Saúde em viagem

Vacina febre amarela: países que exigem em 2026

O certificado de vacinação contra a febre amarela é gratuito, sai pelo celular e vale para a vida toda — mas precisa estar pronto 10 dias antes do embarque. Veja quais países exigem o documento de quem sai do Brasil, como emitir o CIVP sem sair de casa e as pegadinhas de conexão que ninguém te conta.

9 min de leituraAtualizado em 13 de setembro de 2026Por myroteiro

Você compra a passagem para Cartagena, Cusco ou Cidade do Panamá, monta o roteiro, arruma a mala — e descobre no balcão do check-in que a companhia aérea quer ver um certificado de vacinação que você nunca emitiu. Acontece toda semana em Guarulhos. A pegadinha da febre amarela é que a exigência não depende do país para onde você vai, e sim do país de onde você vem: o Brasil está na lista de áreas com risco de transmissão, e por isso dezenas de países pedem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) de quem embarca daqui. A boa notícia: a vacina é gratuita em qualquer posto de saúde, a dose é única e vale para a vida toda, e o certificado sai pelo aplicativo Meu SUS Digital sem custo. A má notícia: nada disso se resolve em cima da hora — o certificado só passa a valer 10 dias depois da vacinação. Neste guia, a gente mostra quais países exigem o CIVP de brasileiros em 2026, o passo a passo para emitir o documento de casa e os erros de prazo e de conexão que derrubam até viajante experiente. Ninguém te conta isso no grupo da família — então vamos por partes.

O essencial em 30 segundos

  • >A vacina é gratuita no SUS, em dose única, e vale para a vida toda — o padrão da OMS adotado pelo Brasil em 2017 dispensa reforço para viajar.
  • >O CIVP (certificado internacional) é emitido de graça pela Anvisa via app Meu SUS Digital, em até 5 dias úteis.
  • >O certificado só passa a valer 10 dias após a vacinação — quem se vacina na véspera viaja com documento inválido.
  • >Dezenas de países exigem o CIVP de quem parte do Brasil: Colômbia, Peru, Bolívia, Costa Rica, Cuba, África do Sul, Índia e Austrália estão na lista.
  • >Europa, Estados Unidos, Canadá, Japão, Argentina e Chile não exigem o certificado de brasileiros — a regra pega quem vai para Américas tropicais, África, Ásia e Oceania.

01O que é o CIVP e por que o Brasil entra na mira

O CIVP — Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia — é o documento oficial, previsto no Regulamento Sanitário Internacional da OMS, que comprova para autoridades estrangeiras que você está vacinado contra a febre amarela. No Brasil, quem emite é a Anvisa, de graça, e o documento sai em formato aceito por qualquer país que siga o regulamento.

Aqui mora a primeira confusão: o comprovante da UBS não é o CIVP. O cartãozinho de vacinação nacional (ou o registro no aplicativo) prova a dose dentro do Brasil, mas não tem valor internacional. Para atravessar fronteira, é preciso converter esse registro no certificado internacional — um passo extra que muita gente só descobre no aeroporto.

A segunda confusão é mais traiçoeira. A exigência da vacina não é uma regra do destino contra a doença em si — é uma barreira sanitária contra viajantes que vêm de áreas onde a febre amarela circula. E o Brasil, com transmissão registrada em várias regiões, está oficialmente nessa lista.

O CIVP não é sobre o país para onde você vai — é sobre o país de onde você vem. É por isso que a Tailândia, que não tem febre amarela, pede o certificado de quem chega do Brasil.

Na prática: um alemão entra na Tailândia sem certificado nenhum; você, saindo de Guarulhos, precisa apresentar o documento. A conta real é essa — e ela vale para dezenas de destinos, como mostra a tabela a seguir.

02Países que exigem a vacina de brasileiros em 2026

A referência oficial é a lista simplificada publicada pela Anvisa no portal gov.br, que reúne os países que exigem o CIVP de viajantes procedentes do Brasil. Em julho de 2026, ela cobre dezenas de destinos — a maior concentração na África e nas Américas, mais um bloco na Ásia e na Oceania que cobra o certificado de quem vem de área de risco. O quadro abaixo resume por região:

RegiãoExigem de quem vem do BrasilObservação
América do SulBolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, VenezuelaEm parte dos casos, a exigência vale para regiões específicas (a Amazônia, por exemplo)
América Central e CaribeBahamas, Belize, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Trinidad e TobagoCosta Rica e Cuba cobram de todos os viajantes acima de 9 meses vindos do Brasil
ÁfricaÁfrica do Sul, Angola, Egito, Gana, Nigéria, Quênia, Tanzânia, Uganda, entre outrosMaior bloco da lista da Anvisa — dezenas de países do continente
Ásia e Oriente MédioÍndia, Tailândia, Malásia, Filipinas, Arábia Saudita, entre outrosExigem de quem procede de área de risco — o que inclui o Brasil
OceaniaAustrália, FijiContam até conexão longa em área de risco no caminho

Duas nuances importantes. Primeiro, a regra muda de país para país: alguns exigem o CIVP de todo viajante vindo do Brasil, enquanto outros só cobram se você for visitar regiões específicas do território deles. Segundo, a lista muda com o tempo — um surto novo endurece regras da noite para o dia, como aconteceu com a Costa Rica, que ampliou a exigência para viajantes de mais países da região a partir de 2025.

Confirme sempre na fonte

Antes de comprar a passagem, confira a lista simplificada da Anvisa no gov.br e, na dúvida, o consulado do destino — incluindo os países de conexão. Este guia foi conferido em julho de 2026, mas exigência sanitária muda sem aviso.

03Quem não precisa: Europa, EUA e outros destinos

Tão importante quanto saber quem exige é saber quem não exige — porque muita gente corre atrás de vacina sem necessidade. Nenhum país da Europa exige o CIVP de brasileiros em turismo: nem o espaço Schengen, nem Reino Unido, nem Irlanda. Estados Unidos, Canadá, México e Japão também não pedem. E, na vizinhança, Argentina, Chile e Uruguai ficam fora da lista.

Isso não significa embarque livre: cada um desses destinos tem as próprias exigências de documentação — as regras do espaço Schengen, o visto americano B1/B2, a isenção de visto do Japão. A vacina é só uma peça do quebra-cabeça documental.

Vale também separar exigência de recomendação. Para o Pantanal, Foz do Iguaçu e boa parte do próprio Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação para a sua proteção — mas ninguém barra você na estrada por isso. Exigência de fronteira e recomendação de saúde são coisas diferentes: este guia trata da primeira, e o guia completo de vacinas de viagem cobre a segunda, destino por destino.

04Como emitir o CIVP de graça pelo celular

O caminho inteiro custa R$ 0 e, se os seus registros estiverem em ordem, não exige sair de casa:

  1. Tome a vacina numa UBS. A vacina contra febre amarela é gratuita no SUS e está disponível em praticamente qualquer posto de saúde, sem agendamento na maioria das cidades. Leve documento com foto e, se tiver, o cartão de vacinação.
  2. Abra o app Meu SUS Digital (Android e iOS), entre com a conta gov.br, toque em Vacinas e depois em CIVP. Doses aplicadas a partir de 30/12/2022 já constam no sistema, e o certificado é liberado em até 5 dias úteis.
  3. Vacina antiga ou dose que não aparece? Se você se vacinou antes disso, ou o registro não consta, faça a solicitação pelo portal gov.br (serviço de obtenção do Certificado Internacional de Vacinação) anexando o comprovante — ou procure um posto da Anvisa em aeroportos e portos, com atendimento presencial.
  4. Confira os dados. O nome no CIVP precisa bater exatamente com o do passaporte. Divergência de sobrenome ou de data de nascimento é motivo real de dor de cabeça na imigração.
Imprima e salve o PDF

O CIVP digital é aceito, mas aeroporto tem wi-fi ruim e celular descarrega. Salve o PDF no telefone, mande para o seu próprio e-mail e leve uma cópia impressa na mala de mão. Redundância barata evita perrengue caro.

Quem se vacinou em clínica privada também consegue emitir: a clínica registra a dose no sistema nacional de imunização, e o caminho pelo aplicativo é o mesmo. Se a dose não aparecer, o comprovante emitido pela clínica serve de base para a solicitação pelo portal.

05O prazo de 10 dias e a validade para a vida toda

A regra que mais derruba viajante: o certificado só passa a valer 10 dias depois da vacinação. Não é burocracia — é o tempo que o corpo leva para desenvolver imunidade. Quem se vacina na segunda-feira e embarca na sexta chega à fronteira com um documento tecnicamente inválido, e a companhia aérea pode negar o embarque ainda no Brasil.

A contrapartida é generosa: desde abril de 2017, o Brasil segue o padrão da OMS de dose única com validade vitalícia. Se você tomou a vacina uma vez na vida — mesmo há 20 anos —, está coberto, sem reforço, e o CIVP emitido não expira nunca. Certificados antigos que traziam validade de 10 anos continuam valendo: a OMS aboliu a exigência de reforço, e os países signatários passaram a aceitar o documento como permanente.

Vacinou em cima da hora?

Se faltam menos de 10 dias para o embarque e você acabou de se vacinar, o CIVP sai com a data de início da validade impressa — e a imigração confere essa data. Remarcar o voo ou arriscar ser barrado é uma decisão que ninguém quer tomar no balcão. Resolva a vacina com pelo menos 3 semanas de folga.

Para crianças, a primeira dose entra aos 9 meses de idade — e é justamente a partir dos 9 meses que a maioria dos países passa a exigir o certificado; bebês menores ficam dispensados. Já quem tem 60 anos ou mais só recebe a vacina após avaliação médica, porque o risco de eventos adversos aumenta com a idade.

06Conexões, trânsito e as pegadinhas que derrubam viajante

O detalhe que quase ninguém verifica: alguns países exigem o CIVP não só de quem vem do Brasil, mas de quem passou por área de risco no caminho. A Austrália, por exemplo, trata trânsito aeroportuário acima de 12 horas em país de risco como exposição — uma conexão demorada em Bogotá ou Adis Abeba pode acionar a exigência mesmo sem sair da área de embarque. Já a Índia usa outra régua: libera quem fica o tempo todo dentro do aeroporto de conexão, mas passa a exigir o certificado de quem chega ao destino final em até 6 dias depois de ter deixado uma área de risco.

Outras situações que geram problema real:

  • Roteiro multipaís: você entra no Chile (não exige) e segue para a Bolívia (exige). A cobrança aparece na segunda fronteira, quando o posto de vacinação mais próximo ficou a milhares de quilômetros.
  • Quem barra é a companhia aérea: a checagem costuma acontecer no check-in, porque a empresa é penalizada se transportar passageiro sem documento exigido no destino. Não conte com resolver na chegada.
  • Isenção médica: gestantes, imunossuprimidos e outros casos com contraindicação podem viajar com o Certificado de Isenção, emitido com justificativa médica — a maioria dos países aceita, mas confirme antes com o consulado.
  • Cruzeiros e fronteiras terrestres: a exigência vale igual em porto e estrada, e a fiscalização terrestre na América do Sul é menos previsível que a dos aeroportos.

Se a viagem envolve várias fronteiras, cruze essa verificação com o restante da papelada — o checklist completo de viagem internacional ajuda a não deixar nada de fora.

07Como encaixar tudo isso no planejamento da viagem

No planejamento, a vacina da febre amarela é o tipo de item que custa zero e se resolve em uma tarde — desde que entre no calendário cedo. Os três números que importam:

R$ 0custo da vacina no SUS e do CIVP na Anvisa
10 diasprazo mínimo entre a vacina e o embarque
1 dosevale para a vida toda, sem reforço

E a régua de datas que funciona:

  • D-30 ou antes: confira se o destino (e as conexões) está na lista da Anvisa; abra o Meu SUS Digital e veja se a sua dose antiga aparece no sistema.
  • D-21: se nunca se vacinou, tome a dose agora — folga tripla sobre o prazo de 10 dias.
  • D-15: emita o CIVP pelo aplicativo e confira nome e data de nascimento contra o passaporte.
  • D-7: imprima, salve o PDF e coloque na pasta de documentos da viagem.

É exatamente o tipo de verificação que o myroteiro faz por você: ao montar o seu roteiro, o sistema cruza destinos, conexões e datas e aponta o que precisa estar em dia — vacina, visto, seguro — com o prazo real para resolver cada item. O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser. E se o planejamento está começando do zero, o passo a passo completo e o checklist de 90 dias mostram em que semana cada tarefa entra no calendário.

Perguntas frequentes

Quanto custam a vacina e o certificado internacional (CIVP)?+
Nada. A vacina contra febre amarela é gratuita em qualquer UBS do SUS, e o CIVP é emitido sem custo pela Anvisa, pelo app Meu SUS Digital ou pelo portal gov.br. Clínicas privadas aplicam a mesma vacina cobrando algumas centenas de reais — só faz sentido para quem precisa de horário fora do expediente do posto de saúde.
Tomei a vacina há muitos anos e perdi o comprovante. E agora?+
Primeiro, confira o app Meu SUS Digital: doses registradas aparecem lá, e as aplicadas desde 30/12/2022 geram o CIVP direto. Se o registro antigo em papel se perdeu e nada consta no sistema, procure a UBS onde se vacinou — muitas mantêm arquivo — ou, no limite, tome nova dose: revacinar não traz risco, e o relógio dos 10 dias recomeça.
Preciso de reforço da vacina de febre amarela para viajar?+
Não, se você se vacinou a partir dos 5 anos de idade: desde 2017 o Brasil segue a OMS com dose única de validade vitalícia, e certificados antigos que traziam validade de 10 anos passaram a valer para sempre. A exceção é o calendário infantil: criança vacinada aos 9 meses recebe uma dose de reforço aos 4 anos.
Criança precisa do CIVP para viajar?+
A partir de 9 meses de idade, sim, na maioria dos países que exigem o certificado — Costa Rica e Cuba, por exemplo, cobram de todos os viajantes acima dessa idade vindos do Brasil. Bebês com menos de 9 meses ficam dispensados, porque a vacina ainda não é indicada. O CIVP da criança é emitido pelo responsável, pelo mesmo caminho no app ou no portal.
Quem não pode tomar a vacina consegue viajar mesmo assim?+
Em geral, sim. Gestantes, imunossuprimidos, pessoas com alergia grave a ovo e outros casos com contraindicação podem solicitar o Certificado de Isenção, emitido com laudo médico junto à Anvisa. A maioria dos países aceita o documento no lugar do CIVP, mas a palavra final é da imigração local — confirme com o consulado do destino antes de embarcar.
O CIVP digital no celular é aceito ou preciso imprimir?+
O documento digital emitido pelo Meu SUS Digital tem validade oficial e costuma ser aceito. Na prática, imprimir é a jogada segura: fiscalização em fronteira terrestre, aeroporto sem internet e celular descarregado são cenários reais. Leve o PDF salvo no aparelho e uma cópia impressa na mala de mão — custa uma folha de papel.
Fiz só conexão em um país de risco. Preciso do certificado no destino final?+
Depende do tempo e do país. A Austrália, por exemplo, trata trânsito aeroportuário acima de 12 horas em área de risco como exposição e pode exigir o CIVP. Já a Índia libera quem não sai da área do aeroporto, mas cobra o certificado de quem chega ao destino final em até 6 dias depois de ter deixado uma área de risco. Como a régua varia por país, confira a regra do destino final para o seu itinerário exato antes de comprar a passagem.

Esse documento entra na checagem da sua viagem.

Ao montar seu roteiro, o myroteiro confere a validade do seu passaporte para as datas da viagem e lista as exigências de entrada de cada país do itinerário, sempre com a fonte oficial.

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