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Custo da Bagagem Despachada Internacional em 2026

Quais tarifas incluem a mala de 23 kg, quanto TAP, GOL, American e as demais cobram pela primeira peça, o que acontece acima de 23 kg, quanto vale a indenização por extravio em reais e por que a lei da bagagem gratuita ainda não mudou nada — com fonte oficial e cotação de setembro de 2026.

19 min de leituraAtualizado em Por myroteiro
Neste artigo7 seções + perguntas frequentes

Você compra a passagem para Lisboa na tarifa mais barata da tela, satisfeito com o preço. Três semanas depois, no check-in online, descobre que aquela tarifa não incluía nenhuma mala no porão — e que a primeira peça, comprada ali, custa quase o que você economizou. Nada disso estava escondido: estava no contrato de transporte. Só não estava no número em destaque.

O que quase todo mundo entende errado: desde a Resolução 400 da ANAC, em vigor desde 2017, a bagagem despachada deixou de ser um direito automático do passageiro e virou um produto vendido à parte, com preço próprio, que muda conforme a companhia, a rota, a tarifa e o momento em que você paga. A lei que devolveria a mala de 23 kg gratuita foi aprovada pela Câmara em 28/10/2025 — e, em 13/09/2026, continua parada no Senado. Ou seja: hoje, a regra que vale é a da cobrança.

Este guia usa exclusivamente as páginas oficiais das companhias (TAP, GOL, LATAM, Azul, American, Delta, Air France e Iberia), a ANAC, o Congresso, o FMI e o Banco Central para responder a uma pergunta só: quanto custa, de verdade, despachar uma mala num voo internacional saindo do Brasil em 2026 — e como pagar o menor valor possível, sem surpresa no balcão.

O essencial em 30 segundos

  • >Desde a Resolução 400 da ANAC (13/12/2016), a mala despachada é um produto opcional: a única franquia garantida por norma é a bagagem de mão de 10 kg, e o que inclui ou não a mala é a tarifa, não a companhia.
  • >A lei da mala gratuita de 23 kg (PL 5041/2025) passou na Câmara em 28/10/2025 por 361 a 77, mas em 13/09/2026 ainda aguarda despacho no Senado — não vale, e uma tentativa igual foi vetada em 2022.
  • >A TAP publica preço aberto: mala extra a partir de 30 € online (≈ R$ 177) e excesso de 23 a 32 kg a 130 € ou 150 € por peça entre Brasil e Europa (≈ R$ 768 a R$ 886); LATAM, Azul e Air France só mostram o valor dentro da reserva.
  • >A American passou a cobrar a primeira mala na Basic Economy para a América do Sul em 09/04/2026: US$ 70 a US$ 100 por peça e trecho, ou R$ 356 a R$ 509 pela PTAX de 11/09/2026.
  • >Em extravio internacional, a companhia tem 21 dias para localizar a mala e o teto de indenização material subiu para 1.519 DES em 28/12/2024 — cerca de R$ 10,6 mil em setembro de 2026 — embora a página da ANAC ainda cite 1.288 DES.

01O que diz a regra: a ANAC liberou a cobrança em 2017, e a lei que a reverte ainda não existe

A base legal da cobrança é a Resolução nº 400 da ANAC, de 13/12/2016, que entrou em vigor em março de 2017. Antes dela, toda passagem internacional vinha com franquia de bagagem despachada embutida. Depois, a franquia virou opcional. A própria agência explica assim, na sua página oficial sobre bagagem:

«Após a edição da Resolução nº 400, de 13 de dezembro de 2016, as empresas aéreas podem vender passagens com diferentes tipos de franquias de bagagem despachada ou até mesmo sem a franquia, para passageiros que optarem por não utilizar esse serviço.» — ANAC, página «Bagagem», consultada em 13/09/2026

Dois pontos dessa regra passam despercebidos. Primeiro: a única franquia garantida por norma é a bagagem de mão de 10 kg, sem custo — e mesmo essa tem as dimensões definidas pela companhia, não pela ANAC. Segundo: a ANAC diz expressamente que «em todas as passagens valem as regras do contrato, especialmente a de franquia de bagagem». Traduzindo: o que define se você tem mala incluída não é a companhia, nem o destino, mas a tarifa que você escolheu dentro daquela companhia.

E a lei da bagagem gratuita?

Existe um projeto, e ele avançou de verdade. Em 28/10/2025, a Câmara dos Deputados aprovou, dentro do PL 5041/2025, uma emenda que garante o despacho gratuito de uma mala de até 23 kg em voos nacionais e internacionais operados no país, por 361 votos a 77. O mesmo texto amplia a mala de bordo para 12 kg em voos domésticos, proíbe o cancelamento da volta quando o passageiro não embarca na ida e veda a cobrança pela marcação de assento padrão. O autor da emenda afirmou, na sessão, que as companhias faturaram cerca de R$ 5 bilhões com a cobrança entre 2017 e 2024 sem que a passagem ficasse mais barata — é uma estimativa parlamentar, não um dado auditado.

O projeto foi enviado ao Senado em 04/11/2025. Na página oficial do Senado, com dados atualizados em 01/09/2026, a situação continua «aguardando despacho» — o texto ainda nem foi distribuído a uma comissão. Não é lei, não produz efeito, e nenhuma companhia é obrigada a cumpri-lo.

Já aconteceu antes. Em 2022, o Congresso aprovou a volta do despacho gratuito (23 kg em voos nacionais, 30 kg em internacionais) dentro da Lei 14.368/2022, e o trecho foi vetado pela Presidência em 15/06/2022. O veto nunca foi levado a votação: em maio de 2024, a análise foi adiada mais uma vez por falta de acordo. Planeje a viagem de 2026 com a regra de hoje — a cobrança — e trate qualquer mudança como bônus.

02O que entra na franquia, o que vira cobrança extra e o que ninguém explica sobre «peça»

Antes de comparar preços, é preciso separar três coisas que as companhias tratam como produtos diferentes — e que o passageiro costuma chamar, todas, de «bagagem».

O que a tarifa mais barata costuma incluir

  • Item pessoal: uma mochila ou bolsa que cabe debaixo do assento. Na GOL, por exemplo, o limite é 32 × 22 × 43 cm e até 10 kg. É o único volume que a tarifa Basic da GOL inclui desde 14/10/2025.
  • Mala de bordo: a mala pequena que vai no compartimento superior. A ANAC garante 10 kg sem custo; a GOL passou a permitir 12 kg em todas as tarifas exceto a Basic, para bilhetes comprados a partir de 14/10/2025. Em algumas tarifas internacionais de outras companhias ela também pode ficar de fora — leia o detalhe da tarifa, não o nome.

O que é «bagagem despachada» e como ela é medida

Em voo internacional vale o conceito de peça: cada mala conta como uma unidade com limite próprio de peso e tamanho, normalmente 23 kg e, na maioria das companhias, 158 cm somando altura, largura e profundidade (a Delta usa 157 cm; a GOL publica 50 × 28 × 80 cm). Duas malas de 11 kg não equivalem a uma de 22 kg — são duas peças, e você paga duas. A GOL diz isso com todas as letras: «para despachar dois volumes você precisaria comprar duas bagagens», mesmo que o peso total fique abaixo de 23 kg.

O que não entra na franquia — e vira cobrança extra

  • Excesso de peso: entre 23 kg e 32 kg, a maioria cobra uma taxa fixa por peça, não por quilo. Na TAP, entre Brasil e Europa, são 130 € na baixa temporada e 150 € na alta, por mala e por trecho. Na GOL, é «um valor fixo de excesso conforme o destino», cobrado só no momento do despacho — não dá para comprar antecipado com desconto.
  • Acima de 32 kg: em voo internacional, a GOL não aceita nenhuma peça acima disso; a regra é comum no setor. Redistribua antes de chegar ao balcão.
  • Excesso de tamanho: cobrado à parte do excesso de peso. Na TAP, uma mala que ultrapassa peso e medidas paga as duas taxas — 260 € na baixa e 300 € na alta.
  • Cada trecho é uma compra: a bagagem comprada para a ida não vale para a volta. A GOL explica que a compra «é válida por trecho de voo»; a TAP e a Air France cobram por segmento. Um casal em ida e volta compra quatro peças, não duas.

Quem escapa da cobrança sem mudar de tarifa

Programas de fidelidade e cartões co-branded. Na GOL, clientes Smiles Prata despacham a primeira mala grátis, Ouro até a segunda e Diamante até a terceira — e o benefício não se acumula com a franquia da tarifa: vale o maior. American e Delta isentam a primeira mala para membros com status e para titulares dos cartões da companhia, com regras próprias por rota. Se você tem um desses cartões, confira a regra antes de pagar a tarifa acima só pela mala.

03Companhia por companhia: quem inclui a mala de 23 kg e quem cobra (setembro de 2026)

A tabela reúne o que cada companhia publica em página oficial em 13/09/2026. Onde a companhia não divulga preço em tabela aberta — o caso da LATAM, da Azul e da Air France, que só mostram o valor dentro da reserva — está escrito «varia»; não inventamos um número. Valores em euro e dólar convertidos pela PTAX de 11/09/2026 (US$ 1 = R$ 5,09; € 1 = R$ 5,91), sem IOF.

CompanhiaTarifa sem mala no porãoTarifa com 1 mala de 23 kgPreço da mala extra (publicado)Excesso 23–32 kg
TAP Air PortugalDiscountBasic, Classic e Plus (Executive: 2 × 32 kg)a partir de 30 € (≈ R$ 177) por peça, online e antecipado130 € baixa / 150 € alta temporada, por peça (≈ R$ 768 a R$ 886)
GOLBasic e LightPlus (1 mala incluída)varia por destino; sem tabela aberta consultável diretamente, com desconto fora do balcãovalor fixo por destino, cobrado só no despacho
LATAMBasic e LightPlus e Topvaria; aparece em «Minhas Viagens» após a reservanão publicado em tabela aberta
AzulAzulMais Azulvaria por rota e momento; mais caro no aeroporto do que no site ou appnão publicado em tabela aberta
American AirlinesBasic Economy (América do Sul, desde 09/04/2026)Main Cabin e superiores, conforme a rotaBasic Economy América do Sul: US$ 70 a US$ 100 a primeira mala (≈ R$ 356 a R$ 509), conforme mercado e dataconsulte a rota no site
DeltaMain Basic, conforme a rotaMain Classic e superiores, conforme a rotavaria; a Delta publica uma calculadora por trecho (referência doméstica EUA: US$ 45 a primeira, US$ 55 a segunda)Main e Comfort: 23 kg; Delta One e First: 32 kg por peça
Air France / KLMLightStandardvaria por destino; desconto até 24 h antes do voo; câmbio revisto duas vezes por anonão publicado em tabela aberta
IberiaBásicaConfortvaria; mostrado na compranão publicado em tabela aberta

Três leituras dessa tabela. Primeira: em 2026, todas as grandes companhias que voam do Brasil têm uma tarifa internacional sem mala — inclusive as americanas, que por muitos anos incluíram a primeira peça para a América do Sul. A American formalizou a cobrança na Basic Economy sul-americana em 09/04/2026 e a ampliou em 18/05/2026. Segunda: o nome da tarifa muda (Discount, Basic, Light, Azul, Básica), mas o mecanismo é o mesmo — a mala sai do preço-base e volta como item opcional. Terceira: quem publica preço fixo (TAP) permite planejar; quem só mostra dentro da reserva (LATAM, Azul, Air France) obriga você a simular a compra até o passo da bagagem antes de decidir.

04Na prática: como pagar o menor valor pela mala, passo a passo

A ordem em que você faz as coisas define quanto paga. Este é o roteiro que funciona com todas as companhias da tabela.

  1. Decida quantas peças a viagem exige antes de olhar tarifa. Uma semana em Lisboa com mala de bordo de 10 kg é viável; 15 dias no inverno europeu para duas pessoas raramente são. O número de peças, multiplicado por trechos, é o seu custo de bagagem — e ele precisa entrar na comparação de preço da passagem.
  2. Simule a compra até a tela de bagagem em duas tarifas. Na tarifa sem mala, some o preço da peça por trecho. Na tarifa seguinte, veja o que mais ela inclui (mala de bordo, marcação de assento, alteração). Com frequência a tarifa superior custa menos do que «tarifa barata + mala + assento» — e às vezes não. Só a simulação diz.
  3. Compre a bagagem no site ou no app, nunca no balcão. É a regra mais rentável do guia. A GOL declara que «não há desconto para compra de bagagem no balcão do aeroporto»; a TAP anuncia «a partir de 30 €» para compra online e antecipada; a Air France dá desconto até 24 h antes do voo; a American cobra US$ 5 a menos por mala paga online. Em voos domésticos, a imprensa registrou em 15/04/2026 diferenças de R$ 140 para R$ 200 (LATAM) e de R$ 130 para R$ 180 (GOL) entre site e balcão.
  4. Compre para todos os trechos de uma vez. A compra vale por trecho. Se você fecha só a ida, a volta será comprada depois — possivelmente no balcão, pelo preço cheio.
  5. Pese a mala em casa com a balança da companhia em mente. O limite é 23 kg por peça; o excesso é cobrado por peça, no despacho, sem desconto antecipado. Na TAP, entre Brasil e Europa, 1 kg a mais custa o mesmo que 9 kg a mais: 130 € ou 150 €, conforme a temporada.
  6. Verifique status e cartão antes de pagar. Smiles Prata, Ouro e Diamante, status AAdvantage e Medallion e cartões co-branded isentam peças em condições específicas. O benefício não se soma à franquia da tarifa — vale o maior —, mas pode zerar a conta.
  7. Guarde o comprovante. Recibo da compra da bagagem, print da tarifa escolhida e etiqueta de despacho. Em caso de cobrança dupla ou de extravio, são eles que resolvem.
Dica prática de quem viaja em casal. Uma peça de 23 kg bem dividida costuma resolver dez dias de viagem para duas pessoas. Comprar uma mala em vez de duas, por trecho, reduz o custo de bagagem à metade — e reduz também o risco de extravio, que existe por peça. Se sobrar espaço na volta, compre a segunda peça pelo app, ainda no hotel, não no aeroporto.

05A conta real em reais: quatro cenários com os números publicados

Quatro cenários com os únicos números que as companhias publicam em tabela aberta, convertidos pela PTAX de venda de 11/09/2026 (US$ 1 = R$ 5,0918; € 1 = R$ 5,9085). São referências para planejar, não cotações: o valor real aparece na sua reserva.

Cenário 1 — casal, São Paulo–Lisboa, TAP Discount, uma mala por pessoa

Duas pessoas, ida e volta, uma peça cada: 4 compras. Pelo piso publicado pela TAP (30 € por peça, online e antecipado), a conta começa em 120 €, cerca de R$ 709. É o mínimo — o valor cresce conforme o destino e a proximidade do voo. Compare com a diferença para a tarifa Basic, que já inclui a peça: se a diferença for menor que isso, a tarifa superior vence.

Cenário 2 — a mala que voltou com 25 kg

Mesma viagem. Uma das malas volta de Lisboa com 25 kg de compras. A TAP cobra o excesso por peça, não por quilo: 130 € na baixa temporada (≈ R$ 768) ou 150 € na alta (≈ R$ 886) — no balcão, sem desconto. Dois quilos custaram mais do que as quatro peças do cenário 1. Se a mala também ultrapassar as medidas, dobra: 260 € ou 300 €.

Cenário 3 — American Airlines, Basic Economy, Brasil–Estados Unidos

Desde 09/04/2026 a American cobra a primeira mala na Basic Economy em mercados da América do Sul: US$ 70 a US$ 100 por peça e trecho, conforme mercado e data da compra — de R$ 356 a R$ 509 pela cotação de referência. Ida e volta para uma pessoa: entre R$ 713 e R$ 1.018 só de bagagem. Membros com status AAdvantage e titulares de cartões da companhia têm a primeira mala isenta, conforme a regra de cada cartão.

Cenário 4 — o mesmo valor, cobrado em dólar num cartão brasileiro

Quando a companhia cobra a bagagem em moeda estrangeira e você paga com cartão emitido no Brasil, a operação é de câmbio: incide IOF de 3,5% — a alíquota unificada pelo Decreto 12.466/2025, em vigor desde 23/05/2025 para cartão de crédito, débito, pré-pago e espécie, sem exceção por meio de pagamento — mais o spread da conversão do seu banco. Uma mala de US$ 100 vira cerca de R$ 527 só de IOF e câmbio de referência, antes do spread. Se o site da companhia oferece cobrança em reais, é uma operação doméstica: sem IOF. Cartão emitido fora do Brasil não paga IOF em nenhuma hipótese, porque o imposto é brasileiro.

Onde a conta estoura. Não é na primeira mala planejada — é no excesso de peso descoberto no balcão, na segunda peça comprada na volta e na bagagem paga no aeroporto. Nos três casos, o preço é cheio, cobrado por peça e por trecho, e não existe desconto antecipado. Uma balança de mala custa menos do que um quilo de excesso na TAP.

06Se a mala não chegar: prazos da ANAC e o teto de indenização que mudou

O preço da mala tem um contraponto que quase ninguém lê: o que a companhia te deve se a mala não chegar. As regras são da ANAC, para o prazo, e da Convenção de Montreal, para o valor.

Os prazos, segundo a ANAC

  • Comunique o extravio imediatamente, ainda na sala de desembarque, com o comprovante de despacho. Sem a etiqueta, a reclamação trava.
  • A mala pode ficar «extraviada» por até 7 dias em voo nacional e 21 dias em voo internacional. Localizada, deve ser entregue no endereço que você informar.
  • Não localizada nesse prazo, a companhia tem 7 dias para indenizar.
  • Enquanto você está sem a mala fora do seu domicílio, tem direito a ressarcimento de gastos emergenciais, pago em até 7 dias após apresentar os comprovantes — a companhia define a forma e o limite diário.
  • Mala avariada ou violada: reclamação por escrito em até 7 dias após o recebimento.

O teto de indenização — e o detalhe que a página da ANAC ainda não atualizou

Em voo internacional, o limite de responsabilidade da companhia por perda, avaria ou atraso da bagagem é fixado pela Convenção de Montreal em Direitos Especiais de Saque (DES), a unidade de conta do FMI. O texto original de 1999 falava em 1.000 DES por passageiro; a OACI revisa esse teto a cada cinco anos. A página da ANAC informa, em 13/09/2026, «até 1.288 DES para voos internacionais». Mas a revisão mais recente da OACI, em vigor desde 28/12/2024, elevou o limite para 1.519 DES — e, em decisão divulgada em 05/07/2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que a indenização deve seguir o teto atualizado da OACI, não o valor defasado.

Em reais: em 11/09/2026, 1 DES valia US$ 1,3719 pela cotação do FMI, ou cerca de R$ 6,99 pela PTAX. Logo, 1.519 DES equivalem a aproximadamente R$ 10,6 mil, e 1.288 DES a cerca de R$ 9 mil. É um teto para danos materiais; danos morais são discutidos à parte, e a Justiça brasileira os reconhece — no caso julgado em julho de 2026, foram fixados em R$ 7 mil.

Se a mala vale mais que o teto, declare. A ANAC e a própria Convenção preveem a «declaração especial de valor» no check-in: você informa o conteúdo, a companhia pode verificar os volumes e cobrar um adicional, e em caso de perda indeniza pelo valor declarado. Vale para equipamento fotográfico, roupa de frio de alto valor, presentes. Sem declaração, o teto é o que existe — e a Justiça aplica a Convenção de Montreal sobre o Código de Defesa do Consumidor para o dano material, conforme o Supremo Tribunal Federal decidiu no RE 636.331 (Tema 210).

07Antes de fechar a compra: o que guardar e o que não esperar de ninguém

Bagagem despachada em 2026 é um item de orçamento, não uma linha miúda do contrato. O que muda o resultado é fazer a conta antes — número de peças vezes número de trechos, na tarifa certa, comprada no canal certo — e guardar o que prova o que você pagou.

O que ter em mãos no dia do voo

  • Print da tarifa escolhida com a franquia descrita (é o «contrato» de que a ANAC fala).
  • Recibo da compra de cada peça, por trecho.
  • Peso de cada mala aferido em casa, com folga de 1 kg para a balança do aeroporto.
  • Foto da mala fechada e do conteúdo aberto — facilita o inventário no extravio.
  • Etiqueta de despacho guardada até a última mala sair da esteira em casa.
  • Regra de bagagem da companhia parceira, se algum trecho for operado por outra empresa: a GOL informa que, nesses casos, vale a franquia da parceira.

O que uma plataforma de roteiro faz — e o que não faz

Ao organizar a viagem no myroteiro, a bagagem entra na lista do que ainda falta resolver, ao lado do seguro e dos documentos — para que a peça seja comprada no canal certo, e não no balcão. Ele não compra a bagagem, não negocia com a companhia e não garante preço: o myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser. A economia que essa organização costuma gerar numa viagem internacional fica na faixa de R$ 800 a R$ 1.500, e a bagagem paga antecipadamente é uma das parcelas mais previsíveis dessa conta.

Uma última coisa que ninguém te conta: a próxima revisão do teto da OACI só vem em cinco anos, e a lei da mala gratuita depende de um Senado que, em setembro de 2026, ainda não a despachou para comissão. Nenhum dos dois vai mudar a sua viagem deste ano. A tarifa que você escolhe hoje, sim.

Perguntas frequentes

Quanto custa despachar uma mala em voo internacional saindo do Brasil em 2026?+
Depende da companhia, da rota, da tarifa e do canal de compra — a maioria só mostra o valor dentro da reserva. Os únicos preços publicados em tabela aberta em 13/09/2026 são os da TAP (mala extra a partir de 30 €, cerca de R$ 177, online e antecipado) e os da American na Basic Economy sul-americana (US$ 70 a US$ 100 por peça e trecho). Simule a compra até a tela de bagagem antes de decidir a tarifa.
A tarifa mais barata (Basic, Light, Discount) inclui bagagem despachada?+
Em 2026, não, em nenhuma das grandes companhias que voam do Brasil: TAP Discount, LATAM Basic e Light, GOL Basic e Light, Azul «Azul», Air France Light, Iberia Básica e American Basic Economy vendem a passagem sem mala no porão. Algumas nem incluem a mala de bordo, só o item pessoal — caso da GOL Basic desde 14/10/2025. A franquia aparece nas tarifas acima dessas: Basic da TAP, Plus da LATAM, Mais Azul, Standard da Air France, Confort da Iberia.
A lei da bagagem despachada gratuita de 23 kg já está valendo?+
Não. A Câmara aprovou a gratuidade dentro do PL 5041/2025 em 28/10/2025, por 361 votos a 77, e enviou o texto ao Senado em 04/11/2025. Na página oficial do Senado, com dados de 01/09/2026, o projeto segue «aguardando despacho», sem relator nem comissão. Enquanto não for aprovado, sancionado e publicado, a Resolução 400 da ANAC continua permitindo a cobrança. Em 2022 uma medida semelhante foi vetada, e o veto nunca foi votado.
Qual é o limite de peso e o que acontece se a mala passar de 23 kg?+
Em voo internacional o padrão é 23 kg por peça e cerca de 158 cm somando as três dimensões. Entre 23 kg e 32 kg, a companhia cobra uma taxa fixa de excesso por peça, no despacho, sem desconto antecipado — na TAP, entre Brasil e Europa, 130 € na baixa e 150 € na alta temporada; na GOL, um valor fixo conforme o destino. Acima de 32 kg, a GOL não aceita a peça em voo internacional.
Preciso comprar a bagagem separadamente para a ida e para a volta?+
Sim. A compra da bagagem despachada vale por trecho: a GOL declara que «é válida por trecho de voo», e TAP e Air France cobram por segmento. Se você compra a peça só na ida, a volta terá de ser comprada depois — muitas vezes no balcão, pelo preço cheio. Uma conexão dentro do mesmo bilhete não conta como trecho extra: a compra vale da origem ao destino final. Feche todos os trechos de uma vez.
Quanto a companhia paga se extraviar minha mala em voo internacional?+
A companhia tem 21 dias para localizar a mala em voo internacional e, se não a entregar, 7 dias para indenizar. O teto para danos materiais vem da Convenção de Montreal, em Direitos Especiais de Saque: a OACI o elevou para 1.519 DES em 28/12/2024 — cerca de R$ 10,6 mil em setembro de 2026 — e o TJ-SP, em decisão divulgada em 05/07/2026, aplicou o teto atualizado. Para bagagem que vale mais, declare o valor no check-in.
Pago IOF quando compro a bagagem no site de uma companhia estrangeira?+
Se a cobrança for em moeda estrangeira e o cartão for emitido no Brasil, sim: incide o IOF de 3,5%, alíquota unificada pelo Decreto 12.466/2025 para crédito, débito, pré-pago e espécie, mais o spread de conversão do banco. Uma mala de US$ 100 sai por cerca de R$ 527 antes do spread, pela PTAX de 11/09/2026. Cobrança em reais é operação doméstica, sem IOF. Cartão emitido fora do Brasil não paga IOF — o imposto é brasileiro.
Se meu bilhete tem duas companhias, qual regra de bagagem vale?+
Vale a franquia da companhia que opera o trecho, conforme a política de cada uma para voos em parceria. A GOL explica que passageiros em voos de parceiras «serão honrados com a franquia da parceira», que o excesso segue as regras dela e que, se o mesmo localizador incluir um trecho GOL, não há cobrança adicional. Antes de comprar a peça, veja na reserva quem opera cada trecho e leia a regra dessa empresa.

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