Catorze horas de voo até Doha, mais dez até Tóquio. Você desembarca em Haneda às 23h com o corpo achando que são 11h da manhã — e encontra duas filas. Na primeira, gente preenchendo cartão de desembarque de papel com caneta emprestada, apoiando no joelho, errando o número do passaporte. Na segunda, quem abre o celular, mostra um QR code e segue para os terminais eletrônicos. A diferença entre as duas filas foi decidida uma semana antes, num sofá em São Paulo, em vinte minutos.
O Visit Japan Web é o sistema oficial e gratuito do governo japonês que substitui os formulários de imigração e de alfândega por um cadastro online. Desde 2024 ele gera um único QR code para as duas etapas — e, desde 2025, os principais aeroportos vêm concentrando tudo em totens que leem passaporte e QR de uma vez. Não é obrigatório, mas é a diferença entre uma chegada de dez minutos e uma de quarenta.
Ninguém te conta isso: o que trava o brasileiro no Visit Japan Web não é o inglês do site, é chegar na tela de hospedagem sem ter o telefone do hotel à mão. Este guia resolve isso antes — cada tela, cada campo, cada pegadinha, na ordem em que aparecem.
O essencial em 30 segundos
- >O Visit Japan Web é gratuito e oficial (vjw.digital.go.jp): substitui os formulários de papel e, desde 2024, gera um único QR code que vale para imigração e alfândega.
- >Preencher leva cerca de 20 minutos e exige três coisas: passaporte, número do voo de chegada e nome, endereço e telefone da primeira hospedagem.
- >A janela ideal é entre 2 semanas e 72 horas antes do embarque — dá para preencher até na fila do aeroporto, mas você vai disputar o Wi-Fi com o avião inteiro.
- >Brasileiro com passaporte com chip não precisa de visto para turismo de até 90 dias, com isenção vigente até 29/09/2026 — o Visit Japan Web não substitui visto nem passaporte.
- >Sem o cadastro você ainda entra no Japão pelos formulários de papel, mas perde os terminais eletrônicos e os totens integrados de Haneda, Narita e Kansai.
01O que é o Visit Japan Web — e por que preencher
O Visit Japan Web é a plataforma da Agência Digital do governo japonês para os trâmites de chegada: o cartão de desembarque da imigração e a declaração de bagagem da alfândega, os dois formulários que antes eram distribuídos em papel dentro do avião. Você preenche tudo antes de viajar em vjw.digital.go.jp, de graça, e recebe um QR code. Desde janeiro de 2024 é um único QR para as duas etapas — guias antigos que falam em dois códigos separados estão desatualizados.
Três coisas que ele não é. Não é visto: brasileiro entra sem visto para turismo de até 90 dias enquanto valer a isenção — os detalhes estão no nosso guia de visto para o Japão em 2026. Não é obrigatório: os formulários de papel continuam existindo para quem chega sem nada. E não é aplicativo pago: qualquer app cobrando por isso é intermediário desnecessário — o site oficial resolve tudo.
O que ele é, na prática: acesso aos terminais eletrônicos de declaração e, desde 2025, aos totens integrados que os aeroportos de Haneda, Narita e Kansai vêm expandindo — uma única máquina lê passaporte e QR e processa imigração e alfândega de uma vez. A interface está disponível em inglês (não há versão em português), mas o vocabulário é de formulário de embarque: quem já preencheu um check-in internacional resolve.
02Antes de começar: separe estes 5 dados
A conta real é essa: o preenchimento em si leva vinte minutos, mas só se você não parar no meio para caçar informação. Estes são os dados que o sistema vai pedir, na ordem, e onde encontrá-los:
| Dado | Onde encontrar | A pegadinha |
|---|---|---|
| Passaporte (número, validade, nome) | Página de identificação do passaporte | O nome precisa sair exatamente como impresso, sem acentos |
| Voo de chegada (companhia + número) | E-mail de confirmação da passagem | É o voo que aterrissa no Japão, não o primeiro trecho que sai do Brasil |
| Data de chegada | Itinerário da passagem | Voos do Brasil cruzam fuso: você costuma chegar 1 ou 2 dias depois de decolar |
| Hotel (nome + endereço) | Confirmação da reserva | Se o roteiro tem várias cidades, informe a primeira hospedagem |
| Telefone do hotel | Confirmação da reserva ou site do hotel | Campo obrigatório que ninguém tem decorado — copie antes de começar |
Ninguém te conta isso: o campo que mais trava brasileiro no Visit Japan Web não é nada do passaporte — é o telefone do hotel. O sistema exige, a confirmação da reserva às vezes esconde, e é aí que metade das pessoas abandona o cadastro no meio.
Um parêntese logístico: se o seu voo para o Japão conecta nos Estados Unidos, você precisa de visto americano mesmo sem sair do aeroporto; no Canadá, de eTA. Muita gente descobre isso no balcão de check-in. Antes de fechar rota, vale conferir a escala na nossa ferramenta de tempo de conexão — e o tipo de documento que ela exige.
03Passo 1 — Criar a conta e cadastrar o passaporte
Acesse vjw.digital.go.jp, troque o idioma para English no topo da tela e toque em "Create a new account". O fluxo é o padrão de qualquer serviço: aceitar os termos, informar e-mail, criar uma senha (o site exige combinação de maiúsculas, minúsculas, números e símbolos) e confirmar com o código de verificação que chega por e-mail. Esse código de e-mail volta a aparecer em logins futuros — é a autenticação em duas etapas do sistema, então use um e-mail que você acessa do celular.
Logado, o site faz duas perguntas de triagem: se você está entrando com passaporte japonês e se é residente estrangeiro no Japão retornando ao país. Turista brasileiro responde "No" nas duas. Isso define que você verá o fluxo completo de visitante, com imigração e alfândega.
Em seguida, "Register user information": o cadastro do passaporte. Há duas formas de preencher — fotografar a página de identificação com a câmera do celular, deixando o sistema ler os dados sozinho, ou digitar manualmente. A leitura por câmera funciona bem e evita erro de digitação, mas confira campo por campo depois: número do passaporte, data de validade e principalmente o nome, que deve ficar idêntico ao impresso na página — sem acentos, na ordem sobrenome/nome que o próprio formulário indicar.
04Passo 2 — Cadastrar a viagem, o voo e a imigração
De volta à tela inicial, toque em "Register a schedule" (cadastrar uma viagem). O primeiro campo é um apelido livre para a viagem — "Tóquio julho 2026", por exemplo; serve só para você se organizar, ninguém da imigração lê isso. Depois vêm os dados de chegada: data, companhia aérea escolhida numa lista e número do voo. Repita o mantra: é o voo que pousa no Japão. Se você faz São Paulo–Doha–Haneda, o voo a informar é o trecho Doha–Haneda.
Na sequência, a hospedagem: nome do hotel, endereço e o famoso telefone. O campo de endereço aceita busca — digitando o nome do hotel, o sistema costuma sugerir o endereço completo com código postal japonês. Se você vai fazer um roteiro em várias cidades, como o nosso roteiro de 10 dias por Tóquio e arredores, informe apenas a primeira hospedagem — a imigração quer saber onde te encontrar na chegada, não o seu itinerário inteiro.
Com a viagem criada, abra o bloco "Immigration: Disembarkation Card for Foreigner". É o antigo cartão de desembarque, agora digital. Ele pergunta o propósito da visita — Tourism, para a esmagadora maioria —, a duração prevista da estadia (em dias) e o endereço no Japão, que já vem herdado da hospedagem cadastrada.
Por fim, as três perguntas clássicas de qualquer imigração: se você já foi deportado ou teve entrada recusada no Japão, se tem condenação criminal e se carrega drogas, armas ou munição. Responda com sinceridade — para quase todo mundo são três "No" — e salve. Mentir aqui é infração grave; um "Yes" verdadeiro não impede a viagem automaticamente, mas direciona você para atendimento presencial no desembarque.
05Passo 3 — Alfândega e o QR code único
Ainda dentro da viagem cadastrada, abra "Customs declaration: Declaration of Personal Effects and Unaccompanied Articles". É a versão digital do formulário amarelo da alfândega, e são poucas perguntas, todas de sim ou não: se você traz itens proibidos ou restritos (drogas, armas, certos alimentos frescos), se carrega mercadorias acima da cota de isenção, se traz itens para revenda e se tem bagagem desacompanhada — caixas ou malas chegando separadas, por transportadora. Para o turista comum, é uma sequência de "No". Na dúvida sobre o que pode na mala, o guia de itens proibidos na bagagem ajuda a não improvisar.
A pergunta que merece atenção é a do dinheiro: quem entra no Japão com mais de ¥1.000.000 em espécie (algo entre R$ 35 mil e R$ 40 mil, conforme o câmbio) — somando qualquer moeda — precisa declarar. Cartão e Pix internacional não contam, só papel-moeda e equivalentes. E na volta ao Brasil a régua é outra: acima de US$ 10 mil, declaração à Receita, como explicamos em declarar dinheiro na alfândega.
Salvou tudo? A tela da viagem passa a exibir o QR code com uma moldura colorida no topo. Esse código único é o que você mostra na chegada — imigração e alfândega, o mesmo QR. Cada viajante tem o seu: acompanhantes cadastrados na sua conta (cônjuge, filhos) ganham códigos individuais, exibidos na mesma tela.
06Quando preencher — e como funciona na chegada
O momento certo: assim que você tiver voo e primeira hospedagem confirmados. A janela confortável é entre duas semanas e 72 horas antes do embarque — tempo de sobra para resolver qualquer pendência de cadastro sem pressa. Tudo é editável depois: mudou de hotel, trocou de voo, é só atualizar os campos que o QR continua válido. Dá para preencher em cima da hora? Dá — inclusive na fila da imigração, com o Wi-Fi do aeroporto. Mas aí você vira exatamente a pessoa da primeira fila da introdução, digitando número de passaporte com o celular a 8% de bateria.
Na chegada, o fluxo é este: siga as placas de Arrival, passe pela imigração — onde todo visitante estrangeiro registra foto e digitais, com QR ou sem — e depois pela alfândega, apresentando o QR nos terminais eletrônicos de declaração. Em Haneda, Narita e Kansai, os totens integrados que o Japão vem expandindo desde 2025 juntam as duas etapas numa máquina só: passaporte no leitor, QR na tela, portão aberto. A cobertura por terminal ainda varia — se o seu ainda não tiver, o caminho tradicional com o mesmo QR continua valendo.
Um aviso de horizonte: o Japão anunciou o JESTA para 2028, uma autorização eletrônica prévia nos moldes do que outros países já cobram. Não está em vigor — desconfie de qualquer site cobrando por isso hoje — e a isenção de visto brasileira segue a regra atual até 29/09/2026, sem prorrogação confirmada até aqui. Antes de viajar, confira o status no site do consulado japonês ou no nosso guia de visto, que mantemos atualizado.
É esse tipo de detalhe que separa uma chegada tranquila de um perrengue de aeroporto — e é o tipo de coisa que o myroteiro monta para você: seu dossiê chega com os documentos do destino mapeados, prazos na ordem certa e seus dados de voo e hotel organizados num lugar só. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser. Os planos estão em myroteiro.com/precos.
Perguntas frequentes
O Visit Japan Web é obrigatório para brasileiros entrarem no Japão?+
Posso preencher o Visit Japan Web no aeroporto ou dentro do avião?+
O Visit Japan Web tem versão em português?+
Preciso de um QR code para cada pessoa da família?+
Errei um dado depois de gerar o QR code. Preciso refazer tudo?+
O Visit Japan Web substitui o visto para o Japão?+
Screenshot do QR code funciona ou preciso estar online na chegada?+
Quanto dinheiro posso levar ao Japão sem declarar na alfândega?+
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