Destinos internacionais

Viagem internacional com crianças: como escolher

Antes de comparar praias e parques, a escolha do destino com filhos pequenos passa por quatro perguntas que quase ninguém faz na ordem certa: que documento a criança precisa, quantas horas de fuso ela vai atravessar, o que o país exige de vacina e quanto cada pequeno viajante custa de verdade. Este guia responde com fontes oficiais.

19 min de leituraAtualizado em 26 de setembro de 2026Por myroteiro

É quinta-feira à noite, as crianças já dormiram e você abre três abas: um resort em Punta Cana, um apartamento em Lisboa e um hotel perto dos parques de Orlando. O critério é o de sempre — preço, foto, avaliação. Só que, com um filho de dois anos e outro de cinco, o que decide se a viagem vai dar certo não está em nenhuma dessas abas: está no fuso horário, na fila da imigração, no documento que a Polícia Federal vai pedir no embarque e naquela vacina que precisa ter sido tomada dez dias antes.

A maioria das famílias escolhe o destino primeiro e descobre as regras depois. Aí vêm as surpresas: a certidão de nascimento que não serve para embarcar rumo à Argentina, a autorização de viagem que precisa de duas vias, o passaporte do bebê que vale só um ano, o país do Caribe que exige comprovante de febre amarela de quem sai de São Paulo. Nenhuma dessas regras é escondida — elas só estão espalhadas em sites diferentes, e ninguém as junta.

Este guia junta. Com fontes oficiais — Polícia Federal, CNJ, ANAC, Ministério da Saúde, OMS, Comissão Europeia, governos de Portugal, Canadá e Reino Unido —, ele mostra os critérios que separam um destino fácil de um destino cansativo para quem viaja com criança pequena, e faz a conta do que cada criança custa a mais em 2026. Sem achismo de fórum, sem número inventado.

O essencial em 30 segundos

  • >Sem os dois pais no embarque, a criança precisa de autorização de viagem em duas vias com firma reconhecida — válida por dois anos se o prazo não for indicado — ou da autorização impressa no próprio passaporte (CNJ e Polícia Federal).
  • >O passaporte de um bebê de até 1 ano vale só 1 ano, e a taxa é a mesma do adulto: R$ 257,25. A validade sobe um ano por faixa etária até chegar a 5 anos, a partir dos 4 anos completos.
  • >A partir de 2 anos completos a criança precisa de assento próprio no avião. A ANAC não obriga nenhum desconto para menores: a gratuidade ou a tarifa reduzida do bebê de colo é cortesia da companhia, não direito.
  • >A República Dominicana exige comprovante de vacina contra febre amarela de viajantes a partir de 1 ano que venham de SP, RJ, MG e ES; a vacina precisa ser tomada no mínimo 10 dias antes do embarque (OMS e Ministério da Saúde).
  • >Cada criança paga IOF de 3,5% igual ao adulto, em qualquer meio de pagamento. O ETIAS europeu, quando entrar em operação, isenta menores de 18 anos da taxa de € 20; o Reino Unido cobra £ 20 de todos, bebê inclusive.

01O que a regra exige quando um menor sai do Brasil

Antes de qualquer destino, existe uma regra que vale para todos eles e que é aplicada pela Polícia Federal no momento do embarque. Ela está no Estatuto da Criança e do Adolescente e foi regulamentada pelo Conselho Nacional de Justiça:

«A autorização é exigida sempre que crianças e adolescentes brasileiros precisarem viajar para outros países desacompanhados, na companhia de apenas um dos pais ou acompanhados de terceiros.» — Conselho Nacional de Justiça, página oficial «Viagem ao Exterior»

Traduzindo para a vida real: se o pai e a mãe embarcam juntos com a criança, não é preciso nada além dos documentos. Se só um dos dois vai — ou se a criança vai com os avós, com a tia, com a escola —, entra a autorização. A cartilha do CNJ detalha a forma que a Polícia Federal aceita:

  • Duas vias originais, porque uma fica retida na Polícia Federal no embarque.
  • Firma reconhecida em cartório, por autenticidade ou por semelhança. Desde a Resolução CNJ nº 131, o reconhecimento não precisa ser feito na presença do tabelião.
  • Prazo de validade indicado no documento. Se os pais não indicarem nenhum, a autorização vale por dois anos.
  • Há a alternativa da autorização eletrônica de viagem (AEV), emitida por cartório digital, citada pelo CNJ como a via desburocratizada.

Existe ainda um atalho que quase ninguém usa: a autorização pode ser inscrita no próprio passaporte da criança, a pedido dos pais, no momento da emissão ou da renovação. Nesse caso, o menor viaja com apenas um dos genitores sem precisar de papel à parte, e a autorização vale enquanto o passaporte valer.

O passaporte da criança: validade curta, taxa cheia

Fora do Mercosul, cada criança precisa do seu próprio passaporte — bebê de colo inclusive. A Polícia Federal define a validade pela idade no dia do atendimento:

  • 0 a 1 ano incompleto: 1 ano
  • 1 ano completo a 2 anos incompletos: 2 anos
  • 2 anos completos a 3 anos incompletos: 3 anos
  • 3 anos completos a 4 anos incompletos: 4 anos
  • 4 anos completos a 18 anos incompletos: 5 anos
  • 18 anos ou mais: 10 anos

A taxa é a mesma para qualquer idade: R$ 257,25. Em atendimento de urgência ou emergência há uma taxa adicional de R$ 77,17 — o passaporte comum continua com a validade normal por idade. Diferente dele é o «passaporte de emergência», um documento à parte que a Polícia Federal emite em caráter excepcional e que tem validade máxima de 1 ano, qualquer que seja a idade. Para emitir o documento de um menor, a Polícia Federal exige autorização de ambos os genitores — presentes no atendimento ou representados por procuração ou formulário com firma reconhecida —, a presença da criança e, para menores de 5 anos, uma foto 5x7 recente de fundo branco. Um detalhe que confunde: para emitir o passaporte, a certidão de nascimento serve como identificação do menor de 12 anos; para embarcar rumo ao Mercosul, ela não serve. Voltamos a isso adiante.

02O que muda com crianças — e o que não muda

Ninguém te conta isso na hora de comprar a passagem: a maior parte das «regras para crianças» que circulam por aí são políticas comerciais das companhias, não normas. A ANAC, na página oficial sobre viagem com crianças e adolescentes (atualizada em 13/04/2026), separa uma coisa da outra. Vale saber exatamente o que é direito e o que é cortesia.

O que muda de fato (regra da ANAC)

  • Até 2 anos incompletos, a criança pode viajar no colo do responsável. Se os pais preferirem comprar um assento para ela, é obrigatório usar um sistema de contenção — cadeirinha ou bebê-conforto — com selo de aprovação para uso aeronáutico por país filiado à OACI.
  • A partir de 2 anos completos, a criança não pode mais viajar no colo: precisa de assento exclusivo e usa o cinto da aeronave.
  • Menor de 16 anos deve ser acomodado ao lado de pelo menos um adulto da mesma reserva, sem custo — mesmo que a família não tenha pago a marcação antecipada de assentos.
  • Carrinho de bebê e cadeirinha certificada são «ajudas técnicas»: transportados gratuitamente, não contam como bagagem de mão e podem ir até a porta da aeronave.
  • Bilhete comprado para a criança, mesmo promocional, dá direito a 10 kg de bagagem de mão.

O que muita gente acha que é direito e não é

  • Desconto para criança. Nas palavras da ANAC, «não há obrigação para que as companhias aéreas concedam descontos na compra de passagem aérea para menores, mesmo que sejam crianças de colo». A tarifa reduzida do bebê em voo internacional é política de cada companhia — confira antes de comprar.
  • Bagagem do bebê de colo. Se o transporte foi cortesia, não há franquia mínima de bagagem obrigatória, nem de mão nem despachada.

O que não muda em nada

  • IOF. Todo gasto no exterior paga 3,5%, seja do adulto ou da criança, em cartão de crédito, débito, pré-pago, conta global ou compra de espécie. Não existe «tarifa família».
  • Documentos. Cada criança tem o seu — passaporte ou RG —, e é ela quem passa pela imigração, mesmo dormindo no colo.
  • Seguro viagem. É contratado por pessoa. Algumas seguradoras incluem crianças sem custo em planos familiares; leia a apólice, não o anúncio.

03Seis destinos comparados pelo olhar de quem leva criança

A tabela abaixo não diz qual destino é «melhor». Ela mostra, para seis escolhas comuns de famílias brasileiras, os quatro fatores que pesam mais quando há criança pequena a bordo: o documento que a criança precisa, se há visto ou autorização eletrônica, a diferença de fuso em relação a Brasília e se o país exige comprovante de febre amarela de quem vem do Brasil. Fusos conforme time.is; exigência de vacina conforme a lista da OMS (edição de novembro de 2022, revisada em janeiro de 2023 — confira a versão vigente antes de viajar).

DestinoDocumento da criança (turismo)Visto ou autorizaçãoFuso em relação a BrasíliaFebre amarela exigida?Ponto de atenção para famílias
Buenos AiresRG emitido há menos de 10 anos, com foto atual — ou passaporteNão (Mercosul)Mesmo horárioNãoCertidão de nascimento é recusada no embarque, mesmo para bebê
MontevidéuRG (mesma regra) ou passaporteNão (Mercosul)Mesmo horárioNãoVoo curto, sem fuso: um dos destinos mais previsíveis para a primeira viagem de um bebê
SantiagoRG (mesma regra) ou passaporteNão (Mercosul)Mesmo horário no verão chileno; 1 hora a menos no invernoNãoPasseios de montanha em altitude: converse com o pediatra antes de incluir no roteiro
LisboaPassaporteNão. ETIAS ainda não está em operação; quando entrar, menores de 18 ficam isentos da taxa3 horas a mais no inverno europeu; 4 no verãoNãoCDAM gratuito dá acesso ao sistema público de saúde; cadeirinha obrigatória para menores de 12 anos com menos de 135 cm
OrlandoPassaporteSim: visto para cada criança, com taxa consular por pessoa1 hora a menos no horário de verão americano; 2 no invernoNãoProcesso de visto e fila de imigração são a parte mais longa da viagem para uma criança pequena
Punta CanaPassaporteNão para turismo1 hora a menosSim, a partir de 1 ano, para quem vem de SP, RJ, MG e ESHospital é privado e distante do resort: seguro com cobertura pediátrica não é opcional

Duas observações sobre a Europa. O EES, o sistema de registro de entradas e saídas do espaço Schengen, coleta imagem facial e digitais de quem entra — mas o regulamento europeu isenta crianças menores de 12 anos da coleta de digitais. Já o ETIAS, a autorização prévia de viagem, «não está em operação no momento», segundo a Comissão Europeia, que promete anunciar a data com meses de antecedência; a taxa foi fixada em € 20, e o regulamento isenta menores de 18 e maiores de 70 anos do pagamento — a autorização em si continuará sendo necessária para eles.

Uma observação sobre o Caribe: a idade mínima da exigência de febre amarela na República Dominicana não é unânime entre as fontes. A lista da OMS usada nesta tabela (2022/2023) fala em viajantes «a partir de 1 ano»; outras páginas de referência sobre essa mesma rota citam a isenção só até os 10 meses — ou seja, a exigência começaria antes de completar 1 ano. Para um bebê entre 10 e 12 meses, essa diferença decide se ele embarca ou não: confirme a idade exata com a companhia aérea ou o consulado dominicano antes de comprar a passagem, e não deixe a vacina para a última semana.

04Os cinco critérios que decidem, na ordem certa

Existe uma ordem para pensar o destino com criança pequena. Não é a ordem do preço: é a ordem do que você não consegue consertar depois de embarcar.

1. Fuso e duração do voo

Uma criança de dois anos não tem estratégia contra o jet lag; ela simplesmente acorda às três da manhã. Por isso o primeiro filtro é o relógio: destinos no mesmo fuso de Brasília (Buenos Aires, Montevidéu, Santiago no verão) ou a uma hora de distância (Punta Cana, Orlando no horário de verão) preservam a rotina de sono. Lisboa, com três ou quatro horas de diferença, exige dois ou três dias de adaptação na chegada — e outros tantos na volta. Não é impeditivo; é planejamento.

2. Documentação e filas

Um destino do Mercosul permite viajar com o RG da criança e dispensa visto. Um destino com visto consular (Estados Unidos) coloca a criança em uma fila de agendamento e, depois, em uma fila de imigração. A Europa está no meio: sem visto, mas com o EES registrando cada entrada — sem digitais para menores de 12 anos.

3. Saúde

  • Vacina. O Ministério da Saúde recomenda a vacina contra febre amarela a partir dos 9 meses, aplicada no mínimo 10 dias antes da viagem, porque a proteção se forma entre o 7º e o 10º dia. Uma dose vale para a vida toda. O Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) é emitido pela Anvisa pelas plataformas do Ministério da Saúde.
  • Sistema público. Para Portugal, Itália e Cabo Verde, o CDAM (o antigo PB4) permite ser atendido na rede pública como cidadão local. É gratuito, emitido pelo portal gov.br e cobre dependentes — o acordo autoriza expressamente a inclusão dos filhos.
  • Seguro. Em destinos onde a saúde é privada e cara, o seguro precisa ter cobertura pediátrica explícita e uma central que atenda em português.

4. Logística no chão

Cidade que se anda a pé e de transporte público (Lisboa, Buenos Aires) funciona com carrinho. Destino que depende de carro (Orlando) exige cadeirinha no aluguel — e em Portugal a lei obriga sistema de retenção homologado, no banco traseiro, para crianças com menos de 12 anos e menos de 135 cm, com multa de € 120 a € 600 por criança transportada de forma irregular.

5. Custo por cabeça

Com criança, a conta se multiplica pelo número de pessoas, não pelo número de adultos. Passaporte, assento a partir dos 2 anos, seguro, autorização eletrônica, visto: quase tudo é por pessoa. A seção «A conta real», abaixo, faz essa soma.

O atalho que evita cartório a cada viagem: na hora de emitir ou renovar o passaporte da criança, peça que a autorização de viagem seja impressa no próprio documento. Com isso, ela viaja com apenas um dos pais sem papel à parte, pelo prazo de validade do passaporte. A opção existe só no momento da emissão — depois, não dá para acrescentar.

05Na prática: o cronograma de quem viaja com criança

Com criança pequena, o que mais falha não é o destino: é o prazo. Este é o cronograma que funciona para a maioria das famílias, contado a partir da data do embarque.

  1. 90 dias antes — passaporte. Confira a validade do passaporte de cada criança lembrando que o do bebê vale só 1 ano. Agende na Polícia Federal com os dois genitores (ou com a autorização do ausente), leve a criança e, se ela tiver menos de 5 anos, a foto 5x7. Taxa: R$ 257,25 por passaporte. Decida agora se quer a autorização de viagem impressa no documento.
  2. 60 dias antes — vistos e autorizações eletrônicas. Estados Unidos: agendamento consular para cada criança, com taxa por pessoa. Canadá: eTA de CAD 7 por viajante, criança inclusive. Reino Unido: ETA de £ 20 por pessoa, «incluindo bebês e crianças», nas palavras do governo britânico. Europa Schengen: nenhuma autorização até o ETIAS entrar em operação — acompanhe o site oficial da União Europeia.
  3. 45 dias antes — autorização de viagem. Se um dos pais não embarca, faça a autorização em duas vias com firma reconhecida, indicando o prazo de validade, ou emita a versão eletrônica em cartório digital. Confira se o nome de quem acompanha a criança está idêntico ao da certidão.
  4. 30 dias antes — saúde. Vacina contra febre amarela para quem tem 9 meses ou mais, se o destino exigir ou se o pediatra recomendar; o certificado só vale a partir do 10º dia. Para Portugal ou Itália, peça o CDAM no portal gov.br e inclua os filhos como dependentes. Contrate o seguro viagem lendo a cobertura pediátrica.
  5. 15 dias antes — o voo. Confirme com a companhia que a criança menor de 16 anos ficará ao lado de um adulto da reserva (é direito, não serviço pago). Se comprou assento para o bebê, verifique o selo de aprovação aeronáutica da cadeirinha. Avise que levará carrinho como ajuda técnica.
  6. 7 dias antes — documentos. Digitalize passaporte, RG, certidão, autorização e certificado de vacina de cada criança, e guarde uma cópia física separada da original.
  7. Na véspera — a mala do aeroporto. Documentos originais e as duas vias da autorização na mesma pasta, à mão. Uma via fica com a Polícia Federal; sem ela, a criança não embarca.
Como o myroteiro entra nisso: o Cofre da Viagem guarda o passaporte, o visto e o seguro viagem de cada criança dentro do roteiro da família, e avisa quando a validade estiver perto de vencer. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser, e as decisões continuam sendo suas.

06A conta real: quanto cada criança custa a mais

A pergunta que decide entre Punta Cana e Lisboa raramente é o preço do hotel. É a soma dos custos que existem por criança, antes mesmo de sair de casa. Aqui está o que tem fonte oficial em 2026 — e o que varia demais para receber um número.

O que tem valor fixo e fonte

  • Passaporte: R$ 257,25 por criança, mesma taxa do adulto; R$ 77,17 a mais em atendimento de urgência ou emergência (Polícia Federal).
  • eTA do Canadá: CAD 7 por pessoa, criança inclusive (IRCC, tabela de taxas atualizada em 02/07/2026).
  • ETA do Reino Unido: £ 20 por pessoa, sem isenção por idade (gov.uk).
  • ETIAS (Europa Schengen): ainda sem cobrança porque o sistema não opera. Quando entrar, € 20 para adultos e isenção para menores de 18 anos (Comissão Europeia; Regulamento UE 2018/1240, art. 18).
  • CIVP e CDAM: gratuitos, emitidos online (Ministério da Saúde e gov.br).

O que varia e por isso não recebe número aqui

  • Visto americano: a taxa consular é cobrada por pessoa, criança inclusive, em dólar. Confira o valor vigente no site do consulado antes de agendar — e observe que há uma taxa adicional criada por lei em 2025 cuja cobrança vem sendo implantada de forma desigual entre os postos.
  • Passagem da criança: a partir de 2 anos completos, assento próprio; como a ANAC não obriga desconto, a tarifa infantil em voo internacional é decisão comercial de cada companhia. Para o bebê de colo, a tarifa reduzida também é política da empresa.
  • Cartório: o reconhecimento de firma da autorização de viagem tem tabela própria em cada estado.
  • Seguro viagem: varia por destino, idade e cobertura. Compare a cobertura médica pediátrica, não só o prêmio.

O imposto que ninguém consegue evitar: IOF de 3,5%

Desde o decreto de 2025, o IOF é de 3,5% para todos os gastos pessoais no exterior: cartão de crédito, cartão de débito, cartão pré-pago, conta global e compra de moeda em espécie. Não existe meio de pagamento brasileiro que escape, e o gasto com os filhos — ingresso de parque, farmácia, restaurante — paga o mesmo que o dos adultos. O 1,1% que aparece em páginas antigas vale apenas para remessas e empréstimos, nunca para gastos de viagem.

Onde a economia está de verdade: não no IOF, que é igual para todos os meios de pagamento, mas no spread cambial — a diferença entre o câmbio interbancário e o câmbio turismo que cada banco ou casa de câmbio embute, tipicamente alguns pontos percentuais. Comparar o câmbio final cobrado (cotação mais spread) entre a conta global, o cartão e a espécie é o que muda a conta de uma família em duas semanas fora. E um detalhe que quase todo mundo erra: o IOF é imposto brasileiro. Um cartão emitido por banco estrangeiro não paga IOF nenhum, mesmo usado no Brasil; o que decide é o país do emissor, não a moeda da fatura.

07O que dá errado no aeroporto — e como evitar

Os problemas de família em viagem internacional se repetem. Não são muitos; são sempre os mesmos.

  • Certidão de nascimento no balcão do Mercosul. A Polícia Federal é explícita: para turismo em países do Mercosul, o passaporte é dispensado se a pessoa apresentar cédula de identidade emitida há menos de 10 anos e com foto que ainda a identifique. «CNH, OAB, CRM, Certidão etc serão negados». Isso vale para o bebê também: sem RG ou passaporte, ele não embarca. Peça o RG da criança assim que nascer.
  • Autorização com uma via só. A Polícia Federal retém uma via no embarque. Quem leva uma única cópia fica sem documento para a volta ou para o próximo trecho. Sempre duas vias originais.
  • Passaporte do bebê vencido. Com validade de 1 ano para menores de 1 ano, o passaporte tirado para a primeira viagem já pode estar vencido na segunda. Confira a data antes de comprar a passagem, não depois.
  • Vacina tomada na semana do voo. O certificado de febre amarela só passa a valer 10 dias depois da aplicação. Para a República Dominicana, que exige comprovante de quem vem de SP, RJ, MG e ES a partir de 1 ano de idade, isso pode significar embarque negado.
  • Criança de 2 anos no colo. A regra da ANAC é clara: a partir de 2 anos completos, assento próprio. Quem compra a passagem quando o filho tem 1 ano e 11 meses e viaja depois do aniversário precisa de um assento a mais.
  • Cadeirinha sem selo. Se a família compra assento para o bebê e leva cadeirinha, ela precisa do selo de aprovação para uso aeronáutico. Uma cadeirinha de carro comum pode ser recusada na porta da aeronave.
  • Carro alugado em Portugal sem cadeirinha. Menor de 12 anos com menos de 135 cm vai no banco traseiro em sistema de retenção homologado; a multa vai de € 120 a € 600 por criança. Reserve a cadeirinha junto com o carro ou leve a sua.
  • Nome diferente entre a certidão e a autorização. Se quem acompanha a criança mudou de nome (casamento, divórcio), a Polícia Federal pede a certidão que comprove a alteração. Leve-a.

A boa notícia é que nenhum desses problemas depende do destino. Todos se resolvem em casa, semanas antes, com uma lista.

08Antes de fechar: como decidir e o que guardar

Se você chegou até aqui, já tem o suficiente para escolher com critério. Um resumo em forma de regra prática:

  • Bebê com menos de 1 ano ou primeira viagem internacional: destino no mesmo fuso, voo curto, sem visto — Buenos Aires, Montevidéu ou Santiago, com o RG da criança em dia. O que se aprende nessa viagem vale para todas as outras.
  • Crianças de 2 a 5 anos, duas semanas de férias: aceite até 1 hora de fuso sem sofrimento (Punta Cana, Orlando no verão americano) e planeje o visto americano com meses de folga, ou escolha o Caribe sem visto — lembrando da exigência de febre amarela na República Dominicana.
  • Família que quer Europa: Lisboa é a porta mais gentil — idioma, CDAM gratuito, cidade caminhável. Reserve dois ou três dias para o fuso de 3 a 4 horas e leve ou alugue cadeirinha se for dirigir.

O que guardar até a volta

  • As duas vias da autorização de viagem (a segunda serve para a volta, se a Polícia Federal pedir novamente).
  • Certificado internacional de vacinação de cada criança, impresso e no celular.
  • CDAM, se o destino for Portugal ou Itália, com os filhos incluídos como dependentes.
  • Cópia da certidão de nascimento — não para embarcar, mas para provar o vínculo se alguém perguntar.
  • Apólice do seguro com o telefone da central em destaque, e o nome de cada criança nela.

Um último ponto de honestidade: planejamento nenhum faz o voo sair no horário, a imigração andar rápido ou o bebê dormir no avião. O que o planejamento faz é tirar da equação tudo o que é evitável — e, com criança pequena, isso já é a maior parte da tranquilidade. Um roteiro que organiza os horários da criança, os prazos dos documentos e os avisos do destino ajuda nisso; a viagem, quem faz é você.

Perguntas frequentes

Bebê precisa de passaporte para viajar para a Argentina ou o Uruguai?+
Não necessariamente. Para turismo em países do Mercosul, a Polícia Federal dispensa o passaporte se a criança apresentar cédula de identidade (RG) emitida há menos de 10 anos, com foto que ainda a identifique. O que não serve é a certidão de nascimento: ela é recusada no embarque, mesmo para recém-nascidos. Se preferir, o passaporte também vale — mas lembre que, para menores de 1 ano, ele tem validade de apenas 1 ano.
Vou viajar sozinha com meu filho para o exterior. Preciso de autorização do pai?+
Sim. Sempre que a criança brasileira sai do país sem os dois pais, a Polícia Federal exige autorização escrita do genitor ausente, em duas vias originais com firma reconhecida em cartório; se o prazo não for indicado, vale por dois anos. Há duas alternativas: a autorização eletrônica emitida por cartório digital e a autorização impressa no próprio passaporte da criança, solicitada no momento da emissão ou renovação do documento.
Criança paga passagem em voo internacional? E bebê de colo?+
Segundo a ANAC, não existe obrigação legal de desconto para menores, nem para bebês de colo: a tarifa reduzida ou a gratuidade é cortesia de cada companhia. Até 2 anos incompletos a criança pode ir no colo; a partir de 2 anos completos precisa de assento próprio. Se a família comprar assento para o bebê, a cadeirinha deve ter selo de aprovação aeronáutica. O carrinho viaja de graça como ajuda técnica.
Meu filho precisa de ETIAS para entrar na Europa em 2026?+
Hoje, não: o ETIAS ainda não está em operação, e a Comissão Europeia anunciará a data de início com meses de antecedência. Quando entrar em vigor, a autorização valerá para todos os viajantes isentos de visto, mas a taxa de € 20 não será cobrada de menores de 18 nem de maiores de 70 anos (Regulamento UE 2018/1240). Já o EES, o registro de entradas e saídas, funciona e isenta menores de 12 anos da coleta de digitais.
Qual é a validade do passaporte de uma criança pequena?+
A Polícia Federal define a validade pela idade no dia do atendimento: 1 ano para menores de 1 ano; 2 anos entre 1 e 2; 3 anos entre 2 e 3; 4 anos entre 3 e 4; e 5 anos dos 4 aos 17. Só a partir dos 18 o passaporte vale 10 anos. A taxa é a mesma em todas as idades, R$ 257,25, e a validade conta a partir do dia do atendimento presencial.
Punta Cana exige vacina de febre amarela de criança brasileira?+
Sim, em uma situação específica. Pela lista da OMS, a República Dominicana exige comprovante de vacinação de viajantes a partir de 1 ano que venham dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, ou que tenham feito conexão de mais de 12 horas em aeroporto desses estados. A vacina deve ser tomada no mínimo 10 dias antes, e o Certificado Internacional de Vacinação é emitido gratuitamente pela Anvisa nas plataformas do Ministério da Saúde. Atenção se o bebê tiver entre 10 e 12 meses: há fontes que colocam a isenção só até os 10 meses, não até 1 ano — confirme a idade exata com a companhia aérea ou o consulado antes de embarcar.
Existe algum cartão sem IOF para os gastos da família no exterior?+
Não entre os emitidos no Brasil. Desde o decreto de 2025, o IOF é de 3,5% para todos os gastos pessoais de viagem, em qualquer meio de pagamento: crédito, débito, pré-pago, conta global e espécie. Só não paga IOF quem usa cartão emitido por banco estrangeiro, porque o imposto é brasileiro. A economia real está em comparar o spread cambial embutido por cada emissor, não em procurar uma isenção que não existe.
Vou alugar carro em Portugal com criança. Preciso de cadeirinha?+
Sim. A lei portuguesa obriga crianças com menos de 12 anos e menos de 135 cm a viajar no banco traseiro, em sistema de retenção homologado. O transporte irregular gera multa de € 120 a € 600 por criança. Reserve a cadeirinha junto com o carro ou leve a sua. Emita também o CDAM antes de viajar: é gratuito e dá acesso ao sistema público de saúde português para toda a família.

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