Sete e quarenta da manhã na Rua Henri Dunant, em São Paulo. Você está na fila do Consulado sem celular — ficou no guarda-volumes pago da esquina —, com uma pasta de holerites, extratos e declaração de imposto de renda que ninguém vai abrir. A pessoa da frente ensaia baixinho a resposta para «quanto tempo vai ficar». Você repassa mentalmente o roteiro. E então a conversa no guichê dura menos do que a espera para chegar até ele.
Quase todo mundo entende a entrevista como uma conferência de documentos. Não é. Pela lei americana, todo solicitante de visto de visitante é presumido imigrante até provar o contrário — é o que diz a Seção 214(b) da Lei de Imigração e Nacionalidade. O oficial não está lendo a sua pasta; está medindo, em três ou quatro perguntas, se a sua vida no Brasil pesa mais do que qualquer motivo para ficar nos Estados Unidos. Quem chega com resposta decorada erra exatamente onde o oficial olha.
Este guia reúne o que a Embaixada e os Consulados dos EUA no Brasil e o serviço oficial de agendamento publicam sobre a entrevista, em consulta feita em 13/09/2026: o que o oficial avalia, as perguntas que de fato aparecem no guichê, os documentos exigidos e os inúteis, a taxa de US$ 185, as regras de renovação sem entrevista e o que muda quando a resposta é negativa. Onde a fonte oficial não publica um número, a frase vem sem ele.
O essencial em 30 segundos
- >A entrevista não é conferência de documentos: pela Seção 214(b), todo solicitante de visto de visitante é presumido imigrante até convencer o oficial do contrário — e a recusa por esse artigo não admite recurso, só nova solicitação com novo formulário e nova taxa.
- >A taxa MRV do visto de visitante (B1/B2) é de US$ 185 por pessoa, crianças incluídas, não reembolsável e não transferível; paga-se por cartão de crédito, boleto ou Pix, e o recibo vale por 365 dias.
- >Desde 01/05/2025, o código de barras «AA» do DS-160 apresentado no guichê tem de ser idêntico ao usado no agendamento — se não for, você não é atendido e precisa reagendar.
- >Renovação sem entrevista em 2026: visto B1/B2 válido ou expirado há menos de 12 meses, emitido com validade total quando você tinha ao menos 18 anos e nunca recusado; o Brasil ficou fora da lista de 59 nacionalidades que perderam esse direito em 07/08/2025.
- >Celular, smartwatch, tablet, notebook, líquidos e bolsas grandes não entram na Embaixada nem nos Consulados, e não existe guarda-volumes oficial — resolva isso antes de chegar à fila.
01O que o oficial avalia: a Seção 214(b) sem juridiquês
A entrevista existe por causa de um único parágrafo da lei americana. A Seção 214(b) da Lei de Imigração e Nacionalidade (INA) diz que toda pessoa que pede um visto de não imigrante é presumida imigrante — ou seja, alguém que pretende ficar — até convencer o oficial consular do contrário. O ônus é seu, não dele. Ele não precisa provar que você vai ficar; você precisa mostrar que vai voltar.
A Embaixada dos EUA no Brasil explica em uma frase o que isso significa quando a resposta é negativa:
«Se você solicitou um visto de não imigrante e foi recusado de acordo com a Seção 214(b) da Lei de Imigração e Nacionalidade (INA), a decisão não pode ser revista ou contestada. No entanto, você pode realizar uma nova solicitação se tiver evidências adicionais para demonstrar suas qualificações para o visto.» — Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, página «Vistos de Não Imigrante», consultada em 13/09/2026
E a mesma Embaixada, no compromisso público que assume com quem se candidata, descreve o que o oficial está fazendo durante aqueles minutos: «usaremos o tempo limitado disponível para a entrevista para obter uma impressão, a mais detalhada possível, de seus planos de viagem e intenções». Impressão. Não auditoria.
O que pesa a favor: os «vínculos»
A palavra que a Embaixada usa é vínculos — «vínculos suficientes fora dos Estados Unidos para convencer o oficial consular de que sairá dos Estados Unidos voluntariamente ao final de sua estadia autorizada». Na prática, vínculo é tudo o que te puxa de volta e que você não abandonaria por um emprego informal em outro país:
- Emprego estável ou empresa própria — com tempo de casa, cargo e renda coerentes entre si;
- Família que fica — cônjuge, filhos, pais que dependem de você;
- Patrimônio e obrigações — imóvel, financiamento, matrícula em curso, contrato de aluguel;
- Histórico de viagens — saídas do Brasil com retorno no prazo, sobretudo a países que exigem visto;
- Coerência — o motivo da viagem, a duração e quem paga precisam fechar com a renda declarada.
O que não pesa: o padrinho americano
Ninguém te conta isso na fila: a carta-convite do primo que mora em Orlando não muda a análise. A Embaixada é direta — «cidadãos dos EUA não podem patrocinar a solicitação de um visitante. Um visitante deve se qualificar individualmente para um visto dos EUA, independentemente do interesse do cidadão americano». Parente nos Estados Unidos é, aliás, um dos temas que o oficial explora com mais atenção, porque é um vínculo do lado errado da fronteira.
O que o oficial já sabe antes de você abrir a boca
Na tela dele está o seu DS-160 inteiro, o histórico de vistos anteriores (aprovados e negados), as digitais colhidas no CASV e o resultado das checagens de segurança. A primeira prova da entrevista, portanto, é silenciosa: suas respostas precisam bater com o que você escreveu. Um salário no formulário e outro no guichê, um cargo que muda de nome, uma data de viagem que não fecha — é aí que a impressão azeda.
02As perguntas reais, tema por tema — e o que cada uma mede
A Embaixada não publica um roteiro de perguntas, e o oficial tem liberdade para escolher o que perguntar. Mas as perguntas giram em torno de cinco temas, porque são os cinco temas que a Seção 214(b) obriga a avaliar. Saber o que está sendo medido vale mais do que qualquer resposta pronta.
1. Propósito e plano de viagem
- «Qual é o motivo da viagem?»
- «Para onde você vai? Quais cidades?»
- «Quanto tempo pretende ficar?»
- «Já comprou passagem? Já tem hotel?»
O que está sendo medido: se o plano é específico e proporcional. «Turismo em Orlando com os filhos, dez dias, em julho» fecha; «conhecer os Estados Unidos, uns dois meses, ainda não sei bem» abre uma segunda pergunta. Sobre passagem e hotel, a própria Embaixada diz que não é necessário apresentar passagens — e comprar antes de ter o visto é um risco financeiro que ela não pede que você assuma. Se você já reservou, tudo bem; se não, diga que reserva depois da aprovação. (O myroteiro identifica e analisa — você reserva onde quiser.)
2. Trabalho e renda
- «Onde você trabalha? O que faz lá?»
- «Há quanto tempo está nessa empresa?»
- «Quanto você ganha por mês?»
- «Quem vai pagar a viagem?»
- Para autônomos e empresários: «Qual é a sua empresa? Quantos funcionários? Quem cuida dela enquanto você viaja?»
O que está sendo medido: se a renda sustenta a viagem descrita e se o emprego é um motivo real para voltar. Responda o número redondo que consta no DS-160, sem arredondar para cima — o oficial compara com o formulário, não com o seu extrato.
3. Família e quem fica
- «É casado? Tem filhos? Eles vão viajar com você?»
- «Com quem seus filhos ficam?»
- «Seus pais moram no Brasil?»
O que está sendo medido: quem depende de você aqui. Viajar com toda a família ao mesmo tempo não é problema em si — mas, nesse caso, o oficial vai procurar o vínculo em outro lugar: emprego, casa, escola dos filhos.
4. Histórico de viagens e de vistos
- «Já viajou para fora do Brasil? Para onde?»
- «Já esteve nos Estados Unidos? Quando? Por quanto tempo ficou?»
- «Já teve algum visto negado?»
O que está sendo medido: comportamento passado. Quem já entrou e saiu de países com visto no prazo tem o melhor argumento que existe. Uma recusa anterior, se houve, já está na tela — negar é a única resposta realmente ruim.
5. Contatos nos Estados Unidos
- «Tem parentes ou amigos lá? Vai visitar alguém?»
- «Vai ficar na casa de alguém?»
- «Alguém da sua família mora nos Estados Unidos sem documentos?»
O que está sendo medido: se existe uma rede que facilitaria ficar. Ter parente lá não é motivo de recusa; esconder que tem, quando o sistema já sabe, é.
A tabela: pergunta, medida, resposta e erro
| Pergunta típica | O que o oficial está medindo | Resposta que funciona | Erro comum |
|---|---|---|---|
| «Qual o motivo da viagem?» | Especificidade e proporção do plano | Uma frase concreta: quem, onde, quando, por quanto tempo | Vago («conhecer», «ver como é») ou discurso ensaiado |
| «Quanto tempo vai ficar?» | Coerência com renda, férias e emprego | Dias exatos, batendo com o DS-160 | «Uns dois meses, depende» — abre a porta da presunção de imigrante |
| «Onde trabalha e quanto ganha?» | Vínculo econômico e capacidade de pagar | Cargo, tempo de casa e o mesmo valor do formulário | Inflar a renda; cargo diferente do declarado |
| «Quem paga a viagem?» | Compatibilidade entre gasto e renda | «Eu», ou o parente que sustenta, com relação clara | Terceiro sem vínculo evidente |
| «Já teve visto negado?» | Honestidade — a resposta já está na tela | «Sim, em tal ano; o que mudou desde então foi…» | Negar ou minimizar |
| «Tem parentes nos EUA?» | Rede que facilitaria permanecer | Dizer quem são e qual a situação deles | Omitir um irmão que mora lá |
| «Por que agora?» | Motivo plausível para a data | Férias, evento, aniversário, período escolar dos filhos | Não ter resposta |
| «Quem vai com você?» | Se toda a família sai junto e o que fica | Nomear os acompanhantes e o vínculo que permanece no Brasil | Contradizer o que os acompanhantes disseram |
03Documentos: o que é exigido, o que fica na pasta e o que não passa pela porta
Aqui mora a distinção que ninguém faz. Existem três pilhas de coisas: as que a Seção Consular exige para te atender, as que podem ajudar se o oficial pedir, e as que não entram no prédio. Misturar as três é a forma mais comum de chegar estressado e sair sem entrevista.
Exigidos (sem eles, você não é atendido)
- Passaporte válido. Ninguém te conta isso: o serviço de agendamento pede validade de pelo menos seis meses além da estadia, mas a Embaixada esclarece que «cidadãos do Brasil estão isentos da regra de seis meses e precisam apenas ter um passaporte válido para o período de permanência pretendido». Ainda assim, renove antes se está perto de vencer — o visto é colado no passaporte e morre com ele.
- Página de confirmação do DS-160, com o código de barras que começa com «AA». Desde 01/05/2025, ele tem de ser idêntico ao número registrado no agendamento. Nas palavras da Embaixada: «se você comparecer à entrevista e o código de barras do DS-160 for diferente do registrado em seu agendamento, você não poderá ser atendido».
- Confirmação do agendamento impressa a partir do site oficial.
- Passaporte anterior com o último visto americano, se houver — mesmo vencido.
- Foto impressa 5 x 5 cm, colorida, fundo branco, tirada nos últimos seis meses — exigida em Porto Alegre e Recife, onde não há CASV e a biometria é feita no próprio Consulado. Em Brasília, Rio e São Paulo a foto digital é feita no CASV; crianças menores de 7 anos precisam levar foto impressa mesmo assim.
Podem ajudar — se, e somente se, o oficial pedir
O serviço de agendamento classifica os comprovantes de vínculo como documentos que «podem ser úteis», não como obrigatórios. Leve-os organizados, mas não os empurre pela janela: o oficial pede o que quer ver.
- Holerites recentes, carteira de trabalho ou contrato; para empresários, contrato social e comprovante de faturamento;
- Declaração de Imposto de Renda do último exercício;
- Extratos bancários que mostrem movimentação normal, não um depósito grande na véspera;
- Comprovante de matrícula (estudantes) ou declaração da escola dos filhos;
- Certidão de casamento e de nascimento dos filhos, quando a família fica;
- Escritura ou contrato de financiamento de imóvel.
O que não passa pela porta
A regra de segurança da Embaixada é taxativa, e não há exceção para «deixar no balcão»:
«Solicitantes de visto e cidadãos dos EUA não estão autorizados a entrar na Embaixada ou Consulados com telefones celulares e outros dispositivos eletrônicos (incluindo, entre outros, smartwatches, dispositivos de monitoramento de atividades, como fitbits, tablets, laptops e outros dispositivos de gravação). Líquidos/bebidas também não são permitidos (exceto para requerentes com crianças que necessitem de copo ou mamadeira). Bolsas ou sacolas, com exceção de uma bolsa pequena ou equivalente, também não são permitidas.» — Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil
E o detalhe que custa a manhã de muita gente: «a Embaixada e os Consulados não possuem instalações de armazenamento para tais itens». Os guarda-volumes que existem ao redor são de empresas privadas, cobram por isso e não têm qualquer vínculo com o governo americano. Quem chega de outra cidade com mala precisa resolver isso antes.
Quem entra com você
Só quem tem entrevista marcada: «solicitantes não são permitidos dentro da Seção Consular sem uma entrevista agendada», e todos passam por revista de segurança. Acompanhante adulto de criança entra como responsável; amigo, namorado ou despachante, não. Sobre crianças, a regra de 2026 é clara: menores de 14 anos não precisam ir ao CASV — e solicitantes com 80 anos ou mais também não, mesma dispensa —, mas «todos os solicitantes devem comparecer a esta entrevista, independentemente da idade» — vale para bebês e para avós no primeiro visto.
04Na prática, passo a passo: do DS-160 ao passaporte de volta
O processo tem uma ordem, e ela importa: o formulário vem antes do pagamento, o pagamento antes do agendamento, e o CASV antes do Consulado. Inverter qualquer etapa gera cancelamento.
- Preencha e envie o DS-160 em ceac.state.gov — um por pessoa, inclusive crianças. Anote o Application ID e a resposta da pergunta de segurança: a Embaixada avisa que você vai precisar deles para reabrir o formulário. Imprima a página de confirmação com o código de barras «AA». O formulário pede, entre outras coisas, os identificadores das suas redes sociais — exigência do Departamento de Estado desde 31/05/2019.
- Crie o perfil no serviço oficial de agendamento (ais.usvisa-info.com), informe o número do DS-160 de cada solicitante e pague a taxa MRV de US$ 185 por pessoa. O pagamento é feito no Brasil por cartão de crédito, boleto ou Pix; o recibo vale por 365 dias e a taxa não é reembolsável nem transferível — mesmo que o visto seja negado.
- Agende as duas etapas (Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo). Primeiro o CASV, onde se colhem digitais e foto, com pelo menos 1 dia de antecedência em relação à entrevista no Consulado. O CASV funciona de segunda a sexta, das 7h às 16h; em São Paulo, também aos domingos, das 12h às 16h. Menores de 14 anos não precisam ir ao CASV — o responsável leva os documentos e a foto impressa da criança.
- Em Porto Alegre e Recife o fluxo é diferente: não há CASV, então é um único agendamento no Consulado, onde se faz a biometria e a entrevista no mesmo dia. Leve a foto impressa 5 x 5 cm.
- Dia da entrevista. Chegue «o mais próximo possível do horário marcado» — a orientação é literal, e a Embaixada explica que o agendamento por horário é o que permite atender todo mundo com eficiência. Sem eletrônicos, sem líquidos, uma bolsa pequena. Passe pela segurança, entregue passaporte e DS-160 no primeiro guichê, digitais de conferência, e espere ser chamado ao guichê do oficial.
- A conversa. Em pé, através de um vidro, com o oficial digitando enquanto você fala. A Embaixada não publica um tempo médio — e o dia inteiro é muito mais fila do que entrevista. Responda o que foi perguntado, com frases completas e curtas.
- O desfecho, na hora. Aprovado: o oficial fica com o passaporte para colar o visto. Recusado pela Seção 214(b): você recebe o passaporte de volta ali mesmo, com uma folha explicando a base legal. Pendente pela Seção 221(g): você recebe instruções sobre o documento ou a verificação que falta.
- O passaporte volta pelo CASV. Você escolhe, no agendamento, entre retirar no CASV mais próximo — que guarda o documento por apenas 30 dias — ou receber em casa ou no trabalho. O prazo do serviço de entrega é de até 3 dias úteis a partir do momento em que a Seção Consular repassa o documento ao courier, e a entrega já está incluída no que você pagou. Um e-mail com o código de rastreio avisa quando o passaporte sai.
05Renovação sem entrevista: quem se qualifica em 2026 e quem voltou para o guichê
O Programa de Isenção de Entrevista permite renovar o visto apenas entregando documentos no CASV (Brasília, Rio, São Paulo) ou no Centro de Entrega de Documentos (Porto Alegre, Recife). Ele mudou várias vezes desde 2025, e a própria Embaixada avisa: «esses requisitos podem mudar, então é possível que você não se qualifique mais, mesmo que já tenha participado desse programa no passado».
Os critérios em vigor (todos, ao mesmo tempo)
Segundo a página oficial da Embaixada consultada em 13/09/2026, você pode ser elegível se:
- é cidadão brasileiro ou residente permanente no Brasil, solicitando o visto em território brasileiro;
- seu visto B1/B2 (ou H-2/A) está válido ou expirou há menos de 12 meses;
- tinha pelo menos 18 anos quando o visto anterior foi emitido;
- o visto anterior foi emitido com validade total — um visto de validade reduzida não conta;
- o visto anterior não foi perdido, roubado, cancelado ou revogado;
- nunca teve um visto recusado (a menos que a recusa tenha sido depois revertida ou perdoada);
- não tem nenhuma inelegibilidade aparente ou potencial.
O sistema de agendamento faz essas perguntas ao criar o perfil e diz se você se enquadra. O CASV confere de novo no atendimento; se não bater, ele mesmo orienta a marcar entrevista. E mesmo quem passa em tudo pode ser chamado: «ainda assim poderá ser solicitado que compareça à Embaixada ou ao Consulado para uma entrevista». Isenção é possibilidade, não direito.
O que mudou em 2025 e por que o Brasil escapou
Em 07/08/2025, o Departamento de Estado suspendeu a isenção de entrevista para nacionais de 59 países — todos passaram a comparecer pessoalmente, inclusive para renovar. A lista tem vizinhos próximos (Venezuela, Cuba, Haiti) e destinos frequentes de brasileiros (Egito), mas o Brasil não está nela. Um mês depois, em 06/09/2025, veio a regra de solicitar o visto no país de residência ou nacionalidade. O efeito combinado, para quem mora no Brasil: a renovação sem entrevista continua existindo, mas só aqui, e só dentro dos critérios acima.
Primeiro visto: idade não isenta
Uma confusão frequente vem de regras antigas que dispensavam crianças e idosos da entrevista. Em 2026, a orientação da Embaixada para o primeiro visto é que todos compareçam ao Consulado, «independentemente da idade». Menores de 14 anos pulam apenas o CASV. Uma família de quatro com filhos pequenos, portanto, vai ao guichê em quatro.
06Quanto custa de verdade — e o que acontece quando a resposta é «não»
A conta real da entrevista tem uma linha oficial e várias linhas invisíveis.
A linha oficial: US$ 185 por pessoa
A taxa de solicitação (MRV) do visto de visitante é de US$ 185, cobrada por solicitante — o bebê de colo paga o mesmo que o pai. É paga no Brasil, em reais, pelo serviço oficial de agendamento, por cartão de crédito, boleto ou Pix; a conversão é feita pelo próprio serviço no dia do pagamento, e por isso este guia não te dá um valor em reais — ele muda com o câmbio, e você o verá na tela antes de confirmar. Nas palavras do serviço: «o Departamento de Estado Americano não emite reembolsos da taxa». Negado o visto, o dinheiro fica.
As linhas invisíveis
- Deslocamento. Só cinco cidades atendem: Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Porto Alegre. Quem mora fora delas soma passagem, hospedagem e, se CASV e Consulado caírem em dias diferentes, uma noite a mais.
- Dia de trabalho. A entrevista é em horário comercial, e entre fila, segurança e espera, conte a manhã inteira.
- Guarda-volumes privado para o celular, já que não há armário oficial.
- Renovação de passaporte, se o seu está perto de vencer — o visto morre com o passaporte.
E a taxa de US$ 250?
Em 04/07/2025, a lei federal americana Public Law 119-21 criou, na Seção 100007, a Visa Integrity Fee: uma taxa de US$ 250 a ser cobrada «de qualquer estrangeiro a quem se emita um visto de não imigrante, no momento da emissão», corrigida anualmente pela inflação, sem possibilidade de isenção, e com reembolso apenas depois que o visto expirar, se o titular provar que cumpriu todas as condições — inclusive ter deixado os Estados Unidos em até 5 dias após o fim do período autorizado. É lei, mas depende de regulamentação para ser cobrada. Em 13/09/2026, a página oficial de taxas do serviço de agendamento no Brasil listava apenas os US$ 185 da MRV. Antes de pagar qualquer coisa, confira o que aparece na sua tela e leia nosso guia sobre a taxa de US$ 250 no visto americano.
Quando a resposta é «não»: três desfechos diferentes
- Seção 214(b) — recusa. Você não convenceu o oficial de que vai voltar. Não há recurso nem revisão. Pode pedir de novo a qualquer momento — «deve agendar uma nova entrevista», «enviar um novo formulário de solicitação e pagar uma nova taxa» —, mas a Embaixada é honesta: «você deve considerar aguardar para fazer uma nova solicitação quando suas circunstâncias mudarem». Pedir de novo na semana seguinte, com a mesma vida, costuma render a mesma folha.
- Seção 221(g) — pendência. Falta um documento ou uma verificação. «Isso não significa que o visto foi recusado permanentemente. Isso significa que são necessárias ações adicionais antes que uma decisão final possa ser tomada.» Você recebe, na entrevista, as instruções de como enviar o que falta.
- Processo administrativo. Alguns casos exigem checagens adicionais depois da entrevista, com prazo maior. O oficial avisa na hora. A Embaixada não publica um prazo — e este guia também não inventa um.
07Como se preparar: o que a Embaixada pede de você — e o que guardar depois
A melhor lista de preparação não é de blog: é a da própria Embaixada, no compromisso que ela publica para quem pede visto. Depois de listar o que promete fazer, ela escreve o que espera de você:
«Esperamos que você, solicitante de visto: planeje sua viagem e solicitação de visto o mais cedo possível; preencha sua solicitação completa e corretamente; seja aberto sobre seus propósitos e planos; e prepare-se para a entrevista para ser capaz de descrever clara e concisamente suas intenções.» — Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, «Informações importantes sobre vistos»
Quatro frases, quatro instruções operacionais. Traduzidas para a véspera da entrevista:
Na semana anterior
- Releia o seu DS-160 do começo ao fim. Cada resposta no guichê tem de bater com ele: salário, cargo, datas, endereços, viagens anteriores, parentes nos Estados Unidos.
- Escreva uma frase — uma só — que responda «por que você vai e por que você volta». Se ela não cabe em uma respiração, não está pronta.
- Confirme o código de barras «AA» no perfil de agendamento. É a checagem que evita ser mandado de volta antes de falar com alguém.
- Organize a pasta por tema (trabalho, família, patrimônio) e aceite que ela pode voltar fechada.
- Redes sociais: o DS-160 pede seus identificadores, e a resposta precisa ser verdadeira. A exigência de deixar os perfis públicos, ampliada em 25/03/2026, vale para categorias como F, M, J, H-1B e K — o visto de turista (B1/B2) não está nessa lista. Nada muda o fato de que o que você publica pode ser lido.
No dia
- Celular fora do prédio antes de entrar na fila. Uma bolsa pequena. Passaporte atual, passaporte antigo com visto, DS-160, confirmação do agendamento — e a foto 5 x 5 cm se for Porto Alegre ou Recife.
- Roupa de dia de trabalho; nada de figurino.
- Responda a pergunta feita, não a que você ensaiou. Se não entendeu, peça para repetir. Se não sabe, diga que não sabe.
Depois — o que guardar
- Confira o visto assim que ele chegar. Erro de grafia ou de data se corrige levando o passaporte ao CASV onde o processo começou, sem agendamento.
- Entenda a data de validade: ela «é a última data em que você tem permissão para chegar a um porto de entrada nos Estados Unidos» — não o tempo que você pode ficar. Esse tempo quem decide é o oficial da CBP na chegada, a cada viagem. A próxima conversa, aliás, é com ele: veja nosso guia sobre o que responder na imigração dos EUA.
- Guarde a confirmação do DS-160 e o recibo da taxa junto com o dossiê da viagem. Na renovação, dentro dos 12 meses, você vai querer saber exatamente o que declarou.
- Passaporte antigo com visto válido nunca vai para o lixo: ele viaja junto do novo.
Se você monta a viagem com o myroteiro, esses documentos entram no mesmo dossiê que reúne reservas, seguro e alertas. Ele organiza e avisa; não garante aprovação de visto — ninguém garante, e quem promete isso está vendendo o que não controla. O que está no seu controle é chegar ao guichê com a vida arrumada e uma frase pronta. É o que este guia tentou entregar.
Perguntas frequentes
Quais são as perguntas mais comuns na entrevista do visto americano de turismo?+
Preciso levar comprovante de renda, passagem e reserva de hotel para a entrevista do visto?+
A entrevista do visto americano é em português? Quanto tempo dura?+
Meu visto foi negado pela Seção 214(b). Posso recorrer ou pedir de novo?+
O que significa receber a folha da Seção 221(g) na entrevista?+
Criança e idoso precisam ir à entrevista do visto americano em 2026?+
Posso renovar o visto americano sem entrevista em 2026?+
A taxa de US$ 250 do visto americano já está sendo cobrada dos brasileiros?+
Preciso deixar minhas redes sociais públicas para tirar o visto de turista?+
Esse documento entra na checagem da sua viagem.
Ao montar seu roteiro, o myroteiro confere a validade do seu passaporte para as datas da viagem e lista as exigências de entrada de cada país do itinerário, sempre com a fonte oficial.
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