Seguro e saúde

Seguro viagem para idosos: por que custa mais

A cotação do seu pai de 72 anos veio quase o dobro da sua, para a mesma viagem e o mesmo plano. Não é erro do site nem abuso escondido: é uma regra de faixa etária escrita nas condições gerais da seguradora. Este guia mostra onde ela está, o que a SUSEP regula de fato e as perguntas que mudam o preço.

11 min de leituraAtualizado em Por myroteiro
Neste artigo8 seções + perguntas frequentes

Você abre o simulador de uma seguradora, coloca a viagem de 15 dias para Lisboa e Porto, dois adultos, e o preço aparece. Aí troca a data de nascimento do seu pai, 72 anos, e o valor dele salta — para o mesmo plano, a mesma cobertura, a mesma viagem. A primeira reação é achar que o site errou, ou que alguém está se aproveitando. Não é nenhum dos dois.

O que quase todo mundo entende errado é de onde vem o aumento. Não vem de uma «tabela da SUSEP» (a SUSEP não fixa preço de seguro viagem), e tampouco é proibido pelo Estatuto da Pessoa Idosa (a vedação de cobrança diferenciada por idade vale para planos de saúde, não para seguro viagem). O aumento vem de uma regra de faixa etária que cada seguradora escreve nas suas próprias condições gerais e no seu site — e que, por isso mesmo, muda de uma para outra.

Este guia foi montado a partir do que as seguradoras publicam em seus sites oficiais e em condições gerais registradas na SUSEP, do texto das normas de 2022 que regulam o seguro de pessoas no Brasil, do Código de Vistos da União Europeia e de dados de custo hospitalar nos Estados Unidos. Onde não há número verificável em fonte oficial, a frase vem sem número — e dizemos onde você confere.

O essencial em 30 segundos

  • >A SUSEP não fixa preço nem limite de idade para seguro viagem: desde 01/08/2022, a Circular SUSEP 667 e a Resolução CNSP 439 regulam o produto, mas faixa etária, agravo e idade máxima ficam nas condições gerais de cada seguradora.
  • >O agravo por idade está escrito no site da seguradora: a Assist Card informa «incremento de 75% no valor dos produtos» para viajantes a partir de 70 anos; a Allianz Travel separa o formulário em «Até 70 anos» e «De 71 a 85 anos».
  • >Doença preexistente não é automaticamente «sem cobertura», mas o contrato manda: as condições gerais da AIG definem preexistente como a doença «de conhecimento do segurado e não declarada» e, em outras cláusulas, tratam também de «condição preexistente». O art. 27 da Circular 667 obriga a seguradora a tratar do tema nas condições — leia o texto do plano antes de pagar.
  • >O patamar de € 30.000 de cobertura médica vem do art. 15 do Código de Vistos da UE (Regulamento 810/2009) e é exigido de quem pede visto Schengen; brasileiro não precisa de visto, mas o valor virou a referência do mercado para a Europa.
  • >Nos Estados Unidos, o custo médio de um dia de internação hospitalar foi de US$ 3.297 em 2024 (KFF, com dados da American Hospital Association) — despesa de hospital, sem somar honorários. Para quem tem 70 anos ou mais, é esse o risco que o seguro cobre.

01O que a SUSEP regula no seguro viagem — e o que ela deixa para a seguradora

A primeira coisa a desmontar é a ideia de que existe uma «regra oficial» de preço por idade. Não existe. O seguro viagem é um seguro de pessoas, e desde 01/08/2022 ele é regulado pela Resolução CNSP nº 439/2022 e pela Circular SUSEP nº 667/2022, que substituíram a antiga Resolução CNSP 315/2014. Esses textos dizem o que a seguradora é obrigada a escrever nas condições gerais, quais riscos ela pode ou não excluir e como deve tratar a doença preexistente. Eles não trazem tabela de prêmio nem idade máxima de contratação.

Isso significa que a faixa etária, o percentual de agravo (o acréscimo no preço) e a idade a partir da qual a seguradora deixa de aceitar o viajante são decisões comerciais e atuariais de cada empresa. A própria condição geral da AIG Seguros Brasil, registrada na SUSEP sob o processo 15414.900952/2013-63, diz isso com todas as letras:

«São proponentes ao seguro todos os componentes do grupo segurável (…) que se encontrem em perfeitas condições de saúde e plena atividade física na data de início de vigência da cobertura individual. O limite de idade será definido no Contrato.»

«Definido no Contrato» é a frase que importa. A regra de idade não está na lei — está no documento que você recebe (e raramente lê) ao contratar. É nele, e no site da seguradora, que a resposta mora.

E o Estatuto da Pessoa Idosa?

Ninguém te conta isso: o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003) proíbe a cobrança de valores diferenciados em razão da idade, mas o § 3º do art. 15 fala de planos de saúde. Seguro viagem não é plano de saúde — as próprias seguradoras repetem em seus sites que «o seguro viagem não é seguro saúde». Em julho de 2026, um projeto de lei na Câmara propôs estender a vedação a seguros de vida e contratos assemelhados; é projeto, não lei. Enquanto não mudar, o agravo por idade no seguro viagem é legal, desde que esteja escrito nas condições e no material de venda.

02Por que o preço sobe com a idade: a conta que a seguradora faz

O raciocínio da seguradora é estatístico, não pessoal. O seguro viagem cobre, em essência, três coisas caras: atendimento médico de emergência, internação e repatriação (trazer o segurado de volta ao Brasil, inclusive com acompanhamento médico). A probabilidade de cada uma delas sobe com a idade, e o custo médio de uma internação também — um viajante de 72 anos que cai numa escada em Roma tende a ficar mais dias no hospital do que um de 35. A seguradora precifica essa expectativa, e o resultado é o agravo por faixa etária.

O ponto é que esse agravo não é um segredo: ele está publicado. Veja o que duas seguradoras escrevem em seus próprios sites, consultados em 01/11/2026:

  • Assist Card, na página do plano para «melhor idade»: «Para viajantes a partir de 70 anos, a contar da data da contratação, haverá incremento de 75% no valor dos produtos», com «limitações e exclusões especiais» para essa faixa. A mesma página avisa que, aos 65 anos ou mais, «é altamente recomendável que viaje com um plano adequado».
  • Allianz Travel: o formulário de cotação separa os passageiros em «Até 70 anos» e «De 71 a 85 anos». A faixa é a unidade de preço — e o teto do formulário já diz algo sobre a idade de aceitação.

A Universal Assistance, em artigo no seu próprio blog, descreve faixas de agravo que ela mesma chama de «médias de mercado»: entre 61 e 70 anos, «costuma ficar entre 30% e 60%»; entre 71 e 80, «pode subir de 70% até 120%»; acima de 80, «podem ultrapassar 150%». São percentuais declarados pela empresa, não tarifa verificada por nós — mas mostram a escada: um degrau aos 60 ou 65, outro aos 70 e outro aos 80.

Por que não dizemos «custa até 4x mais»

Você vai encontrar esse tipo de multiplicador em comparadores. Não o repetimos porque nenhuma das condições gerais e páginas oficiais que consultamos publica um fator fixo: o que existe é o percentual de agravo por faixa, e ele depende da seguradora, do plano e do destino. Se alguém te disser «4x», pergunte de qual seguradora, de qual plano e de que data. Se não souber responder, é chute.

03Limite de idade: até quando a seguradora aceita — e o que muda nas faixas

Além do preço, há uma segunda barreira, menos visível: a idade máxima de aceitação. Passou dela, a seguradora simplesmente não vende o plano — ou vende um plano reduzido, com menos garantias. Esse número também não é regulado pela SUSEP e muda de empresa para empresa e de plano para plano. A tabela abaixo reúne o que está escrito nas fontes oficiais que conseguimos ler em 01/11/2026. Onde a página oficial não publica o número, deixamos em branco em vez de copiar de blog.

Seguradora / fonteO que a fonte oficial diz sobre idadeOnde conferir
Assist Card (site)Agravo de 75% a partir de 70 anos; «limitações e exclusões especiais» nessa faixa; recomendação de plano adequado a partir de 65 anosPágina «Plano de cobertura ao viajante com melhor idade» e condições gerais linkadas
Allianz Travel (site)Faixas do formulário: «Até 70 anos» e «De 71 a 85 anos»Simulador de cotação; condições gerais do plano
AIG Seguros Brasil (condições gerais)«O limite de idade será definido no Contrato»; proponente deve estar em «perfeitas condições de saúde» no início da vigênciaCondições gerais registradas na SUSEP (processo 15414.900952/2013-63)
Coris (site)A página pública do produto não informa idade máxima nem agravoCondições gerais em PDF no site
SUSEP / CNSP (normas)Não fixam idade máxima nem preço; obrigam a seguradora a tratar riscos excluídos e doença preexistente nas condições geraisCircular SUSEP 667/2022 e Resolução CNSP 439/2022

Duas lições saem dessa tabela. A primeira: o número que importa é o da seguradora que você vai contratar, lido no documento dela, de preferência no dia da compra. A segunda: «aceita até X anos» não é o mesmo que «cobre igual até X anos». A Assist Card, por exemplo, aceita viajantes a partir de 70 anos com agravo — mas com limitações especiais que estão nas condições gerais, não na página de venda. Antes de pagar, abra o PDF e procure as palavras «idade», «faixa etária» e «limite de idade».

Contratação e vigência não são a mesma data. A idade que a seguradora olha é, em geral, a da contratação («a contar da data da contratação», diz a Assist Card). Se o seu pai faz 70 anos entre a compra e o embarque, o certificado emitido aos 69 tende a valer pela faixa de 69 — mas confira na condição geral do plano se a regra é essa, porque algumas seguradoras olham a idade no início da vigência.

04Doença preexistente: o erro mais caro é achar que não tem cobertura

Aqui está o ponto em que mais gente de 65, 70 ou 75 anos erra — e erra contra si mesma. Hipertensão, diabetes, colesterol controlado, uma arritmia acompanhada há dez anos: quase todo viajante dessa faixa tem alguma condição crônica. E a crença comum é «se é preexistente, o seguro não cobre, então nem vale declarar». É uma conclusão apressada: o que vale é a redação do contrato e a norma, e as duas coisas pedem que você declare.

O que a norma obriga

O art. 27 da Circular SUSEP 667/2022 obriga a seguradora a incluir nas condições gerais uma cláusula sobre doença preexistente e fixa casos em que ela não pode excluir a cobertura por esse motivo — entre eles, segundo a leitura dos escritórios de advocacia que acompanharam a norma, quando a seguradora não exige a declaração pessoal de saúde. O mesmo artigo admite que as partes combinem a exclusão de doenças preexistentes específicas, informadas nessa declaração. Ou seja: declarar não é um salvo-conduto, é o que permite à seguradora decidir se aceita, se cobra mais ou se exclui aquela condição — por escrito. A Súmula 609 do STJ, nascida em ações de seguro de vida, considera ilícita a recusa de cobertura por doença preexistente quando não houve exames médicos prévios à contratação nem prova de má-fé do segurado; é jurisprudência de outro tipo de seguro, e não substitui a leitura do seu contrato.

O que as condições gerais escrevem

Leia como a AIG define o termo nas suas condições gerais de seguro viagem:

«2.17. Doença Preexistente: doença de conhecimento do segurado e não declarada na proposta de contratação ou na proposta de adesão.»

Repare nas duas condições juntas: de conhecimento do segurado e não declarada. Pela definição 2.17, a doença que você conhecia e declarou não é a «doença preexistente» do contrato, e a exclusão «i» repete a lógica: ficam fora «doenças, lesões ou acidentes preexistentes à contratação do seguro, de conhecimento do Segurado e não declarados na Proposta de Adesão». Atenção, porém: o mesmo documento tem outros dois trechos que usam a expressão «condição preexistente» — a exclusão «j» (condição preexistente à vigência «e quaisquer de suas consequências, incluindo convalescenças e afecções em tratamentos ainda não consolidados») e, nas garantias médicas, a cláusula que suspende a cobertura quando é «constatada» condição preexistente. Esses textos não repetem o «não declarada» da definição 2.17, e o documento que lemos não explica como as duas redações convivem nem trata expressamente da crise aguda de uma condição crônica declarada. É essa a pergunta a fazer, por escrito, à seguradora antes de pagar.

O mesmo documento define a emergência coberta como a «situação em que o segurado necessita de atendimento imediato, pois existe risco de morte». Uma crise hipertensiva, uma descompensação do diabetes, uma arritmia que dispara em Paris são o tipo de evento que se enquadra nessa definição de emergência; o que o contrato faz com cada uma quando a condição já existia é justamente a cláusula que você precisa ler. A Universal Assistance, no seu blog, diz que o atendimento da descompensação de uma condição declarada é prestado «sem questionamento, desde que a condição tenha sido informada corretamente na contratação inicial» — e acrescenta que condições muito graves (câncer em tratamento, insuficiência renal dialítica, cardiopatia grave) podem não ser aceitas, com pedido de laudo médico recente.

Nunca omita uma condição para «não pagar mais caro». O agravo por doença declarada custa um percentual; a omissão, nas condições gerais que lemos, é justamente o que a definição e a exclusão «i» colocam fora do contrato — no pior momento, numa conta em euro ou dólar. Se o formulário tiver declaração de saúde, preencha com o laudo do médico ao lado. Se não tiver, guarde o print da tela de contratação: ele prova que a seguradora não perguntou.

Há uma nuance que muda tudo para quem já está em tratamento: o seguro viagem é desenhado para o imprevisto, não para o tratamento continuado nem para a cirurgia eletiva que o médico já tinha marcado, e as condições gerais que lemos excluem «afecções em tratamentos ainda não consolidados». Levar os remédios para toda a viagem, com receita, não é detalhe: é parte da apólice funcionar.

05Europa e Estados Unidos: o que cada destino exige — e o que custa não ter

O destino muda a conversa em duas direções: o que é exigido para entrar, e o tamanho da conta se algo dá errado. Os dois casos mais comuns do viajante brasileiro são opostos.

Europa (Espaço Schengen): a exigência vem do Código de Vistos

O valor de € 30.000 que todo mundo repete tem origem precisa: o art. 15 do Regulamento (CE) nº 810/2009, o Código de Vistos da União Europeia. Ele determina que quem pede visto Schengen de curta duração apresente um seguro médico de viagem válido em todo o território dos Estados-membros e por todo o período da estada, com cobertura mínima de € 30.000 para despesas de repatriação por motivo médico, assistência médica urgente e tratamento hospitalar de emergência. Consulados europeus reproduzem a mesma regra em seus formulários de visto.

Ninguém te conta isso: o brasileiro não precisa de visto Schengen para turismo de até 90 dias em cada período de 180, então a exigência formal do art. 15 não recai sobre ele. O que acontece na prática é outra coisa: o guarda de fronteira pode pedir comprovação de meios de subsistência e de condições da viagem, e o mercado inteiro de seguros calibrou seus planos «Europa» pelo patamar de € 30.000. Para um casal de 72 anos, esse patamar é o piso a partir do qual se compara, não o teto — uma internação de uma semana num hospital privado europeu pode consumi-lo.

Estados Unidos: nenhuma exigência legal, e a conta mais cara do mundo

Os Estados Unidos não exigem seguro viagem para entrar com visto de turista. É por isso que muita gente viaja sem. O problema é o preço do sistema de saúde americano: segundo a KFF (Kaiser Family Foundation), com dados da American Hospital Association, a despesa média de um hospital por dia de internação ajustado foi de US$ 3.297 em 2024 — e esse número é a média nacional, despesa do hospital, à qual os honorários dos médicos costumam se somar à parte. Para um viajante de 70 anos, uma queda com fratura de fêmur pode significar cirurgia, dias de internação e um voo de volta com acompanhamento médico. Nenhum cartão de crédito brasileiro foi feito para absorver essa conta sozinho.

DestinoExigência de seguro na entradaReferência de custo / patamarFonte
Espaço SchengenObrigatório para quem pede visto; brasileiro é isento de visto para turismo até 90 dias€ 30.000 (mínimo do art. 15 do Código de Vistos)Regulamento (CE) 810/2009; consulados
Estados UnidosNão exigidoUS$ 3.297 por dia de internação ajustado (média 2024, despesa de hospital)KFF / American Hospital Association

Para o viajante de 70 anos ou mais, a leitura é simples: na Europa, o piso de € 30.000 é o começo da comparação; nos Estados Unidos, o teto de cobertura médica do plano é a única coisa que fica entre a família e uma conta de dezenas de milhares de dólares. Nos dois casos, o agravo por idade é caro — e ainda assim é a parte barata da história.

06O seguro do cartão de crédito cobre o idoso? Depende do bilhete — e você precisa emitir

Muitos filhos pagam a passagem dos pais no cartão Black ou Infinite e assumem que o seguro do cartão resolve. Às vezes resolve, às vezes não, e o único jeito de saber é ler o documento certo. Não publicamos aqui nenhum valor de cobertura de cartão: numa revisão de setembro de 2026, os valores que circulam na internet para cartões Visa e Mastercard estavam quase todos errados em relação ao documento oficial do emissor. O número que vale é o do «bilhete de seguro» (o certificado emitido para a sua viagem) e das condições gerais da seguradora parceira da bandeira — não o de um ranking.

O que você precisa verificar, no site da bandeira ou do banco emissor, antes de embarcar com um titular ou dependente de 70 anos ou mais:

  • Quem é segurado: em geral, o titular e, em alguns produtos, cônjuge e dependentes — desde que a passagem tenha sido paga integralmente com o cartão. Pais que viajam com passagem paga pelo filho podem não ser segurados.
  • Se há limite de idade: alguns benefícios de cartão têm regra de idade para a cobertura médica ou para a repatriação; a regra está nas condições gerais, não no folheto do cartão.
  • Se o bilhete precisa ser emitido: na maioria dos programas, a cobertura só existe se você gerar o bilhete antes da viagem no portal de benefícios da bandeira. Sem o bilhete, não há o que acionar no hospital.
  • O que ele diz sobre doença preexistente e sobre a duração máxima da viagem: os dois itens que mais afetam quem tem 70 anos e viaja por mais de três semanas.
  • Como funciona o acionamento: telefone da central de assistência no exterior, idioma e se o atendimento é por reembolso (você paga e recebe depois) ou por pagamento direto ao hospital.

Se, depois de ler o bilhete, a resposta a qualquer uma dessas perguntas for «não sei» ou «não serve», o seguro do cartão não é a resposta para esse viajante. Isso não é falha do cartão — é o desenho do produto, pensado para o titular, não para o pai do titular.

07Na prática: o checklist para comparar seguros para um casal de 72 anos

Compare dois ou três planos, sempre de seguradoras que publicam condições gerais, e faça as mesmas perguntas a todos. A ordem importa: as três primeiras eliminam planos antes mesmo de olhar preço.

  1. Idade máxima de contratação e de vigência. O plano aceita 72 anos? E aceita até o último dia da viagem, se um dos dois faz 73 no meio dela? Confira no PDF das condições gerais, não no simulador.
  2. Qual é o agravo da faixa 71 a 80 e o que muda nas coberturas. «Aceita com 75% a mais» (Assist Card) pode vir com «limitações e exclusões especiais». Peça a lista dessas limitações por escrito.
  3. Há declaração de saúde? Se há, preencha com o cardiologista e o clínico ao lado. Se não há, guarde o print: pelo art. 27 da Circular 667, a seguradora que não exige a declaração de saúde não pode excluir doença preexistente por esse motivo.
  4. Como o contrato define doença preexistente e o que ele diz sobre a crise dela. Procure as palavras «preexistente», «condição preexistente», «declarada», «emergência» e «consequências», e pergunte por escrito como o plano trata a crise de uma condição declarada.
  5. Teto de despesas médicas por pessoa, comparado ao destino: € 30.000 é o piso para Europa; nos Estados Unidos, lembre dos US$ 3.297 por dia de internação (média 2024) e dimensione para uma semana de hospital mais o voo de volta.
  6. Repatriação médica e traslado de corpo têm valor próprio ou saem do mesmo teto? Para 72 anos, um voo medicalizado da Europa para o Brasil é a cobertura mais cara da apólice.
  7. Remédios de uso contínuo: o plano cobre reposição em caso de perda ou extravio? Quase nenhum cobre o tratamento continuado — mas alguns cobrem a reposição emergencial.
  8. Atendimento é por pagamento direto ou reembolso? Para quem tem 72 anos, adiantar US$ 20 mil no cartão para ser reembolsado dois meses depois não é um detalhe operacional.
  9. Acompanhante: se um dos dois for internado, o plano paga hospedagem do outro e passagem de um familiar do Brasil?
  10. Central 24 horas em português, com número que funciona do exterior, testado antes de embarcar.

Peça a cotação com a data de nascimento certa desde o início. Simuladores que pedem só «idade» arredondam, e o agravo é por faixa: uma diferença de meses pode mudar a faixa e, com ela, o preço e as coberturas. Faça a cotação em nome de cada viajante, com a data exata — e salve o PDF do certificado e das condições gerais no celular dos dois, não só no seu.

08Como pagar menos sem abrir mão do que importa

Não existe truque que apague o agravo por idade: ele é a forma como a seguradora aceita um risco maior. O que existe são decisões que evitam pagar agravo em cima de desperdício.

  • Compre o plano pelo destino, não o mais caro da prateleira. Um plano «Mundo» com teto pensado para os Estados Unidos custa mais do que um plano «Europa» calibrado para € 30.000 ou mais. Para uma viagem só pela Europa, o segundo basta; para um roteiro que passa por Miami, não.
  • Conte os dias certos. O prêmio é por dia de viagem. Saída e chegada no Brasil contam; um dia a mais «por garantia» é agravo pago sobre nada.
  • Declare, não omita. O agravo por condição declarada é um percentual sobre o prêmio; a omissão é a perda da cobertura. Entre os dois, a conta não fecha a favor de esconder.
  • Compare o plano anual multiviagens se os seus pais viajam mais de uma vez por ano — e leia, nele, a idade máxima e a duração máxima por viagem, que costumam ser mais restritivas do que no plano avulso.
  • Confira promoções com data. Seguradoras publicam descontos por prazo. Um desconto é bem-vindo; só não troque cobertura por desconto.

O que guardar antes de embarcar

Certificado (bilhete) de cada viajante, condições gerais em PDF, número da central de assistência no exterior salvo no celular dos dois, receitas dos remédios de uso contínuo em nome de cada um, e um resumo médico de uma página — diagnósticos, medicamentos e doses — em português e, se possível, em inglês. É o kit que transforma uma emergência num atendimento e não numa negociação.

O resto é olhar o preço pelo que ele é: a informação de quanto custa a tranquilidade de viajar aos 72 anos sabendo o que o contrato diz sobre o imprevisto. Caro, sim. Mais barato que qualquer dia de hospital em dólar.

Perguntas frequentes

A partir de que idade o seguro viagem começa a custar mais caro?+
Depende da seguradora, porque a faixa etária está nas condições gerais de cada uma, não em norma da SUSEP. A Assist Card publica um acréscimo de 75% para viajantes a partir de 70 anos; a Allianz Travel separa o formulário em «até 70 anos» e «de 71 a 85 anos»; a Universal Assistance descreve degraus aos 61, 71 e acima de 80 anos. Na prática, o primeiro degrau costuma aparecer entre 60 e 70 anos — confira no simulador com a data de nascimento exata.
Existe idade máxima para contratar seguro viagem no Brasil?+
Não existe limite legal: a SUSEP não fixa idade máxima. Cada seguradora define a sua nas condições gerais — a AIG, por exemplo, escreve que «o limite de idade será definido no Contrato». Na prática, o teto varia de plano para plano e de empresa para empresa, e alguns planos aceitam idades mais altas com coberturas reduzidas. Antes de contratar, procure no PDF das condições gerais as palavras «idade» e «faixa etária», e confira se o limite vale até o último dia da viagem.
Seguro viagem cobre idoso com doença preexistente como hipertensão ou diabetes?+
Depende da redação do plano, e por isso o contrato deve ser lido. Nas condições gerais da AIG, doença preexistente é a doença «de conhecimento do segurado e não declarada», mas o mesmo documento também trata de «condição preexistente» em outras cláusulas, sem o «não declarada». O art. 27 da Circular SUSEP 667/2022 impede a exclusão quando a seguradora não exige a declaração de saúde e admite a exclusão de doenças específicas declaradas, se as partes combinarem. Declare sempre e peça à seguradora, por escrito, como o plano trata a crise de uma condição declarada. Tratamento continuado e cirurgia eletiva já programada, em geral, ficam fora.
O Estatuto da Pessoa Idosa proíbe cobrar mais caro do idoso no seguro viagem?+
Não. O § 3º do art. 15 do Estatuto (Lei 10.741/2003) veda a cobrança diferenciada por idade em planos de saúde, e seguro viagem não é plano de saúde — as próprias seguradoras avisam que «o seguro viagem não é seguro saúde». Um projeto de lei de julho de 2026 propõe estender a vedação a seguros de vida e contratos assemelhados, mas é projeto, não lei em vigor. Por enquanto, o agravo por idade é legal desde que esteja escrito nas condições gerais e no material de venda.
Meus pais vão para a Europa sem visto: ainda precisam dos € 30.000 de cobertura?+
A exigência formal de € 30.000 vem do art. 15 do Código de Vistos da UE e recai sobre quem pede visto Schengen. Brasileiro é isento de visto para turismo de até 90 dias em cada 180, então não há obrigação legal de apresentar seguro na fronteira. Mesmo assim, o guarda pode pedir comprovação das condições da viagem, e o mercado calibra os planos «Europa» por esse valor. Para um casal de 72 anos, trate € 30.000 como piso de comparação, não como teto suficiente.
Vale a pena contar só com o seguro do cartão de crédito para um idoso?+
Só depois de ler o bilhete de seguro e as condições gerais da seguradora parceira da bandeira. Verifique quem é segurado (pais com passagem paga pelo filho podem ficar de fora), se há limite de idade para a cobertura médica, se o bilhete precisa ser emitido antes da viagem, o que o contrato diz sobre doença preexistente e a duração máxima da viagem. Não repita números de cobertura de cartão lidos em rankings: na revisão de setembro de 2026, quase todos estavam errados em relação ao documento oficial do emissor.
Quanto custa uma internação nos Estados Unidos sem seguro?+
Segundo a KFF, com dados da American Hospital Association, a despesa média de um hospital por dia de internação ajustado foi de US$ 3.297 em 2024, média nacional, despesa de hospital, à qual os honorários dos médicos costumam se somar. Uma semana de hospital, somada a uma cirurgia e ao voo de volta com acompanhamento médico, entra facilmente na casa das dezenas de milhares de dólares. É esse risco que justifica o teto de cobertura médica mais alto dos planos «Estados Unidos» para quem tem 70 anos ou mais.
O que acontece se meu pai fizer 70 anos no meio da viagem?+
A idade considerada costuma ser a da contratação — a Assist Card escreve «a partir de 70 anos, a contar da data da contratação» —, de modo que um certificado emitido aos 69 tende a ser precificado pela faixa de 69. Mas algumas seguradoras olham a idade no início da vigência ou exigem que o segurado esteja dentro do limite até o fim da viagem. Confira a cláusula de faixa etária nas condições gerais do plano escolhido e, em caso de dúvida, pergunte por escrito à seguradora antes de pagar.

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