Londres intimida no papel: a cidade é enorme, a libra é uma das moedas mais caras do mundo e, desde 2025, brasileiros precisam de uma autorização eletrônica (o ETA) antes de embarcar. Na prática, 5 dias bem organizados cobrem o essencial — e o segredo do orçamento é que boa parte do melhor da cidade é de graça: British Museum, National Gallery e Tate Modern não cobram entrada, e os parques e mercados são programa inteiro sem ingresso.
Este roteiro divide a cidade em blocos que se caminham: Westminster e Trafalgar no primeiro dia, Bloomsbury e Soho no segundo, a City e a margem sul do Tâmisa no terceiro, Camden e os parques no quarto, e um bate-volta a Windsor ou Greenwich para fechar. Antes, uma seção prática resolve o que precisa ser resolvido antes do embarque: ETA, libra esterlina e como pagar o transporte sem comprar bilhete nenhum.
Os valores citados são de julho/2026 e devem ser lidos como estimativa. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser.
O essencial em 30 segundos
- >Brasileiros precisam do ETA para entrar no Reino Unido: custa £20 (valor desde 08/04/2026; era £16 antes), vale 2 anos com múltiplas entradas e é pedido pelo app oficial UK ETA.
- >O Reino Unido não faz parte do espaço Schengen: não há EES nem ETIAS — as regras são próprias, e a moeda é a libra esterlina.
- >British Museum, National Gallery e Tate Modern são gratuitos; os pagos que valem a fila são Tower of London e Westminster Abbey.
- >No transporte, encoste o cartão por aproximação (ou o celular) direto na catraca: o sistema aplica o cap diário de £8,90 nas zonas 1–2 — a partir daí, o resto do dia não é cobrado.
- >Borough Market e Camden Market resolvem almoços por £8–14 (estimativa) — a melhor relação preço-experiência da cidade.
- >Orçamento realista por pessoa: £90–130/dia no perfil econômico e £160–260/dia no intermediário (estimativa, valores de julho/2026).
01Antes de ir: ETA, libra e transporte com cap diário
Desde 08/01/2025, brasileiros precisam do ETA (Electronic Travel Authorisation) para entrar no Reino Unido, mesmo em conexão com saída do aeroporto. O pedido é feito pelo app oficial UK ETA (ou pelo site gov.uk): foto do passaporte, foto do rosto e pagamento de £20 — o valor subiu de £16 em 08/04/2026, então desconfie de guias desatualizados e confira no site oficial. A aprovação costuma sair em minutos, mas o governo pede margem de até 3 dias úteis. O ETA vale 2 anos (ou até o passaporte vencer), permite múltiplas entradas e estadias de até 6 meses por visita.
Dois pontos que confundem quem já viajou pela Europa continental:
- Londres não é Schengen. Não há registro biométrico EES nem ETIAS por aqui — esses valem para países como Espanha, França e Portugal (explicamos no guia do EES para brasileiros). Se o seu roteiro combina Londres com o continente, são dois sistemas de entrada separados.
- A moeda é a libra esterlina (£), não o euro. Cartão por aproximação é aceito em praticamente tudo, inclusive em barracas de mercado — mas lembre do IOF de 3,5% nas compras internacionais; veja como calcular e reduzir o IOF.
Seguro viagem não é obrigatório para entrar, mas o atendimento privado de saúde no Reino Unido é caro — vale a mesma lógica que aplicamos no guia de seguro viagem para a Europa.
Transporte: aproximação, cap diário e como não pagar a mais
Esqueça bilhete de papel e travelcard de turista. Em Londres, você encosta o cartão por aproximação ou o celular direto na catraca do metrô (Underground) e do ônibus. O sistema soma as viagens do dia e para de cobrar quando atinge o cap diário: £8,90 para as zonas 1–2, onde fica quase tudo deste roteiro (valores de julho/2026). Há também um cap semanal de £44,70 (segunda a domingo) para quem fica mais tempo. O cartão Oyster físico tem as mesmas tarifas — só faz sentido se o seu cartão brasileiro cobrar tarifa por transação internacional.
Três regras práticas:
- Use o mesmo cartão ou dispositivo o dia inteiro. O cap só funciona se todas as viagens estiverem no mesmo meio de pagamento — misturar cartão físico e celular quebra a soma.
- Encoste na entrada e na saída no metrô e nos trens (no ônibus, só na entrada). Esquecer a saída gera tarifa máxima.
- Ônibus tem tarifa única baixa (na faixa de £1,75–1,90, estimativa), com baldeações gratuitas dentro de uma hora — e o andar de cima de um ônibus vermelho é um passeio em si.
Do aeroporto: de Heathrow, o metrô (Piccadilly Line) chega ao centro em 50–60 minutos e é de longe a opção mais barata; o Elizabeth line é mais rápido por um pouco mais. De Gatwick ou Stansted, trens e ônibus variam bastante — compre com antecedência para pagar menos. Se a sua passagem tiver só conexão em Londres, veja nosso guia de escala em Heathrow.
02Dia 1 — Westminster, parques reais e National Gallery
Comece pelo cartão-postal: saia na estação Westminster e dê de cara com o Big Ben e o Parlamento. Atravesse a ponte para a vista clássica com o London Eye ao fundo, volte e visite a Westminster Abbey — a igreja das coroações cobra entrada na faixa de £27–32 (estimativa; compre online para garantir horário) e pede umas 2 horas.
Siga a pé pelo St James's Park — o mais bonito dos parques centrais — até o Buckingham Palace. A troca da guarda não acontece todos os dias: o calendário oficial muda por estação, então confira antes de montar a manhã em função dela.
À tarde, Trafalgar Square e a National Gallery, gratuita: Van Gogh, Turner, Monet e Caravaggio sem ingresso. Uma hora e meia focada nos destaques rende mais que tentar ver tudo. No fim do dia, desça a Whitehall para ver a Downing Street e os guardas a cavalo da Horse Guards, e termine em um pub tradicional — pedidos se fazem no balcão, não na mesa.
Dica de museu gratuito: os grandes museus de Londres não cobram entrada, mas sugerem doação e, em alguns casos, pedem reserva de horário gratuita online em períodos cheios. Reservar não custa nada e evita fila.
03Dia 2 — British Museum, Covent Garden e Soho
O British Museum, em Bloomsbury, é gratuito e gigantesco — a Pedra de Roseta, os mármores do Partenon e as salas do Egito são os pontos que concentram as multidões. Chegue perto da abertura (10h) e faça um circuito de 2 a 3 horas; mais que isso cansa qualquer um.
Almoce na região e desça a pé para Covent Garden: a antiga praça do mercado tem artistas de rua, lojas e a Royal Opera House. Dali, Soho e Chinatown emendam o fim de tarde — ruas estreitas, livrarias, discos e a melhor concentração de restaurantes do centro.
À noite, um musical no West End é o programa clássico. Os preços variam de £25 a £80+ (estimativa) conforme peça, dia e assento: os guichês de ingressos com desconto do próprio dia na Leicester Square e as loterias de ingressos dos teatros derrubam bem o valor para quem tem flexibilidade. Compre apenas em canais oficiais dos teatros ou bilheterias estabelecidas — ingresso de revendedor de rua é risco desnecessário.
04Dia 3 — Tower of London, Borough Market e Tate Modern
O terceiro dia percorre a margem do Tâmisa. Comece na Tower of London, a fortaleza de quase mil anos que guarda as joias da coroa — é a atração paga mais cara do roteiro, na faixa de £30–36 (estimativa; online sai mais barato que na bilheteria), e merece 2h30 a 3h. Os tours gratuitos guiados pelos Yeoman Warders, os guardas históricos, saem a cada meia hora e valem o horário.
Atravesse a Tower Bridge a pé e siga pela margem sul até o Borough Market, o mercado gastronômico mais antigo da cidade — confira os dias de funcionamento, pois nem todas as bancas abrem todos os dias. Almoço de balcão por £8–14 (estimativa): sanduíche de carne assada, massa fresca, queijos, doces. É o melhor almoço da viagem pelo menor preço.
Continue pela margem: réplica do Globe de Shakespeare, e então a Tate Modern, gratuita, dentro de uma antiga usina elétrica — mesmo quem não liga para arte moderna sobe para a vista do Tâmisa. Atravesse a Millennium Bridge em direção à St Paul's Cathedral para a foto clássica da cúpula e feche o dia em um pub à beira do rio.
Domingo em Londres: muita coisa encurta o horário — mercados fecham mais cedo, lojas abrem menos horas e algumas linhas de trem entram em obras de manutenção. Deixe para o domingo os parques, os museus gratuitos e os bairros, não as atrações pagas de horário apertado.
05Dia 4 — Camden Market, Regent's Park e Notting Hill
Manhã no Camden Market: o labirinto de becos e galpões ao lado do canal mistura comida de rua do mundo inteiro, brechós, discos e artesanato. Vá cedo — a partir do meio-dia, em especial no fim de semana, o corredor principal vira um rio de gente. O almoço nas bancas fica na faixa de £8–14 (estimativa).
Saia caminhando pelo Regent's Canal em direção a Little Venice — trecho plano e fotogênico de 40–50 minutos — ou corte pelo Regent's Park e suba a Primrose Hill, a colina com uma das melhores vistas abertas do skyline.
À tarde, escolha um bairro para desacelerar: Notting Hill, com as casas coloridas e o mercado de antiguidades da Portobello Road (o auge é sábado), ou South Kensington, onde ficam mais dois museus gratuitos de primeira linha — o Natural History Museum e o V&A. Com crianças, o Natural History ganha fácil.
Se a agenda de shows, jogos de futebol ou exposições importar para você, monte esse dia por último: Londres tem calendário denso o ano inteiro, e é aqui que entra a folga do roteiro. Para grupos que se perdem em decisão, o myroteiro monta roteiros personalizados revisados por humanos, com os dias fechados por região e as reservas de horário sinalizadas antes do embarque.
06Dia 5 — Bate-volta: Windsor ou Greenwich
Para o último dia, duas opções de escala bem diferente:
Greenwich (meio dia a um dia, dentro do transporte urbano): o bairro fica nas zonas 2–3, então a ida de DLR ou trem entra no seu cap diário — sem bilhete extra. Lá estão o veleiro Cutty Sark, o Greenwich Market, o Museu Marítimo Nacional (gratuito) e a subida ao Royal Observatory, onde você pisa na linha do meridiano que dá nome ao GMT (a parte do meridiano é paga, na faixa de £16–20, estimativa). A vista do alto do parque, com o rio e os arranha-céus de Canary Wharf ao fundo, é gratuita. Voltar de barco pelo Tâmisa até o centro transforma o trajeto em passeio.
Windsor (dia inteiro, trem fora do cap): trens saem de Paddington (com troca em Slough) ou direto de Waterloo e levam em torno de 1 hora; a passagem de ida e volta fica na faixa de £12–25 (estimativa), mais barata fora do horário de pico. O Castelo de Windsor — residência real em uso há quase mil anos — cobra entrada na faixa de £28–33 (estimativa; confira no site oficial, e compre online com horário). A cidadezinha em volta, com o rio e a vista do Eton College, completa o dia.
Critério de escolha: Windsor para quem quer um castelo de verdade e não se importa em gastar mais; Greenwich para quem prefere gastar quase nada, ficar perto do centro e ainda ter tarde livre para uma última caminhada em Londres.
07Quanto custa: orçamento em £ por dia
Londres é cara, mas o custo concentra-se em hospedagem e jantares — atrações e transporte pesam menos do que se imagina, justamente pelos museus gratuitos e pelo cap diário. Estimativas por pessoa, em ocupação dupla, valores de julho/2026:
| Item | Econômico | Intermediário |
|---|---|---|
| Hospedagem (por noite, por pessoa) | £30–60 (hostel/quarto simples) | £75–130 (hotel 3–4★ em dupla) |
| Alimentação (por dia) | £25–40 | £45–75 |
| Atrações (total dos 5 dias) | £30–60 | £90–160 |
| Transporte urbano (por dia) | £5–8,90 | £8,90 (cap) |
No total, planeje £90–130 por dia no perfil econômico e £160–260 por dia no intermediário — sem passagem aérea nem compras. As alavancas que mais derrubam o custo: almoçar nos mercados, concentrar as visitas pagas em 2 ou 3 escolhas (Tower + Abbey já cobrem o essencial histórico) e usar os museus gratuitos como programa de meio dia. Reunimos mais táticas no guia de como economizar em Londres.
Sobre a libra: acompanhe a cotação com antecedência e defina como vai levar o dinheiro — cartão, conta global ou espécie — antes de embarcar; o nosso guia de câmbio ajuda a comparar as opções sem depender de casa de câmbio de aeroporto.
Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de visto para Londres?+
Quanto custa o ETA do Reino Unido?+
Londres faz parte do espaço Schengen?+
Quais museus de Londres são gratuitos?+
Vale a pena comprar o cartão Oyster ou uso o meu cartão por aproximação?+
Quanto custa por dia uma viagem a Londres?+
Windsor ou Greenwich: qual bate-volta escolher?+
5 dias são suficientes para Londres?+
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