF na volta (moeda estrangeira → reais)0,38%0,38%

Um detalhe que faz diferença na prática: em caixas eletrônicos no exterior, o dono do ATM pode cobrar uma tarifa própria (comum nos EUA, entre US$ 2 e US$ 5), que nenhuma das duas plataformas controla nem reembolsa. Essa tarifa aparece na tela do caixa antes de você confirmar — e é aí que a rede MoneyPass da Nomad brilha, porque nela nem essa cobrança existe.

Vale registrar o papel de cada um aqui: o myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser. Nosso trabalho é abrir a conta; a escolha da plataforma é sua.

03Câmbio: a diferença que ninguém te conta

Aqui mora a distinção estrutural entre as duas. A Wise trabalha com o câmbio comercial puro — a mesma cotação que aparece quando você pesquisa "dólar hoje" — e cobra uma taxa de serviço separada e visível, que varia por moeda e por valor, partindo de cerca de 0,4%. Você vê exatamente quanto vai pagar antes de apertar o botão.

A Nomad também parte do câmbio comercial, mas embute sua remuneração numa taxa de conversão percentual: 2% para quem está no nível de entrada do Nomad Pass (o programa de fidelidade da plataforma, que sobe de nível conforme você converte — cada US$ 1 convertido vira 1 ponto). No nível 5, o topo, a taxa cai para 1%.

A diferença entre Wise e Nomad não está no IOF — as duas recolhem os mesmos 3,5% para o governo. Está no que cada uma cobra por cima do câmbio. É nessa linha da planilha que a conta real acontece.

Tradução prática: para quem converte de vez em quando, a taxa da Wise tende a ficar abaixo dos 2% do nível básico da Nomad. Para quem converte com frequência e volume — e por isso sobe no Nomad Pass —, a distância encurta até quase sumir no nível 5. Não existe vencedor universal; existe o seu perfil de uso.

E as promoções de taxa zero?

As duas plataformas fazem, de tempos em tempos, campanhas de isenção da taxa de serviço para contas novas ou datas específicas. Nunca inclua isso no seu planejamento de longo prazo: a isenção cobre a taxa da plataforma, não o IOF — os 3,5% do imposto continuam lá, sempre.

04IOF: o imposto de que nenhuma conta escapa

Vale gravar as três alíquotas que importam para quem viaja, válidas em julho de 2026 para qualquer plataforma:

  • 3,5% — conversão de reais para a conta internacional (o caso clássico de quem está montando o orçamento da viagem), e também compras com cartão de crédito internacional de banco tradicional;
  • 1,1% — envio de reais para conta de investimento no exterior (na Nomad, a conta investimento; a lógica do decreto é cobrar menos de poupança e mais de consumo);
  • 0,38% — conversão de volta, da moeda estrangeira para reais, quando você repatria o que sobrou.
O atalho do 1,1% não existe para viagemMandar dinheiro para a conta investimento da Nomad pagando 1,1% e depois usar esse saldo para gastar na viagem não é um caminho disponível: o saldo de investimento não é o saldo do cartão, e movê-lo para gasto passa pelas regras (e cobranças) da própria plataforma. O IOF menor é para investir — para viajar, a régua é 3,5%, ponto.

Se quiser entender de onde veio essa unificação e quanto o IOF pesa no orçamento total de uma viagem, temos a conta completa em o custo real de uma viagem internacional: IOF, câmbio e o que ninguém soma.

05Saque em ATM: onde a escolha pode virar de lado

Se o seu destino é os Estados Unidos, a Nomad tem uma vantagem objetiva: saques grátis e ilimitados na rede MoneyPass, com milhares de caixas pelo país — sem tarifa da plataforma e sem a tarifa do dono do caixa. Para quem gosta de andar com algum dinheiro vivo em Orlando ou Miami, isso zera uma linha inteira da planilha.

Fora dos EUA, o jogo muda. A Nomad dá 2 saques grátis por mês em qualquer caixa Visa e cobra US$ 5 fixos a partir do terceiro — mais a eventual tarifa do dono do ATM, que existe em quase todo lugar. A Wise, desde maio de 2026, dá 1 saque grátis por mês sem limite de valor e cobra R$ 20 fixos a partir do segundo, em qualquer país.

A estratégia que funciona com as regras de 2026:

  • Com a Wise: concentre o dinheiro vivo do mês em um único saque — o primeiro é grátis, seja de R$ 300 ou de R$ 3.000. Sacar quatro vezes R$ 250 custa R$ 60 a mais que sacar R$ 1.000 de uma vez.
  • Com a Nomad nos EUA: procure sempre um caixa MoneyPass (o app localiza) e saque à vontade.
  • Com a Nomad fora dos EUA: planeje no máximo 2 saques por mês.

E uma regra universal, independente de plataforma: se o caixa oferecer "converter para reais" na tela (a chamada conversão dinâmica de moeda), recuse sempre — escolha ser debitado na moeda local. A conversão do caixa embute um spread (margem escondida na cotação) que costuma passar de 5%, e joga fora toda a economia da conta global. Aliás, se você vai levar valores maiores em espécie, veja antes as regras de declaração de dinheiro na alfândega.

06A conta real: R$ 5.000 convertidos em cada cenário

Números redondos para enxergar a diferença. Suponha R$ 5.000 saindo da sua conta em reais rumo ao saldo em dólar, em julho de 2026:

CustoWiseNomad (nível padrão)Nomad (Pass nível 5)
IOF (3,5%)R$ 175R$ 175R$ 175
Taxa da plataformaR$ 20 a R$ 75 (0,4% a 1,5%, conforme exibido no app)R$ 100 (2%)R$ 50 (1%)
Custo total aproximadoR$ 195 a R$ 250R$ 275R$ 225

Leitura honesta da tabela: a faixa da Wise é uma faixa mesmo — a taxa de serviço para real → dólar varia com o valor e com o momento, e só o app cravará o número na hora. Mas o desenho geral se sustenta: para uma conversão grande e pontual, a Wise tende a custar menos; para quem já converte volume recorrente pela Nomad e alcançou os níveis altos do Pass, a diferença encolhe a ponto de outros critérios (rede MoneyPass, conta de investimento, cartão) pesarem mais que a taxa.

Converter de uma vez ou aos poucos?Pelo lado das taxas, tanto faz: IOF e taxa percentual cobram o mesmo em uma conversão de R$ 5.000 ou em dez de R$ 500. A diferença é o câmbio, que oscila todo dia. Converter aos poucos dilui o risco de pegar um dia ruim de cotação — é a mesma lógica do preço médio. Ninguém acerta o fundo do dólar; quem parcela a conversão erra menos.

Última peça do quebra-cabeça: essas contas resolvem o dinheiro do dia a dia, mas não substituem a análise do melhor cartão para a viagem — crédito de emergência, seguros embutidos e aceitação são outra conversa. E se quiser dimensionar quanto dinheiro converter para o destino, a nossa conta de quanto custa viajar para a Europa em 2026 ajuda a calibrar.

Perguntas frequentes

Qual é o IOF da Wise e da Nomad em 2026?+
Igual nas duas: 3,5% na conversão de reais para a conta internacional, alíquota unificada desde 2025 e mantida em 2026. O envio para a conta investimento da Nomad paga 1,1% (só para investir, não para gastar), e a conversão de volta para reais paga 0,38%. Nenhuma plataforma tem desconto no imposto — quem promete "IOF menor" para gasto em viagem está confundindo as alíquotas.
Quem cobra menos no câmbio: Wise ou Nomad?+
Em geral, a Wise: taxa de serviço variável a partir de cerca de 0,4% sobre o câmbio comercial, exibida antes de confirmar. A Nomad cobra 2% no nível padrão, caindo até 1% no nível 5 do Nomad Pass. Ou seja, um usuário frequente da Nomad no topo do programa paga perto do que a Wise cobra; um usuário eventual paga mais. Confira o valor exato no app na hora — as tabelas mudam.
Quanto custa sacar dinheiro no exterior com a Wise em 2026?+
Desde 1º de maio de 2026: o primeiro saque do mês é grátis, sem limite de valor; do segundo em diante, R$ 20 fixos por saque, sem percentual. A regra antiga (2 saques grátis até R$ 700, depois R$ 6,50 mais 1,75%) não vale mais. A estratégia agora é concentrar o dinheiro vivo do mês em uma única retirada — e lembrar que o dono do caixa pode cobrar tarifa própria.
A Nomad cobra mensalidade ou manutenção?+
Não — manutenção R$ 0, como na Wise. O custo da Nomad está no uso: taxa de conversão de 2% a 1% conforme seu nível no Nomad Pass, US$ 5 por saque fora dos EUA a partir do terceiro no mês, e eventual custo de envio do cartão físico ao Brasil (gratuito nos níveis mais altos do programa). Nos EUA, saques na rede MoneyPass não custam nada e são ilimitados.
Vale mais converter tudo de uma vez ou aos poucos?+
Pelas taxas, é indiferente: IOF e taxa de conversão são percentuais, então cobram o mesmo total em uma ou em dez operações. A variável é o câmbio, que oscila diariamente. Converter aos poucos cria um preço médio e reduz o risco de trocar tudo num dia ruim de cotação. Comece cedo — uns três meses antes da viagem — e converta em parcelas, sem tentar adivinhar o melhor dia.
Posso usar a conta investimento da Nomad (IOF de 1,1%) para pagar a viagem?+
Não é um atalho disponível. O 1,1% vale para dinheiro enviado à conta de investimento, destinado a aplicações — não ao saldo do cartão. Para gastar na viagem, o caminho é a conta internacional comum, com IOF de 3,5%. Mover dinheiro do investimento para o gasto segue as regras da própria plataforma e não transforma a alíquota menor em desconto de consumo.
Conta global sai mais barata que o cartão de crédito do banco?+
Na maioria dos casos, sim — mas não pelo IOF, que é 3,5% nos dois. A diferença está no câmbio: bancos tradicionais aplicam spread (margem embutida na cotação) que costuma superar 4%, enquanto Wise e Nomad partem do câmbio comercial e cobram de 0,4% a 2%. O cartão de crédito segue útil como reserva de emergência e por seguros embutidos — os dois convivem bem na carteira.

Pare de gastar horas pesquisando.

O myroteiro analisa seu cartao, calcula o orcamento real com IOF e cria seu dossier em minutos.

Começar meu roteiro

Continue lendo