Orçamento

Moeda de cada país: guia do viajante brasileiro

Euro, dólar, libra, iene, franco suíço — qual moeda circula em cada destino, quanto ela vale em reais e onde o cartão resolve mais do que o dinheiro vivo.

10 min de leituraAtualizado em 08 de agosto de 2026Por myroteiro

Você fechou a viagem para Dublin e alguém do grupo pergunta: “lá é libra ou euro?”. Ou o destino é a Cidade do Cabo e ninguém sabe dizer se leva dólar, se troca rand no Brasil ou se o cartão resolve. A pergunta “qual é a moeda desse país?” parece básica — até você descobrir que a Europa tem pelo menos oito moedas diferentes em circulação, que metade do Caribe aceita dólar americano sem pestanejar e que existe país onde levar a moeda errada significa perder dinheiro duas vezes no câmbio.

Este guia responde destino por destino: qual moeda circula, quanto ela vale em reais (cotações de julho/2026 — sempre confira no dia da compra), onde o dólar serve de moeda de apoio e em quais países o cartão internacional é mais eficiente do que qualquer maço de notas. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser.

O essencial em 30 segundos

  • >Em julho/2026, as referências: US$ 1 ≈ R$ 5,05–5,20 · €1 ≈ R$ 5,75–5,90 · £1 ≈ R$ 6,80–6,90 · franco suíço ≈ R$ 6,20–6,30. Confira a cotação no dia.
  • >Europa não é sinônimo de euro: Reino Unido, Suíça, Tchéquia, Hungria, Polônia, Dinamarca, Suécia e Noruega têm moedas próprias.
  • >No Caribe e nos Emirados, várias moedas locais são atreladas ao dólar — levar dólares americanos resolve na prática.
  • >A regra dos dois bolsos: cartão sem anuidade em moeda forte para o grosso dos gastos + um pouco de espécie local para mercados, gorjetas e transporte.
  • >Nunca aceite pagar “em reais” na maquininha do exterior (DCC): a conversão da loja custa em geral 3–8% a mais.
  • >Argentina e Turquia têm câmbio volátil: não leve cotação decorada, confira na semana da viagem.

01Tabela: a moeda de cada destino e quanto vale em reais

Ordem de grandeza para os destinos mais buscados por brasileiros. Cotações de julho/2026 — são estimativas para planejamento, não valores garantidos; confira a cotação do dia antes de comprar moeda.

DestinoMoedaCódigoOrdem de grandeza em R$
Estados UnidosDólar americanoUSDR$ 5,05–5,20
Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Grécia, IrlandaEuroEURR$ 5,75–5,90
Reino UnidoLibra esterlinaGBPR$ 6,80–6,90
SuíçaFranco suíçoCHFR$ 6,20–6,30
JapãoIeneJPY100 ienes ≈ R$ 3,00–3,20
CanadáDólar canadenseCADR$ 3,50–3,90 (estimativa)
México (Cancún, Cidade do México)Peso mexicanoMXNR$ 0,25–0,30 (estimativa)
Rep. Dominicana (Punta Cana)Peso dominicanoDOPUSD aceito em quase tudo nos resorts
ArubaFlorim arubanoAWGAtrelado ao dólar (1,79/US$) — USD circula
CuraçaoFlorim do CaribeAtrelado ao dólar — USD circula
ArgentinaPeso argentinoARSVolátil — confira na semana da viagem
ChilePeso chilenoCLP1.000 pesos ≈ R$ 5–6 (estimativa)
UruguaiPeso uruguaioUYUDestino caro — cartão bem aceito
Emirados Árabes (Dubai)DirhamAEDAtrelado ao dólar (3,67/US$) ≈ R$ 1,40
África do Sul (Cidade do Cabo)RandZARR$ 0,26–0,32 (estimativa)
TurquiaLira turcaTRYVolátil — confira na semana da viagem
TailândiaBahtTHBR$ 0,14–0,17 (estimativa)
MarrocosDirham marroquinoMADMoeda fechada — troque lá, não aqui
EgitoLibra egípciaEGPLeve USD/EUR e troque lá

Duas leituras rápidas da tabela: primeiro, a libra é a moeda “cara” entre as grandes — cada saque ou cafezinho em Londres pesa mais no orçamento do que em Lisboa. Segundo, o dólar americano funciona como moeda de apoio em boa parte do Caribe, no Oriente Médio e no norte da África: mesmo quando não é a moeda oficial, é aceito ou trocado com facilidade.

02Europa: quem usa euro — e as oito pegadinhas de quem acha que todos usam

O euro circula em 21 dos países da União Europeia mais alguns vizinhos (Mônaco, Andorra, Montenegro, Kosovo). Croácia usa euro desde 2023, e a Bulgária adotou o euro em 01/01/2026 — informação recente que pega listas antigas desatualizadas. Mas o roteiro europeu clássico esbarra com frequência em países que não usam euro:

  • Reino Unido — libra esterlina (£). Londres, Edimburgo, Manchester: nada de euro. E atenção: na ilha da Irlanda, Dublin usa euro (República da Irlanda), mas Belfast usa libra (Irlanda do Norte, Reino Unido).
  • Suíça — franco suíço (CHF). Euro é aceito em alguns lugares turísticos, mas com troco em franco e câmbio ruim. Pague em franco, de preferência no cartão.
  • Tchéquia (Praga) — coroa tcheca (CZK). Lojas turísticas que “aceitam euro” cobram conversão desfavorável.
  • Hungria (Budapeste) — florim húngaro (HUF). Os valores assustam (milhares de florins), mas 1.000 HUF é ordem de R$ 15 (estimativa julho/2026).
  • Polônia (Cracóvia, Varsóvia) — złoty (PLN).
  • Dinamarca — coroa dinamarquesa (DKK). Copenhague não usa euro, apesar de cercada de vizinhos que usam.
  • Suécia e Noruega — coroas sueca (SEK) e norueguesa (NOK). Detalhe prático: são dois dos países mais “sem dinheiro vivo” do mundo — o cartão resolve praticamente 100% dos gastos.

Roteiro multi-país tipo Praga–Viena–Budapeste? Você vai usar três moedas em uma semana (coroa tcheca, euro, florim). Nesses casos, o cartão internacional vira o protagonista e a espécie vira coadjuvante: trocar pequenas quantias em cada fronteira custa caro em spread.

Regra de bolso para a Europa fora do euro: não compre coroas, florins ou złoty no Brasil — pouquíssimas casas de câmbio têm, e o spread é alto. Leve euro ou use o cartão, e saque uma quantia pequena da moeda local num caixa eletrônico de banco (não nos caixas independentes de zona turística, que cobram tarifas maiores).

03Américas e Caribe: onde o dólar é rei (e onde não é)

Países que usam o próprio dólar americano: Equador, El Salvador e Panamá (que tem o balboa atrelado 1:1, mas as notas que circulam são dólares americanos). Para esses destinos, a conta é direta: compre dólar no Brasil e pronto.

Caribe turístico: quase todo resort e operador de passeio em Punta Cana, Cancún, Aruba e Curaçao cota preços em dólar e aceita pagamento em dólar. A moeda local existe e rende troco melhor em mercados e táxis locais, mas o viajante de resort consegue passar a semana inteira só com USD e cartão. Gorjetas em dólar (US$ 1–5) são o padrão da região.

América do Sul: cada país com sua moeda, e dois casos pedem atenção:

  • Argentina: o câmbio argentino muda de regime com frequência — cotações e regras para cartão estrangeiro variam de ano para ano. Não decore números de posts antigos: confira a situação na semana da viagem e considere levar parte em dólares para trocar lá, prática comum entre viajantes. Faixas de preço e prudência valem mais que qualquer tabela.
  • Uruguai: peso uruguaio, destino surpreendentemente caro para padrões sul-americanos. Cartão amplamente aceito; não vale estocar espécie.

Chile: peso chileno (1.000 CLP ≈ R$ 5–6, estimativa julho/2026), cartão muito bem aceito em Santiago; espécie útil para feiras e táxis. México: pague em peso sempre que puder — preços “em dólar” em zona turística costumam embutir conversão desfavorável.

E o real? Fora das cidades de fronteira (Paraguai, Uruguai, Argentina em zonas de divisa), o real brasileiro praticamente não é aceito nem trocado no exterior. Não conte com ele: a conversão, quando existe, é ruim.

04Cartão × dinheiro vivo: a conta real de cada um

O custo de gastar no exterior tem três componentes que muita gente esquece de somar:

  1. IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): 3,5% nas compras com cartão internacional e na compra de moeda em espécie. Detalhes e formas de reduzir no guia do IOF no cartão internacional.
  2. Spread: a diferença entre a cotação comercial e a que você efetivamente paga. Em casas de câmbio, costuma ficar entre 2% e 6%; em cartões de conta global, entre 0% e 2% (estimativas de mercado, julho/2026).
  3. Tarifas pontuais: saque internacional (fixo por operação), tarifa do caixa eletrônico local, anuidade.

Na prática, para a maioria dos destinos a combinação vencedora é: um cartão de conta internacional para o grosso dos gastos + espécie local para o miúdo (mercados de rua, gorjetas, transporte, banheiros pagos na Europa). Compare as opções no guia do melhor cartão para viagem internacional — e leve sempre um segundo cartão de bandeira diferente como plano B.

Onde a espécie ainda manda: mercados e comércio pequeno no Marrocos, no Egito e no interior da Tailândia; táxis em boa parte do mundo; gorjetas nos EUA e no Caribe. Onde a espécie quase desapareceu: Escandinávia, Reino Unido, Coreia do Sul e, cada vez mais, as grandes cidades do Japão — que já foi território do dinheiro vivo e hoje aceita cartão na maior parte do circuito turístico.

A pegadinha do DCC: na hora de pagar, a maquininha pergunta se você quer pagar “em reais” ou na moeda local. Escolha SEMPRE a moeda local. A opção “em reais” (Dynamic Currency Conversion) usa a taxa de câmbio da loja ou do banco local, em geral 3–8% pior que a da bandeira do seu cartão. É dinheiro perdido com um toque de botão — e a pergunta aparece também em caixas eletrônicos.

05Quanto levar em dinheiro vivo — e onde comprar

Não existe número mágico, mas existe método. Uma referência prática por perfil (estimativas, julho/2026):

PerfilEspécie por dia (por pessoa)Exemplo: 7 dias na Europa
Quase tudo no cartão€10–20 (só o miúdo)€70–140
Misto (padrão)€30–50€210–350
Prefere espécie€60–90€420–630

Três regras que evitam dor de cabeça:

  • Compre moeda com antecedência e em mais de uma cotação. A pior taxa do mercado costuma ser a do balcão do aeroporto no dia do embarque. O guia onde comprar dólar mais barato compara os canais, e a página de câmbio do myroteiro ajuda a acompanhar as cotações.
  • Para moedas “fechadas” ou raras (dirham marroquino, libra egípcia, baht, rand), leve dólar ou euro e troque no destino — casas de câmbio locais dão taxas melhores do que qualquer opção no Brasil, onde essas moedas nem sempre existem em estoque.
  • Divida a espécie: uma parte na carteira do dia, o resto no cofre do hotel ou em bolso interno. Perder tudo de uma vez é o único jeito de a espécie sair mais cara que o cartão.

E o Pix? Ele começou a atravessar fronteiras em alguns mercados — o guia Pix no exterior explica onde funciona de verdade e onde ainda é promessa.

06As moedas atreladas ao dólar (e por que isso facilita sua vida)

Algumas moedas têm câmbio fixo com o dólar americano — o valor não flutua. Para o viajante, isso significa duas coisas: a conversão mental é sempre a mesma, e levar dólares para esses destinos é quase tão bom quanto levar a moeda local.

  • Dirham dos Emirados (AED): fixo em 3,67 por dólar desde os anos 1990. Em Dubai, divida o preço por 3,67 para pensar em dólar — ou multiplique por ~R$ 1,40 (julho/2026) para pensar em real.
  • Florim de Aruba (AWG): fixo em 1,79 por dólar. Na prática, os preços da ilha aparecem em dólar na maioria dos lugares turísticos.
  • Florim do Caribe (Curaçao): mesma paridade de 1,79 — a moeda substituiu o antigo florim das Antilhas em 2025, mas o câmbio fixo continuou.
  • Dólar de Hong Kong (HKD): banda fixa em torno de 7,8 por dólar americano.
  • Balboa do Panamá: paridade 1:1 — e as cédulas que circulam são dólares americanos mesmo.

A leitura prática: se o seu roteiro passa por dois ou mais desses destinos (uma escala em Dubai a caminho da Ásia + Caribe nas férias seguintes, por exemplo), dólares que sobraram nunca são dinheiro parado — servem na próxima viagem sem nova ida à casa de câmbio, sem novo IOF e sem novo spread.

07Erros comuns com moeda em viagem (e como evitá-los)

1. Trocar tudo no aeroporto na véspera. É o câmbio mais caro do circuito. Planeje a compra com semanas de antecedência e acompanhe a cotação.

2. Levar euro para Londres ou para a Suíça. Vai precisar trocar de novo, pagando segundo spread. Confira a moeda do país antes — inclusive das escalas longas em que pretende sair do aeroporto.

3. Aceitar o DCC (“pagar em reais”) na maquininha. Sempre moeda local. Sem exceção.

4. Depender de um único cartão. Bloqueio por suspeita de fraude no exterior acontece — avise o banco pelo app antes de viajar e leve um segundo cartão de outra bandeira, além de alguma espécie.

5. Voltar com moeda sobrando em cédulas pequenas e moedas metálicas. Casas de câmbio recompram cédulas (com spread), mas moedas metálicas em geral não são recompradas — gaste-as no aeroporto de volta ou guarde para a próxima viagem se a moeda for forte (euro, dólar, libra).

6. Decorar cotação de país volátil. Argentina e Turquia mudam rápido. A cotação que seu amigo pegou na viagem dele pode não existir mais na sua.

7. Não somar o custo total. IOF + spread + tarifa fazem diferença de verdade num orçamento de R$ 15.000–25.000 de uma viagem internacional típica de casal. Vinte minutos comparando canais de câmbio e cartões pagam o jantar de despedida. Nos roteiros do myroteiro, a moeda do destino, a ordem de grandeza em reais e as formas de pagamento mais eficientes já vêm organizadas na seção prática do documento, revisadas por humanos.

Perguntas frequentes

Qual é a moeda de Dublin?+
Euro. Dublin fica na República da Irlanda, que faz parte da zona do euro. Atenção para não confundir: Belfast, na Irlanda do Norte, pertence ao Reino Unido e usa libra esterlina — na mesma ilha, duas moedas.
Qual moeda levar para a Cidade do Cabo?+
A moeda da África do Sul é o rand (ZAR), na faixa de R$ 0,26–0,32 em julho/2026 (estimativa). O rand é difícil de comprar no Brasil: leve dólares ou euros para trocar lá, ou use cartão internacional, que é bem aceito em Cape Town.
Posso pagar em dólar na Europa?+
Em regra, não. A Europa opera nas moedas locais (euro, libra, franco, coroas), e estabelecimentos que aceitam dólar aplicam conversão desfavorável. Dólar na Europa serve no máximo como reserva de emergência para trocar em casa de câmbio.
Qual moeda usar em Punta Cana?+
A moeda oficial é o peso dominicano, mas nos resorts e passeios de Punta Cana o dólar americano é aceito em praticamente tudo, inclusive gorjetas. A maioria dos viajantes passa a semana só com dólares e cartão, usando pesos apenas fora da zona hoteleira.
Qual é a moeda do Chile e quanto vale em real?+
O peso chileno (CLP). Em julho/2026, 1.000 pesos equivalem a cerca de R$ 5–6 (estimativa). Cartão é muito bem aceito em Santiago e nas vinícolas; tenha algum peso em espécie para feiras, táxis e comércio pequeno.
Real brasileiro é aceito em algum país?+
Na prática, só em cidades de fronteira — como Ciudad del Este, no Paraguai, e pontos de divisa com Uruguai e Argentina — e mesmo assim com conversão ruim. Fora da América do Sul, o real não é aceito nem facilmente trocado. Viaje com dólar, euro ou cartão.
O que é DCC e por que devo recusar?+
DCC (Dynamic Currency Conversion) é quando a maquininha ou o caixa eletrônico oferece cobrar 'em reais' em vez da moeda local. A taxa de conversão usada é a do lojista ou banco local, em geral 3–8% pior que a da bandeira do cartão. Escolha sempre a moeda local.
Sobrou moeda estrangeira da viagem. O que fazer?+
Cédulas de moedas fortes (dólar, euro, libra) valem a pena guardar para a próxima viagem — evitam novo IOF e novo spread. Cédulas de moedas fracas ou voláteis, recambie logo. Moedas metálicas dificilmente são recompradas: gaste no aeroporto antes de embarcar.

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