Documentação e vistos

Visit Japan Web: como preencher passo a passo (2026)

O Japão aposentou os formulários de papel para quem se organiza: um cadastro online de vinte minutos vira um QR code único que resolve imigração e alfândega. O problema é que o site é em inglês, pede dados que você não tem decorados e trava justamente quem deixa para a última hora. Este é o passo a passo completo, tela por tela.

11 min de leituraAtualizado em 29 de julho de 2026Por myroteiro

Catorze horas de voo até Doha, mais dez até Tóquio. Você desembarca em Haneda às 23h com o corpo achando que são 11h da manhã — e encontra duas filas. Na primeira, gente preenchendo cartão de desembarque de papel com caneta emprestada, apoiando no joelho, errando o número do passaporte. Na segunda, quem abre o celular, mostra um QR code e segue para os terminais eletrônicos. A diferença entre as duas filas foi decidida uma semana antes, num sofá em São Paulo, em vinte minutos.

O Visit Japan Web é o sistema oficial e gratuito do governo japonês que substitui os formulários de imigração e de alfândega por um cadastro online. Desde 2024 ele gera um único QR code para as duas etapas — e, desde 2025, os principais aeroportos vêm concentrando tudo em totens que leem passaporte e QR de uma vez. Não é obrigatório, mas é a diferença entre uma chegada de dez minutos e uma de quarenta.

Ninguém te conta isso: o que trava o brasileiro no Visit Japan Web não é o inglês do site, é chegar na tela de hospedagem sem ter o telefone do hotel à mão. Este guia resolve isso antes — cada tela, cada campo, cada pegadinha, na ordem em que aparecem.

O essencial em 30 segundos

  • >O Visit Japan Web é gratuito e oficial (vjw.digital.go.jp): substitui os formulários de papel e, desde 2024, gera um único QR code que vale para imigração e alfândega.
  • >Preencher leva cerca de 20 minutos e exige três coisas: passaporte, número do voo de chegada e nome, endereço e telefone da primeira hospedagem.
  • >A janela ideal é entre 2 semanas e 72 horas antes do embarque — dá para preencher até na fila do aeroporto, mas você vai disputar o Wi-Fi com o avião inteiro.
  • >Brasileiro com passaporte com chip não precisa de visto para turismo de até 90 dias, com isenção vigente até 29/09/2026 — o Visit Japan Web não substitui visto nem passaporte.
  • >Sem o cadastro você ainda entra no Japão pelos formulários de papel, mas perde os terminais eletrônicos e os totens integrados de Haneda, Narita e Kansai.

01O que é o Visit Japan Web — e por que preencher

O Visit Japan Web é a plataforma da Agência Digital do governo japonês para os trâmites de chegada: o cartão de desembarque da imigração e a declaração de bagagem da alfândega, os dois formulários que antes eram distribuídos em papel dentro do avião. Você preenche tudo antes de viajar em vjw.digital.go.jp, de graça, e recebe um QR code. Desde janeiro de 2024 é um único QR para as duas etapas — guias antigos que falam em dois códigos separados estão desatualizados.

R$ 0custo — o cadastro é gratuito no site oficial
~20 minpara preencher tudo com os dados à mão
1 QR codeimigração + alfândega no mesmo código desde 2024
29/09/2026fim da atual isenção de visto para passaporte com chip

Três coisas que ele não é. Não é visto: brasileiro entra sem visto para turismo de até 90 dias enquanto valer a isenção — os detalhes estão no nosso guia de visto para o Japão em 2026. Não é obrigatório: os formulários de papel continuam existindo para quem chega sem nada. E não é aplicativo pago: qualquer app cobrando por isso é intermediário desnecessário — o site oficial resolve tudo.

O que ele é, na prática: acesso aos terminais eletrônicos de declaração e, desde 2025, aos totens integrados que os aeroportos de Haneda, Narita e Kansai vêm expandindo — uma única máquina lê passaporte e QR e processa imigração e alfândega de uma vez. A interface está disponível em inglês (não há versão em português), mas o vocabulário é de formulário de embarque: quem já preencheu um check-in internacional resolve.

02Antes de começar: separe estes 5 dados

A conta real é essa: o preenchimento em si leva vinte minutos, mas só se você não parar no meio para caçar informação. Estes são os dados que o sistema vai pedir, na ordem, e onde encontrá-los:

DadoOnde encontrarA pegadinha
Passaporte (número, validade, nome)Página de identificação do passaporteO nome precisa sair exatamente como impresso, sem acentos
Voo de chegada (companhia + número)E-mail de confirmação da passagemÉ o voo que aterrissa no Japão, não o primeiro trecho que sai do Brasil
Data de chegadaItinerário da passagemVoos do Brasil cruzam fuso: você costuma chegar 1 ou 2 dias depois de decolar
Hotel (nome + endereço)Confirmação da reservaSe o roteiro tem várias cidades, informe a primeira hospedagem
Telefone do hotelConfirmação da reserva ou site do hotelCampo obrigatório que ninguém tem decorado — copie antes de começar
Ninguém te conta isso: o campo que mais trava brasileiro no Visit Japan Web não é nada do passaporte — é o telefone do hotel. O sistema exige, a confirmação da reserva às vezes esconde, e é aí que metade das pessoas abandona o cadastro no meio.

Um parêntese logístico: se o seu voo para o Japão conecta nos Estados Unidos, você precisa de visto americano mesmo sem sair do aeroporto; no Canadá, de eTA. Muita gente descobre isso no balcão de check-in. Antes de fechar rota, vale conferir a escala na nossa ferramenta de tempo de conexão — e o tipo de documento que ela exige.

03Passo 1 — Criar a conta e cadastrar o passaporte

Acesse vjw.digital.go.jp, troque o idioma para English no topo da tela e toque em "Create a new account". O fluxo é o padrão de qualquer serviço: aceitar os termos, informar e-mail, criar uma senha (o site exige combinação de maiúsculas, minúsculas, números e símbolos) e confirmar com o código de verificação que chega por e-mail. Esse código de e-mail volta a aparecer em logins futuros — é a autenticação em duas etapas do sistema, então use um e-mail que você acessa do celular.

Logado, o site faz duas perguntas de triagem: se você está entrando com passaporte japonês e se é residente estrangeiro no Japão retornando ao país. Turista brasileiro responde "No" nas duas. Isso define que você verá o fluxo completo de visitante, com imigração e alfândega.

Em seguida, "Register user information": o cadastro do passaporte. Há duas formas de preencher — fotografar a página de identificação com a câmera do celular, deixando o sistema ler os dados sozinho, ou digitar manualmente. A leitura por câmera funciona bem e evita erro de digitação, mas confira campo por campo depois: número do passaporte, data de validade e principalmente o nome, que deve ficar idêntico ao impresso na página — sem acentos, na ordem sobrenome/nome que o próprio formulário indicar.

Passaporte vencendo? Resolva antesO Japão não exige validade mínima formal de seis meses, mas o passaporte precisa estar válido durante toda a estadia — e a isenção de visto vale para passaporte com chip (biométrico, emitido pela PF desde 2010). Se o seu está no fim da validade, veja prazos e custos em renovar passaporte brasileiro antes de comprar a passagem.

04Passo 2 — Cadastrar a viagem, o voo e a imigração

De volta à tela inicial, toque em "Register a schedule" (cadastrar uma viagem). O primeiro campo é um apelido livre para a viagem — "Tóquio julho 2026", por exemplo; serve só para você se organizar, ninguém da imigração lê isso. Depois vêm os dados de chegada: data, companhia aérea escolhida numa lista e número do voo. Repita o mantra: é o voo que pousa no Japão. Se você faz São Paulo–Doha–Haneda, o voo a informar é o trecho Doha–Haneda.

Na sequência, a hospedagem: nome do hotel, endereço e o famoso telefone. O campo de endereço aceita busca — digitando o nome do hotel, o sistema costuma sugerir o endereço completo com código postal japonês. Se você vai fazer um roteiro em várias cidades, como o nosso roteiro de 10 dias por Tóquio e arredores, informe apenas a primeira hospedagem — a imigração quer saber onde te encontrar na chegada, não o seu itinerário inteiro.

Com a viagem criada, abra o bloco "Immigration: Disembarkation Card for Foreigner". É o antigo cartão de desembarque, agora digital. Ele pergunta o propósito da visita — Tourism, para a esmagadora maioria —, a duração prevista da estadia (em dias) e o endereço no Japão, que já vem herdado da hospedagem cadastrada.

Por fim, as três perguntas clássicas de qualquer imigração: se você já foi deportado ou teve entrada recusada no Japão, se tem condenação criminal e se carrega drogas, armas ou munição. Responda com sinceridade — para quase todo mundo são três "No" — e salve. Mentir aqui é infração grave; um "Yes" verdadeiro não impede a viagem automaticamente, mas direciona você para atendimento presencial no desembarque.

05Passo 3 — Alfândega e o QR code único

Ainda dentro da viagem cadastrada, abra "Customs declaration: Declaration of Personal Effects and Unaccompanied Articles". É a versão digital do formulário amarelo da alfândega, e são poucas perguntas, todas de sim ou não: se você traz itens proibidos ou restritos (drogas, armas, certos alimentos frescos), se carrega mercadorias acima da cota de isenção, se traz itens para revenda e se tem bagagem desacompanhada — caixas ou malas chegando separadas, por transportadora. Para o turista comum, é uma sequência de "No". Na dúvida sobre o que pode na mala, o guia de itens proibidos na bagagem ajuda a não improvisar.

A pergunta que merece atenção é a do dinheiro: quem entra no Japão com mais de ¥1.000.000 em espécie (algo entre R$ 35 mil e R$ 40 mil, conforme o câmbio) — somando qualquer moeda — precisa declarar. Cartão e Pix internacional não contam, só papel-moeda e equivalentes. E na volta ao Brasil a régua é outra: acima de US$ 10 mil, declaração à Receita, como explicamos em declarar dinheiro na alfândega.

Salvou tudo? A tela da viagem passa a exibir o QR code com uma moldura colorida no topo. Esse código único é o que você mostra na chegada — imigração e alfândega, o mesmo QR. Cada viajante tem o seu: acompanhantes cadastrados na sua conta (cônjuge, filhos) ganham códigos individuais, exibidos na mesma tela.

Screenshot: faça, mas não dependa só deleA orientação oficial é exibir o QR logado no site, e na prática os totens e guichês vêm aceitando screenshot sem drama. O plano à prova de falha é fazer os dois: screenshot de cada QR com a moldura colorida visível + sessão do site logada no celular. Os aeroportos japoneses têm Wi-Fi gratuito, mas é o mesmo Wi-Fi que 300 passageiros do seu voo vão tentar usar ao mesmo tempo. Se quiser desembarcar já conectado, veja chip internacional ou eSIM.

06Quando preencher — e como funciona na chegada

O momento certo: assim que você tiver voo e primeira hospedagem confirmados. A janela confortável é entre duas semanas e 72 horas antes do embarque — tempo de sobra para resolver qualquer pendência de cadastro sem pressa. Tudo é editável depois: mudou de hotel, trocou de voo, é só atualizar os campos que o QR continua válido. Dá para preencher em cima da hora? Dá — inclusive na fila da imigração, com o Wi-Fi do aeroporto. Mas aí você vira exatamente a pessoa da primeira fila da introdução, digitando número de passaporte com o celular a 8% de bateria.

Na chegada, o fluxo é este: siga as placas de Arrival, passe pela imigração — onde todo visitante estrangeiro registra foto e digitais, com QR ou sem — e depois pela alfândega, apresentando o QR nos terminais eletrônicos de declaração. Em Haneda, Narita e Kansai, os totens integrados que o Japão vem expandindo desde 2025 juntam as duas etapas numa máquina só: passaporte no leitor, QR na tela, portão aberto. A cobertura por terminal ainda varia — se o seu ainda não tiver, o caminho tradicional com o mesmo QR continua valendo.

Um aviso de horizonte: o Japão anunciou o JESTA para 2028, uma autorização eletrônica prévia nos moldes do que outros países já cobram. Não está em vigor — desconfie de qualquer site cobrando por isso hoje — e a isenção de visto brasileira segue a regra atual até 29/09/2026, sem prorrogação confirmada até aqui. Antes de viajar, confira o status no site do consulado japonês ou no nosso guia de visto, que mantemos atualizado.

É esse tipo de detalhe que separa uma chegada tranquila de um perrengue de aeroporto — e é o tipo de coisa que o myroteiro monta para você: seu dossiê chega com os documentos do destino mapeados, prazos na ordem certa e seus dados de voo e hotel organizados num lugar só. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser. Os planos estão em myroteiro.com/precos.

Perguntas frequentes

O Visit Japan Web é obrigatório para brasileiros entrarem no Japão?+
Não. Quem chega sem o cadastro preenche os formulários de papel de imigração e alfândega no avião ou no desembarque, como sempre existiu. O Visit Japan Web é recomendado porque libera os terminais eletrônicos e os novos totens integrados, encurtando bastante a fila — mas ninguém é barrado por não tê-lo. Visto e passaporte seguem regras próprias, independentes do sistema.
Posso preencher o Visit Japan Web no aeroporto ou dentro do avião?+
Tecnicamente sim: o cadastro pode ser feito a qualquer momento, inclusive na fila da imigração usando o Wi-Fi gratuito do aeroporto. Na prática é má ideia — você disputa rede com o avião inteiro, digita dados de passaporte com pressa e qualquer erro atrasa. A janela confortável é entre duas semanas e 72 horas antes do embarque, com tudo revisado com calma.
O Visit Japan Web tem versão em português?+
Não. A interface está disponível em japonês, inglês, chinês e coreano — brasileiros usam a versão em inglês. O vocabulário é de formulário de viagem (passport number, flight number, accommodation), então inglês básico resolve. Se quiser segurança extra, abra o site no Chrome do celular e use a tradução automática de página como apoio, mas preencha os campos sempre em caracteres latinos, como no passaporte.
Preciso de um QR code para cada pessoa da família?+
Sim, cada viajante apresenta o próprio QR. A boa notícia: você não precisa criar uma conta por pessoa. O titular cadastra acompanhantes (cônjuge, filhos) dentro da própria conta, na área de família/acompanhantes, repetindo passaporte e respostas de imigração e alfândega de cada um. Os QR codes individuais ficam na mesma tela da viagem — tire screenshot de todos.
Errei um dado depois de gerar o QR code. Preciso refazer tudo?+
Não. Todos os campos continuam editáveis depois que o QR é gerado: troca de voo, mudança de hotel, correção de digitação no passaporte. Você entra na viagem cadastrada, ajusta o campo e salva — o QR segue funcionando com os dados atualizados. Só lembre de refazer o screenshot depois da correção, para não apresentar uma captura com informação antiga no desembarque.
O Visit Japan Web substitui o visto para o Japão?+
Não substitui nada disso. Ele é apenas a digitalização dos formulários de chegada. A entrada de brasileiros segue a regra de isenção de visto para turismo de até 90 dias com passaporte com chip, vigente até 29/09/2026 — sem prorrogação confirmada até o momento. Quem viaja perto dessa data deve conferir o status no consulado japonês antes de comprar passagem.
Screenshot do QR code funciona ou preciso estar online na chegada?+
A orientação oficial é apresentar o QR logado no site, mas na prática guichês e totens vêm aceitando screenshots em que a moldura colorida do código aparece inteira. O procedimento seguro é duplo: screenshot de cada QR salvo na galeria e sessão do Visit Japan Web logada no navegador do celular. Assim, nem queda de Wi-Fi nem tela de login inesperada seguram você na fila.
Quanto dinheiro posso levar ao Japão sem declarar na alfândega?+
O limite japonês é ¥1.000.000 em espécie — na casa dos R$ 35 mil a R$ 40 mil, conforme o câmbio — somando todas as moedas que você carrega em papel. Acima disso, a declaração no Visit Japan Web (ou no formulário físico) é obrigatória. Cartões e pagamentos por aplicativo não entram na conta. Na volta ao Brasil, a régua da Receita é outra: US$ 10 mil.

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