Documentação e vistos

Global Entry para brasileiros: guia real 2026

O Brasil está no Global Entry desde 2022, mas em 2026 a porta segue fechada para novas inscrições — e quase ninguém avisa isso antes de você planejar. Aqui está o processo completo, a conta real de US$ 120 por 5 anos e por que o Mobile Passport Control não é o plano B que prometem.

11 min de leituraAtualizado em 25 de julho de 2026Por myroteiro

Você desembarca em Miami depois de nove horas de voo noturno. São 7h da manhã, quatro voos chegaram juntos, e a fila da imigração serpenteia por um salão inteiro: uma hora e quarenta até o guichê. Ao seu lado, um americano encosta o rosto num quiosque, pega o recibo e cruza a fronteira em dois minutos. O nome disso é Global Entry — e o Brasil faz parte do programa desde 2022.

Só que tem um detalhe que quase nenhum texto sobre o assunto deixa claro logo de cara: desde meados de 2024, o CBP (Customs and Border Protection, a autoridade de fronteira dos EUA) suspendeu o recebimento de novas inscrições de cidadãos brasileiros — e, em julho de 2026, a fila continua fechada, sem data anunciada para reabrir. Quem já é membro segue usando normalmente. Quem quer entrar, espera.

Este guia explica como o programa funciona quando está aberto — a etapa brasileira com Polícia Federal, Receita Federal e Serpro, a taxa de US$ 120, a entrevista final —, faz a conta real de valer ou não a pena para quem vai aos EUA uma vez por ano, e desmonta um mito repetido por aí: o de que o app Mobile Passport Control seria o plano B do brasileiro. Para quem viaja com visto B1/B2, não é.

O essencial em 30 segundos

  • >Global Entry custa US$ 120 (na casa de R$ 650–700, conforme câmbio e IOF), vale 5 anos e inclui TSA PreCheck nos voos domésticos americanos — cerca de US$ 24 por ano.
  • >Novas inscrições de brasileiros estão suspensas pelo CBP desde meados de 2024 e seguiam suspensas em julho de 2026, sem prazo para retomada; quem já é membro continua usando normalmente.
  • >Global Entry não substitui visto: o brasileiro precisa de B1/B2 válido no passaporte para se inscrever e para usar os quiosques.
  • >A etapa brasileira do processo passa por Polícia Federal e Receita Federal, via sistema do Serpro, antes da decisão final — que é sempre do CBP.
  • >Mobile Passport Control não é alternativa para o brasileiro comum: o app aceita cidadãos americanos, residentes permanentes, canadenses com B1/B2 e viajantes com ESTA — o B1/B2 brasileiro fica de fora.

01O que é o Global Entry (e o que ele não é)

O Global Entry é o programa de viajante confiável do CBP. A lógica é simples: você entrega seus dados, passa por checagem de antecedentes nos dois países e por uma entrevista; em troca, nas próximas chegadas aos EUA, pula a fila comum da imigração e usa um quiosque com biometria facial — na prática, minutos em vez de uma hora ou mais nos horários de pico de aeroportos como Miami, JFK e Orlando.

US$ 120taxa única, não reembolsável
5 anosvalidade da adesão
US$ 24custo por ano, diluído

O pacote traz um bônus que muita gente ignora: membros do Global Entry ganham acesso ao TSA PreCheck, a fila rápida de segurança nos voos domésticos dentro dos EUA — sem tirar sapato, sem tirar notebook da mala. Se o seu roteiro combina, por exemplo, Orlando com Nova York, isso vale nas duas pernas internas.

Agora, o que o Global Entry não é:

  • Não é visto. Brasileiro continua precisando de visto B1/B2 válido — os EUA não têm ESTA para o Brasil, nem mesmo em conexão.
  • Não é garantia de entrada. O oficial pode, a qualquer momento, encaminhar um membro para inspeção secundária. O programa acelera o processo; não blinda ninguém.
  • Não é transferível. A adesão é individual — cada pessoa da família paga e passa pelo processo completo, inclusive crianças (com isenção de taxa para menores de 18 acompanhados de responsável membro, regra vigente desde o reajuste de 2024).

02Status em julho de 2026: novas inscrições suspensas

Aqui está a parte que ninguém te conta antes de você abrir o formulário. O Brasil entrou oficialmente no Global Entry em 2022, com festa e comunicado da Polícia Federal. Em meados de 2024, porém, o CBP suspendeu o recebimento de novas inscrições de cidadãos brasileiros — primeiro alegando problemas técnicos, depois citando questões de segurança e privacidade, sem detalhar. Em julho de 2026, a suspensão seguia em vigor, sem cronograma público de retomada.

Suspenso não é cancelado. O programa continua de pé para quem já entrou — a porta é que está fechada para novos brasileiros, sem data para reabrir.

O que isso significa na prática, caso a caso:

  • Já é membro ativo: nada muda. Os quiosques continuam funcionando para você, e o TSA PreCheck também.
  • Tinha aprovação condicional pendente: acompanhe sua conta no portal Trusted Traveler Programs (ttp.dhs.gov) — é lá que o CBP comunica qualquer mudança de status ou instrução sobre a entrevista.
  • Quer se inscrever agora: não há fila para entrar. Monitore o site oficial do CBP (cbp.gov, página "Global Entry for Citizens of Brazil") e o portal TTP; desconfie de qualquer site que prometa "inscrição garantida" mediante pagamento.
Antes de pagar qualquer coisaA taxa de US$ 120 é oficial, paga apenas dentro do portal ttp.dhs.gov, e não é reembolsável — nem em caso de negativa, nem de suspensão. Se alguém cobra para "agilizar" o Global Entry de brasileiros enquanto as inscrições estão suspensas, é intermediário vendendo o que não existe. Confira o status na fonte oficial antes de mover um centavo.

03Como funciona o processo quando está aberto

Vale entender o fluxo completo por dois motivos: primeiro, porque a suspensão pode ser revertida a qualquer momento e quem conhece o processo sai na frente; segundo, porque o desenho do programa para brasileiros tem uma etapa nacional que não existe para outros países.

EtapaO que acontecePrazo típico
1. Conta no TTPCadastro no portal Trusted Traveler Programs (via login.gov) e formulário completo: dados pessoais, CPF, passaporte, visto americano, histórico de viagens e endereços30–60 min de preenchimento
2. PagamentoUS$ 120 no cartão, dentro do próprio portal — não reembolsávelImediato
3. Checagem brasileiraPolícia Federal e Receita Federal analisam antecedentes via sistema do Serpro; o resultado subsidia a decisão americanaSemanas
4. Aprovação condicionalO CBP cruza os dados e, se tudo estiver limpo, libera a etapa da entrevistaSemanas a meses
5. EntrevistaEm um Enrollment Center nos EUA (com agendamento) ou via Enrollment on Arrival, ao desembarcar de um voo internacional10–20 min de conversa
6. Aprovação finalAdesão ativa por 5 anos; seu número KTN vale para o TSA PreCheck

Dois detalhes que fazem diferença:

  • A decisão é sempre do CBP. A etapa Serpro/PF/Receita filtra pendências brasileiras (antecedentes criminais, situação fiscal), mas quem aceita ou recusa é o governo americano — e ele não explica negativas.
  • Enrollment on Arrival resolve a entrevista sem agendamento. Em vez de caçar horário em um Enrollment Center (as agendas de cidades turísticas lotam com meses de antecedência), quem tem aprovação condicional pode fazer a entrevista na chegada do próximo voo internacional aos EUA, em aeroportos participantes. Para quem mora no Brasil, é de longe o caminho mais prático.

Os prazos acima são históricos, de quando o programa operava normalmente para brasileiros — trate como referência, não como promessa. E responda o formulário com precisão de documento: divergência entre o que você declara e o que o sistema cruza é o jeito mais bobo de perder US$ 120.

04A conta real: vale a pena para quem vai 1x por ano?

Vamos ao número, sem romantizar. US$ 120 por 5 anos dá US$ 24 por ano — com dólar e IOF de meados de 2026, algo na casa de R$ 130–140 anuais. Não é o preço de um seguro viagem; é o preço de dois cafés em aeroporto americano.

O que você compra com isso é tempo em um lugar específico: o salão de imigração. Em picos de chegada de voos do Brasil — manhãs em Miami e Orlando, fins de tarde em JFK —, a fila comum pode passar tranquilamente de uma hora. O quiosque do Global Entry resolve em minutos. Se a sua conexão para outro voo depende dessa fila, a diferença deixa de ser conforto e vira o voo seguinte — faça a simulação no nosso calculador de tempo de conexão antes de fechar itinerário.

A conta real é essa: US$ 24 por ano para transformar a pior fila da viagem em dois minutos de quiosque. O problema em 2026 não é o preço — é que a porta está fechada.

Para quem vai uma vez por ano, a matemática fecha com folga: cinco entradas no período de validade, mais o TSA PreCheck em cada trecho doméstico, por menos de R$ 150 anuais. Para quem vai uma vez a cada três anos, é discutível — você pagaria US$ 120 por talvez duas utilizações, e a fila comum, embora lenta, funciona.

Um aviso sobre cartões: o famoso benefício de "Global Entry reembolsado pelo cartão de crédito" vale, na prática, para cartões emitidos nos EUA. Cartões brasileiros premium — mesmo os Black — em geral não trazem esse crédito. Confira as regras do seu emissor antes de contar com o reembolso; na dúvida, assuma que os US$ 120 saem do seu bolso.

05Global Entry vs Mobile Passport Control: o plano B que não é

Desde a suspensão, virou lugar-comum indicar o app Mobile Passport Control (MPC) como "alternativa gratuita ao Global Entry". O app existe, é oficial do CBP, é gratuito e de fato acelera a chegada: você preenche a declaração pelo celular antes de descer do avião e usa uma fila dedicada em dezenas de aeroportos americanos. Só tem um problema, e ele é eliminatório.

Global EntryMobile Passport Control
Quem pode usarCidadãos de países conveniados (Brasil incluído, com inscrições suspensas em 2026)Cidadãos americanos, residentes permanentes, canadenses com B1/B2 e viajantes do Visa Waiver com ESTA
Brasileiro com visto B1/B2Elegível quando as inscrições estão abertasNão elegível
CustoUS$ 120 por 5 anosGratuito
Checagem prévia + entrevistaSimNão
TSA PreCheck incluídoSimNão
O que aceleraQuiosque próprio, pula a fila comumFila dedicada, declaração pré-enviada

Ninguém te conta isso: o MPC aceita cidadãos americanos, residentes permanentes, canadenses portando visto B1/B2 e viajantes de países do Visa Waiver Program com ESTA aprovado. O Brasil não está no Visa Waiver — não existe ESTA para brasileiro — e a exceção do B1/B2 vale para a cidadania canadense, não para o visto em si. Tradução: o brasileiro típico, de passaporte azul e visto de turista, não pode usar o app.

As exceções reais são poucas: brasileiros com green card, dupla cidadania americana ou canadense, ou cidadania de um país do Visa Waiver (um ítalo-brasileiro viajando com passaporte italiano e ESTA, por exemplo). Se você se encaixa numa delas, o MPC é gratuito e funciona. Se não, siga para a próxima seção — o plano B de verdade é menos glamouroso.

06O que fazer enquanto as inscrições não reabrem

Sem Global Entry e sem MPC, o brasileiro volta ao básico bem-feito. A boa notícia: a fila comum da imigração americana é lenta, mas previsível — e dá para tirar atrito dela com preparação.

  1. Chegue com as respostas prontas. O oficial vai perguntar onde você fica, por quanto tempo e com que dinheiro. Endereço do hotel anotado (não "está no e-mail"), passagem de volta acessível, seguro e reservas à mão. O nosso guia de o que responder na imigração americana cobre as perguntas reais, uma a uma.
  2. Desenhe conexões com folga. Sem fila rápida, considere a imigração no primeiro ponto de entrada como um bloco de 60–90 minutos em horário de pico — antes de recuperar mala e redespachar. Conexão doméstica de 1h20 depois de voo internacional é aposta, não planejamento.
  3. Verifique o visto com antecedência. A espera por agendamento de visto B1/B2 varia por consulado e por época; quem deixa para o fim descobre que o gargalo da viagem nunca foi a fila do aeroporto.
  4. Monitore a fonte oficial, não boato. A retomada das inscrições, se vier, será anunciada em cbp.gov e no portal ttp.dhs.gov. Grupo de WhatsApp não é fonte de política migratória.
Onde o myroteiro entra nissoNo dossiê do myroteiro, a chegada nos EUA já vem resolvida: tempo de conexão calculado com margem real, documentos de entrada organizados num bloco só e alertas se alguma regra mudar antes do embarque — inclusive uma eventual reabertura do Global Entry para brasileiros. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser. Os planos estão em myroteiro.com/precos.

E se as inscrições reabrirem antes da sua próxima viagem? Aí a recomendação é direta: quem visita os EUA ao menos uma vez por ano deveria entrar na fila do Global Entry no primeiro dia. A conta de US$ 24 anuais se paga na primeira manhã de pico em Miami.

Perguntas frequentes

O Global Entry está aberto para brasileiros em 2026?+
Não para novas inscrições. O CBP suspendeu o recebimento de aplicações de cidadãos brasileiros em meados de 2024, alegando questões técnicas e, depois, de segurança e privacidade. Em julho de 2026 a suspensão seguia em vigor, sem data anunciada para retomada. O status oficial é publicado na página "Global Entry for Citizens of Brazil" do site cbp.gov — confira lá antes de qualquer decisão.
Quem já tem Global Entry perde o benefício com a suspensão?+
Não. A suspensão atinge apenas novas inscrições. Membros brasileiros ativos continuam usando os quiosques normalmente, com o TSA PreCheck incluído, até o fim da validade de 5 anos. Quem está com aprovação condicional pendente deve acompanhar as instruções na própria conta do portal Trusted Traveler Programs (ttp.dhs.gov), onde o CBP comunica mudanças de status.
Preciso de visto americano mesmo tendo Global Entry?+
Sim, sempre. O Global Entry acelera a fila da imigração, mas não substitui o visto: brasileiro precisa de B1/B2 válido para entrar nos EUA, inclusive em conexão — não existe ESTA para o Brasil. Se o visto vence, o benefício fica inutilizável até você renová-lo. Visto e Global Entry são processos separados, com taxas e prazos independentes.
Quanto custa o Global Entry e a taxa é reembolsável?+
US$ 120, pagos uma única vez dentro do portal oficial ttp.dhs.gov, com validade de 5 anos. A taxa não é reembolsável em nenhuma hipótese — nem se a aplicação for negada. Menores de 18 anos são isentos quando aplicam junto de responsável legal que já é membro ou está com processo em andamento, regra vigente desde o reajuste de outubro de 2024.
Brasileiro pode usar o app Mobile Passport Control em vez do Global Entry?+
Em geral, não. O MPC aceita cidadãos americanos, residentes permanentes, cidadãos canadenses com visto B1/B2 e viajantes de países do Visa Waiver Program com ESTA. O Brasil está fora do Visa Waiver, então o brasileiro com passaporte brasileiro e visto de turista não é elegível. As exceções são quem tem green card ou segunda cidadania americana, canadense ou de país do Visa Waiver.
O que é Enrollment on Arrival e como funciona para quem mora no Brasil?+
É a possibilidade de fazer a entrevista final do Global Entry na chegada de um voo internacional aos EUA, em aeroportos participantes, sem agendamento prévio. Para quem mora no Brasil, é o caminho mais prático: evita disputar horário nos Enrollment Centers, cujas agendas em cidades turísticas costumam lotar com meses de antecedência. Vale apenas para quem já tem aprovação condicional no sistema.
Global Entry garante que vou passar pela imigração sem problemas?+
Não. O programa presume que você é viajante de baixo risco, mas o oficial do CBP mantém autoridade total: pode fazer perguntas adicionais e encaminhar qualquer membro à inspeção secundária. Respostas inconsistentes, visto em situação irregular ou histórico de estadias longas continuam pesando. O Global Entry reduz fila, não escrutínio — prepare a entrevista de chegada como faria sem ele.

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