O essencial em 30 segundos
- >Medicamentos sem tarja (analgésicos, antialérgicos, vitaminas) podem ser levados livremente, na embalagem original.
- >Remédios controlados (tarja vermelha ou preta) exigem receita médica e, idealmente, laudo em português e inglês.
- >A Portaria SVS/MS nº 344/1998 define as regras da ANVISA no Brasil, mas cada país de destino tem sua própria lista de substâncias restritas.
- >Leve remédios sempre na bagagem de mão, na embalagem original, em quantidade compatível com a duração da viagem (referência: até 90 dias de uso).
- >Destinos como Japão, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita proíbem ou restringem substâncias comuns no Brasil — pesquise antes de embarcar.
01O que pode levar sem receita médica
A grande maioria dos medicamentos de venda livre — sem tarja, sem necessidade de receita no Brasil — pode ser levada na bagagem sem burocracia alguma, inclusive em quantidade razoável para uso pessoal durante a viagem. Isso vale tanto para a bagagem de mão quanto para a despachada, embora a bagagem de mão seja sempre a opção mais segura.
- Analgésicos e antitérmicos (paracetamol, dipirona, ibuprofeno)
- Antialérgicos (loratadina, desloratadina)
- Remédios para o estômago (omeprazol, antiácidos, antieméticos para enjoo)
- Protetor solar e repelente de insetos (dentro do limite de líquidos na bagagem de mão)
- Curativos, vitaminas e suplementos comuns
- Colírios e soro fisiológico
Mesmo esses remédios devem estar preferencialmente na embalagem original, com a bula, para facilitar a identificação em uma eventual inspeção — tanto na saída do Brasil quanto na entrada do país de destino.
02Remédios que exigem receita ou laudo médico
Remédios que exigem receita médica no Brasil — geralmente identificados pela tarja vermelha — também podem ser levados para o exterior, mas é necessário viajar com a documentação que comprove a prescrição e a necessidade de uso contínuo. Isso protege o viajante tanto na fiscalização brasileira quanto na alfândega estrangeira.
- Receita médica atualizada, com data recente (idealmente dos últimos 6 meses)
- Nome do médico, CRM e assinatura (física ou com certificado digital válido)
- Nome do princípio ativo, não apenas o nome comercial, que muda de país para país
- Laudo médico descrevendo a condição de saúde e a necessidade do tratamento
- Tradução da receita e do laudo para o inglês (ou para o idioma do país de destino)
03Substâncias controladas: as regras da ANVISA
Remédios controlados são organizados pela ANVISA em listas, com base na Portaria SVS/MS nº 344/1998. Cada lista define o tipo de receita exigida e o nível de fiscalização no Brasil — e serve de referência útil para entender por que alguns remédios precisam de mais documentação do que outros na hora de viajar.
| Lista ANVISA | Tipo de substância | Exemplos comuns | Documento exigido para viajar |
|---|---|---|---|
| A1 e A2 | Entorpecentes | Morfina, oxicodona, metadona | Receita de controle especial + laudo médico detalhado |
| A3, B1 e B2 | Psicotrópicos | Clonazepam (Rivotril), diazepam, metilfenidato (Ritalina) | Receita de controle especial + cópia da notificação de receita |
| C1 | Controle especial (não entorpecentes) | Alguns antidepressivos e anticonvulsivantes | Receita de controle especial em duas vias |
| C5 | Anabolizantes | Testosterona, oxandrolona | Receita de controle especial + justificativa médica |
A Portaria SVS/MS nº 344/1998, que organiza o controle de substâncias psicoativas no Brasil, existe para proteger — não para complicar a vida de quem precisa do remédio para viver bem. Viajar com a receita certa é o que transforma a burocracia em tranquilidade.
Importante: o país de destino tem sua própria classificação, que pode ser mais rígida que a brasileira. O metilfenidato (Ritalina), por exemplo, é controlado também nos EUA e na Europa, mas pode exigir licença especial em países como o Japão.
04Como embalar e transportar os remédios na bagagem
A forma como o remédio é embalado e transportado influencia diretamente a fluidez da inspeção na alfândega. Algumas regras simples evitam a maioria dos contratempos.
- Leve os remédios sempre na bagagem de mão, nunca na despachada — evita extravio da mala e problemas de temperatura no porão
- Mantenha na embalagem original, com rótulo e bula — nunca transfira para potes ou organizadores sem identificação
- Separe uma cópia impressa e uma digital (foto no celular) da receita e do laudo médico
- Para líquidos e géis (xaropes, insulina), respeite o limite de 100 ml por frasco na bagagem de mão, salvo justificativa médica documentada
- Leve uma quantidade um pouco maior que o necessário para os dias de viagem, prevendo atrasos
Como regra geral, a maioria dos países aceita que o viajante leve remédios controlados em quantidade compatível com o tratamento pessoal, por até 90 dias de uso — sempre acompanhados da receita. Acima disso, a chance de questionamento na alfândega aumenta bastante.
05Quando e como declarar remédios na alfândega de destino
Nem todo remédio precisa ser declarado formalmente ao entrar em outro país, mas alguns exigem atenção redobrada — especialmente entorpecentes, psicotrópicos e substâncias com uso restrito no destino. A regra prática é: na dúvida, declare.
- Verifique com antecedência as regras do país de destino (embaixada, consulado ou site oficial de alfândega) para remédios controlados
- Preencha o formulário de declaração alfandegária se o país exigir para substâncias controladas acima de determinada quantidade
- Apresente a receita médica e o laudo (em inglês ou no idioma local) junto com o passaporte, se abordado na inspeção
- Se o remédio contiver substância proibida no destino, procure a embaixada com antecedência para saber se existe licença especial
- Guarde comprovantes de compra e a embalagem original até o fim da viagem, caso precise comprovar novamente na saída
| Destino | Documento/licença específica | Atenção especial |
|---|---|---|
| Estados Unidos | Declaração via alfândega (CBP) se acima do uso pessoal razoável | Levar a receita e manter o remédio na embalagem original; opioides exigem atenção redobrada |
| União Europeia (Schengen) | Certificado Schengen para alguns psicotrópicos/entorpecentes em viagens curtas | Emitido pela autoridade de saúde do país que prescreveu, antes da viagem |
| Japão | Yakkan Shoumei (licença de importação) para diversos remédios comuns no Brasil | Pseudoefedrina e alguns estimulantes são proibidos sem essa licença |
| Emirados Árabes Unidos | Aprovação prévia em casos de opioides/codeína | Codeína e alguns calmantes de uso comum no Brasil são estritamente controlados ou proibidos |
As regras mudam com frequência, então vale conferir o site oficial da embaixada ou do órgão de alfândega do destino próximo à data da viagem, não apenas no planejamento inicial.
06Erros comuns que podem gerar problemas na alfândega
Grande parte dos problemas na alfândega não vem do remédio em si, mas de detalhes evitáveis na hora de embalar e documentar a bagagem.
- Levar comprimidos soltos em pastilheiros sem identificação
- Esquecer a receita apenas em português, sem tradução
- Despachar remédios controlados na mala de porão
- Levar quantidade muito acima do necessário para os dias de viagem
- Não pesquisar se o princípio ativo é proibido no país de destino antes de embarcar
Perguntas frequentes
Preciso de receita para levar qualquer remédio na bagagem internacional?+
Posso levar Rivotril, Ritalina ou outros remédios controlados na bagagem de mão?+
Quanto de remédio eu posso levar em uma viagem internacional?+
Preciso declarar remédio na alfândega dos Estados Unidos?+
O que é o Yakkan Shoumei, exigido pelo Japão?+
A receita médica precisa estar em inglês?+
Posso levar remédios controlados na bagagem despachada?+
O que fazer se meu remédio for proibido no país de destino?+
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