Logística de viagem

Remédios na Bagagem: o Que Pode Levar Sem Receita

Um guia prático para brasileiros que viajam para fora do país e não sabem o que fazer com remédios de uso contínuo: o que dispensa receita, o que exige laudo médico bilíngue, como funcionam as regras da ANVISA para substâncias controladas e quando declarar o medicamento na alfândega de destino.

10 min de leituraAtualizado em 5 de julho de 2026Por myroteiro
Levar remédios na mala é motivo de dúvida para boa parte dos brasileiros que viajam para fora do país — e o medo de ficar retido na alfândega por causa de uma caixa de comprimidos é mais comum do que parece. A boa notícia é que a maioria dos medicamentos pode viajar tranquilamente, desde que algumas regras simples sejam seguidas. Este guia explica, na prática, o que pode ser levado sem nenhuma burocracia, quais remédios exigem receita médica (de preferência em português e inglês), como funcionam as regras da ANVISA para substâncias controladas, e em quais situações é necessário declarar o medicamento na alfândega do país de destino. Também mostramos como embalar tudo corretamente para evitar problemas na inspeção da bagagem. O objetivo não é assustar, mas dar segurança: com a documentação certa, mesmo remédios controlados podem atravessar fronteiras sem drama. Vamos aos detalhes.

O essencial em 30 segundos

  • >Medicamentos sem tarja (analgésicos, antialérgicos, vitaminas) podem ser levados livremente, na embalagem original.
  • >Remédios controlados (tarja vermelha ou preta) exigem receita médica e, idealmente, laudo em português e inglês.
  • >A Portaria SVS/MS nº 344/1998 define as regras da ANVISA no Brasil, mas cada país de destino tem sua própria lista de substâncias restritas.
  • >Leve remédios sempre na bagagem de mão, na embalagem original, em quantidade compatível com a duração da viagem (referência: até 90 dias de uso).
  • >Destinos como Japão, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita proíbem ou restringem substâncias comuns no Brasil — pesquise antes de embarcar.

01O que pode levar sem receita médica

A grande maioria dos medicamentos de venda livre — sem tarja, sem necessidade de receita no Brasil — pode ser levada na bagagem sem burocracia alguma, inclusive em quantidade razoável para uso pessoal durante a viagem. Isso vale tanto para a bagagem de mão quanto para a despachada, embora a bagagem de mão seja sempre a opção mais segura.

  • Analgésicos e antitérmicos (paracetamol, dipirona, ibuprofeno)
  • Antialérgicos (loratadina, desloratadina)
  • Remédios para o estômago (omeprazol, antiácidos, antieméticos para enjoo)
  • Protetor solar e repelente de insetos (dentro do limite de líquidos na bagagem de mão)
  • Curativos, vitaminas e suplementos comuns
  • Colírios e soro fisiológico

Mesmo esses remédios devem estar preferencialmente na embalagem original, com a bula, para facilitar a identificação em uma eventual inspeção — tanto na saída do Brasil quanto na entrada do país de destino.

02Remédios que exigem receita ou laudo médico

Remédios que exigem receita médica no Brasil — geralmente identificados pela tarja vermelha — também podem ser levados para o exterior, mas é necessário viajar com a documentação que comprove a prescrição e a necessidade de uso contínuo. Isso protege o viajante tanto na fiscalização brasileira quanto na alfândega estrangeira.

  • Receita médica atualizada, com data recente (idealmente dos últimos 6 meses)
  • Nome do médico, CRM e assinatura (física ou com certificado digital válido)
  • Nome do princípio ativo, não apenas o nome comercial, que muda de país para país
  • Laudo médico descrevendo a condição de saúde e a necessidade do tratamento
  • Tradução da receita e do laudo para o inglês (ou para o idioma do país de destino)
💡 Peça ao seu médico para escrever a receita e o laudo já em português e inglês, citando o princípio ativo (ex.: 'losartana potássica' e não só o nome comercial). Isso evita confusão na alfândega, já que o mesmo remédio pode ter nomes comerciais completamente diferentes fora do Brasil.

03Substâncias controladas: as regras da ANVISA

Remédios controlados são organizados pela ANVISA em listas, com base na Portaria SVS/MS nº 344/1998. Cada lista define o tipo de receita exigida e o nível de fiscalização no Brasil — e serve de referência útil para entender por que alguns remédios precisam de mais documentação do que outros na hora de viajar.

Lista ANVISATipo de substânciaExemplos comunsDocumento exigido para viajar
A1 e A2EntorpecentesMorfina, oxicodona, metadonaReceita de controle especial + laudo médico detalhado
A3, B1 e B2PsicotrópicosClonazepam (Rivotril), diazepam, metilfenidato (Ritalina)Receita de controle especial + cópia da notificação de receita
C1Controle especial (não entorpecentes)Alguns antidepressivos e anticonvulsivantesReceita de controle especial em duas vias
C5AnabolizantesTestosterona, oxandrolonaReceita de controle especial + justificativa médica
A Portaria SVS/MS nº 344/1998, que organiza o controle de substâncias psicoativas no Brasil, existe para proteger — não para complicar a vida de quem precisa do remédio para viver bem. Viajar com a receita certa é o que transforma a burocracia em tranquilidade.

Importante: o país de destino tem sua própria classificação, que pode ser mais rígida que a brasileira. O metilfenidato (Ritalina), por exemplo, é controlado também nos EUA e na Europa, mas pode exigir licença especial em países como o Japão.

04Como embalar e transportar os remédios na bagagem

A forma como o remédio é embalado e transportado influencia diretamente a fluidez da inspeção na alfândega. Algumas regras simples evitam a maioria dos contratempos.

  • Leve os remédios sempre na bagagem de mão, nunca na despachada — evita extravio da mala e problemas de temperatura no porão
  • Mantenha na embalagem original, com rótulo e bula — nunca transfira para potes ou organizadores sem identificação
  • Separe uma cópia impressa e uma digital (foto no celular) da receita e do laudo médico
  • Para líquidos e géis (xaropes, insulina), respeite o limite de 100 ml por frasco na bagagem de mão, salvo justificativa médica documentada
  • Leve uma quantidade um pouco maior que o necessário para os dias de viagem, prevendo atrasos

Como regra geral, a maioria dos países aceita que o viajante leve remédios controlados em quantidade compatível com o tratamento pessoal, por até 90 dias de uso — sempre acompanhados da receita. Acima disso, a chance de questionamento na alfândega aumenta bastante.

05Quando e como declarar remédios na alfândega de destino

Nem todo remédio precisa ser declarado formalmente ao entrar em outro país, mas alguns exigem atenção redobrada — especialmente entorpecentes, psicotrópicos e substâncias com uso restrito no destino. A regra prática é: na dúvida, declare.

  1. Verifique com antecedência as regras do país de destino (embaixada, consulado ou site oficial de alfândega) para remédios controlados
  2. Preencha o formulário de declaração alfandegária se o país exigir para substâncias controladas acima de determinada quantidade
  3. Apresente a receita médica e o laudo (em inglês ou no idioma local) junto com o passaporte, se abordado na inspeção
  4. Se o remédio contiver substância proibida no destino, procure a embaixada com antecedência para saber se existe licença especial
  5. Guarde comprovantes de compra e a embalagem original até o fim da viagem, caso precise comprovar novamente na saída
DestinoDocumento/licença específicaAtenção especial
Estados UnidosDeclaração via alfândega (CBP) se acima do uso pessoal razoávelLevar a receita e manter o remédio na embalagem original; opioides exigem atenção redobrada
União Europeia (Schengen)Certificado Schengen para alguns psicotrópicos/entorpecentes em viagens curtasEmitido pela autoridade de saúde do país que prescreveu, antes da viagem
JapãoYakkan Shoumei (licença de importação) para diversos remédios comuns no BrasilPseudoefedrina e alguns estimulantes são proibidos sem essa licença
Emirados Árabes UnidosAprovação prévia em casos de opioides/codeínaCodeína e alguns calmantes de uso comum no Brasil são estritamente controlados ou proibidos

As regras mudam com frequência, então vale conferir o site oficial da embaixada ou do órgão de alfândega do destino próximo à data da viagem, não apenas no planejamento inicial.

06Erros comuns que podem gerar problemas na alfândega

Grande parte dos problemas na alfândega não vem do remédio em si, mas de detalhes evitáveis na hora de embalar e documentar a bagagem.

  • Levar comprimidos soltos em pastilheiros sem identificação
  • Esquecer a receita apenas em português, sem tradução
  • Despachar remédios controlados na mala de porão
  • Levar quantidade muito acima do necessário para os dias de viagem
  • Não pesquisar se o princípio ativo é proibido no país de destino antes de embarcar
⚠️ Alguns remédios de venda livre no Brasil são proibidos ou fortemente controlados em outros países — como certos descongestionantes com pseudoefedrina no Japão e a codeína, presente em alguns analgésicos combinados, nos Emirados Árabes Unidos. Sempre confira a lista de substâncias controladas do destino antes de embarcar, mesmo para remédios que aqui não exigem receita.

Perguntas frequentes

Preciso de receita para levar qualquer remédio na bagagem internacional?+
Não. Medicamentos sem tarja (analgésicos comuns, antialérgicos, vitaminas, protetor solar) podem ser levados sem receita, desde que estejam na embalagem original. A receita é obrigatória apenas para remédios controlados, com tarja vermelha ou preta.
Posso levar Rivotril, Ritalina ou outros remédios controlados na bagagem de mão?+
Sim, desde que você esteja com a receita médica de controle especial e, de preferência, um laudo descrevendo a necessidade do tratamento — com tradução para o inglês. Esses remédios devem sempre viajar na bagagem de mão, nunca despachados.
Quanto de remédio eu posso levar em uma viagem internacional?+
A referência usada pela maioria dos países é a quantidade compatível com o uso pessoal durante a viagem, geralmente até 90 dias de tratamento contínuo. Levar muito mais do que isso, sem justificativa médica, pode gerar questionamento na alfândega.
Preciso declarar remédio na alfândega dos Estados Unidos?+
Só é obrigatório declarar formalmente se a quantidade ultrapassar o uso pessoal razoável ou envolver substância controlada em maior volume. Ainda assim, é recomendável ter a receita em mãos para qualquer verificação do agente de fronteira.
O que é o Yakkan Shoumei, exigido pelo Japão?+
É uma licença de importação temporária de medicamentos, necessária para remédios com substâncias controladas ou proibidas no Japão — como alguns descongestionantes com pseudoefedrina e estimulantes. Deve ser solicitada com antecedência junto às autoridades japonesas.
A receita médica precisa estar em inglês?+
Não é uma exigência universal, mas é fortemente recomendada. Muitos países aceitam a receita em português desde que acompanhada de uma tradução simples, citando claramente o princípio ativo do remédio, não apenas o nome comercial.
Posso levar remédios controlados na bagagem despachada?+
Não é recomendado. Remédios controlados devem sempre viajar na bagagem de mão, tanto para evitar extravio da mala quanto para facilitar a apresentação da receita, caso a fiscalização peça para ver o medicamento.
O que fazer se meu remédio for proibido no país de destino?+
Consulte a embaixada ou o consulado do país com antecedência. Em alguns casos existe um processo de licença especial (como no Japão); em outros, pode ser necessário substituir o remédio por um equivalente permitido, sempre com orientação médica.

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